sábado, 17 de janeiro de 2015

Evangelho do Dia


Domingo, dia 18 de Janeiro de 2015

2º Domingo do Tempo Comum - Ano B
Segundo Domingo do Tempo Comum (semana II do saltério)

Santa Margarida da Hungria, v., +1270, Santa Prisca ou Priscila, v. m., +séc. I(?)

Comentário do dia
Basílio de Selêucia : «André levou o irmão até Jesus»

1 Sam. 3,3b-10.19.

Naqueles dias, Samuel dormia no templo do Senhor, onde se encontrava a arca de Deus.
O Senhor chamou Samuel, e ele respondeu: "Aqui estou".
E, correndo para junto de Heli, disse: "Aqui estou, porque me chamaste". Mas Heli respondeu: "Eu não te chamei; torna a deitar-te". E ele foi deitar-se.
O Senhor voltou a chamar Samuel. Samuel levantou-se, foi ter com Heli e disse: "Aqui estou, porque me chamaste". Heli respondeu: "Não te chamei, meu filho; torna a deitar-te".
Samuel ainda não conhecia o Senhor, porque, até então, nunca se lhe tinha manifestado a palavra do Senhor.
O Senhor chamou Samuel pela terceira vez. Ele levantou-se, foi ter com Heli e disse: "Aqui estou, porque me chamaste". Então Heli compreendeu que era o Senhor que chamava pelo jovem.
Disse Heli a Samuel: "Vai deitar-te; e se te chamarem outra vez, responde: 'Falai, Senhor, que o vosso servo escuta'". Samuel voltou para o seu lugar e deitou-se.
O Senhor veio, aproximou-Se e chamou como das outras vezes: "Samuel, Samuel!". E Samuel respondeu: "Falai, Senhor, que o vosso servo escuta".
Samuel foi crescendo; o Senhor estava com ele, e nenhuma das suas palavras deixou de cumprir-se.


Salmos 40(39),2.4ab.7-8a.8b-9.10.

Esperei no Senhor com toda a confiança
e Ele atendeu-me.
Pôs em meus lábios um cântico novo,
um hino de louvor ao nosso Deus.

Não Vos agradaram sacrifícios nem oblações,
mas abristes-me os ouvidos;
não pedistes holocaustos nem expiações,
então clamei: "Aqui estou".

De mim está escrito no livro da Lei
que faça a vossa vontade.
Assim o quero, ó meu Deus,
a vossa lei está no meu coração.

Proclamei a justiça na grande assembleia,
não fechei os meus lábios, Senhor, bem o sabeis.



1 Cor. 6,13c-15a.17-20.

Irmãos: O corpo não é para a imoralidade, mas para o Senhor, e o Senhor é para o corpo.
Deus, que ressuscitou o Senhor, também nos ressuscitará a nós pelo seu poder.
Não sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo?
Aquele que se une ao Senhor constitui com Ele um só Espírito.
Fugi da imoralidade. Qualquer outro pecado que o homem cometa é exterior ao seu corpo; mas o que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo.
Não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós e vos foi dado por Deus? Não pertenceis a vós mesmos,
porque fostes resgatados por grande preço: glorificai a Deus no vosso corpo.


João 1,35-42.

Naquele tempo, estava João Baptista com dois dos seus discípulos
e, vendo Jesus que passava, disse: "Eis o Cordeiro de Deus".
Os dois discípulos ouviram-no dizer aquelas palavras e seguiram Jesus.
Entretanto, Jesus voltou-Se; e, ao ver que O seguiam, disse-lhes: "Que procurais?". Eles responderam: "Rabi - que quer dizer 'Mestre' - onde moras?".
Disse-lhes Jesus: "Vinde ver". Eles foram ver onde morava e ficaram com Ele nesse dia. Era por volta das quatro horas da tarde.
André, irmão de Simão Pedro, foi um dos que ouviram João e seguiram Jesus.
Foi procurar primeiro seu irmão Simão e disse-lhe: "Encontrámos o Messias" - que quer dizer 'Cristo' -;
e levou-o a Jesus. Fitando os olhos nele, Jesus disse-lhe: "Tu és Simão, filho de João. Chamar-te-ás Cefas" - que quer dizer 'Pedro'.



Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário do dia:

Basílio de Selêucia (?-c. 468), bispo
Sermão em louvor de Santo André, 3-4; PG 28, 1103

«André levou o irmão até Jesus»

André conhecia estas palavras de Moisés: «O Senhor, teu Deus, suscitará no meio de vós, de entre os teus irmãos, um profeta como eu; a ele deves escutar» (Dt 18,15). Ouve agora João Baptista exclamar: «Eis o Cordeiro de Deus» (Jo 1,29) e, ao vê-Lo, vem espontaneamente ter com Ele: reconheceu o profeta anunciado pela profecia, e leva seu irmão até junto daquele que encontrou, mostrando a Pedro o tesouro que este não conhecia: «Encontrámos o Messias, Aquele que desejámos. Esperávamos a sua vinda; contemplemo-Lo agora. Encontrámos Aquele por quem a portentosa voz dos profetas nos ordenava que esperássemos. O tempo presente trouxe-nos Aquele que a graça havia anunciado, Aquele que o amor esperava ver.»



André foi então ao encontro de seu irmão Simão e partilhou com ele o tesouro da sua contemplação, conduzindo Pedro até ao Senhor. Espantosa maravilha! André não é ainda discípulo, mas tornou-se já condutor de homens. É a ensinar que ele começa a aprender e que adquire a dignidade de apóstolo: «Encontrámos o Messias. Depois de tantas noites passadas sem dormir nas margens do Jordão, encontrámos agora o objecto dos nossos desejos.»


Pedro estava pronto para seguir este chamamento; o irmão de André avançou cheio de fervor e de ouvido atento […]. Quando, mais tarde, Pedro vier a ter uma conduta admirável, devê-la-á ao que André houvera semeado. Mas o louvor dado a um recai igualmente sobre o outro; porque os bens de um pertencem ao outro, e um glorifica-se nos bens do outro.







sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Evangelho do Dia


Sabado, dia 17 de Janeiro de 2015

Sábado da 1a semana do Tempo Comum

Santo Antão, abade, +356

Comentário do dia
Santo Ambrósio : «Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os enfermos»

Heb. 4,12-16.

Irmãos: A palavra de Deus é viva e eficaz, mais cortante que uma espada de dois gumes: ela penetra até ao ponto de divisão da alma e do espírito, das articulações e medulas, e é capaz de discernir os pensamentos e intenções do coração.
Por isso não há criatura que possa fugir à sua presença: tudo está patente e descoberto aos olhos d'Aquele a quem devemos prestar contas.
Tendo nós um sumo sacerdote eminente que atravessou os Céus, Jesus, Filho de Deus, permaneçamos firmes na profissão da nossa fé.
Na verdade, nós não temos um sumo sacerdote incapaz de se compadecer das nossas fraquezas. Pelo contrário, Ele mesmo foi provado em tudo, à nossa semelhança, exceto no pecado.
Vamos, portanto, cheios de confiança, ao trono da graça, a fim de alcançarmos misericórdia e obtermos a graça de um auxílio oportuno.


Salmos 19(18),8.9.10.15.

A lei do Senhor é perfeita,
ela reconforta a alma;
as ordens do Senhor são firmes,
dão sabedoria aos simples.

Os preceitos do Senhor são retos
e alegram o coração;
Os mandamentos do Senhor são claros
e iluminam os olhos.

O temor do Senhor é puro
e permanece eternamente;
os juízos do Senhor são verdadeiros,
todos eles são retos.

Aceitai as palavras da minha boca
e os pensamentos do meu coração
estejam na vossa presença:
Vós, Senhor, sois o meu amparo e redentor.




Marcos 2,13-17.

Naquele tempo, Jesus saiu de novo para a beira-mar. A multidão veio ao seu encontro, e Ele começou a ensinar a todos.
Ao passar, viu Levi, filho de Alfeu, sentado no posto de cobrança, e disse-lhe: "Segue-me". Ele levantou-se e seguiu Jesus.
Encontrando-Se Jesus à mesa em casa de Levi, muitos publicanos e pecadores estavam também à mesa com Jesus e os seus discípulos, pois eram muitos os que O seguiam.
Os escribas do partido dos fariseus, ao verem-n'O comer com os pecadores e os publicanos, diziam aos discípulos: "Por que motivo é que Ele come com publicanos e pecadores?".
Jesus ouviu e respondeu-lhes: "Não são os que têm saúde que precisam do médico, mas os que estão doentes. Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores".



Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário do dia:

Santo Ambrósio (c. 340-397), bispo de Milão, doutor da Igreja
Comentário sobre Lucas 5, 23.27

«Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os enfermos»

O apóstolo Paulo disse: «Despi-vos do homem velho, com as suas obras, e revesti-vos do homem novo» (Col 3,9-10). […] Tal foi a obra que Cristo realizou ao chamar Levi: refê-lo, fez dele um homem novo. É também a título de criatura nova que o antigo publicano oferece um festim a Cristo, pois Cristo regozijou-Se nele e ele mereceu ter parte na alegria de Cristo. […] E desde então seguiu-O feliz, alegre, transbordando de alegria.


«Já não farei mais figura de publicano», disse ele; «já não tenho em mim o velho Levi; Despi-me de Levi e revesti-me de Cristo. Fugi da minha primeira vida. Não quero senão seguir-Te, Senhor Jesus, a Ti que curaste as minhas feridas. "Quem poderá separar-nos do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome?" (Rom 8,35) Estou ligado a Ti pela fé, como se estivesse pregado com pregos, estou preso pelos liames do amor. Todos os teus mandamentos serão como um cautério que aplicarei sobre as minhas feridas; o remédio arde, mas tira a infecção da úlcera. Corta pois, Senhor Jesus, com a tua espada poderosa, a podridão dos meus pecados; vem depressa fazer uma incisão nas paixões escondidas, secretas, variadas. Purifica todas infecções com o banho novo.


Escutai-me, homens apegados à terra, vós que tendes o pensamento inebriado pelos vossos pecados: também eu, Levi, fui ferido por paixões semelhantes; mas encontrei um Médico que mora no céu e espalha os seus remédios pela terra. Só Ele pode curar as minhas feridas, Ele que as não tem; só Ele pode tirar a dor do coração e o langor da alma, pois Ele conhece tudo o que é oculto.»







quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Evangelho do Dia


Sexta-feira, dia 16 de Janeiro de 2015

Sexta-feira da 1a semana do Tempo Comum

S. Berardo, presb., e comp., mm., +1220, S. Marcelo I, papa mártir ,+309

Comentário do dia
Santo Agostinho : «Vieram, então, trazer-Lhe um paralítico»

Heb. 4,1-5.11.

Irmãos: Embora se mantenha a promessa de entrar no repouso de Deus, devemos recear que algum de vós corra o risco de ficar excluído.
Também nós recebemos a boa nova, como os nossos pais. Mas a palavra que eles ouviram de nada lhes serviu, por não estarem unidos pela fé àqueles que a ouviram.
Na verdade, nós que abraçamos a fé, entramos no repouso de que Deus falou, ao dizer: "Porque Eu jurei na minha ira: não entrarão no meu repouso". De facto, as obras de Deus estavam concluídas desde a criação do mundo,
pois em certa passagem falou assim do sétimo dia: "Ao sétimo dia Deus repousou de todas as suas obras";
e noutro lugar: "Não entrarão no meu repouso".
Apressemo-nos, portanto, a entrar nesse repouso, para que ninguém sucumba, imitando aquele exemplo de desobediência.


Salmos 78(77),3.4bc.6c-7.8.

O que ouvimos e aprendemos
e nossos pais nos contaram,
narraremos à geração futura:
o poder do Senhor e as suas maravilhas.

Ergam-se e transmitam a seus filhos
para que ponham em Deus a sua confiança
e não esqueçam as obras do Senhor,
mas guardem os seus mandamentos.

Para que não sejam como seus pais,
geração rebelde e obstinada,
que não teve coração reto
nem espírito fiel a Deus.




Marcos 2,1-12.

Quando Jesus entrou de novo em Cafarnaum e se soube que Ele estava em casa,
juntaram-se tantas pessoas que já não cabiam sequer em frente da porta; e Jesus começou a pregar-lhes a palavra.
Trouxeram-Lhe um paralítico, transportado por quatro homens;
e, como não podiam levá-lo até junto d'Ele, devido à multidão, descobriram o teto, por cima do lugar onde Ele Se encontrava e, feita assim uma abertura, desceram a enxerga em que jazia o paralítico.
Ao ver a fé daquela gente, Jesus disse ao paralítico: "Filho, os teus pecados estão perdoados".
Estavam ali sentados alguns escribas, que assim discorriam em seus corações:
Porque fala Ele deste modo? Está a blasfemar. Não é só Deus que pode perdoar os pecados?.
Jesus, percebendo o que eles estavam a pensar, perguntou-lhes: "Porque pensais assim nos vossos corações?
Que é mais fácil? Dizer ao paralítico 'Os teus pecados estão perdoados' ou dizer 'Levanta-te, toma a tua enxerga e anda'?
Pois bem. Para saberdes que o Filho do homem tem na terra o poder de perdoar os pecados,
'Eu te ordeno - disse Ele ao paralítico - levanta-te, toma a tua enxerga e vai para casa'".
O homem levantou-se, tomou a enxerga e saiu diante de toda a gente, de modo que todos ficaram maravilhados e glorificavam a Deus, dizendo: "Nunca vimos coisa assim".



Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário do dia:

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África), doutor da Igreja
Discursos sobre os Salmos, Sl 36, nº 3, §3

«Vieram, então, trazer-Lhe um paralítico»

Não poderemos nós levar um homem cujas forças interiores estão enfraquecidas, como o paralítico do Evangelho, e abrir-lhe o tecto das Escrituras para o fazer descer até aos pés do Senhor?


Vede bem, tal homem é um paralítico espiritual. Vejo esse tecto (da Escritura) e sei que Cristo Se esconde sob esse tecto. Farei portanto, na medida do possível, aquilo que o Senhor aprovou em relação aos que abriram o tecto da casa e desceram o paralítico. Na verdade, Ele disse-lhe: «Filho, os teus pecados estão perdoados.» E Jesus curou esse homem da sua paralisia interior: perdoou-lhe os pecados e firmou a sua fé.


Mas ali havia pessoas cujos olhos não conseguiam ver a cura da paralisia interior e que tomaram o Médico que a tinha operado por blasfemo. «Porque fala este assim? Blasfema! Quem pode perdoar pecados senão Deus?» Mas, como esse Médico era Deus, ouviu esses pensamentos dos seus corações. Eles acreditavam que Deus tinha verdadeiramente esse poder, mas não conseguiam ver que era Deus que estava diante deles. Então, o Médico agiu também sobre o corpo do paralítico, para curar a paralisia interior dos que assim falavam. Fez uma coisa que lhes permitisse ver e acreditar.


Tem pois coragem, tu que tens um coração frágil, tu que estás doente a ponto de seres incapaz de melhorar o mundo. Coragem, tu que estás paralisado interiormente! Juntos, abramos o tecto das Escrituras, para descermos até junto dos pés do Senhor.







quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Evangelho do Dia


Quinta-feira, dia 15 de Janeiro de 2015

Quinta-feira da 1ª semana do Tempo Comum

Santo Amaro ou Mauro, rel., +584, Santo Arnaldo Janssen, presbítero, fundador, +1909, S. Paulo, eremita, conf., +342, S. Franc. Fernandes de Capillas, presb., m., +1648

Comentário do dia
Rábano Mauro : «Se quiseres, podes purificar-me.»

Heb. 3,7-14.

Irmãos: Como diz o Espírito Santo, "Se hoje ouvirdes a voz do Senhor,
não endureçais os vossos corações, como no tempo da provação, no dia da tentação no deserto,
onde vossos pais Me tentaram e provocaram, apesar de terem visto as minhas obras, durante quarenta anos.
Por isso Me indignei contra essa geração e disse: É um povo de coração transviado, que não conhece os meus caminhos.
Por isso jurei na minha ira: não entrarão no meu repouso".
Tende cuidado, irmãos, que nenhum de vós tenha um coração mau e incrédulo, que o afaste do Deus vivo.
Exortai-vos uns aos outros todos os dias, enquanto dura o tempo que se chama 'hoje', para que nenhum de vós se endureça, seduzido pelo pecado.
Porque todos nós nos tornamos participantes de Cristo, desde que mantenhamos firme até ao fim a confiança inicial.


Salmos 95(94),6-7.8-9.10-11.

Vinde, prostremo-nos em terra,
adoremos o Senhor que nos criou.
Pois Ele é o nosso Deus
e nós o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.

Quem dera ouvísseis hoje a sua voz:
"Não endureçais os vossos corações,
como em Meriba, como no dia de Massa no deserto,
onde vossos pais Me tentaram e provocaram,

apesar de terem visto as minhas obras.
Durante quarenta anos essa geração Me desgostou
e Eu disse: É um povo de coração transviado,
que não conheceu os meus caminhos.

Por isso jurei na minha ira:
Não entrarão no meu repouso».



Marcos 1,40-45.

Naquele tempo, veio ter com Jesus um leproso. Prostrou-se de joelhos e suplicou-Lhe: "Se quiseres, podes curar-me".
Jesus, compadecido, estendeu a mão, tocou-lhe e disse: "Quero: fica limpo".
No mesmo instante o deixou a lepra e ele ficou limpo.
Advertindo-o severamente, despediu-o com esta ordem:
Não digas nada a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote e oferece pela tua cura o que Moisés ordenou, para lhes servir de testemunho.
Ele, porém, logo que partiu, começou a apregoar e a divulgar o que acontecera, e assim, Jesus já não podia entrar abertamente em nenhuma cidade. Ficava fora, em lugares desertos, e vinham ter com Ele de toda a parte.



Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário do dia:

Rábano Mauro (c. 784-856), abade beneditino, bispo
Três livros para Bonose, livro 3,4; PL 112, 1306

«Se quiseres, podes purificar-me.»

Não podes perder a confiança em Deus nem desesperar da sua misericórdia; não quero que duvides nem que desesperes de te tornares melhor: porque, mesmo que o demónio tenha conseguido precipitar-te dos cumes da virtude até aos abismos do mal, muito mais Deus poderá chamar-te de novo para o cume do bem, e não só reconduzir-te ao estado em que te encontravas antes dessa queda, mas tornar-te muito mais feliz do que julgavas ser. Não percas a coragem, suplico-te, não feches os olhos à esperança do bem, não te aconteça o que acontece aos que não amam a Deus; porque não é o grande número de pecados que leva a alma ao desespero, mas o desdém para com Deus. «É próprio dos ímpios, diz o Sábio, desesperar da salvação e desdenhar dela quando caíram no fundo do abismo do pecado» (Pr 18,3, Vulg).


Assim pois, todo o pensamento que nos rouba a esperança da conversão provém da impiedade e, qual pedra pesada que nos amarraram ao pescoço, força-nos a olhar para baixo, para a terra, não permitindo que levantemos os olhos para o Senhor. Mas aquele que tem um coração corajoso e um espírito esclarecido sabe soltar do pescoço esse peso detestável. «Como os olhos do servo se fixam nas mãos do seu amo, e como os da serva nas mãos da sua ama, assim os nossos olhos estão postos no Senhor nosso Deus, até que tenha piedade de nós» (Sl 123,2-3)







terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Evangelho do Dia


Quarta-feira, dia 14 de Janeiro de 2015

Quarta-feira da 1ª semana do Tempo Comum

S. Félix de Nola, conf., +256, Beata Verónica de Milão, rel., +1497, Beato Odorico de Pordenone, viaj., +1330

Comentário do dia
São Pedro Crisólogo : «Jesus aproximou-Se dela e tomou-a pela mão»

Heb. 2,14-18.

Uma vez que os filhos dos homens têm o mesmo sangue e a mesma carne, também Jesus participou igualmente da mesma natureza, para destruir, pela sua morte, aquele que tinha poder sobre a morte, isto é, o diabo,
e libertar aqueles que estavam a vida inteira sujeitos à servidão, pelo temor da morte.
Porque Ele não veio em auxílio dos Anjos, mas dos descendentes de Abraão.
Por isso devia tornar-Se semelhante em tudo aos seus irmãos, para ser um sumo sacerdote misericordioso e fiel no serviço de Deus, e assim expiar os pecados do povo.
De facto, porque Ele próprio foi provado pelo sofrimento, pode socorrer aqueles que sofrem provação.


Salmos 105(104),1-2.3-4.6-7.8-9.

Aclamai o nome do Senhor,
anunciai entre os povos as suas obras.
Cantai-Lhe salmos e hinos,
proclamai todas as suas maravilhas.

Gloriai-vos no seu santo nome,
exulte o coração dos que procuram o Senhor.
Considerai o Senhor e o seu poder,
procurai sempre a sua face.

Descendentes de Abraão, seu servo,
filhos de Jacob, seu eleito,
O Senhor é o nosso Deus
e as suas sentenças são lei em toda a terra.

Ele recorda sempre a sua aliança,
a palavra que empenhou para mil gerações,
o pacto que estabeleceu com Abraão,
o juramento que fez a Isaac.




Marcos 1,29-39.

Naquele tempo, Jesus saiu da sinagoga e foi, com Tiago e João, a casa de Simão e André.
A sogra de Simão estava de cama com febre e logo Lhe falaram dela.
Jesus aproximou-Se, tomou-a pela mão e levantou-a. A febre deixou-a e ela começou a servi-los.
Ao cair da tarde, já depois do sol-posto, trouxeram-Lhe todos os doentes e possessos
e a cidade inteira ficou reunida diante da porta.
Jesus curou muitas pessoas, que eram atormentadas por várias doenças, e expulsou muitos demónios. Mas não deixava que os demónios falassem, porque sabiam quem Ele era.
De manhã, muito cedo, levantou-Se e saiu. Retirou-Se para um sítio ermo e aí começou a orar.
Simão e os companheiros foram à procura d'Ele
e, quando O encontraram, disseram-Lhe: "Todos Te procuram".
Ele respondeu-lhes: "Vamos a outros lugares, às povoações vizinhas, a fim de pregar aí também, porque foi para isso que Eu vim".
E foi por toda a Galileia, pregando nas sinagogas e expulsando os demónios.



Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário do dia:

São Pedro Crisólogo (c. 406-450), bispo de Ravena, doutor da Igreja
Sermão 18, 1-3; CCL 24,107-108

«Jesus aproximou-Se dela e tomou-a pela mão»

Quem escutou com atenção o evangelho deste dia sabe por que razão o Senhor do céu entrou numa humilde casa daquela povoação; pois, uma vez que, pela sua bondade, veio socorrer todos os homens, não espanta que entre em qualquer casa. «Tendo chegado a casa de Pedro, Jesus viu a sogra dele de cama, com febre» (Mt 8,14). Eis o motivo que conduziu Jesus a casa de Pedro: não foi o desejo de Se pôr à mesa, mas a debilidade daquela doente; não foi a necessidade de tomar uma refeição, mas a ocasião de realizar uma cura. Ele não veio tomar parte num banquete com homens, mas veio exercer o seu poder divino, porque não era vinho mas lágrimas o que se derramava em casa de Pedro. [...]


Cristo não entrou, pois, naquela casa para tomar alimento, mas para restaurar a vida. Deus não anda à procura dos bens humanos, anda à procura dos homens. Ele não deseja encontrar coisas terrenas, mas quer dar os bens celestes. Assim, Cristo não veio até nós à procura das coisas que nós possuímos, mas para nos levar consigo.







segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Evangelho do Dia


Terça-feira, dia 13 de Janeiro de 2015

Terça-feira da 1ª semana do Tempo Comum

Santo Hilário, b., Doutor da Igreja, +367

Comentário do dia
Balduíno de Ford : «Jesus repreendeu-o, dizendo: "Cala-te e sai desse homem"»

Heb. 2,5-12.

Não foi aos Anjos que Deus submeteu o mundo futuro de que falamos.
Alguém afirmou numa passagem da Escritura: "Que é o homem para que Vos lembreis dele, o filho do homem para dele Vos ocupardes?
Vós o fizestes um pouco inferior aos Anjos, de glória e honra o coroastes,
tudo submetestes a seus pés". Ao submeter-Lhe todas as coisas, Deus nada deixou fora do seu domínio. Por enquanto, ainda não vemos que tudo Lhe esteja submetido.
Mas aquele Jesus, que, por um pouco, foi inferior aos Anjos, vemo-l'O agora coroado de glória e de honra por causa da morte que sofreu, pois era necessário que, pela graça de Deus, experimentasse a morte em proveito de todos.
Convinha, na verdade, que Deus, origem e fim de todas as coisas, querendo conduzir muitos filhos para a sua glória, levasse à glória perfeita, pelo sofrimento, o Autor da salvação.
Pois Aquele que santifica e os que são santificados procedem todos de um só. Por isso não Se envergonha de lhes chamar irmãos, ao dizer:
Anunciarei o teu nome aos meus irmãos, no meio da assembleia cantarei os teus louvores.


Salmos 8,2a.5.6-7.8-9.

Senhor, nosso Deus,
como é admirável o vosso nome em toda a terra!
Que é o homem para que Vos lembreis dele,
o filho do homem para dele Vos ocupardes?

Fizestes dele quase um ser divino,
de honra e glória o coroastes.
Destes-lhe poder sobre a obra das vossas mãos,
tudo submetestes a seus pés:

Ovelhas e bois, todos os rebanhos,
e até os animais selvagens,
as aves do céu e os peixes do mar,
tudo o que se move nos oceanos.




Marcos 1,21b-28.

Jesus chegou a Cafarnaúm e no sábado seguinte, entrou na sinagoga e começou a ensinar.
todos se maravilhavam com a sua doutrina, porque os ensinava com autoridade e não como os escribas.
Encontrava-se na sinagoga um homem com um espírito impuro, que começou a gritar:
Que tens Tu a ver connosco, Jesus Nazareno? Vieste para nos perder? Sei quem Tu és: o Santo de Deus.
Jesus repreendeu-o, dizendo: "Cala-te e sai desse homem".
O espírito impuro, agitando-o violentamente, soltou um forte grito e saiu dele.
Ficaram todos tão admirados, que perguntavam uns aos outros: "Que vem a ser isto? Uma nova doutrina, com tal autoridade, que até manda nos espíritos impuros e eles obedecem-Lhe!".
E logo a fama de Jesus se divulgou por toda a parte, em toda a região da Galileia.



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Comentário do dia:

Balduíno de Ford (?-c. 1190), abade cisterciense, depois bispo
Homilia sobre Heb 4,12; PL 204, 451

«Jesus repreendeu-o, dizendo: "Cala-te e sai desse homem"»

«A Palavra de Deus é viva e eficaz, mais penetrante que uma espada de dois gumes» (Heb 4,12). Com estas palavras, o apóstolo mostra toda a grandeza, força e sabedoria da Palavra de Deus aos que procuram a Cristo – a Ele que é a palavra, a força e a sabedoria de Deus. [...] Quando pregamos esta Palavra de Deus, essa pregação dá à palavra exteriormente perceptível a força da Palavra interiormente percebida. Assim, os mortos ressuscitam (Lc 7,22) e este testemunho faz surgir novos filhos de Abraão (Mt 3,9). Esta Palavra é, por conseguinte, viva. É viva no coração do Pai, viva nos lábios do pregador, e viva nos corações cheios de fé e de amor. E, porque é uma Palavra viva, não há nenhuma dúvida de que também é eficaz.


Ela age com eficácia na criação do mundo, na sua governação e na sua redenção; pois nada há mais eficaz ou mais forte do que ela. «Quem poderá contar as obras do Senhor e apregoar todos os seus louvores?» (Sl 106,2) A eficácia desta Palavra manifesta-se nas suas obras, e também na pregação. Porque ela «não volta sem ter produzido o seu efeito» (Is 55,11), mas aproveita a todos a quem foi enviada.


A Palavra é, por conseguinte, eficaz e mais penetrante que uma espada de dois gumes, quando é recebida com fé e amor. Com efeito, nada é impossível para quem crê (Mc 9,23), e nada é duro para quem ama.







domingo, 11 de janeiro de 2015

Evangelho do Dia


Segunda-feira, dia 12 de Janeiro de 2015

Segunda-feira da 1ª semana do Tempo Comum

S. Bernardo de Corleone, rel., +1667, S. Bento Biscop, abade, +690

Comentário do dia
São Gregório Magno : «Deixando logo as redes, seguiram-No»

Heb. 1,1-6.

Muitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais, pelos Profetas.
Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por seu Filho, a quem fez herdeiro de todas as coisas e pelo qual também criou o universo.
Sendo o Filho esplendor da sua glória e imagem da sua substância, tudo sustenta com a sua palavra poderosa. Depois de ter realizado a purificação dos pecados, sentou-Se à direita da Majestade no alto dos Céus
e ficou tanto acima dos Anjos quanto mais sublime que o deles é o nome que recebeu em herança.
Na verdade, a qual dos Anjos disse Deus alguma vez: "Tu és meu Filho, Eu hoje Te gerei"? E ainda: "Eu serei para Ele um Pai, e Ele será para Mim um Filho"?
E de novo, quando introduziu no mundo o seu Primogénito, disse: "Adorem-n'O todos os Anjos de Deus".


Salmos 97(96),1-2.6-7.9.

O Senhor é rei: exulte a terra,
rejubile a multidão das ilhas;
a justiça e o direito são a base do seu trono.
Os céus proclamam a sua justiça

e todos os povos contemplam a sua glória,
todos os deuses se prostram diante do Senhor.
Vós, Senhor, sois o Altíssimo sobre toda a terra,
estais acima de todos os deuses.




Marcos 1,14-20.

Depois de João ter sido preso, Jesus partiu para a Galileia e começou a proclamar o Evangelho de Deus, dizendo:
Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho.
Caminhando junto ao mar da Galileia, viu Simão e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, porque eram pescadores.
Disse-lhes Jesus: "Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens".
Eles deixaram logo as redes e seguiram Jesus.
Um pouco mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam no barco a consertar as redes; e chamou-os.
Eles deixaram logo seu pai Zebedeu no barco com os assalariados e seguiram Jesus.



Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário do dia:

São Gregório Magno (c. 540-604), papa, doutor da Igreja
Homilias sobre o Evangelho, n° 5

«Deixando logo as redes, seguiram-No»

Poderíamos pensar […]: «Terão abandonado assim tanta coisa para seguirem o Senhor, estes dois pescadores que não tinham quase nada?» […] A verdade é que abandonaram muito, visto que renunciaram a tudo, por muito pouco que esse tudo fosse. Nós, pelo contrário, apegamo-nos ao que temos e procuramos avidamente o que não temos. Por isso, Pedro e André abandonaram muito quando renunciaram ao simples desejo de possuir; abandonaram muito porque, ao renunciarem aos seus bens, renunciaram igualmente ao que ambicionavam. […]


Assim, quando vemos que alguns renunciaram a grandes riquezas, não devemos pensar: «Gostaria muito de os imitar no seu desprezo por este mundo, mas não tenho nada para abandonar, não possuo nada.» Abandonais muito, meus irmãos, se renunciais aos desejos deste mundo. Com efeito, o Senhor contenta-Se com os nossos bens exteriores, por muito pequenos que sejam; pois é o coração que Ele tem em conta e não o valor das coisas: não Lhe interessa a quantidade de coisas que Lhe sacrificamos, mas o amor que acompanha a nossa oferenda.


Com efeito, pensando apenas nos bens exteriores, os nossos santos comerciantes pagaram a vida eterna, a vida dos anjos, com as suas redes e o seu barco. O Reino de Deus não tem preço e, por conseguinte, não te custa nem mais nem menos do que aquilo que possuis.







sábado, 10 de janeiro de 2015

Evangelho do Dia


Domingo, dia 11 de Janeiro de 2015

BAPTISMO DO SENHOR, festa - Ano B
Baptismo do Senhor (semana I do saltério)

S. Teodósio, monge, +529, Santo Higino, papa, mártir, +140

Comentário do dia
Homilia atribuída a Santo Hipólito de Roma : Eis que o Senhor vem ao baptismo

Is. 42,1-4.6-7.

Diz o Senhor: "Eis o meu servo, a quem Eu protejo, o meu eleito, enlevo da minha alma. Sobre ele fiz repousar o meu espírito, para que leve a justiça às nações.
Não gritará, nem levantará a voz, nem se fará ouvir nas praças;
não quebrará a cana fendida, nem apagará a torcida que ainda fumega: proclamará fielmente a justiça. Não desfalecerá nem desistirá,
enquanto não estabelecer a justiça na terra, a doutrina que as ilhas longínquas esperam.
Fui Eu, o Senhor, que te chamei segundo a justiça; tomei-te pela mão, formei-te e fiz de ti a aliança do povo e a luz das nações,
para abrires os olhos aos cegos, tirares do cárcere os prisioneiros e da prisão os que habitam nas trevas".


Salmos 29(28),1-11.

Filhos de Deus, prestai ao Senhor,  
prestai ao Senhor glória e honra.
Tributai ao Senhor a glória do seu nome,
adorai o Senhor com ornamentos sagrados.

A voz do Senhor ressoa sobre as nuvens,
o Senhor está sobre a vastidão das águas.
A voz do Senhor é poderosa,
a voz do Senhor é majestosa.

A voz do Senhor quebra os cedros,
o Senhorderruba os cedros do Líbano!
Ele faz saltar o Líbano como um novilho,
e o Sirião, como um bezerro.

A voz do Senhor lança chispas de fogo,
a voz do Senhor abala o deserto,
o Senhorfaz tremer o deserto de Cadés.
No seu santuário todos exclamam: "Glória!"

Sobre as águas do dilúvio senta-Se o Senhor,
o Senhor senta-Se como Rei eterno.
O Senhor dá força ao seu povo;
o Senhor abençoa o seu povo com a paz.




Actos 10,34-38.

Naqueles dias, Pedro tomou a palavra e disse: "Na verdade, eu reconheço que Deus não faz aceção de pessoas,
mas, em qualquer nação, aquele que O teme e pratica a justiça é-Lhe agradável.
Ele enviou a sua palavra aos filhos de Israel, anunciando a paz por Jesus Cristo, que é o Senhor de todos.
Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do batismo que João pregou:
Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo Demónio, porque Deus estava com Ele".


Marcos 1,7-11.

Naquele tempo, João começou a pregar, dizendo: "Vai chegar depois de mim quem é mais forte do que eu, diante do qual eu não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias.
Eu batizo na água, mas Ele batizar-vos-á no Espírito Santo".
Sucedeu que, naqueles dias, Jesus veio de Nazaré da Galileia e foi batizado por João no rio Jordão.
Ao subir da água, viu os céus rasgarem-se e o Espírito, como uma pomba, descer sobre Ele.
E dos céus ouviu-se uma voz: "Tu és o meu Filho muito amado, em Ti pus toda a minha complacência".



Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário do dia:

Homilia atribuída a Santo Hipólito de Roma (?-c. 235), presbítero, mártir
Homilia do século IV para a Epifania, a Santa Teofania; PG 10, 852

Eis que o Senhor vem ao baptismo

Eis que o Senhor vem receber o baptismo; e chega miserável, nu, sem companhia, revestido da nossa humanidade, ocultando a sua grandeza divina para frustrar a astúcia da serpente. Dizer que Ele vem ao encontro de João qual Senhor que dispensou a sua guarda pessoal é dizer pouco; na verdade, Jesus aborda-o como um simples homem, submetido ao pecado, inclinando a fronte para ser baptizado pela mão de João. Impressionado com esta humildade, este tenta recusar dizendo: «Eu é que tenho necessidade de ser baptizado por Ti. E Tu vens a mim?» (Mt 3,14). […]


Vede, bem–amados meus, quão numerosos e importantes bens teríamos perdido se o Senhor tivesse cedido ao convite de João e não tivesse recebido o baptismo. Anteriormente, os céus estavam fechados e a nossa pátria do alto era inacessível; depois de termos descido até ao fundo, já não podíamos voltar às alturas. Mas o Senhor não Se limitou a receber o baptismo: renovou o homem velho (cf Rom 6,6) e confiou-lhe de novo o ceptro da adopção divina; pois de imediato «os céus abriram-se», as realidades visíveis reconciliaram-se com as invisíveis, as hierarquias celestes encheram-se de alegria, os doentes da Terra ficaram curados, e o que estava oculto revelou-se. […] Era preciso abrir a Cristo, o Esposo, as portas da câmara nupcial. Enquanto o Espírito descia sob a forma de uma pomba e a voz do Pai ressoava em toda a parte, era necessário que «se levantassem as portas do céu» (cf Sl 23,7). […]


Peço-vos que me escuteis atentamente […]: vinde, todas as tribos das nações, ao banho da imortalidade! Através desta mensagem de alegria, anuncio-vos a vida, a vós que permaneceis ainda na noite da ignorância. Vinde da servidão para a liberdade, da tirania para a realeza, do que é perecível para o que é imperecível. Quereis saber como chegar? Pela água e pelo Espírito Santo (Jo 3,5). Esta água, que participa no Espírito, rega o paraíso, deleita a terra, fecunda o mundo […], engendra o homem para a vida, fazendo-o renascer; foi nesta água que Cristo foi baptizado e foi sobre ela que desceu o Espírito.







sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Evangelho do Dia


Sabado, dia 10 de Janeiro de 2015

Sábado do Tempo Natal depois da Epifania.

Beato Gonçalo de Amarante, conf., +1262

Comentário do dia
Santo Agostinho : «Ele deve crescer e eu diminuir»

1 João 5,14-21.

Caríssimos: «Esta é a plena confiança que temos em Deus: se Lhe pedimos alguma coisa segundo a sua vontade, Ele ouve-nos.
E, dado que sabemos que nos vai ouvir em tudo o que lhe pedirmos, estamos seguros de que obteremos o que lhe pedimos.
Se alguém vir que o seu irmão comete um pecado que não leva à morte, peça, e dar-lhe-á vida. Não me refiro aos que cometem um pecado que não leva à morte; é que existe um pecado que conduz à morte; por esse pecado não digo que se reze.
Toda a iniquidade é pecado, mas há pecados que não conduzem à morte.
Nós bem sabemos que todo aquele que nasceu de Deus não peca, mas o Filho de Deus o guarda, e o Maligno não o apanha.
E bem sabemos que somos de Deus, ao passo que o mundo inteiro está sob o poder do Maligno.
Bem sabemos também que o Filho de Deus veio e nos deu entendimento para conhecermos o Verdadeiro; e nós estamos no Verdadeiro, no seu Filho, Jesus Cristo. Este é o Verdadeiro, é Deus e é vida eterna.
Meus filhinhos, guardai-vos dos ídolos.


Salmos 149(148),1-2.3-4.5-6a.9b.

Cantai ao Senhor um cântico novo;

louvai-O na assembleia dos fiéis!
Alegre-se Israel no seu Criador;

regozije-se o povo de Sião no seu Rei!
Louvem o seu nome com danças;
cantem-Lhe ao som de harpas e tambores!

O Senhor ama o seu povo
e honra os humildes com a vitória!
Exultem de alegria os fiéis
e cantem jubilosos em seus leitos.

Entoem bem alto os louvores de Deus,
é uma honra para todos os seus fiéis.



João 3,22-30.

Naquele tempo, Jesus foi com os seus discípulos para a região da Judeia e ali convivia com eles e baptizava.
Também João estava a baptizar em Enon, perto de Salim, porque havia ali águas abundantes e vinha gente para ser baptizada.
João, de facto, ainda não tinha sido lançado na prisão.
Então levantou-se uma discussão entre os discípulos de João e um judeu, acerca dos ritos de purificação.
Foram ter com João e disseram-lhe: «Rabi, aquele que estava contigo na margem de além-Jordão, aquele de quem deste testemunho, está a baptizar, e toda a gente vai ter com Ele.»
João declarou: «Um homem não pode tomar nada como próprio, se isso não lhe for dado do Céu.
Vós mesmos sois testemunhas de que eu disse: 'Eu não sou o Messias, mas apenas o enviado à sua frente.'
O esposo é aquele a quem pertence a esposa; mas o amigo do esposo, que está ao seu lado e o escuta, sente muita alegria com a voz do esposo. Pois esta é a minha alegria! E tornou-se completa!
Ele é que deve crescer, e eu diminuir.»



Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário do dia:

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África), doutor da Igreja
Tratado sobre S. João 14, 5; CL 36, 143-144

«Ele deve crescer e eu diminuir»

Que a glória de Deus cresça em nós e que a nossa diminua a fim de que, em Deus, a nossa cresça também. Efectivamente, é o que diz o Apóstolo: «Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor» (1 Cor 1,30). Queres gloriar-te a ti mesmo? Isso significa que queres crescer mas, para tua desgraça, cresces mal. E aquele que cresce mal na realidade fica diminuído.


Portanto, cresça Deus, que é sempre perfeito: que Ele cresça em ti. Porque quanto mais conheces a Deus e O compreendes, tanto mais Ele parece crescer em ti, se bem que Ele não cresça, pois é sempre perfeito. Ontem conhecia-Lo um pouco, hoje conhece-Lo melhor, amanhã conhece-Lo-ás melhor ainda: é a própria luz de Deus que cresce em ti, e Deus parece assim crescer, Ele que é sempre perfeito.


Um homem que era cego e fica curado começa por ver um pouco de luz, no dia seguinte vê mais, e no outro dia mais ainda. A luz parece-lhe aumentar, e no entanto a luz é perfeita, quer ele a veja ou não. O mesmo acontece com o homem interior: progride em Deus e Deus parece crescer nele, enquanto ele mesmo diminui para cair da sua glória e se erguer na glória de Deus.







quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Evangelho do Dia


Sexta-feira, dia 09 de Janeiro de 2015

Sexta-feira do Tempo Natal depois da Epifania.

Santo André Corsini, bispo, +1374, Santo Adriano de Cantuária, abade, +710

Comentário do dia
Santo António de Lisboa : «Jesus estendeu a mão e tocou-lhe, dizendo: "Quero, fica purificado".»

1 João 5,5-13.

Caríssimos: «E quem é o vencedor do mundo senão aquele que crê que Jesus é Filho de Deus?
Este, Jesus Cristo, é aquele que veio com água e com sangue; e não só com a água, mas com a água e com o sangue. E é o Espírito quem dá testemunho, porque o Espírito é a verdade.
Pois são três os que dão testemunho:
o Espírito, a água e o sangue; e os três coincidem no mesmo testemunho.
Se aceitamos o testemunho dos homens, maior é o testemunho de Deus; e o testemunho de Deus está em que foi Ele a dar testemunho a respeito do seu Filho.
Quem crê no Filho de Deus tem esse testemunho consigo. Quem não crê em Deus faz de Deus mentiroso, uma vez que não crê no testemunho que Deus deixou a favor do seu Filho.
E este é o testemunho: Deus deu-nos a vida eterna, e esta vida está no seu Filho.
Quem tem o Filho de Deus tem a vida; quem não tem o Filho também não tem a vida.
Escrevi-vos estas coisas, a vós que credes no Nome do Filho de Deus, para que tenhais a certeza de ter convosco a vida eterna.


Salmos 147,12-13.14-15.19-20.

Glorifica, Jerusalém, o Senhor;
louva, Sião, o teu Deus.
Ele reforçou as tuas portas
e abençoou os teus filhos.

Ele estabeleceu a paz nas tuas fronteiras
e saciou-te com a flor da farinha.
Ele manda as suas ordens à terra,
e a sua palavra corre velozmente;

Ele revela os seus planos a Jacob,
os seus preceitos e as suas sentenças a Israel.
Não fez assim com nenhum outro povo,
não lhes deu a conhecer os seus mandamentos.




Lucas 5,12-16.

Naquele tempo, encontrando-se Jesus numa das cidades, apareceu um homem coberto de lepra. Ao ver Jesus, caiu com a face por terra e dirigiu-lhe esta súplica: «Senhor, se quiseres, podes purificar-me.»
Jesus estendeu a mão e tocou-lhe, dizendo: «Quero, fica purificado.» E imediatamente a lepra o deixou.
Ordenou-lhe, então, que a ninguém o dissesse; no entanto, acrescentou: «Vai mostrar-te ao sacerdote e oferece pela tua purificação o que Moisés ordenou, para lhe servir de prova.»
A sua fama espalhava-se cada vez mais, juntando se grandes multidões para o ouvirem e para que os curasse dos seus males.
Mas Ele retirava-se para lugares solitários e aí se entregava à oração.



Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário do dia:

Santo António de Lisboa (c. 1195-1231), franciscano, doutor da Igreja
Sermões para o domingo e as festas dos santos

«Jesus estendeu a mão e tocou-lhe, dizendo: "Quero, fica purificado".»

Oh, como admiro esta mão! Esta mão do meu amado, de ouro engastado de rubis (Cant 5,14). Esta mão cujo contacto solta a língua do mudo, ressuscita a filha de Jairo (Mc 7,33; 5,41) e purifica o leproso. Esta mão da qual o profeta Isaías nos diz: «Todas estas coisas fez a minha mão» (66,2).


Estender a mão é dar um presente. Ó Senhor, estende a tua mão – essa mão que o carrasco estenderá sobre a cruz –, toca o leproso e concede-lhe essa graça. Tudo aquilo em que a tua mão tocar será purificado e curado: «e tocando na orelha do servo», diz São Lucas, «curou-o» (22,51). Estende a mão para concederes ao leproso o dom da saúde. Ele diz: «Quero, fica purificado» e imediatamente a lepra se cura; «faz tudo o que Lhe apraz» (Sl 113B,3). Nele, nada separa o querer do realizar.


Ora, esta cura instantânea opera-a Deus cada dia na alma do pecador pelo ministério do sacerdote. Este tem um triplo ofício: estender a mão, quer dizer, rezar pelo pecador e ter piedade dele; tocar-lhe, consolá-lo, prometer-lhe o perdão; querer esse perdão e dar-lho através da absolvição. Tal é o triplo ministério pastoral que o Senhor confiou a Pedro, quando lhe disse por três vezes: «Apascenta as minhas ovelhas» (Jo 21,15-17).







quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Evangelho do Dia


Quinta-feira, dia 08 de Janeiro de 2015

Quinta-feira do Tempo Natal depois da Epifania.

S. Pedro Tomás, patr., m., +1366, S. Severino, abade, +482

Comentário do dia
Rupert de Deutz : «O Espírito do Senhor está sobre Mim»

1 João 4,19-21.5,1-4.

Caríssimos: Nós amamos, porque Deus nos amou primeiro.
Se alguém disser: «Eu amo a Deus», mas tiver ódio ao seu irmão, esse é um mentiroso; pois aquele que não ama o seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê.
E nós recebemos dele este mandamento: quem ama a Deus, ame também o seu irmão.
Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo nasceu de Deus; e todo aquele que ama quem o gerou ama também quem por Ele foi gerado.
É por isto que reconhecemos que amamos os filhos de Deus: se amamos a Deus e cumprimos os seus mandamentos;
pois o amor de Deus consiste precisamente em que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são uma carga,
porque todo aquele que nasceu de Deus vence o mundo. E este é o poder vitorioso que venceu o mundo: a nossa fé.


Salmos 72(71),2.14.15bc.17.

Ó Deus, dai ao rei o poder de julgar
e a vossa justiça ao filho do rei.
Ele governará o vosso povo com justiça
e os vossos pobres com equidade.

Ele os libertará da opressão e da violência
e o sangue deles será precioso a seus olhos;
por ele hão-de rezar sempre
e todos os dias o bendirão.

O seu nome será eternamente bendito
e durará tanto como a luz do sol;
nele serão abençoadas todas as nações,
todos os povos o hão de bendizer.




Lucas 4,14-22a.

Naquele tempo, impelido pelo Espírito, Jesus voltou para a Galileia e a sua fama propagou-se por toda a região.
Ensinava nas sinagogas e todos o elogiavam.
Veio a Nazaré, onde tinha sido criado. Segundo o seu costume, entrou em dia de sábado na sinagoga e levantou-se para ler.
Entregaram-lhe o livro do profeta Isaías e, desenrolando-o, deparou com a passagem em que está escrito:
«O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; a mandar em liberdade os oprimidos,
a proclamar um ano favorável da parte do Senhor.»
Depois, enrolou o livro, entregou-o ao responsável e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele.
Começou, então, a dizer-lhes: «Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura, que acabais de ouvir.»
Todos davam testemunho em seu favor e se admiravam com as palavras repletas de graça que saíam da sua boca. Diziam: «Não é este o filho de José?»



Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário do dia:

Rupert de Deutz (c. 1075-1130), monge beneditino
Sobre a Santíssima Trindade, 42

«O Espírito do Senhor está sobre Mim»

«Cumpriu-se hoje esta palavra da Escritura que acabais de ouvir: "O Espírito do Senhor repousa sobre Mim, porque o Senhor Me ungiu" (Is 61,1).» É como se Cristo tivesse dito: Porque o Senhor Me ungiu, Eu disse sim, disse-o verdadeiramente, e volto a dizê-lo: O Espírito do Senhor repousa sobre Mim. Onde foi, pois, em que momento foi que o Senhor Me ungiu? Ungiu-Me quando fui concebido, ou melhor, ungiu-Me a fim de que fosse concebido no seio de minha Mãe. Porque não foi da semente de um homem que uma mulher Me concebeu, antes uma Virgem Me concebeu da unção do Espírito Santo. Foi então que o Senhor Me assinalou com a unção real; consagrou-Me rei ungindo-Me, ao mesmo tempo que Me consagrava sacerdote. E pela segunda vez, no Jordão, o Senhor consagrou-Me por esse mesmo Espírito. […]


E porque está o Espírito do Senhor sobre Mim? […] «Ele enviou-me a levar a boa nova aos pobres, a curar os corações despedaçados» (Is 61, 1). Não Me enviou aos orgulhosos nem aos «que têm saúde», mas como «médico aos doentes» e aos corações despedaçados. Não Me enviou «aos justos», mas «aos pecadores» (Mc 2,17). Fez de Mim um «homem de dores, experimentado nos sofrimentos» (Is 53,3), um homem «manso e humilde de coração» (Mt 11,29). Enviou-Me «a anunciar a amnistia aos cativos e a liberdade aos prisioneiros» (Is 61,1). […] A que prisioneiros, ou antes, de que prisão venho anunciar a libertação? A que cativos venho anunciar a liberdade? Desde que «por um só homem entrou o pecado no mundo e, pelo pecado, a morte» (Rom 5,12), todos os homens são prisioneiros do pecado, todos são cativos da morte. […] Eu fui enviado «a consolar […] os amargurados de Sião» (Is 61,2-3), todos quantos se afligem por terem sido, devido aos seus pecados, privados e separados de sua mãe, a «Jerusalém lá do alto» (Gal 4,26). […] Sim, consolá-los-ei dando-lhes «uma coroa em vez das cinzas» da penitência, o «óleo da alegria», ou seja, a consolação do Espírito Santo, «em vez do luto» da orfandade e do exílio, uma veste de festa, ou seja, a glória da Ressurreição, «em vez do desespero» (Is 61,3).







terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Evangelho do Dia


Quarta-feira, dia 07 de Janeiro de 2015

Quarta-feira do Tempo Natal depois da Epifania.

S. Raimundo de Penhaforte, conf., +1275, Beata Lindalva de Oliveira, rel., m., +1993

Comentário do dia
Cardeal Joseph Ratzinger : «Vendo-os cansados de remar, [...] foi ter com eles de madrugada»

1 João 4,11-18.

Caríssimos: Se Deus nos amou assim, também nós devemos amar-nos uns aos outros.
A Deus nunca ninguém o viu; se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós e o seu amor chegou à perfeição em nós.
Damos conta de que permanecemos nele, e Ele em nós, por nos ter feito participar do seu Espírito.
Nós o contemplámos e damos testemunho de que o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo.
Quem confessar que Jesus Cristo é o Filho de Deus, Deus permanece nele e ele em Deus.
Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele. Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele.
É nisto que em nós o amor se mostra perfeito: em estarmos cheios de confiança no dia do juízo, pelo facto de sermos neste mundo como Ele foi.
No amor não há temor; pelo contrário, o perfeito amor lança fora o temor; de facto, o temor pressupõe castigo, e quem teme não é perfeito no amor.


Salmos 72(71),2.10-11.12-13.

Ó Deus, dai ao rei o poder de julgar
e a vossa justiça ao filho do rei.
Ele governará o vosso povo com justiça
e os vossos pobres com equidade.

Os reis de Társis e das ilhas virão com presentes,
os reis da Arábia e de Sabá trarão suas ofertas.
Prostrar-se-ão diante dele todos os reis,
todos os povos o hão de servir.

Socorrerá o pobre que pede auxílio
e o miserável que não tem amparo.
Terá compaixão dos fracos e dos pobres
e defenderá a vida dos oprimidos.




Marcos 6,45-52.

Depois de ter matado a fome a cinco mil homens, Jesus obrigou logo os seus discípulos a subirem para o barco e a irem à frente, para o outro lado, rumo a Betsaida, enquanto Ele próprio despedia a multidão.
Depois de os ter despedido, foi orar para o monte.
Era já noite, o barco estava no meio do mar e Ele sozinho em terra.
Vendo-os cansados de remar, porque o vento lhes era contrário, foi ter com eles de madrugada, andando sobre o mar; e fez menção de passar adiante.
Mas, vendo-o andar sobre o mar, julgaram que fosse um fantasma e começaram a gritar,
pois todos o viram e se assustaram. Mas Ele logo lhes falou: «Tranquilizai-vos, sou Eu: não temais!»
A seguir, subiu para o barco, para junto deles, e o vento amainou. E sentiram um enorme espanto,
pois ainda não tinham entendido o que se dera com os pães: tinham o coração endurecido.



Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário do dia:

Cardeal Joseph Ratzinger (Bento XVI, Papa de 2005 a 2013)
«O Deus de Jesus Cristo»

«Vendo-os cansados de remar, [...] foi ter com eles de madrugada»

Os apóstolos atravessam o lago. Jesus está sozinho em terra, enquanto eles se esgotam a remar sem conseguirem avançar, porque o vento é contrário. Jesus ora e, na sua oração, vê-os a esforçarem-se e vem logo ao seu encontro. É claro que este texto está cheio de símbolos da Igreja: os apóstolos no mar lutando contra o vento, o Senhor ao pé do Pai. Mas o que é determinante é que, na sua oração, enquanto está «ao pé do Pai», Ele não está ausente; bem pelo contrário, ao rezar, vê-os. Quando Jesus está junto do Pai, está presente na Igreja. O problema da vinda final de Cristo é aqui aprofundado e transformado de modo trinitário: Jesus vê a Igreja no Pai e, pelo poder do Pai e pela força do seu diálogo com Ele, está presente junto dela. É justamente este diálogo com o Pai enquanto «está no monte» que O torna presente, e inversamente. A Igreja é, por assim dizer, objecto de conversa entre o Pai e o Filho, ou seja, está ancorada na vida trinitária.







segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Evangelho do Dia


Terça-feira, dia 06 de Janeiro de 2015

Terça-feira do Tempo Natal depois da Epifania.

Santos Reis Magos, Beato André Bessette, conf., +1937

Comentário do dia
São João da Cruz : «A hora já ia muito adiantada [...]. Comeram até ficarem saciados»

1 João 4,7-10.

Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus; e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus.
Aquele que não ama não chegou a conhecer a Deus, pois Deus é amor.
E o amor de Deus manifestou-se desta forma no meio de nós: Deus enviou ao mundo o seu Filho Unigénito, para que, por Ele, tenhamos a vida.
É nisto que está o amor: não fomos nós que amámos a Deus, mas foi Ele mesmo que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados.


Salmos 72(71),2.3-4ab.7-8.

Ó Deus, dai ao rei o poder de julgar
e a vossa justiça ao filho do rei.
Ele governará o vosso povo com justiça
e os vossos pobres com equidade.

Os montes trarão a paz ao povo
e as colinas a justiça.
Ele fará justiça aos humildes
e salvará os indigentes.

Florescerá a justiça nos seus dias
e uma grande paz até ao fim dos tempos.
Ele dominará de um ao outro mar,
do grande rio até aos confins da terra.




Marcos 6,34-44.

Naquele tempo, Jesus viu uma grande multidão e teve compaixão deles, porque eram como ove-lhas sem pastor. Começou, então, a ensinar-lhes muitas coisas.
A hora já ia muito adiantada, quando os discípulos se aproximaram e disseram: «O lugar é deserto e a hora vai adiantada.
Manda-os embora, para irem aos campos e aldeias comprar de comer.»
Jesus respondeu: «Dai-lhes vós mesmos de comer.» Eles disseram-lhe: «Vamos comprar duzentos denários de pão para lhes dar de comer?»
Mas Ele perguntou: «Quantos pães tendes? Ide ver.» Depois de se informarem, responderam: «Cinco pães e dois peixes.»
Ordenou-lhes que os mandassem sentar por grupos na erva verde.
E sentaram-se, por grupos de cem e cinquenta.
Jesus tomou, então, os cinco pães e os dois peixes e, erguendo os olhos ao céu, pronunciou a bênção, partiu os pães e dava-os aos seus discípulos, para que eles os repartissem. Dividiu também os dois peixes por todos.
Comeram até ficarem saciados.
E havia ainda doze cestos com os bocados de pão e os restos de peixe.
Ora os que tinham comido daqueles pães eram cinco mil homens.



Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário do dia:

São João da Cruz (1542-1591), carmelita descalço, doutor da Igreja
Cântico espiritual, 2ª recensão (trad. OC, Cerf 1990, p. 1299)

«A hora já ia muito adiantada [...]. Comeram até ficarem saciados»

O meu Bem-Amado é como a noite tranquila

Semelhante ao nascer da aurora,

A silenciosa melodia,

E a solidão sonora,

A ceia retemperadora, que inflama o amor.


Na Sagrada Escritura, o repouso da noite designa a visão de Deus. Tal como a ceia marca a conclusão dos trabalhos do dia e o princípio do repouso da noite, também a alma saboreia, nesta notícia pacífica de que falamos, uma antecipação do fim dos seus males e a garantia dos bens que espera. Também por isto o seu amor a Deus é em muito aumentado. Para a alma, o amor de Deus é realmente «a ceia retemperadora» que lhe anuncia o fim dos seus males, e que «inflama o amor», assegurando-lhe a posse de todos os bens.


Para melhor podermos compreender quão deliciosa é de facto esta ceia para a alma – pois, como o temos dito, a ceia é afinal o próprio Bem-Amado –, recordemos as palavras do Esposo, no Apocalipse: «Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, Eu entrarei na sua casa e cearei com ele e ele comigo» (Ap 3, 20). Já aqui Ele nos dá a entender que traz a ceia consigo, isto é, o sabor e as delícias com que Ele próprio Se alimenta e que comunica à alma ao unir-Se-lhe, para que também esta se alimente do mesmo. É este o sentido das suas palavras: «Cearei com ele, e ele comigo», e é este o efeito produzido pela união da alma com Deus: os mesmos bens de Deus tornam-se comuns a Ele e à alma Esposa, porque Ele comunica-lhos gratuitamente e com soberana liberalidade. Deus é em Si mesmo esta «ceia retemperadora, que inflama o amor». Ele retempera a Esposa com a sua liberalidade, e inflama-a de amor com a sua benevolência.







domingo, 4 de janeiro de 2015

Evangelho do Dia


Segunda-feira, dia 05 de Janeiro de 2015

Segunda-feira do Tempo Natal depois da Epifania.

S. João Nepomuceno Neumann, b., +1860, S. Gerlach de Houthem, eremita, +1170

Comentário do dia
Santo Efrém : «O povo que habitava nas trevas viu aparecer uma grande luz»

1 João 3,22-24.4,1-6.

Caríssimos: Nós  recebemos de Deus tudo o que  Lhe pedirmos, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos o que Lhe é agradável.
E este é o seu mandamento: que acreditemos no Nome de seu Filho, Jesus Cristo e que nos amemos uns aos outros, conforme o mandamento que Ele nos deu.
Aquele que guarda os seus mandamentos permanece em Deus e Deus nele; e é por isto que reconhecemos que Ele permanece em nós: graças ao Espírito que nos deu.
Caríssimos, não deis fé a qualquer espírito, mas examinai se os espíritos são de Deus, pois muitos falsos profetas apareceram no mundo.
Reconheceis que o espírito é de Deus por isto: todo o espírito que confessa Jesus Cristo que veio em carne mortal é de Deus;
e todo o espírito que não faz esta confissão de fé acerca de Jesus não é de Deus. Esse é o espírito do Anticristo, do qual ouvistes dizer que tem de vir; pois bem, ele já está no mundo.
Meus filhinhos, vós sois de Deus e venceste-los, porque é mais poderoso o espírito que está em vós do que aquele que está no mundo.
Eles são do mundo; por isso falam a linguagem do mundo, e o mundo ouve-os.
Nós somos de Deus. Quem conhece a Deus ouve-nos; quem não é de Deus não nos ouve. É por isto que nós reconhecemos o espírito da verdade e o espírito do erro.


Salmos 2,7-8.10-11.

Vou proclamar o decreto do Senhor.
Ele disse-me: «Tu és meu filho, Eu hoje te gerei.
Pede-me e te darei nações por herança
e os confins da terra para teu domínio.

E agora, prestai atenção, ó reis!
Deixai-vos instruir, juízes da terra!
Servi o Senhor com temor,
prestai-lhe homenagem com reverência.




Mateus 4,12-17.23-25.

Naquele tempo, quando Jesus ouviu dizer que João fora preso, retirou-Se para a Galileia.
Depois, abandonando Nazaré, foi habitar em Cafarnaúm, cidade situada à beira-mar, na região de Zabulão e Neftali,
para que se cumprisse o que o profeta Isaías anunciara:
Terra de Zabulão e Neftali, caminho do mar, região de além do Jordão, Galileia dos gentios.
O povo que jazia nas trevas viu uma grande luz; e aos que jaziam na sombria região da morte surgiu uma luz.
A partir desse momento, Jesus começou a pregar, dizendo: «Convertei-vos, porque está próximo o Reino do Céu.»
Depois, começou a percorrer toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, proclamando o Evangelho do Reino e curando entre o povo todas as doenças e enfermidades.
A sua fama estendeu-se por toda a Síria e trouxeram-lhe todos os que sofriam de qualquer mal, os que padeciam doenças e tormentos, os possessos, os epilépticos e os paralíticos; e Ele curou-os.
E seguiram-no grandes multidões, vindas da Galileia, da Decápole, de Jerusalém, da Judeia e de além do Jordão.



Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário do dia:

Santo Efrém (c. 306-373), diácono da Síria, doutor da Igreja
Hino I sobre a Ressurreição

«O povo que habitava nas trevas viu aparecer uma grande luz»

Jesus Cristo, Nosso Senhor,

Do seio do Pai veio até nós.

Chegou, livrou-nos das trevas

E encheu-nos da sua alegre Luz.


O dia nasceu para os homens;

O poder das trevas foi anulado.

Da sua Luz veio para nós uma luz

Que iluminou nossos olhos apagados.


Ergueu a sua Glória sobre a terra

E iluminou os abismos mais profundos.

Aniquilou a morte, pôs fim às trevas,

Despedaçou as portas do inferno.


Iluminou todas as criaturas

Em trevas desde os tempos mais antigos,

Realizou a salvação e deu-nos a vida;

Virá depois na sua Glória

E iluminará os olhos de todos

Os que O tiverem esperado.


O nosso Rei vem na sua imensa Glória:

Acendamos nossas lâmpadas, saiamos ao seu encontro (Mt 25,6);

Alegremo-nos nele, tal como Ele Se alegrou em nós

E nos alegrou com a sua Luz gloriosa.


Irmãos, erguei-vos, preparai-vos

Para dar graças ao nosso Rei e Salvador

Que virá na sua Glória e nos alegrará

Com a sua alegre Luz no Reino eterno.







sábado, 3 de janeiro de 2015

Evangelho do Dia


Domingo, dia 04 de Janeiro de 2015

EPIFANIA DO SENHOR, solenidade
Epifania do Senhor - Ano B

Santa Isabel Ana Seton, rel. fundadora, +1821, Beata Ângela de Foligno, viúva, +1390

Comentário do dia
São Bernardo : «Caindo de joelhos, prostraram-se diante dele»

Is. 60,1-6.

Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor.
Vê como a noite cobre a terra e a escuridão os povos. Mas sobre ti levanta-Se o Senhor, e a sua glória te ilumina.
As nações caminharão à tua luz, e os reis ao esplendor da tua aurora.
Olha ao redor e vê: todos se reúnem e vêm ao teu encontro; os teus filhos vão chegar de longe, e as tuas filhas são trazidas nos braços.
Quando o vires ficarás radiante, palpitará e dilatar-se-á o teu coração, pois a ti afluirão os tesouros do mar, a ti virão ter as riquezas das nações.
Invadir-te-á uma multidão de camelos, de dromedários de Madiã e Efá. Virão todos os de Sabá, trazendo ouro e incenso e proclamando as glórias do Senhor.


Salmos 72(71),2.7-8.10-11.12-13.

Ó Deus, dai ao rei o poder de julgar
e a vossa justiça ao filho do rei.
Ele governará o vosso povo com justiça
e os vossos pobres com equidade.

Florescerá a justiça nos seus dias
e uma grande paz até ao fim dos tempos.
Ele dominará de um ao outro mar,
do grande rio até aos confins da terra.

Os reis de Társis e das ilhas virão com presentes,
os reis da Arábia e de Sabá trarão suas ofertas.
Prostrar-se-ão diante dele todos os reis,
todos os povos o hão de servir.

Socorrerá o pobre que pede auxílio
e o miserável que não tem amparo.
Terá compaixão dos fracos e dos pobres
e defenderá a vida dos oprimidos.




Efésios 3,2-3a.5-6.

Irmãos: Certamente já ouvistes falar da graça que Deus me confiou a vosso favor:
por uma revelação, foi-me dado a conhecer o mistério de Cristo.
Nas gerações passadas, ele não foi dado a conhecer aos filhos dos homens, como agora foi revelado pelo Espírito Santo aos seus santos apóstolos e profetas:
os gentios recebem a mesma herança que os judeus, pertencem ao mesmo corpo e participam da mesma promessa, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho.


Mateus 2,1-12.

Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente.
Onde está __ perguntaram eles __ o rei dos Judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l'O.
Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém.
Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias.
Eles responderam: "Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo Profeta:
'Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo'".
Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela.
Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: "Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l'O".
Ouvido o rei, puseram-se a caminho. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino.
Ao ver a estrela, sentiram grande alegria.
Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d'Ele, adoraram-n'O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra.
E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho.



Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário do dia:

São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense, doutor da Igreja
1º sermão para a  Epifania

«Caindo de joelhos, prostraram-se diante dele»

O desígnio de Deus não foi apenas descer à terra, mas ser nela conhecido; não foi nascer, apenas, mas dar-Se a conhecer. De facto, é com vista a esse conhecimento que celebramos a Epifania, esse grande dia da sua manifestação. Hoje mesmo, de facto, os magos vieram do Oriente em busca do nascer do Sol da Justiça (Mal 3,20), Esse de Quem se diz: «Eis o homem, cujo nome é Oriente» (Za 6,12). Hoje adoraram o Menino nascido da Virgem, seguindo a direcção traçada por uma nova estrela. Temos pois aqui, irmãos, um grande motivo  de alegria, como aliás também nas palavras do apóstolo Paulo: «A bondade de Deus nosso Salvador e o seu amor pelos homens foram-nos manifestadas» (Tt 3,4). […]


Que fazeis, magos, que fazeis? Adorais um Menino de colo, envolto em faixas miseráveis, num pobre casebre? Será Ele Deus? Mas «Deus mora no seu templo santo, o Senhor tem o seu trono nos céus» (Sl 10,4), e vós, vós procurai-Lo assim num qualquer estábulo, uma criança de colo? Que fazeis? Porque ofereceis esse ouro? Será este o rei? Mas onde está a sua corte real, o seu trono, a multidão dos seus cortesãos? Acaso um estábulo é um palácio, acaso uma manjedoura é um trono, serão Maria e José membros da sua corte? Como podem os homens ser tolos a ponto de adorar uma simples criança, um ser desprezível, quer pela sua pouca idade, quer pela evidente pobreza de seus pais?


Loucos, sim, tornaram-se loucos, para serem sábios; o Espírito Santo ensinou-lhes primeiro o que o apóstolo Paulo mais tarde proclamou: «Aquele que quer ser sábio torne-se louco para ser sábio. Pois já que o mundo, por meio da sua sabedoria, não conseguiu reconhecer Deus na sua Sabedoria divina, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação» (1 Cor 1,21). […] Prostaram-se portanto diante daquela humilde criança, prestando-Lhe homenagem como a um rei, adorando-O como um Deus. Aquele que de longe os guiou através de uma estrela fez brilhar a sua luz no mais fundo dos seus corações.







sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Evangelho do Dia


Sabado, dia 03 de Janeiro de 2015

Féria do Tempo Natal (3 de Janeiro)
Santíssimo Nome de Jesus.

Santa Genoveva, virgem, +512

Comentário do dia
São João Crisóstomo : «Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo»

1 João 2,29.3,1-6.

Caríssimos: Se sabeis que Deus é justo, compreendereis também que todo aquele que pratica a justiça nasceu d'Ele.
Vede que admirável amor o Pai nos consagrou em nos chamarmos filhos de Deus. E somo-lo de facto. Se o mundo não nos conhece, é porque não O conheceu a Ele.
Caríssimos, agora somos filhos de Deus e ainda não se vê o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando Jesus Se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque O veremos tal como Ele é.
Todo aquele que tem n'Ele esta esperança torna-se puro como Ele é puro.
Quem comete o pecado transgride a lei, porque o pecado é a transgressão da lei.
Mas vós sabeis que Jesus Se manifestou para tirar os pecados e n'Ele não existe pecado.
Quem permanece n'Ele não peca; quem peca não O vê nem O conhece.


Salmos 98(97),1.3cd-4.5-6.

Cantai ao Senhor um cântico novo
pelas maravilhas que Ele operou.
A sua mão e o seu santo braço Lhe deram a vitória.
Os confins da terra puderam ver

a salvação do nosso Deus.
Aclamai o Senhor, terra inteira,
exultai de alegria e cantai.
Cantai ao Senhor ao som da cítara,

ao som da cítara e da lira;
ao som da tuba e da trombeta,
aclamai o Senhor, nosso Rei.




João 1,29-34.

No dia seguinte ao seu primeiro testemunho, João Baptista viu Jesus, que vinha ao seu encontro, e exclamou: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.
É d'Ele que eu dizia: 'Depois de mim vem um homem que passou à minha frente, porque era antes de mim'.
Eu não O conhecia, mas foi para Ele Se manifestar a Israel que eu vim batizar na água".
João deu este testemunho, dizendo: "Eu vi o Espírito Santo descer do céu como uma pomba e permanecer sobre Ele.
Eu não O conhecia, mas quem me enviou a batizar na água é que me disse: 'Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer é que batiza no Espírito Santo'.
Ora eu vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus".



Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário do dia:

São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja
Homilias sobre o evangelho de João, nº 18

«Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo»

«Eis o Cordeiro de Deus», diz João Baptista. Jesus não fala: é João, o Percursor, quem diz tudo. Também entre nós aquele que se casa tem por costume agir assim: não diz nada à noiva, mas apresenta-se e mantém-se em silêncio. Há outros que o anunciam e o apresentam à esposa; quando ela aparece, não é o esposo que a toma, mas recebe-a das mãos de outro. Mas, depois de a ter recebido de outro, liga-se-lhe de tal modo, que ela já não se lembra daqueles que deixou para o seguir. Foi o que se passou com Jesus Cristo: Ele veio desposar a natureza humana, mas nada disse de Si mesmo: apresentou-Se apenas. Foi João, o amigo do Esposo (cf Jo 3,29), que colocou na Sua mão a mão da Esposa — por outras palavras, o coração dos homens, a quem persuadiu através da pregação. Então, Jesus Cristo recebeu-os e cumulou-os de tantos bens, que nunca mais voltaram para aquele que os tinha enviado. […]


João é o único a apresentá-Lo ao povo; uma vez que só ele estava presente nas núpcias com a Igreja, recebeu o título de «amigo do Esposo». Foi ele, na verdade, quem tudo fez; olhando para o Messias que passava, disse: «Eis o Cordeiro de Deus.» Mostrou assim que não era apenas com a voz, mas também com os olhos, que dava testemunho dele. João admirava o Filho de Deus e, ao contemplá-Lo, o seu coração vibrava de alegria. A princípio, não abriu a boca para pregar a respeito dele; limitou-se a admirá-Lo, espantado. Assim deu a conhecer o dom que Jesus trouxe ao mundo, de acordo com o sentido da palavra «cordeiro». João não disse: «tirará» ou «tirou» mas «É Aquele que tira o pecado do mundo»: não o faz apenas no momento da sua Paixão, mas sempre. Ofereceu-Se uma vez em sacrifício pelos pecados do mundo mas, através dessa oblação, purifica para sempre a consciência dos homens pecadores.







quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Evangelho do Dia


Sexta-feira, dia 02 de Janeiro de 2015

Féria do Tempo Natal (2 de Janeiro)

S. Basílio Magno, b., Doutor da Igreja, +379, S. Gregório Nazianzeno, b., Doutor da Igreja, +390

Comentário do dia
Homilia atribuída a Santo Hipólito de Roma : «Eu não sou o Messias»

1 João 2,22-28.

Caríssimos: Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Esse é que é o anticristo: aquele que nega o Pai e o Filho.
Quem nega o Filho também não reconhece o Pai. Quem confessa o Filho reconhece também o Pai.
Portanto, permaneça em vós a doutrina que ouvistes desde o princípio. Se permanecer em vós a doutrina que ouvistes desde o princípio, também vós permanecereis no Filho e no Pai.
E a promessa que o Filho nos fez é a vida eterna.
Era isto o que eu tinha a escrever-vos acerca dos que tentam enganar-vos.
Para vós, porém, a unção que recebestes de Cristo permanece em vós e não precisais que alguém vos ensine. Uma vez que a unção de Cristo vos instrui sobre todas as coisas e é verdadeira e não mente, permanecei n'Ele, conforme ela vos ensinou.
E agora, meus filhos, permanecei em Cristo, para que possamos ter plena confiança quando Ele Se manifestar e não sejamos confundidos por Ele na sua vinda.


Salmos 98(97),1.2-3ab.3cd-4.

Cantai ao Senhor um cântico novo
pelas maravilhas que Ele operou.
A sua mão e o seu santo braço Lhe deram a vitória.
O Senhor deu a conhecer a salvação,

revelou aos olhos das nações a sua justiça.
Recordou-Se da sua bondade e fidelidade
em favor da casa de Israel.
Os confins da terra puderam ver

a salvação do nosso Deus.
Aclamai o Senhor, terra inteira,
exultai de alegria e cantai.




João 1,19-28.

Foi este o testemunho de João Baptista, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para lhe perguntarem: "Quem és tu?"
Ele confessou e não negou: "Eu não sou o Messias".
Eles perguntaram-lhe: "Então, quem és tu? És Elias?" "Não sou", respondeu ele. "És o Profeta?" Ele respondeu: "Não".
Disseram-lhe então: "Quem és tu? Para podermos dar uma resposta àqueles que nos enviaram, que dizes de ti mesmo?"
Ele declarou: "Eu sou a voz que clama no deserto: 'Endireitai o caminho do Senhor', como disse o profeta Isaías".
Entre os enviados havia fariseus
que lhe perguntaram: "Então porque batizas, se não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?"
João respondeu-lhes: "Eu batizo na água; mas no meio de vós está Alguém que não conheceis:
Aquele que vem depois de mim, a quem eu não sou digno de desatar a correia das sandálias".
Tudo isto se passou em Betânia, além do Jordão, onde João estava a batizar.



Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário do dia:

Homilia atribuída a Santo Hipólito de Roma (?-c. 235), presbítero, mártir
Homilia do séc. IV para a Epifania, a Santa Teofania; PG 10, 852

«Eu não sou o Messias»

Honremos com reverência a compaixão de um Deus que não veio julgar o mundo, mas salvá-lo. João, o precursor do Mestre, que até então havia ignorado este mistério, quando soube que Jesus era verdadeiramente o Senhor, gritou aos que vinham pedir o baptismo: «"Raça de víboras" (Mt 3,6), porque me olhais com tanta insistência? Eu não sou o Cristo. Sou um servo, não sou o Senhor. Sou um súbdito, não sou o rei. Sou uma ovelha, não sou o pastor. Sou um homem, não sou Deus. Curei a esterilidade de minha mãe ao vir ao mundo, não tornei fecunda a sua virgindade; fui tirado da terra, não desci das alturas. Prendi a língua de meu pai (Lc 1,20), não manifestei a graça divina. […] Sou vil e pequeno, mas "depois de mim vem um homem que me passou à frente, porque existia antes de mim"» (Jo 1,30).


«Ele vem depois de mim no tempo, mas já habitava na luz inacessível e inexprimível da divindade. "Aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu e não sou digno de Lhe descalçar as sandálias. Ele há-de baptizar-vos no Espírito Santo e no fogo" (Mt 3,11). Eu sou um subordinado; Ele é livre. Eu estou sujeito ao pecado, Ele destrói o pecado. Eu ensino a Lei, Ele carrega a luz da graça. Eu prego na condição de escravo, Ele legifera na condição de mestre. Eu tenho por leito o chão, Ele, os céus. Eu dou um baptismo de arrependimento, Ele dá a graça da adopção. "Ele há-de baptizar-vos no Espírito Santo e no fogo." Porque me honrais? Eu não sou o Cristo.»







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