terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

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Quarta-feira, dia 08 de Fevereiro de 2017

Quarta-feira da 5ª semana do Tempo Comum

S. Jerónimo Emiliano, presbítero, +1537, Santa Josefina Bakhita, religiosa, +1947

Comentário do dia
Isaac o Sírio : «Cria em mim, ó Deus, um coração puro» (Sl 50,12)

Gén. 2,4b-9.15-17.


Quando o Senhor Deus fez a Terra e os céus,
e ainda não havia arbusto algum pelos campos, nem sequer uma planta germinara ainda, porque o Senhor Deus ainda não tinha feito chover sobre a terra, e não havia homem para a cultivar,
Entretanto, um manancial de água subia da terra e regava toda a superfície do solo.
Então o Senhor Deus formou o homem do pó da terra, insuflou nele um sopro de vida e o homem tornou-se um ser vivo.
O Senhor Deus plantou um jardim no Éden, a oriente, e nele colocou o homem que tinha formado.
O Senhor Deus fez nascer da terra toda a espécie de árvores, de frutos agradáveis à vista e bons para comer, entre as quais a árvore da vida, no meio do jardim, e a árvore da ciência do bem e do mal.
O Senhor Deus tomou o homem e colocou-o no jardim do Éden, para o cultivar e guardar.
O Senhor Deus deu ao homem este mandamento: «Podes comer fruto de todas as árvores do jardim,
mas não comerás da árvore da ciência do bem e do mal, porque, no dia em que dela comeres, terás de morrer».


Marcos 7,14-23.

Naquele tempo, Jesus chamou de novo para junto de Si a multidão e disse-lhes: «Escutai-Me e procurai compreender.
Não há nada fora do homem que ao entrar nele o possa tornar impuro. O que sai do homem é que o torna impuro.
Se alguém tem ouvidos para ouvir, oiça».
Quando Jesus, ao deixar a multidão, entrou em casa, os discípulos perguntaram-Lhe o sentido da parábola.
Ele respondeu-lhes: «Vós também não entendestes? Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não pode torná-lo impuro,
porque não entra no coração, mas no ventre, e depois vai parar à fossa?». Assim, Jesus declarava puros todos os alimentos.
E continuou: «O que sai do homem é que o torna impuro;
porque do interior dos homens é que saem as más intenções: imoralidades, roubos, assassínios,
adultérios, ambições, injustiças, fraudes, devassidão, inveja, difamação, orgulho, insensatez.
Todos estes vícios saem do interior do homem e são eles que o tornam impuro».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Isaac o Sírio (século VII), monge perto de Mossul
Discursos Espirituais, 1.ª série

«Cria em mim, ó Deus, um coração puro» (Sl 50,12)

Está dito que só a ajuda de Deus salva. Quando um homem sabe que não há mais nenhum socorro, reza muito. E, quanto mais reza, mais o seu coração se torna humilde, porque não se pode rezar e pedir sem se ser humilde. «Não desprezarás, ó Deus, um coração oprimido e humilhado» (Sl 50,19). Com efeito, enquanto o coração não se torna humilde, é-lhe impossível escapar à dispersão; a humildade faz o coração virar-se sobre si mesmo.

Quando o homem se torna humilde, imediatamente a compaixão o envolve e o seu coração sente então o socorro divino. Descobre que nele sobe uma força, a força da confiança. Quando o homem sente assim o socorro de Deus, quando sente que Ele está ali e vem em sua ajuda, imediatamente o seu coração fica cheio de fé e compreende então que a oração é o refúgio do socorro, a fonte da salvação, o tesouro da confiança, o porto livre da tempestade, a luz dos que estão nas trevas, o amparo dos fracos, o abrigo no tempo da provação, a ajuda no auge da doença, o escudo que defende nos combates, a flecha lançada contra o inimigo. Numa palavra, a abundância dos bens entra nele pela oração. Doravante, ele tem as suas delícias na oração de fé. O seu coração irradia confiança.







segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

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Terça-feira, dia 07 de Fevereiro de 2017

Cinco Chagas do Senhor - Festa
As Cinco Chagas do Senhor

Beata Eugénia Smet (Madre Maria da Providência), religiosa. +1871, Beata Rosália Rendu, religiosa, +1856

Comentário do dia
São Tomás de Aquino : O nosso título de glória é o Filho do Homem entregue nas mãos dos homens

Is. 53,1-10.

Quem acreditou no que ouvimos dizer? A quem se revelou o braço do Senhor?
O meu servo cresceu diante do Senhor como um rebento, como raiz numa terra árida, sem distinção nem beleza para atrair o nosso olhar nem aspeto agradável que possa cativar-nos.
Desprezado e repelido pelos homens, homem de dores, acostumado ao sofrimento, era como aquele de quem se desvia o rosto, pessoa desprezível e sem valor para nós.
Ele suportou as nossas enfermidades e tomou sobre si as nossas dores. Mas nós víamos nele um homem castigado, ferido por Deus e humilhado.
Ele foi trespassado por causa das nossas culpas e esmagado por causa das nossas iniquidades. Caiu sobre ele o castigo que nos salva: pelas suas chagas fomos curados.
Todos nós, como ovelhas, andávamos errantes, cada qual seguia o seu caminho. E o Senhor fez cair sobre ele as faltas de todos nós.
Maltratado, humilhou-se voluntariamente e não abriu a boca. Como cordeiro levado ao matadouro, como ovelha muda ante aqueles que a tosquiam, ele não abriu a boca.
Foi eliminado por sentença iníqua, mas, quem se preocupa com a sua sorte? Foi arrancado da terra dos vivos e ferido de morte pelos pecados do seu povo.
Foi-lhe dada sepultura entre os ímpios e um túmulo no meio de malfeitores, embora não tivesse cometido injustiça nem se tivesse encontrado mentira na sua boca.
Aprouve ao Senhor esmagá-lo pelo sofrimento. Mas se oferecer a sua vida como sacrifício de expiação, terá uma descendência duradoira, viverá longos dias e a obra do Senhor prosperará em suas mãos.


João 19,28-37.

Naquele tempo, sabendo que tudo estava consumado e para que se cumprisse a Escritura, Jesus disse: «Tenho sede».
Estava ali um vaso cheio de vinagre. Prenderam a uma vara uma esponja embebida em vinagre e levaram-Lha à boca.
Quando Jesus tomou o vinagre, exclamou: «Tudo está consumado». E, inclinando a cabeça, expirou.
Por ser a Preparação da Páscoa, e para que os corpos não ficassem na cruz durante o sábado – era um grande dia aquele sábado – os judeus pediram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas e fossem retirados.
Os soldados vieram e quebraram as pernas ao primeiro, depois ao outro que tinha sido crucificado com ele.
Ao chegarem a Jesus, vendo-O já morto, não Lhe quebraram as pernas,
mas um dos soldados trespassou-Lhe o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água.
Aquele que viu é que dá testemunho e o seu testemunho é verdadeiro. Ele sabe que diz a verdade, para que também vós acrediteis.
Assim aconteceu para se cumprir a Escritura, que diz: «Nenhum osso lhe será quebrado».
Diz ainda outra passagem da Escritura: «Hão-de olhar para Aquele que trespassaram».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

São Tomás de Aquino (1225-1274), teólogo dominicano, doutor da Igreja
Comentário sobre a Epístola aos Gálatas, 6

O nosso título de glória é o Filho do Homem entregue nas mãos dos homens

«Quanto a mim, Deus me livre de me gloriar a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo», diz São Paulo (Gal 6,14). Repara, observa Santo Agostinho: onde o sábio segundo este mundo julgou encontrar a vergonha, aí descobriu o apóstolo Paulo um tesouro; pois aquilo que para outro é loucura é para ele sabedoria (1Cor 1,17s) e título de glória.

Com efeito, cada um retira a sua glória daquilo que, a seus olhos, o torna grande; se julga ser um homem importante por ser rico, glorifica-se nos seus bens. Mas aquele que não encontra grandeza para si senão em Jesus Cristo põe a sua glória apenas em Jesus; assim era o apóstolo Paulo, que dizia: «Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim»(Gal 2,20). É por isso que apenas se gloria em Cristo, e sobretudo na cruz de Cristo. É que nesta cruz estão reunidos todos os motivos de glória que um homem pode ter.

Há pessoas que retiram a sua glória da amizade com os grandes e poderosos; Paulo, porém, apenas tem necessidade da cruz de Cristo, onde descobre o sinal mais evidente da amizade de Deus: «Deus demonstra o seu amor para connosco pelo facto de Cristo haver morrido por nós quando ainda éramos pecadores» (Rom 5,8). Não, nada manifesta tão bem o amor de Deus para connosco como a morte de Cristo. «Oh, testemunho inestimável do amor!», exclama São Gregório. «Para resgatar o escravo, entregastes o Filho!»







domingo, 5 de fevereiro de 2017

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Segunda-feira, dia 06 de Fevereiro de 2017

Segunda-feira da 5ª semana do Tempo Comum

S. Gonçalo Garcia, religioso, mártir, +1597, Santos Paulo Miki, Pedro Batista e companheiros, mártires, +1597

Comentário do dia
Santo Agostinho : «Todos os que O tocavam ficavam curados»

Gén. 1,1-19.

No princípio, Deus criou o céu e a terra.
A terra estava deserta e vazia, as trevas cobriam a superfície do abismo, e o espírito de Deus pairava sobre as águas.
Disse Deus: «Faça-se a luz». E a luz apareceu.
Deus viu que a luz era boa, e separou a luz das trevas.
Deus chamou 'dia' à luz e 'noite' às trevas. Veio a tarde e, em seguida, a manhã: era o primeiro dia.
Disse Deus: «Haja um firmamento no meio das águas, para as manter separadas umas das outras».
Deus fez o firmamento e separou as águas que estavam debaixo do firmamento das águas que estavam por cima dele.
E ao firmamento chamou 'céu'. Veio a tarde e, em seguida, a manhã: foi o segundo dia.
Disse Deus: «Juntem-se as águas que estão debaixo do firmamento num só lugar e apareça a terra seca». E assim sucedeu.
À parte seca Deus chamou 'terra' e 'mar' ao conjunto das águas. E Deus viu que isto era bom.
Disse Deus: «Cubra-se a terra de verdura: ervas que deem sementes e árvores de fruto, que produzam sobre a terra frutos com a sua semente, segundo a própria espécie». E assim sucedeu.
A terra produziu verdura: erva que produz semente, segundo a sua espécie, e árvores que dão frutos com a sua semente, segundo a própria espécie. Deus viu que isto era bom.
Veio a tarde e, em seguida, a manhã: foi o terceiro dia.
Disse Deus: «Haja luzeiros no firmamento do céu, para distinguirem o dia da noite e servirem de sinais para as festas, os dias e os anos,
para que brilhem no firmamento do céu e iluminem a terra». E assim sucedeu.
Deus fez dois grandes luzeiros: o maior para presidir ao dia e o menor para presidir à noite; e fez também as estrelas.
Deus colocou-os no firmamento do céu para iluminarem a terra,
para presidirem ao dia e à noite e separarem a luz das trevas. Deus viu que isto era bom.
Veio a tarde e, em seguida, a manhã: foi o quarto dia.


Marcos 6,53-56.

Naquele tempo, Jesus e os seus discípulos fizeram a travessia do lago e vieram para terra em Genesaré, onde aportaram.
Quando saíram do barco, as pessoas reconheceram logo Jesus;
então percorreram toda aquela região e começaram a trazer os doentes nos catres, para onde ouviam dizer que Ele estava.
Nas aldeias, cidades ou casais onde Jesus entrasse, colocavam os enfermos nas praças públicas e pediam que os deixasse tocar-Lhe ao menos na orla do manto. E todos os que O tocavam ficavam curados.



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
Sermão 306, passim

«Todos os que O tocavam ficavam curados»

Todos os homens querem ser felizes; não há ninguém que não o queira, e com tanta intensidade que o deseja acima de tudo. Melhor ainda: tudo o que querem para além disso querem-no para isso. Os homens perseguem paixões diferentes, um esta, outro aquela; também existem muitas maneiras de ganhar a vida neste mundo: cada um escolhe a sua profissão e exerce-a. Mas quer adotem este ou aquele género de vida, todos os homens agem para serem felizes. [...] O que há então nesta vida capaz de nos fazer felizes, que todos desejam mas que nem todos alcançam? Procuremo-lo. [...]

Se eu perguntar a alguém: «Queres viver?», não há ninguém que se sinta tentado a responder-me: «Não quero». [...] Do mesmo modo, se eu perguntar: «Queres ser saudável?», ninguém me responderá: «Não quero». A saúde é um bem precioso aos olhos do rico, e é muitas vezes o único bem que o pobre possui. [...] Todos concordam no amor pela vida e pela saúde. Ora, quando o homem desfruta da vida e é saudável, poderá contentar-se com isso? [...]

Um homem rico perguntou ao Senhor: «Mestre, que devo fazer para ter a vida eterna?» (Mc 10,17) Ele temia morrer e era forçado a morrer. [...] Ele sabia que uma vida de dor e de tormentos não é vida, e que se lhe deveria antes dar o nome de morte. [...] Apenas a vida eterna pode ser feliz. A saúde e a vida neste mundo não garantem a felicidade, pois tememos perdê-las: chamai a isto «temer sempre» e não «viver sempre». [...] Se a nossa vida não é eterna, se não satisfaz eternamente os nossos desejos, não pode ser feliz, nem sequer é vida. [...] Quando entrarmos nessa vida, teremos a certeza de aí ficar para sempre. Teremos a certeza de possuir eternamente a verdadeira vida sem qualquer temor, pois encontrar-nos-emos naquele reino sobre o qual se diz: «E o seu reino não terá fim» (Lc 1,33).







sábado, 4 de fevereiro de 2017

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Domingo, dia 05 de Fevereiro de 2017

5º Domingo do Tempo Comum
5º Domingo Comum (semana I do saltério)

Santa Águeda, virgem, mártir, +251, S. Felipe de Jesus, religioso, mártir, +1597

Comentário do dia
São Josemaría Escrivá de Balaguer : «Brilha para todos os que estão em casa»

Is. 58,7-10.

Eis o que diz o Senhor: «Reparte o teu pão com o faminto, dá pousada aos pobres sem abrigo, leva roupa ao que não tem que vestir e não voltes as costas ao teu semelhante.
Então a tua luz despontará como a aurora, e as tuas feridas não tardarão a sarar. Preceder-te-á a tua justiça e seguir-te-á a glória do Senhor.
Então, se chamares, o Senhor responderá, se O invocares, dir-te-á: 'Aqui estou'. Se tirares do meio de ti a opressão, os gestos de ameaça e as palavras ofensivas,
se deres do teu pão ao faminto e matares a fome ao indigente, a tua luz brilhará na escuridão e a tua noite será como o meio-dia».


1 Cor. 2,1-5.

Irmãos: Quando fui ter convosco, irmãos, não me apresentei com sublimidade de linguagem ou de sabedoria a anunciar-vos o mistério de Deus.
Pensei que, entre vós, não devia saber nada senão Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado.
Apresentei-me diante de vós cheio de fraqueza e de temor e a tremer deveras.
A minha palavra e a minha pregação não se basearam na linguagem convincente da sabedoria humana, mas na poderosa manifestação do Espírito Santo,
para que a vossa fé não se fundasse na sabedoria humana, mas no poder de Deus.


Mateus 5,13-16.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Vós sois o sal da terra. Mas se ele perder a força, com que há de salgar-se? Não serve para nada, senão para ser lançado fora e pisado pelos homens.
Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte;
nem se acende uma lâmpada para a colocar debaixo do alqueire, mas sobre o candelabro, onde brilha para todos os que estão em casa.
Assim deve brilhar a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

São Josemaría Escrivá de Balaguer (1902-1975), presbítero, fundador
«Cristo que passa», homilia de 4 de maio de 1957, §§ 147-148

«Brilha para todos os que estão em casa»

Encher de luz o mundo, ser sal e luz - assim definiu o Senhor a missão dos seus discípulos. Levar até aos confins da Terra a boa nova do amor de Deus - a isso devem dedicar a vida, de um modo ou de outro, todos os cristãos. [...] A graça da fé não nos foi concedida para ficar oculta, mas para brilhar diante dos homens. [...]

Talvez algum de vós me pergunte como pode transmitir esse conhecimento às pessoas. E eu respondo-vos: com naturalidade, com simplicidade, vivendo como viveis, no meio do mundo, entregues ao vosso trabalho profissional e aos cuidados da vossa família, participando em todos os ideais nobres, respeitando a legítima liberdade de cada um. [...] A vida corrente pode ser santa e cheia de Deus; o Senhor chama-nos a santificar o trabalho quotidiano, porque aí está também a perfeição do cristão. [...]

Não nos esqueçamos de que a quase totalidade dos dias que Nossa Senhora passou na Terra decorreram de forma muito semelhante à vida diária de muitos milhões de mulheres, ocupadas em cuidar da sua família, em educar os seus filhos, em levar a cabo as tarefas do lar. Maria santifica as mais pequenas coisas, aquilo que muitos consideram - erradamente - não transcendente e sem valor. [...] Bendita normalidade, que pode estar cheia de tanto amor de Deus! Na verdade, é isso que explica a vida de Maria: o amor. Um amor levado até ao extremo, até ao esquecimento completo de si mesma, contente por estar onde Deus quer que esteja e cumprindo com esmero a vontade divina. É isso que faz com que o mais pequeno dos seus gestos nunca seja banal, mas cheio de significado. [...] Havemos de procurar ser como Ela nas circunstâncias concretas em que Deus quis que vivêssemos.







sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

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Sabado, dia 04 de Fevereiro de 2017

Sábado da 4a semana do Tempo Comum

S. João de Brito, presbítero e mártir, +1693

Comentário do dia
Orígenes : «E começou a ensinar-lhes muitas coisas»

Heb. 13,15-17.20-21.

Irmãos: Ofereçamos a Deus continuamente, por Jesus Cristo, um sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que aclamam o seu nome.
Não esqueçais a beneficência e a solidariedade, porque são estes sacrifícios que agradam a Deus.
Obedecei aos vossos chefes e sede-lhes submissos, porque eles velam pelas vossas almas, como quem tem de responder por elas. Assim poderão fazê-lo com alegria, e sem queixumes, o que vos seria prejudicial.
O Deus da paz, que ressuscitou dos mortos Aquele que, pelo sangue de uma aliança eterna, Se tornou o supremo pastor das ovelhas, nosso Senhor Jesus,
vos torne aptos para cumprir a sua vontade em toda a espécie de boas obras e realize em nós o que Lhe é agradável, por Jesus Cristo, a quem seja dada glória pelos séculos dos séculos. Amen.


Marcos 6,30-34.

Naquele tempo, os Apóstolos voltaram para junto de Jesus e contaram-Lhe tudo o que tinham feito e ensinado.
Então Jesus disse-lhes: «Vinde comigo para um lugar isolado e descansai um pouco». De facto, havia sempre tanta gente a chegar e a partir que eles nem tinham tempo de comer.
Partiram, então, de barco para um lugar isolado, sem mais ninguém.
Vendo-os afastar-se, muitos perceberam para onde iam; e, de todas as cidades, acorreram a pé para aquele lugar e chegaram lá primeiro que eles.
Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e compadeceu-Se de toda aquela gente, porque eram como ovelhas sem pastor. E começou a ensinar-lhes muitas coisas.



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Orígenes (c. 185-253), presbítero, teólogo
Comentário sobre o Cântico dos cânticos, II, 4, 17s

«E começou a ensinar-lhes muitas coisas»

«Diz-me, ó amado do meu coração», pede a esposa do Cântico dos Cânticos, «onde apascentas o teu rebanho, onde o fazes repousar ao meio-dia» (1,7). Penso que, no salmo 22, também o profeta, colocado à guarda do mesmo pastor, fala sob o local de que falava a esposa, quando diz: «O Senhor é meu pastor; nada me faltará» (v. 1). Ele sabia que os outros pastores, sob o efeito da preguiça ou da inexperiência, apascentavam os seus rebanhos em locais mais áridos. É por isso que diz do Senhor, o pastor perfeito: «Em prados verdejantes Ele me faz repousar. Conduz-me às águas refrescantes» (v. 2). Mostra assim que este pastor dá às suas ovelhas águas, não apenas abundantes, mas também sãs e puras, que as dessedentam perfeitamente. [...]

Esta primeira formação dada pelo pastor é a dos inícios; a continuação diz respeito aos progressos e à perfeição. Acabámos de falar de pastagens e de verdura. Vejamos isto nos Evangelhos. Aí descobri este bom pastor a falar das pastagens das ovelhas; Ele diz que é o pastor, mas também a porta: «Se alguém entrar por Mim, salvar-se-á; entrará e sairá e achará pastagens» (Jo 10,9). É por conseguinte a Ele que a esposa questiona. [...] Ela chama «meio-dia» aos lugares secretos do coração onde a alma obtém do Verbo de Deus uma luz brilhante de ciência. Essa é, com efeito, a hora em que o sol atinge o ponto mais alto do seu percurso. Portanto, quando Cristo, «Sol de justiça» (Mal 3,20), manifesta à sua Igreja os sublimes segredos das suas virtudes, está a mostrar-lhe pastagens agradáveis e locais onde repousar ao meio-dia.

Porque quando ela ainda está no começo da sua instrução e apenas recebe dele os primeiros inícios do conhecimento, o profeta diz: «Deus socorrê-la-á de manhã, ao nascer do dia» (Sl 45,6). Mas, quando procura bens mais perfeitos e deseja realidades superiores, ela pede a luz do conhecimento ao meio-dia.







quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

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Sexta-feira, dia 03 de Fevereiro de 2017

Sexta-feira da 4ª semana do Tempo Comum

S. Brás, bispo e mártir, +316, S. Oscar (Ansgário), bispo, +865

Comentário do dia
São Beda: João Batista, mártir da verdade

Heb. 13,1-8.

Irmãos: Permanecei no amor fraterno.
Não esqueçais a hospitalidade, porque, graças a ela, alguns, sem o saberem, hospedaram Anjos.
Lembrai-vos dos prisioneiros, como se estivésseis presos com eles. Lembrai-vos dos que são maltratados, porque vós também tendes um corpo.
O matrimónio seja honrado por todos e o leito conjugal sem mancha, porque Deus julgará os impuros e os adúlteros.
O vosso modo de proceder seja desinteressado, contentando-vos com o que possuís, porque Deus disse: "Eu não te abandonarei nem te desampararei".
Assim poderemos dizer confiadamente: "O Senhor é por mim: nada temo; que poderão fazer-me os homens?".
Lembrai-vos dos vossos chefes, que vos anunciaram a palavra de Deus; considerai o êxito da sua carreira e imitai a sua fé.
Jesus Cristo é sempre o mesmo, hoje e ontem e por toda a eternidade.


Marcos 6,14-29.

Naquele tempo, o rei Herodes ouviu falar de Jesus, pois a sua fama chegara a toda a parte e dizia-se: «João Baptista ressuscitou dos mortos; por isso ele tem o poder de fazer milagres».
Outros diziam: «É Elias». Outros diziam ainda: «É um profeta como os antigos profetas».
Mas Herodes, ao ouvir falar de tudo isto, dizia: «João, a quem mandei cortar a cabeça, ressuscitou».
De facto, Herodes mandara prender João e algemá-lo no cárcere, por causa de Herodíades, a esposa de seu irmão Filipe, que ele tinha tomado por mulher.
João dizia a Herodes: «Não podes ter contigo a mulher do teu irmão».
Herodíades odiava João Baptista e queria dar-lhe a morte, mas não podia,
porque Herodes respeitava João, sabendo que era justo e santo, e por isso o protegia. Quando o ouvia, ficava perturbado, mas escutava-o com prazer.
Entretanto, chegou um dia oportuno, quando Herodes, no seu aniversário natalício, ofereceu um banquete aos grandes da corte, aos oficiais e às principais personalidades da Galileia.
Entrou então a filha de Herodíades, que dançou e agradou a Herodes e aos convidados. O rei disse à jovem: «Pede-me o que desejares e eu to darei».
E fez este juramento: « Dar-te-ei o que me pedires, ainda que seja a metade do meu reino».
Ela saiu e perguntou à mãe: «Que hei-de pedir?». A mãe respondeu-lhe: «Pede a cabeça de João Baptista».
Ela voltou apressadamente à presença do rei e fez-lhe este pedido: «Quero que me dês sem demora, num prato, a cabeça de João Baptista».
O rei ficou consternado, mas por causa do juramento e dos convidados, não quis recusar o pedido.
E mandou imediatamente um guarda, com ordem de trazer a cabeça de João. O guarda foi à cadeia, cortou a cabeça de João
e trouxe-a num prato. A jovem recebeu-a e entregou-a à mãe.
Quando os discípulos de João souberam a notícia, foram buscar o seu cadáver e deram-lhe sepultura.



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

São Beda, o Venerável (c. 673-735), monge beneditino, doutor da Igreja
Homilia 23 (livro 2); CCL 122, 354, 356-357

João Batista, mártir da verdade

Não há qualquer dúvida de que S. João Batista sofreu a prisão pelo nosso Redentor, que precedeu pelo seu testemunho, de que foi por Ele que deu a vida. O seu perseguidor não lhe pediu para negar Cristo, mas para calar a verdade, Contudo, foi por Cristo que morreu, pois Cristo disse acerca de Si mesmo: «Eu sou a verdade» (Jo 14,6). Assim, se pela verdade derramou o seu sangue, então foi por Cristo que o fez. Nascendo, João testemunhou que Cristo iria nascer; pregando, testemunhou que Cristo iria pregar; batizando, que Ele iria batizar. Sofrendo primeiro a sua Paixão, significou que o próprio Cristo sofreria a sua [...].

Este homem tão grande chegou, pois, ao fim da sua vida pelo derramamento do seu sangue, depois de um longo e penoso cativeiro. Ele, que anunciou a boa nova da liberdade de uma paz superior, foi lançado na prisão pelos ímpios. Foi fechado na obscuridade de um cárcere, ele que veio para dar testemunho da luz [...]. Pelo seu próprio sangue é batizado aquele a quem foi dado batizar o Redentor do mundo, ouvir a voz do Pai dirigindo-Se a Cristo, e ver descer sobre Ele a graça do Espírito Santo.

O apóstolo Paulo efetivamente disse-o: «Porque a vós é-vos dado por Cristo, não somente que creiais nele, mas ainda que por Ele padeçais» (Fil 1,29). E, se disse que sofrer por Cristo é um dom dos seus eleitos, é porque, como diz noutra parte: «Tenho como coisa certa que os sofrimentos do tempo presente nada são em comparação com a glória que há-de revelar-se em nós» (Rom 8,18).







quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

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Quinta-feira, dia 02 de Fevereiro de 2017

Apresentação do Senhor, festa.

Comentário do dia
São Bernardo : «De repente entrará no seu Templo o Senhor que procurais» (Mal 3,1)

Malaquias 3,1-4.

Assim fala o Senhor Deus: "Vou enviar o meu mensageiro, para preparar o caminho diante de Mim. Imediatamente entrará no seu templo o Senhor a quem buscais, o Anjo da Aliança por quem suspirais. Ele aí vem - diz o Senhor do Universo -.
Mas quem poderá suportar o dia da sua vinda, quem resistirá quando Ele aparecer? Ele é como o fogo do fundidor e como a lixívia dos lavandeiros.
Sentar-Se-á para fundir e purificar: purificará os filhos de Levi, como se purifica o ouro e a prata, e eles serão para o Senhor os que apresentam a oblação segundo a justiça.
Então a oblação de Judá e de Jerusalém será agradável ao Senhor, como nos dias antigos, como nos anos de outrora.


Lucas 2,22-40.

Ao chegarem os dias da purificação, segundo a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, para O apresentarem ao Senhor,
como está escrito na Lei do Senhor: "Todo o filho primogénito varão será consagrado ao Senhor",
e para oferecerem em sacrifício um par de rolas ou duas pombinhas, como se diz na Lei do Senhor.
Vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão, homem justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava nele.
O Espírito Santo revelara-lhe que não morreria antes de ver o Messias do Senhor;
e veio ao templo, movido pelo Espírito. Quando os pais de Jesus trouxeram o Menino para cumprirem as prescrições da Lei no que lhes dizia respeito,
Simeão recebeu-O em seus braços e bendisse a Deus, exclamando:
Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo,
porque os meus olhos viram a vossa salvação,
que pusestes ao alcance de todos os povos:
luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo.
O pai e a mãe do Menino Jesus estavam admirados com o que d'Ele se dizia.
Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: "Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição;
- e uma espada trespassará a tua alma - assim se revelarão os pensamentos de todos os corações".
Havia também uma profetiza, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada
e tinha vivido casada sete anos após o tempo de donzela e viúva até aos oitenta e quatro. Não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações.
Estando presente na mesma ocasião, começou também a louvar a Deus e a falar acerca do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém.
Cumpridas todas as prescrições da Lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré.
Entretanto, o Menino crescia e tornava-Se robusto, enchendo-Se de sabedoria. E a graça de Deus estava com Ele.



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense, doutor da Igreja
1.º sermão para a Purificação

«De repente entrará no seu Templo o Senhor que procurais» (Mal 3,1)

Hoje a Virgem Mãe introduz o Senhor do Templo no Templo do Senhor. José também conduz ao Senhor esse filho que não é o seu, mas o Filho bem amado no qual Deus pôs toda a sua complacência (Mt 3,17). Simeão, o justo, reconhece aquele por quem esperava; Ana, a viúva, louva-O. Uma primeira procissão foi celebrada nesse dia por estas quatro personagens, uma procissão que, mais tarde, seria celebrada em júbilo pelo universo inteiro. [...] Não vos espanteis por esta procissão ser tão pequena, pois que bem pequeno é também aquele que o Templo recebe. Mas neste local não há pecadores: todos são justos, todos são santos, todos são perfeitos.

Só a esses salvarás, Senhor? O teu corpo vai crescer, a tua ternura, também crescerá. [...] Vejo agora uma segunda procissão, em que o Senhor é precedido e seguido pelas multidões; já não é a Virgem que O leva, mas um jumentinho. Ele não menospreza, portanto, nenhum daqueles que envergarem as vestes dos apóstolos (Mt 21,7): a sua doutrina, os seus costumes e a caridade que cobre uma quantidade de pecados (1Ped 4,8). Mas irei mais longe e direi que também a nós Ele reservou um lugar nessa procissão. [...] David, rei e profeta, rejubilou ao ver esse dia: «Viu-o e encheu-se de alegria» (Jo 8,56); senão, não teria cantado «Recebemos, ó Deus, a tua misericórdia no teu Templo» (Sl 47,8). David recebeu essa misericórdia do Senhor, Simeão recebeu-a, e nós também a recebemos, como todos aqueles que são predestinados à vida, pois «Cristo é o mesmo ontem, hoje e para sempre» (Heb 13,8). [...}

Abracemos, portanto, essa misericórdia que recebemos no Templo e, tal como a bem-aventurada Ana, não nos afastemos dele. Pois «o Templo de Deus é santo, e esse Templo sois vós» diz o apóstolo Paulo (1Cor 3,17). Está perto de vós essa misericórdia; «está perto de vós a palavra de Deus, na vossa boca e no vosso coração» (Rom 10,8). Pois não é verdade que Cristo habita em vossos corações pela fé (Ef 3,17)? Eis o seu Templo, eis o seu trono. [...] Sim, é no coração que recebemos a misericórdia, é no coração que habita Cristo, é no coração que Ele murmura palavras de paz ao seu povo, aos seus santos, a todos aqueles que se recolhem ao seu coração.







terça-feira, 31 de janeiro de 2017

padrecavalieri@uol.com.br


Quarta-feira, dia 01 de Fevereiro de 2017

Quarta-feira da 4ª semana do Tempo Comum

Beata Maria Ana Vaillot, religiosa, mártir, +1794, Beata Odília (Otília) Baumgarten, religiosa, mártir, +1794, Beata Ana Michelotti, religiosa fundadora, +1887

Comentário do dia
Santo Atanásio : «Não é Ele o carpinteiro, filho de Maria?»

Heb. 12,4-7.11-15.

Irmãos: Vós ainda não resististes até ao sangue na luta contra o pecado
e já esquecestes a exortação que vos é dirigida, como a filhos que sois: "Meu filho, não desprezes a correção do Senhor, nem desfaleças quando Ele te repreende;
porque o Senhor corrige aquele que ama e castiga aquele que reconhece como filho».
É para vossa correção que sofreis. Deus trata-vos como filhos. Qual é o filho a quem o pai não corrige?
Nenhuma correção, quando se recebe, é considerada como motivo de alegria, mas de tristeza. Mais tarde, porém, dá àqueles que assim foram exercitados um fruto de paz e de justiça.
Por isso, levantai as vossas mãos fatigadas e os vossos joelhos vacilantes
e dirigi os vossos passos por caminhos direitos, para que o coxo não se extravie, mas antes seja curado.
Procurai viver em paz com todos e levai uma vida santa, porque sem isso ninguém verá o Senhor.
Velai por que ninguém se afaste da graça de Deus: que nenhuma raiz amarga comece a crescer e lance o contágio na comunidade.


Marcos 6,1-6.

Naquele tempo, Jesus dirigiu-Se à sua terra e os discípulos acompanharam-n'O.
Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga. Os numerosos ouvintes estavam admirados e diziam: «De onde Lhe vem tudo isto? Que sabedoria é esta que Lhe foi dada e os prodigiosos milagres feitos por suas mãos?
Não é Ele o carpinteiro, Filho de Maria, e irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? E não estão as suas irmãs aqui entre nós?». E ficavam perplexos a seu respeito.
Jesus disse-lhes: «Um profeta só é desprezado na sua terra, entre os seus parentes e em sua casa».
E não podia ali fazer qualquer milagre; apenas curou alguns doentes, impondo-lhes as mãos.
Estava admirado com a falta de fé daquela gente. E percorria as aldeias dos arredores, ensinando.



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Santo Atanásio (295-373), bispo de Alexandria, doutor da Igreja
Carta a Epicteto, 5-9 (a partir da trad. breviário, rev.)

«Não é Ele o carpinteiro, filho de Maria?»

O Verbo, a Palavra eterna de Deus, «veio em auxílio da descendência de Abraão; por isso, teve de assemelhar-Se em tudo aos seus irmãos» (Heb 2,16-17) e de tomar um corpo semelhante ao nosso. Assim, Maria foi verdadeiramente necessária, para que Ele tomasse corpo nela, e oferecesse esse corpo por nós como sendo seu. [...] Gabriel tinha-lho anunciado em termos cuidadosamente escolhidos, pois não disse apenas: «Aquele que vais nascer em ti» [...], mas: «Aquele que vai nascer de ti». [...]

Tudo isto se fez para que o Verbo, assumindo a nossa natureza e oferecendo-a em sacrifício, a fizesse totalmente sua. Em seguida, quis revestir-nos da sua própria natureza divina, razão pela qual S. Paulo afirma: «É necessário que este corpo corruptível se revista de incorruptibilidade e que este corpo mortal se revista de imortalidade» (1Cor 15,53). E tal não aconteceu de forma simulada, como supõem certos heréticos: nem pensar nisso! O Salvador tornou-Se verdadeiramente homem, e foi daí que veio a salvação para todo o homem. [...] A nossa salvação não é uma aparência, não é apenas para o corpo, mas para o homem todo, alma e corpo, e esta salvação veio do próprio Verbo.

Aquele que veio de Maria era, pois, humano por natureza, segundo as Escrituras, e o corpo do Senhor era um verdadeiro corpo; sim, um verdadeiro corpo, porque era idêntico ao nosso, porque Maria é nossa irmã, visto que todos descendemos de Adão.







segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

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Terça-feira, dia 31 de Janeiro de 2017

Terça-feira da 4ª semana do Tempo Comum

S. João Bosco, presb., +1888

Comentário do dia
São Cirilo de Alexandria : «Entrou no local onde jazia a menina, pegou-lhe na mão e disse: [...] "Menina, Eu te ordeno: levanta-te"».

Heb. 12,1-4.

Irmãos: Estando nós rodeados de tão grande número de testemunhas, libertemo-nos de todo o impedimento e do pecado que nos cerca e corramos com perseverança para o combate que se apresenta diante de nós,
fixando os olhos em Jesus, guia da nossa fé e autor da sua perfeição. Renunciando à alegria que tinha ao seu alcance, Ele suportou a cruz, desprezando a sua ignomínia, e está sentado à direita do trono de Deus.
Pensai n'Aquele que suportou contra Si tão grande hostilidade da parte dos pecadores, para não vos deixardes abater pelo desânimo.
Vós ainda não resististes até ao sangue, na luta contra o pecado.


Marcos 5,21-43.

Naquele tempo, depois de Jesus ter atravessado de barco para a outra margem do lago, reuniu-se uma grande multidão à sua volta, e Ele deteve-se à beira-mar.
Chegou então um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo. Ao ver Jesus, caiu a seus pés
e suplicou-Lhe com insistência: «A minha filha está a morrer. Vem impor-lhe as mãos, para que se salve e viva».
Jesus foi com ele, seguido por grande multidão, que O apertava de todos os lados.
Ora, certa mulher que tinha um fluxo de sangue havia doze anos,
que sofrera muito nas mãos de vários médicos e gastara todos os seus bens, sem ter obtido qualquer resultado, antes piorava cada vez mais,
tendo ouvido falar de Jesus, veio por entre a multidão e tocou-Lhe por detrás no manto,
dizendo consigo: «Se eu, ao menos, tocar nas suas vestes, ficarei curada».
No mesmo instante estancou o fluxo de sangue e sentiu no seu corpo que estava curada da doença.
Jesus notou logo que saíra uma força de Si mesmo. Voltou-Se para a multidão e perguntou: «Quem tocou nas minhas vestes?».
Os discípulos responderam-Lhe: «Vês a multidão que Te aperta e perguntas: 'Quem Me tocou?'».
Mas Jesus olhou em volta, para ver quem O tinha tocado.
A mulher, assustada e a tremer, por saber o que lhe tinha acontecido, veio prostrar-se diante de Jesus e disse-Lhe a verdade.
Jesus respondeu-lhe: «Minha filha, a tua fé te salvou».
Ainda Ele falava, quando vieram dizer da casa do chefe da sinagoga: «A tua filha morreu. Porque estás ainda a importunar o Mestre?».
Mas Jesus, ouvindo estas palavras, disse ao chefe da sinagoga: «Não temas; basta que tenhas fé».
E não deixou que ninguém O acompanhasse, a não ser Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago.
Quando chegaram a casa do chefe da sinagoga, Jesus encontrou grande alvoroço, com gente que chorava e gritava.
Ao entrar, perguntou-lhes: «Porquê todo este alarido e tantas lamentações? A menina não morreu; está a dormir».
Riram-se d'Ele. Jesus, depois de os ter mandado sair a todos, levando consigo apenas o pai da menina e os que vinham com Ele, entrou no local onde jazia a menina,
pegou-lhe na mão e disse: «Talitha Kum», que significa: «Menina, Eu te ordeno: levanta-te».
Ela ergueu-se imediatamente e começou a andar, pois já tinha doze anos. Ficaram todos muito maravilhados.
Jesus recomendou-lhes insistentemente que ninguém soubesse do caso e mandou dar de comer à menina.



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

São Cirilo de Alexandria (380-444), bispo, doutor da Igreja
Comentário sobre S. João

«Entrou no local onde jazia a menina, pegou-lhe na mão e disse: [...] "Menina, Eu te ordeno: levanta-te"».

Nem para ressuscitar os mortos o Salvador Se contenta em agir através da palavra, que, no entanto, é portadora das ordens divinas. Como cooperante, se assim se pode dizer, dessa obra tão fantástica, ele toma a sua própria carne, a fim de mostrar que esta tem o poder de dar a vida, e para ensinar que Lhe está intimamente ligada: ela é verdadeiramente a sua carne, e não um corpo estranho. Foi o que aconteceu quando ressuscitou a filha do chefe da sinagoga; ao dizer-lhe: «Menina, levanta-te», tomou-a pela mão. Como Deus que é, deu-lhe a vida através de uma ordem poderosa, mas deu-lhe a vida também através do contacto com a sua santa carne, testemunhando assim que uma mesma força divina age tanto no seu corpo como na sua palavra. De igual forma, quando chegou a uma cidade chamada Naim, onde ia a enterrar o filho único de uma viúva, tocou no caixão dizendo: «Jovem, Eu te ordeno, levanta-te!» (Lc 7,13-17)

Assim, não só confere à sua palavra o poder de ressuscitar os mortos, mas também, para mostrar que o seu corpo dá a vida, toca nos mortos e, através da sua carne, faz a vida passar para os cadáveres. Ora, se o simples contacto com a sua carne sagrada devolve a vida a um corpo que já se decompunha, que proveito não encontraremos nós na sua vivificante Eucaristia, quando fazemos dela nosso alimento! Ela transformará totalmente no bem que lhe é próprio, quer dizer, na imortalidade, aqueles que nela tiverem participado.







domingo, 29 de janeiro de 2017

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Segunda-feira, dia 30 de Janeiro de 2017

Segunda-feira da 4ª semana do Tempo Comum

Santa Batilde, viúva, +680, Santa Jacinta Mariscotti, v., +1640

Comentário do dia
Santa Teresa de Calcutá : «o homem que tinha sido possesso pediu-Lhe que o deixasse ir com Ele. Jesus [...] disse-lhe: "Vai para casa, para junto dos teus, conta-lhes tudo o que o Senhor te fez"»

Heb. 11,32-40.

Irmãos: Que mais posso dizer? Faltar-me-ia o tempo se quisesse falar de Gedeão, de Barac, de Sansão, de Jefté, de David, de Samuel e dos Profetas.
Pela fé, conquistaram reinos, exerceram a justiça, alcançaram os bens prometidos. Fecharam a boca dos leões,
extinguiram a violência do fogo, escaparam ao fio da espada, convalesceram das enfermidades, tornaram-se fortes na guerra, venceram exércitos inimigos.
Mulheres houve que recuperaram os seus mortos pela ressurreição. Mas outros foram torturados, recusando o resgate a fim de alcançar uma ressurreição melhor.
Outros sofreram o tormento das zombarias e da flagelação, das algemas e da prisão.
Foram apedrejados, serrados, mortos ao fio da espada; andaram vagueando, cobertos de peles de ovelha e de cabra, indigentes, oprimidos, maltratados.
O mundo não era digno deles. Andaram errantes pelos desertos, pelos montes, nas grutas e cavernas da terra.
E todos estes, que alcançaram testemunho favorável pela sua fé, ficaram sem obter a realização da promessa.
Porque Deus previa para nós um destino melhor, eles não deviam chegar sem nós à perfeição final.


Marcos 5,1-20.

Naquele tempo, Jesus e os seus discípulos chegaram ao outro lado do mar, à região dos gerasenos.
Logo que Ele desembarcou, saiu ao seu encontro, dos túmulos onde morava, um homem possesso de um espírito impuro.
Já ninguém conseguia prendê-lo, nem sequer com correntes,
pois estivera preso muitas vezes com grilhões e cadeias e ele despedaçava os grilhões e quebrava as cadeias. Ninguém era capaz de dominá-lo.
Andava sempre, de dia e de noite, entre os túmulos e pelos montes, a gritar e a ferir-se com pedras.
Ao ver Jesus de longe, correu a prostrar-se diante d'Ele e disse,
clamando em alta voz: «Que tens a ver comigo, Jesus, Filho de Deus Altíssimo? Conjuro-Te, por Deus, que não me atormentes».
Porque Jesus dizia-lhe: «Espírito impuro, sai desse homem».
E perguntou-lhe: «Qual é o teu nome?». Ele respondeu: «O meu nome é 'Legião', porque somos muitos».
E suplicava instantemente que não os expulsasse daquela região.
Ora, ali junto do monte, andava a pastar uma grande vara de porcos.
Os espíritos impuros pediram a Jesus: «Manda-nos para os porcos e entraremos neles».
Jesus consentiu. Então os espíritos impuros saíram do homem e entraram nos porcos. A vara, que era de cerca de dois mil, lançou-se ao mar, do precipício abaixo, e os porcos afogaram-se.
Os guardadores fugiram e levaram a notícia à cidade e aos campos; e, de lá, vieram ver o que tinha acontecido.
Ao chegarem junto de Jesus, viram, sentado e em perfeito juízo, o possesso que tinha tido a legião; e ficaram cheios de medo.
Os que tinham visto narraram o que havia acontecido ao possesso e o que se passara com os porcos.
Então pediram a Jesus que Se retirasse do seu território.
Quando Ele ia a subir para o barco, o homem que tinha sido possesso pediu-Lhe que o deixasse ir com Ele.
Jesus não lho permitiu, mas disse-lhe: «Vai para casa, para junto dos teus, conta-lhes tudo o que o Senhor te fez e como teve compaixão de ti».
Então ele foi-se embora e começou a apregoar na Decápole o que Jesus tinha feito por ele. E todos ficavam admirados.



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Santa Teresa de Calcutá (1910-1997), fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade
«Não há amor maior»

«o homem que tinha sido possesso pediu-Lhe que o deixasse ir com Ele. Jesus [...] disse-lhe: "Vai para casa, para junto dos teus, conta-lhes tudo o que o Senhor te fez"»

Somos chamados a amar o mundo. E Deus amou de tal forma o mundo que lhe deu Jesus (Jo 3,16). Hoje, Ele ama de tal forma o mundo que nos dá ao mundo, a ti e a mim, para que sejamos o seu amor, a sua compaixão e a sua presença através de uma vida de oração, de sacrifícios e de entrega. A resposta que Deus espera de ti é que te tornes contemplativo, que sejas contemplativo.

Tomemos a palavra de Jesus a sério e sejamos contemplativos no coração do mundo porque, se temos fé, estamos perpetuamente na sua presença. Pela contemplação, a alma bebe diretamente do coração de Deus as graças que a vida ativa está encarregada de distribuir. A nossa vida deve estar unida a Cristo vivo que está em nós. Se não vivemos na presença de Deus, não podemos perseverar.

O que é a contemplação? É viver a vida de Jesus. É assim que a compreendo. Amar Jesus, viver a sua vida no âmago da nossa e viver a nossa no seio da sua. [...] A contemplação não ocorre por nos fecharmos num quarto às escuras, mas por permitirmos a Jesus que viva a sua Paixão, o seu amor, a sua humildade em nós, que reze connosco, que esteja connosco e que santifique através de nós. A nossa vida e a nossa contemplação são unas. Não é uma questão de fazer, mas de ser. De facto, trata-se da plena fruição do nosso espírito pelo Espírito Santo, que derrama em nós a plenitude de Deus e nos envia a toda a Criação como sua mensagem pessoal de amor (Mc 16,15).







sábado, 28 de janeiro de 2017

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Domingo, dia 29 de Janeiro de 2017

4º Domingo do Tempo Comum

S. José Freinademetz, presb., +1908, S. Constâncio, b., m., + 178, Beata Arcângela Girlani, virgem, +1495

Comentário do dia
Beato Guerric de Igny : «Deles é o reino dos Céus»

Sofonias 2,3.3,12-13.

Procurai o Senhor, vós todos os humildes da terra, que obedeceis aos seus mandamentos. Procurai a justiça, procurai a humildade; talvez encontreis proteção no dia da ira do Senhor.
Só deixarei ficar no meio de ti um povo pobre e humilde, que buscará refúgio no nome do Senhor.
O resto de Israel não voltará a cometer injustiças, não tornará a dizer mentiras, nem mais se encontrará na sua boca uma língua enganadora. Por isso, terão pastagem e repouso, sem ninguém que os perturbe.


1 Cor. 1,26-31.

Irmãos: Vede quem sois vós, os que Deus chamou: não há muitos sábios, naturalmente falando, nem muitos influentes, nem muitos bem-nascidos.
Mas Deus escolheu o que é louco aos olhos do mundo, para confundir os sábios; escolheu o que é fraco, para confundir o forte;
escolheu o que é vil e desprezível, o que nada vale aos olhos do mundo, para reduzir a nada aquilo que vale,
a fim de que nenhuma criatura se possa gloriar diante de Deus.
É por Ele que vós estais em Cristo Jesus, o qual Se tornou para nós sabedoria de Deus, justiça, santidade e redenção.
Deste modo, conforme está escrito, «quem se gloria deve gloriar-se no Senhor».


Mateus 5,1-12.

Naquele tempo, ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se. Rodearam-n'O os discípulos,
e Ele começou a ensiná-los, dizendo:
«Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus.
Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.
Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a terra.
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.
Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.
Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus.
Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós.
Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa. Assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Beato Guerric de Igny (c. 1080-1157), abade cisterciense
Sermão para a Festa de Todos os Santos, 3.5-6

«Deles é o reino dos Céus»

«Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus.» Sim, bem-aventurados aqueles que rejeitam os fardos sem valor, mas cheios de peso, deste mundo; aqueles que não querem ser ricos, a não ser pela posse do Criador do mundo, e só por Ele; aqueles que, nada tendo, por Ele tudo possuem (2Cor 6,10). Pois tudo possuem estes que possuem Aquele que tudo contém e de tudo dispõe, estes de quem Deus é a parte e a herança (Nm 18,20). «Nada falta aos que O temem» (Sl 34,10): Deus dá-lhes tudo o que sabe ser-lhes necessário; e dar-Se-lhes-á a Si mesmo um dia, para que eles encontrem a alegria. [...] Glorifiquemo-nos, pois, meus irmãos, pelo facto de sermos pobres por Cristo, e esforcemo-nos por ser humildes com Cristo. Pois não há coisa mais detestável nem mais miserável que um pobre orgulhoso. [...]

«O reino de Deus não é uma questão de comer e beber, mas de justiça, paz e alegria no Espírito Santo» (Rom 14, 17). Se sentimos que temos tudo isto em nós, proclamemos com segurança que o reino de Deus está dentro de nós (Lc 17,21). Ora, aquilo que está dentro de nós pertence-nos verdadeiramente; ninguém no-lo pode arrancar. É por isso que, quando proclama a bem-aventurança dos pobres, o Senhor não diz: «deles será o reino dos Céus», mas: «deles é o reino dos Céus». E é deles, não apenas por um direito firmemente estabelecido, mas também por um penhor inteiramente seguro, que já é uma experiência da felicidade perfeita. E não apenas porque o reino foi preparado para eles desde o começo do mundo (Mt 25,34), mas também porque eles já começaram a entrar na sua posse: eles já possuem o tesouro celeste em vasos de barro (2Cor 4,7), já trazem a Deus no seu corpo e no seu coração.







sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

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Sabado, dia 28 de Janeiro de 2017

Sábado da 3a semana do Tempo Comum

S. Tomás de Aquino, presb., Doutor da Igreja, +1274

Comentário do dia
Santo António de Lisboa : «E fez-se grande bonança»

Heb. 11,1-2.8-19.

Irmãos: A fé é a garantia dos bens que se esperam e a certeza das realidades que não se veem.
Ela valeu aos antigos um bom testemunho.
Pela fé, Abraão obedeceu ao chamamento e partiu para uma terra que viria a receber como herança; e partiu sem saber para onde ia.
Pela fé, morou como estrangeiro na terra prometida, habitando em tendas, com Isaac e Jacob, herdeiros, como ele, da mesma promessa,
porque esperava a cidade de sólidos fundamentos, cujo arquiteto e construtor é Deus.
Pela fé, também Sara recebeu o poder de ser mãe já depois de passada a idade, porque acreditou na fidelidade d'Aquele que lho prometeu.
É por isso também que de um só homem – um homem que a morte já espreitava – nasceram descendentes tão numerosos como as estrelas do céu e como a areia que há na praia do mar.
Todos eles morreram na fé, sem terem obtido a realização das promessas. Mas vendo-as e saudando-as de longe, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra.
Aqueles que assim falam mostram claramente que procuram uma pátria.
Se pensassem na pátria de onde tinham saído, teriam tempo de voltar para lá.
Mas eles aspiravam a uma pátria melhor, que era a pátria celeste. E como Deus lhes tinha preparado uma cidade, não Se envergonha de Se chamar seu Deus.
Pela fé, Abraão, submetido à prova, ofereceu o seu filho único Isaac, que era o depositário das promessas,
como lhe tinha sido dito: «Por Isaac será assegurada a tua descendência».
Ele considerava que Deus pode ressuscitar os mortos; por isso, numa espécie de prefiguração, ele recuperou o seu filho.


Marcos 4,35-41.

Naquele dia, ao cair da tarde, Jesus disse aos seus discípulos: «Passemos à outra margem do lago».
Eles deixaram a multidão e levaram Jesus consigo na barca em que estava sentado. Iam com Ele outras embarcações.
Levantou-se então uma grande tormenta e as ondas eram tão altas que enchiam a barca de água.
Jesus, à popa, dormia com a cabeça numa almofada. Eles acordaram-n'O e disseram: «Mestre, não Te importas que pereçamos?».
Jesus levantou-Se, falou ao vento imperiosamente e disse ao mar: «Cala-te e está quieto». O vento cessou e fez-se grande bonança.
Depois disse aos discípulos: «Porque estais tão assustados? Ainda não tendes fé?».
Eles ficaram cheios de temor e diziam uns para os outros: «Quem é este homem, que até o vento e o mar Lhe obedecem?».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Santo António de Lisboa (c. 1195-1231), franciscano, doutor da Igreja
Sermões para domingo e dias santos

«E fez-se grande bonança»

Jesus subiu para uma barca. Quando alguém sobe para a barca da penitência, dá-se uma grande perturbação no mar. O mar é o nosso coração. «O coração do homem é complicado e doente: quem poderá conhecê-lo?» diz Jeremias (17,9); «espantosas são as agitações desse mar» (Sl 92,4). O orgulho incha-o, a ambição leva-o para lá dos seus limites, a tristeza cobre-o de nuvens, os pensamentos vãos lançam nele a perturbação, a luxúria e a gula fazem-no espumar. Mas só aqueles que sobem para a barca da penitência sentem esses movimentos do mar, essa violência do vento, essa agitação das ondas. Os que ficam em terra não se apercebem de nada. [...] O diabo, quando se sente desprezado pelo penitente, rebenta em escândalos e levanta uma tempestade; e só se vai embora «gritando e abanando violentamente» (Mt 9,26).

«Jesus levantou-Se, falou ao vento imperiosamente e disse ao mar: 'Cala-te e está quieto'». Deus disse a Job: «Quem é que fixou limites ao mar? [...] Eu disse-lhe: Tu virás até aqui, sem ires mais longe; aqui rebentarás as tuas ondas tumultuosas» (38,8-11). Só o Senhor pode fixar limites à amargura da perseguição e da tentação. [...] Quando faz cessar a tentação, diz: « Aqui rebentarás as tuas ondas tumultuosas»: a tentação cederá diante da misericórdia de Jesus Cristo. Quando o diabo nos tenta, devemos dizer, com toda a devoção da nossa alma: «Em nome de Jesus de Nazaré, que ordenou aos ventos e ao mar, ordeno-te que te afastes de mim» (cf At 16,18).

«E fez-se grande bonança». É o que lemos no livro de Tobias: «Eu sei, Senhor: aquele que Te honra, depois de ter sido experimentado nesta vida, será coroado; se sofrer a  tentação, será libertado; se tiver de sofrer, encontrará misericórdia, pois Tu não Te alegras com a nossa perda. Depois da tempestade, dás-nos a calma; depois das lágrimas e dos choros, dás-nos a alegria» (3,21-22 Vulg).







quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

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Sexta-feira, dia 27 de Janeiro de 2017

Sexta-feira da 3ª semana do Tempo Comum

Santo Henrique Ossó e Cervelló, presb., fundador, +1896, Santa Ângela Mérici, v., fundadora, +1540

Comentário do dia
Santo Ambrósio : «As aves do céu podem abrigar-se à sua sombra»

Heb. 10,32-39.

Irmãos: Lembrai-vos dos primeiros dias, em que, depois de terdes sido iluminados, suportastes tão grandes e dolorosos combates,
ora expostos publicamente aos insultos e tribulações, ora tornando-vos solidários com os que eram assim tratados.
De facto, compartilhastes o sofrimento dos prisioneiros e aceitastes com alegria a espoliação dos vossos bens, sabendo que possuís riqueza melhor e duradoira.
Não queirais, portanto, perder a vossa confiança, que terá uma grande recompensa.
Vós tendes necessidade de perseverança, para cumprir a vontade de Deus e alcançar os bens prometidos.
Porque "ainda um pouco e bem pouco tempo, e Aquele que há-de vir não tardará".
Ora "o meu justo viverá pela fé, mas se retroceder, não agradará à minha alma".
Nós não somos daqueles que retrocedem para a sua perdição, mas daqueles que perseveram na fé para salvar a sua alma.


Marcos 4,26-34.

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «O reino de Deus é como um homem que lançou a semente à terra.
Dorme e levanta-se, noite e dia, enquanto a semente germina e cresce, sem ele saber como.
A terra produz por si, primeiro a planta, depois a espiga, por fim o trigo maduro na espiga.
E quando o trigo o permite, logo se mete a foice, porque já chegou o tempo da colheita».
Jesus dizia ainda: «A que havemos de comparar o reino de Deus? Em que parábola o havemos de apresentar?
É como um grão de mostarda, que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes que há sobre a terra;
mas, depois de semeado, começa a crescer e torna-se a maior de todas as plantas da horta, estendendo de tal forma os seus ramos que as aves do céu podem abrigar-se à sua sombra».
Jesus pregava-lhes a palavra de Deus com muitas parábolas como estas, conforme eram capazes de entender.
E não lhes falava senão em parábolas; mas, em particular, tudo explicava aos seus discípulos.



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Santo Ambrósio (c. 340-397), bispo de Milão, doutor da Igreja
Comentário sobre o Evangelho de S. Lucas

«As aves do céu podem abrigar-se à sua sombra»

O próprio Senhor é um grão de mostarda. [...] Se Cristo é um grão de mostarda, como é Ele o mais pequeno e como cresce? Não é na sua natureza, mas segundo a aparência, que Ele Se torna grande. Quereis saber de que forma é o menor? «Vimo-lo sem aspeto atraente» (Is 53,2). Aprendei também como é Ele o maior: «És o mais belo de entre os filhos do homem» (Sl 44,3). Com efeito, Aquele que não tinha atrativo nem beleza tornou-Se superior aos anjos (Heb 1,4), ultrapassando toda a glória dos profetas de Israel. [...] Ele é a menor de todas as sementes, porque não Se apresentou com a realeza, nem com as riquezas, nem com a sabedoria deste mundo. E subitamente, como uma árvore, fez dilatar o cume elevado do seu poder, de tal maneira que nós dizemos: «Anelo sentar-me à sua sombra» (Cant 2,3).

Muitas vezes me pareceu, em simultâneo, árvore e semente. É semente quando dizem dele: «Não é este o filho do carpinteiro?» (Mt 13,55). Mas foi no decurso da sua própria pregação que Ele cresceu: «De onde Lhe vem esta sabedoria?» (v. 54). Ele é, pois, semente na aparência, árvore pela sabedoria. Na folhagem dos seus ramos poderão repousar com segurança a ave noturna na sua morada, o pássaro solitário sobre o telhado (Sl 101,8), aquele que foi arrebatado até ao paraíso (2Cor 12,4), assim como aquele que será «arrebatado juntamente com eles sobre as nuvens» (1Tes 4,17). Aí repousam também as potências e os anjos do Céu e todos aqueles cujas ações espirituais lhes permitiram levantar voo. Foi aí que repousou São João, quando se apoiou no peito de Jesus (Jo 13,25). [...]

E nós, que estávamos longe (Ef 2,13), espalhados por entre as nações, que fomos durante muito tempo agitados no vazio do mundo pelas tempestades do espírito do mal, abrindo as asas da virtude, dirijamos o nosso voo para que esta sombra dos santos nos abrigue do calor escaldante deste mundo. Já recuperámos a vida na paz e na segurança desta morada, a partir do momento em que a nossa alma, outrora curvada sob o peso dos pecados, escapou «como um pássaro do laço do caçador» (Sl 123,7), e foi transportada para os ramos altos e as montanhas do Senhor (Sl 10,1).







quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

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Quinta-feira, dia 26 de Janeiro de 2017

SS. Timóteo e Tito, bispos (memória obrigatória)

Santos Roberto, Alberico e Estêvão, abades cistercienses (séc. XI-XII), S. Tito, b., séc. I, S. Timóteo, b., séc. I

Comentário do dia
Bento XVI: São Timóteo e São Tito, sucessores dos apóstolos

2 Tim. 1,1-8.

Paulo, apóstolo de Jesus Cristo por vontade de Deus, para anunciar a promessa da vida que está em Cristo Jesus,
a Timóteo, meu filho caríssimo: a graça, a misericórdia e a paz da parte de Deus Pai e de Cristo Jesus, Nosso Senhor.
Dou graças a Deus, a quem sirvo com pura consciência, a exemplo dos meus antepassados, quando, noite e dia, sem cessar, me recordo de ti nas minhas orações.
Ao lembrar-me das tuas lágrimas, sinto grande desejo de voltar a ver-te, para me encher de alegria.
Evoco a lembrança da tua fé sincera, que também foi a da tua avó Lóide e da tua mãe Eunice e não duvido que é a tua também.
Por isso te exorto a que reanimes o dom de Deus que recebeste pela imposição das minhas mãos.
Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de caridade e moderação.
Não te envergonhes de dar testemunho de Nosso Senhor, nem te envergonhes de mim, seu prisioneiro. Mas sofre comigo pelo Evangelho, confiando no poder de Deus.


Lucas 10,1-9.

Naquele tempo, designou o Senhor setenta e dois discípulos e enviou-os dois a dois à sua frente, a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir.
E dizia-lhes: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao dono da seara que mande trabalhadores para a sua seara.
Ide: Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos.
Não leveis bolsa nem alforge nem sandálias, nem vos demoreis a saudar alguém pelo caminho.
Quando entrardes nalguma casa, dizei primeiro: 'Paz a esta casa'.
E se lá houver gente de paz, a vossa paz repousará sobre eles; senão, ficará convosco.
Ficai nessa casa, comei e bebei do que tiverem, que o trabalhador merece o seu salário. Não andeis de casa em casa.
Quando entrardes nalguma cidade e vos receberem, comei do que vos servirem,
curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: 'Está perto de vós o reino de Deus'.



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Bento XVI, papa de 2005 a 2013
Audiência geral de 03/05/2006 (trad. © copyright Libreria Editrice Vaticana)

São Timóteo e São Tito, sucessores dos apóstolos

A comunidade que surgiu do anúncio evangélico reconhece-se convocada pela palavra daqueles que foram os primeiros a fazer a experiência do Senhor e por Ele foram enviados. Ela sabe que pode contar com a orientação dos Doze, como também com a de quantos a eles se associam pouco a pouco como sucessores no ministério da Palavra e no serviço à comunhão. Por conseguinte, a comunidade sente-se comprometida a transmitir aos outros a «feliz notícia» da presença atual do Senhor e do seu mistério pascal, que age no Espírito.

Isto é bem evidenciado nalguns textos das Epístolas de São Paulo: «Transmiti-vos o que eu próprio recebi» (1Cor 15,3). E isto é importante. São Paulo sabe que foi originariamente chamado por Cristo com uma vocação pessoal, que é um verdadeiro Apóstolo e, contudo, também para ele o que conta sobretudo é a fidelidade ao que recebeu. Ele não queria «inventar» um novo cristianismo, por assim dizer «paulino». Por isso insiste: «Transmiti-vos o que eu próprio recebi.» Transmitiu o dom inicial que vem do Senhor e é a verdade que salva. Depois, no fim da vida, escreve a Timóteo: «Tu és o depositário do Evangelho. Guarda, pelo Espírito Santo que habita em nós, o precioso bem que te foi confiado» (2Tim 1,14).

Mostra-o também com eficiência este antigo testemunho da fé cristã, escrito por Tertuliano por volta do ano 200: «[Os Apóstolos,] no princípio, afirmaram a fé em Jesus Cristo e estabeleceram Igrejas para a Judeia; logo a seguir, espalhados pelo mundo, anunciaram a mesma doutrina e uma mesma fé às nações e, por conseguinte, fundaram a Igreja em cada cidade. A partir destas, as outras Igrejas procederam à ramificação da sua fé e das sementes da doutrina, e continuamente o fazem, para serem verdadeiras Igrejas. Desta forma, também elas são consideradas apostólicas, porque descendentes das Igrejas dos apóstolos» (De praescriptione haereticorum, 20; PL 2, 32).







terça-feira, 24 de janeiro de 2017

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Quarta-feira, dia 25 de Janeiro de 2017

Conversão de São Paulo, apóstolo, festa

Comentário do dia
Santo Agostinho : O perseguidor transformado em pregador

Actos 22,3-16.

Naqueles dias, Paulo disse ao povo: «Eu sou judeu e nasci em Tarso da Cilícia. Fui, porém, educado nesta cidade de Jerusalém e recebi na escola de Gamaliel uma formação estritamente fiel à Lei dos nossos pais. Era tão zeloso no serviço de Deus, como vós todos sois hoje.
Persegui até à morte esta nova religião, algemando e metendo na prisão homens e mulheres,
como podem testemunhar o Sumo Sacerdote e todo o Senado. Recebi até, da parte deles, cartas para os irmãos de Damasco e para lá me dirigi, com a missão de trazer algemados os que lá estivessem, a fim de serem castigados em Jerusalém.
Sucedeu, porém, que, no caminho, ao aproximar-me de Damasco, por volta do meio-dia, de repente brilhou ao redor de mim uma intensa luz vinda do Céu.
Caí por terra e ouvi uma voz que me dizia: 'Saulo, Saulo, porque Me persegues?'.
Eu perguntei: 'Quem és Tu, Senhor?'. E Ele respondeu-me: 'Eu sou Jesus Nazareno, a quem tu persegues'.
Os meus companheiros viram a luz, mas não ouviram a voz que me falava.
Então perguntei: 'Que hei-de fazer, Senhor?'. E o Senhor disse-me: 'Levanta-te e vai a Damasco; lá te dirão tudo o que deves fazer'.
Como eu deixei de ver, por causa do esplendor daquela luz, cheguei a Damasco guiado pelas mãos dos meus companheiros.
Entretanto, veio procurar-me certo Ananias, homem piedoso segundo a Lei e de boa fama entre todos os judeus que ali viviam.
Ele veio ao meu encontro e, ao chegar junto de mim, disse-me: 'Saulo, meu irmão, recupera a vista'. E, no mesmo instante, pude vê-lo.
Ele acrescentou: 'O Deus dos nossos pais destinou-te para conheceres a sua vontade, para veres o Justo e ouvires a voz da sua boca.
Tu serás sua testemunha diante de todos os homens, acerca do que viste e ouviste.
Agora, porque esperas? Levanta-te, recebe o batismo e purifica-te dos teus pecados, invocando o seu nome'».


Marcos 16,15-18.

Naquele tempo, Jesus apareceu aos Onze e disse-lhes: «Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura.
Quem acreditar e for batizado será salvo; mas quem não acreditar será condenado.
Eis os milagres que acompanharão os que acreditarem: expulsarão os demónios em meu nome; falarão novas línguas;
se pegarem em serpentes ou beberem veneno, não sofrerão nenhum mal; e quando impuserem as mãos sobre os doentes, eles ficarão curados».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
Sermão 279

O perseguidor transformado em pregador

Vinda do alto do Céu, a voz de Cristo fez com que Saulo caísse por terra: recebeu ordem de não continuar com as suas perseguições, e caiu por terra. Era preciso que tombasse e em seguida se erguesse; primeiro caído e depois curado. Porque Cristo não teria nunca vivido nele se Saulo não tivesse abandonado a sua antiga vida de pecado. Caído por terra, que ouve ele? «Saulo, Saulo, porque Me persegues? É duro para ti recalcitrar contra o aguilhão» (At 26,14). Ao que ele respondeu: «Quem és Tu, Senhor?» E a voz do alto continuou: «Sou Jesus de Nazaré, que tu persegues». Os membros ainda estão na Terra, a cabeça grita do alto do Céu; e não diz: «Porque persegues os meus servos?» mas: «Porque Me persegues?»

E Paulo, que empregava todo o seu ardor nas perseguições, dispõe-se desde logo a obedecer: «Que queres que eu faça?» Já o perseguidor se transformou em pregador, o lobo em ovelha, o inimigo em defensor. Paulo aprende o que deve fazer: se ficou cego, se a luz do mundo lhe foi subtraída durante um certo tempo, foi para que no seu coração brilhasse a luz interior. A luz é retirada ao perseguidor para ser dada ao pregador; naquele momento em que não via nada deste mundo, viu Jesus. Ele é um símbolo para os crentes: aqueles que creem em Deus devem fixar nele o olhar da sua alma, sem ter em consideração as coisas exteriores. [...]

Saulo é conduzido a Ananias; o lobo destruidor é levado à ovelha. Mas o Pastor que tudo conduz do alto dos Céus, tranquiliza-o [...]: «Não te preocupes. Eu lhe revelarei tudo o que ele tem de sofrer pelo meu nome» (At 9,16). Que maravilha! O lobo é trazido à ovelha [...]. e o Cordeiro, que foi morto pelas ovelhas, ensina-as a não temerem.







segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

padrecavalieri@uol.com.br


Terça-feira, dia 24 de Janeiro de 2017

Terça-feira da 3ª semana do Tempo Comum

S. Francisco de Sales, b., Doutor da Igreja, +1622

Comentário do dia
Isaac da Estrela : «Quem fizer a vontade de Deus esse é meu irmão, minha irmã e minha Mãe»

Heb. 10,1-10.

Irmãos: A Lei de Moisés contém apenas a sombra dos bens futuros e não a expressão das realidades. Por isso nunca pode levar à perfeição aqueles que se aproximam do altar com os mesmos sacrifícios que indefinidamente se oferecem ano após ano.
De outro modo, não teriam deixado de os oferecer, se os que prestam esse culto, purificados de uma vez para sempre, já não tivessem consciência de qualquer pecado?
Ao contrário, por tais sacrifícios se evoca anualmente a lembrança dos pecados,
porque é impossível que o sangue de touros e cabritos perdoe os pecados.
Por isso, ao entrar no mundo, Cristo disse: «Não quiseste sacrifícios nem oblações, mas formaste-Me um corpo.
Não Te agradaram holocaustos nem imolações pelo pecado.
Então Eu disse: 'Eis-Me aqui; no livro sagrado está escrito a meu respeito: Eu venho, ó Deus, para fazer a tua vontade'».
Primeiro disse: «Não quiseste sacrifícios nem oblações, não Te agradaram holocaustos nem imolações pelo pecado». E no entanto, eles são oferecidos segundo a Lei.
Depois acrescenta: «Eis-Me aqui: Eu venho para fazer a tua vontade». Assim aboliu o primeiro culto para estabelecer o segundo.
É em virtude dessa vontade que nós fomos santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita de uma vez para sempre.


Marcos 3,31-35.

Naquele tempo, chegaram à casa onde estava Jesus, sua Mãe e seus irmãos, que, ficando fora, O mandaram chamar.
A multidão estava sentada em volta d'Ele, quando Lhe disseram: «Tua Mãe e teus irmãos estão lá fora à tua procura».
Mas Jesus respondeu-lhes: «Quem é minha Mãe e meus irmãos?».
Quem fizer a vontade de Deus esse é meu irmão, minha irmã e minha Mãe».
Quem fizer a vontade de Deus esse é meu irmão, minha irmã e minha Mãe».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Isaac da Estrela (?-c. 1171), monge cisterciense
Homilia 51, para a Assunção

«Quem fizer a vontade de Deus esse é meu irmão, minha irmã e minha Mãe»

O Filho de Deus é o primogénito de muitos irmãos (Rom 8,29) pois, sendo Filho único por natureza, uma multidão de irmãos a Si próprio juntou pela graça, com Ele formando um apenas: «A quantos O receberam, Ele deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus» (Jo 1,12). Ao ser filho de homem, fez da multidão dos homens filhos de Deus. A eles Se juntou, Ele que é único no seu amor e poder. Os homens, em si próprios, pelo nascimento na carne, são uma multidão; mas pelo segundo nascimento, o nascimento divino, são com Ele apenas um. Só Cristo, único e total, é a cabeça e o corpo (Col 1,18).

E este Cristo único é o Filho de um só Deus no Céu e de uma só Mãe na Terra. Há muitos filhos, e há um único filho. E, tal como a cabeça e o corpo são um único filho e vários filhos, também Maria e a Igreja são uma única Mãe e várias mães, uma só Virgem e várias virgens. Uma e outra são Mães; uma e outra, Virgens. Uma e outra conceberam do Espírito Santo, sem desejo carnal. Uma e outra deram uma progenitura a Deus Pai, sem pecado. Uma gerou, sem pecado algum, uma cabeça para o corpo; a outra fez nascer, na remissão dos pecados, um corpo para a cabeça. Uma e outra são Mães de Cristo, mas nenhuma das duas O deu à luz completamente sem a outra. É também com razão que, nas Escrituras divinamente inspiradas, o que é dito em geral acerca da virgem mãe que é a Igreja se aplica em particular à Virgem Maria. E o que é dito em particular acerca da Virgem Mãe que é Maria compreende-se em geral acerca da virgem mãe que é a Igreja.







domingo, 22 de janeiro de 2017

padrecavalieri@uol.com.br


Segunda-feira, dia 23 de Janeiro de 2017

Segunda-feira da 3ª semana do Tempo Comum

Beata Josefa Maria de Benigánim, virgem, +1696, S. João Esmoler, b., +616, Santo Ildefonso, b., +667

Comentário do dia
Orígenes : «Ele expulsa os demónios»

Heb. 9,15.24-28.

Cristo é mediador de uma nova aliança, para que, intervindo a sua morte para remissão das transgressões cometidas durante a primeira aliança, os que são chamados recebam a herança eterna prometida.
Cristo não entrou num santuário feito por mãos humanas, figura do verdadeiro, mas no próprio Céu, para Se apresentar agora na presença de Deus em nosso favor.
E não entrou para Se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote que entra cada ano no Santuário, com sangue alheio;
nesse caso, Cristo deveria ter padecido muitas vezes, desde o princípio do mundo. Mas Ele manifestou-Se uma só vez, na plenitude dos tempos, para destruir o pecado pelo sacrifício de Si mesmo.
E, como está determinado que os homens morram uma só vez e a seguir haja o julgamento,
assim também Cristo, depois de Se ter oferecido uma só vez para tomar sobre Si os pecados da multidão, aparecerá segunda vez, sem a aparência do pecado, para dar a salvação àqueles que O esperam.


Marcos 3,22-30.

Naquele tempo, os escribas que tinham descido de Jerusalém diziam: «Está possesso de Belzebu», e ainda: «É pelo chefe dos demónios que Ele expulsa os demónios».
Mas Jesus chamou-os e começou a falar-lhes em parábolas: «Como pode Satanás expulsar Satanás?
Se um reino estiver dividido contra si mesmo, tal reino não pode aguentar-se.
E se uma casa estiver dividida contra si mesma, essa casa não pode durar.
Portanto, se Satanás se levanta contra si mesmo e se divide, não pode subsistir: está perdido.
Ninguém pode entrar em casa de um homem forte e roubar-lhe os bens, sem primeiro o amarrar: só então poderá saquear a casa.
Em verdade vos digo: Tudo será perdoado aos filhos dos homens: os pecados e blasfémias que tiverem proferido;
mas quem blasfemar contra o Espírito Santo nunca terá perdão: será réu de pecado para sempre».
Referia-Se aos que diziam: «Está possesso dum espírito impuro».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Orígenes (c. 185-253), presbítero, teólogo
Homilias sobre o Êxodo, n.º 1, 5

«Ele expulsa os demónios»

Reconhecei-o: «em ti se levantou um novo rei, um rei do Egito» (Ex 1,8). Foi ele que te requisitou para o trabalho, que te obrigou a fazer os tijolos e a argamassa. É ele que te impõe capatazes e encarregados, que te força com a vergasta e o chicote ao trabalho da terra e te obriga a construir cidades. É ele que te incita a percorrer o mundo e a mover montanhas para satisfazeres os teus apetites. [...]

Este rei do Egito sabia que uma guerra assim era inevitável, pois pressentiu a vinda daquele «que pode despojar poderes e autoridades e triunfar deles com audácia, cravando-os na cruz» (Col 2,14-15). [...] Sente próxima a hora da destruição do seu povo e por isso declara: «O povo de Israel é mais poderoso do que nós!» (Ex 1,9). Pudesse ele dizer o mesmo de nós e achar-nos mais fortes do que ele! Como? Se não acolhermos os maus pensamentos e os apetites perversos que ele nos inspira, se repelirmos «as suas setas incendiadas, com o escudo da fé» (Ef 6,16), se, de cada vez que ele fizer uma insinuação à nossa alma, lhe dissermos, lembrando-nos de Cristo, Nosso Senhor: «Fora, Satanás! Está escrito: é ao Senhor, teu Deus, que adorarás e só a Ele servirás» (Dt 6,13/Mt 4,10).

Com efeito, o Senhor Jesus veio submeter a Si «poderes, autoridades e dominações» (Col 1,16), veio poupar os filhos de Israel à violência dos seus inimigos [...], para nos ensinar de novo a ver o Espírito do Senhor [Is 61,1-2/Lc 4,18-22], a abandonar o trabalho do faraó, a sair da terra do Egito e renunciar aos seus bárbaros costumes, a «despojar-nos completamente do homem velho e das suas obras e revestir-nos do homem novo criado em conformidade com Deus» (Ef 4,22-24/Col 3,9-10), a «renovar-nos sem cessar, dia após dia» (2Cor 4,16) à imagem daquele que nos criou, Cristo Jesus, Nosso Senhor, a quem seja dada a glória e o poder pelos séculos dos séculos, Ámen.







sábado, 21 de janeiro de 2017

padrecavalieri@uol.com.br


Domingo, dia 22 de Janeiro de 2017

3º Domingo do Tempo Comum

S. Vicente, diác., m., +304, S. Vicente Pallotti, presb., fundador, +1850, Beata Laura Vicunha, v., +1904

Comentário do dia
Lansperge o Cartuxo : «O povo que habitava nas trevas viu elevar-se uma grande luz» (Is 9,1)

Is. 8,23.9,1-3.


Assim como no tempo passado, o Senhor humilhou a terra de Zabulão e o país de Neftali; no futuro cobrirá de glória o caminho do mar, do outro lado do Jordão, a Galileia dos gentios.
O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz se levantou.
Multiplicastes a sua alegria, aumentastes o seu contentamento. Rejubilam na vossa presença, como os que se alegram no tempo da colheita, como exultam os que repartem despojos.
Vós quebrastes, como no dia de Madiã, o jugo que pesava sobre o povo, o madeiro que ele tinha sobre os ombros e o bastão do opressor.


1 Cor. 1,10-13.17.

Irmãos: Rogo-vos, pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma linguagem e que não haja divisões entre vós, permanecendo bem unidos, no mesmo pensar e no mesmo agir.
Eu soube, meus irmãos, pela gente de Cloé, que há divisões entre vós,
que há entre vós quem diga: «Eu sou de Paulo», «eu de Apolo», «eu de Pedro», «eu de Cristo».
Estará Cristo dividido? Porventura Paulo foi crucificado por vós? Foi em nome de Paulo que recebestes o Batismo?
Na verdade, Cristo não me enviou para batizar, mas para anunciar o Evangelho; não, porém, com sabedoria de palavras, a fim de não desvirtuar a cruz de Cristo.


Mateus 4,12-23.

Quando Jesus ouviu dizer que João Baptista fora preso, retirou-Se para a Galileia.
Deixou Nazaré e foi habitar em Cafarnaum, terra à beira-mar,
no território de Zabulão e Neftali. Assim se cumpria o que o profeta Isaías anunciara, ao dizer:
«Terra de Zabulão e terra de Neftali, caminho do mar, além do Jordão, Galileia dos gentios:
o povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam na sombria região da morte, uma luz se levantou».
Desde então, Jesus começou a pregar: «Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos Céus».
Caminhando ao longo do mar da Galileia, viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores.
Disse-lhes Jesus: «Vinde e segui-Me, e farei de vós pescadores de homens».
Eles deixaram logo as redes e seguiram-n'O.
Um pouco mais adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam no barco, na companhia de seu pai Zebedeu, a consertar as redes. Jesus chamou-os,
e eles, deixando o barco e o pai, seguiram-n'O.
Depois começou a percorrer toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, proclamando o Evangelho do reino e curando todas as doenças e enfermidades entre o povo.



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Lansperge o Cartuxo (1489-1539), religioso e teólogo
Sermão 5; Opera Omnia

«O povo que habitava nas trevas viu elevar-se uma grande luz» (Is 9,1)

Meus irmãos, ninguém ignora que todos nós nascemos nas trevas e que nelas vivemos outrora. Mas façamos por não continuar nelas, agora que nasceu para nós o sol de justiça (Mal 3,20). [...]

Cristo veio «iluminar aqueles que jazem nas trevas e nas sombras da morte, para guiar os seus passos no caminho da paz» (Lc 1,79). De que trevas falamos? Tudo aquilo que está na nossa inteligência, na nossa vontade ou na nossa memória e que não é Deus ou não provém de Deus, melhor dizendo, tudo aquilo que em nós não é para glória de Deus e causa separação entre Deus e a alma é trevas. [...] É que Cristo, tendo em Si a luz, trouxe-a até nós para que pudéssemos ver os nossos pecados e odiar as nossas trevas. Na verdade, a pobreza que Ele escolheu quando não encontrou lugar na hospedaria é para nós a luz pela qual podemos conhecer, a partir de então, a felicidade dos pobres em espírito a quem pertence o Reino dos Céus (Mt 5,3).

O amor de que Cristo deu testemunho consagrando-Se à nossa instrução e expondo-Se a suportar por nós as vicissitudes, o exílio, a perseguição, as chagas e a morte na cruz, o amor que finalmente O fez orar pelos seus carrascos é para nós a luz graças à qual também nós podemos aprender a amar os nossos inimigos.







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