terça-feira, 7 de novembro de 2017

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Quarta-feira, dia 08 de Novembro de 2017

Quarta-feira da 31ª semana do Tempo Comum

Santa Isabel da Trindade, religiosa, +1906, S. Deodato, papa, +618

Comentário do dia
São Basílio : Nada preferir a Cristo

Romanos 13,8-10.

Irmãos: Não devais a ninguém coisa alguma, a não ser o amor de uns para com os outros, pois, quem ama o próximo, cumpre a lei.
De facto, os mandamentos que dizem: «Não cometerás adultério, não matarás, não furtarás, não cobiçarás», e todos os outros mandamentos, resumem-se nestas palavras: «Amarás ao próximo como a ti mesmo».
A caridade não faz mal ao próximo. A caridade é o pleno cumprimento da lei.


Lucas 14,25-33.

Naquele tempo, seguia Jesus uma grande multidão. Jesus voltou-Se e disse-lhes:
«Se alguém vem ter comigo, e não Me preferir ao pai, à mãe, à esposa, aos filhos, aos irmãos, às irmãs e até à própria vida, não pode ser meu discípulo.
Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não pode ser meu discípulo.
Quem de vós, desejando construir uma torre, não se senta primeiro a calcular a despesa, para ver se tem com que terminá-la?
Não suceda que, depois de assentar os alicerces, se mostre incapaz de a concluir, e todos os que olharem comecem a fazer troça, dizendo:
'Esse homem começou a edificar, mas não foi capaz de concluir'.
E qual é o rei que parte para a guerra contra outro rei e não se senta primeiro a considerar se é capaz de se opor, com dez mil soldados, àquele que vem contra ele com vinte mil?
Aliás, enquanto o outro ainda está longe, manda-lhe uma delegação a pedir as condições de paz.
Assim, quem de entre vós não renunciar a todos os seus bens, não pode ser meu discípulo».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

São Basílio (c. 330-379), monge, bispo de Cesareia da Capadócia, doutor da Igreja
Grandes Regras Monásticas; questão 8

Nada preferir a Cristo

Nosso Senhor Jesus Cristo disse a todos, por várias vezes e apresentando diversas provas: «Se alguém quiser vir após Mim, que renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e Me siga»; e também: «Aquele de entre vós que não renunciar a tudo o que tem não pode ser meu discípulo». Parece, pois, exigir a renúncia mais completa. [...] «Onde estiver o teu tesouro», diz noutra altura, «aí estará o teu coração» (Mt 6,21). Portanto, se reservamos para nós bens terrenos ou qualquer provisão fugaz, o nosso espírito permanece aí atolado, como que na lama. É então inevitável que a nossa alma seja incapaz de contemplar a Deus e se torne insensível ao desejo dos esplendores do céu e dos bens que nos foram prometidos. Só poderemos obter esses bens se os pedirmos sem cessar, com um desejo ardente, que, de resto, nos tornará leve o esforço para os atingir.

Renunciar a nós mesmos é, pois, soltar os laços que nos prendem a esta vida terrena e passageira, libertar-nos das contingências humanas, a fim de sermos mais capazes de caminhar na via que conduz a Deus. É libertar-nos dos entraves, a fim de possuirmos e usarmos bens que são «muito mais preciosos do que o ouro e a prata» (Sl 18,11). Em suma, renunciar a nós mesmos é transportar o coração humano para a vida no céu, de tal forma que possamos dizer: «A nossa pátria está nos céus» (Fil 3,20). E, sobretudo, é começarmos a tornar-nos semelhantes a Cristo, que Se fez pobre por nós, Ele que era rico (2Cor 8,9). Temos de nos assemelhar a Ele se quisermos viver em conformidade com o Evangelho.







segunda-feira, 6 de novembro de 2017

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Terça-feira, dia 07 de Novembro de 2017

Terça-feira da 31ª semana do Tempo Comum
Maria, Medianeira de todas as Graças

Beato Vicente Grossi, presbítero, fundador, +1917

Comentário do dia
São Boaventura : O pão da boda nupcial

Romanos 12,5-16a.

Irmãos: Nós, que somos muitos, formamos em Cristo um só corpo e somos membros uns dos outros.
Mas possuímos dons diferentes, conforme a graça que nos foi dada. Quem tem o dom da profecia, comunique-o em harmonia com a fé;
quem tem o dom do ministério, exerça as funções do ministério; quem tem o dom do ensino, ensine;
quem tem o dom de exortar, exorte; quem tem a missão de repartir, faça-o com simplicidade; quem preside, faça-o com zelo; quem exerce misericórdia, faça-o com alegria.
Seja a vossa caridade sem fingimento. Detestai o mal e aderi ao bem.
Amai-vos uns aos outros com amor fraterno; rivalizai uns com os outros na estima recíproca.
Não sejais indolentes no zelo, mas fervorosos no espírito; dedicai-vos ao serviço do Senhor.
Sede alegres na esperança, pacientes na tribulação, perseverantes na oração.
Acudi com a vossa parte às necessidades dos cristãos; praticai generosamente a hospitalidade.
Bendizei aqueles que vos perseguem; abençoai e não amaldiçoeis.
Alegrai-vos com os que estão alegres, chorai com os que choram.
Vivei em harmonia uns com os outros. Não aspireis às grandezas, mas conformai-vos com o que é humilde.


Lucas 14,15-24.

Naquele tempo, disse a Jesus um dos que estavam com Ele à mesa: «Feliz de quem tomar parte no banquete do reino de Deus».
Respondeu-lhe Jesus: «Certo homem preparou um grande banquete e convidou muita gente.
À hora do festim, enviou um servo para dizer aos convidados: 'Vinde, que está tudo pronto'.
Mas todos eles se foram desculpando. O primeiro disse: 'Comprei um campo e preciso de ir vê-lo. Peço-te que me dispenses'.
Outro disse: 'Comprei cinco juntas de bois e vou experimentá-las. Peço-te que me dispenses'.
E outro disse: 'Casei-me e por isso não posso ir'.
Ao voltar, o servo contou tudo isso ao seu senhor. Então o dono da casa indignou-se e disse ao servo: 'Vai depressa pelas praças e ruas da cidade e traz para aqui os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos'.
No fim, o servo disse: 'Senhor, as tuas ordens foram cumpridas, mas ainda há lugar'.
O dono da casa disse então ao servo: 'Vai pelos caminhos e azinhagas e obriga toda a gente a entrar, para que a minha casa fique cheia.
Porque eu vos digo que nenhum daqueles que foram convidados provará do meu banquete'».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

São Boaventura (1221-1274), franciscano, doutor da Igreja
«Da vida perfeita», cap. 8, §§ 2-4

O pão da boda nupcial

Se possuís algumas virtudes, que são fonte de boas obras, ou antes, precisamente por serdes rico em virtudes, perseverai na sua prática, fazei progressos constantes e, através delas, levai o combate de Cristo até à morte, a fim de que no último dia, no termo da vossa vida, recebais, por salário e recompensa do vosso trabalho, a coroa de glória e de honra. É por isso que Cristo, vosso único amor, vos diz no Apocalipse: «Sê fiel até à morte e dar-te-ei a coroa da vida» (Ap 2,10). Essa coroa não é senão a recompensa da vida eterna, cuja posse deve inflamar de desejo todos os cristãos. Levantai-vos pois, amiga de Deus, esposa de Jesus Cristo, pomba do Rei eterno, vinde, apressai-vos para as núpcias do Filho de Deus, porque toda a corte celeste vos espera, «está tudo pronto» (cf Mt 22,4; Lc 14,17).

Um servo belo e nobre está pronto para vos servir; um manjar delicado e delicioso está preparado para vos restabelecer; uma companhia doce a amável está pronta a partilhar a vossa alegria. Levantai-vos, pois, e apressai-vos!

Correi a estas núpcias porque um servo de grande beleza está preparado para vos servir. Este servo é a assembleia dos anjos, que digo eu? É o próprio Filho do Deus eterno! Pois não é Ele que Se apresenta como tal no santo evangelho? «Em verdade vos digo: vai cingir-Se, mandará que se ponham à mesa e há de servi-los» (Lc 12,37). Oh! Como será grande a glória dos pobres e dos desprezados quando forem servidos pelo Filho de Deus, o soberano Rei, e por todo o exército do Reino celeste.

Um alimento delicado e delicioso está também preparado para vos alimentar. O próprio Filho de Deus porá a mesa com suas mãos. Ele o afirma no santo evangelho: «Eu disponho do Reino a vosso favor, como meu Pai dispõe dele a meu favor, a fim de que comais e bebais à minha mesa, no meu Reino» (Lc 22,29-30). Oh! Como é suave e delicioso este alimento que Deus, na sua bondade, preparou para o pobre! Oh! Ditoso o que comer no Céu este pão preparado no seio da Virgem pelo fogo do Espírito Santo! «Quem come deste pão viverá eternamente» (Jo 6,58). O Rei celeste alimenta e restaura os eleitos com este pão, com este alimento, como está dito no Livro da Sabedoria: «Deste ao teu povo o alimento dos anjos» (Sab 16,20).







domingo, 5 de novembro de 2017

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Segunda-feira, dia 06 de Novembro de 2017

Segunda-feira da 31ª semana do Tempo Comum

S. Nuno de Santa Maria (Santo Condestável), guerreiro, religioso, +1431, S. Leonardo de Noblac, eremita, +559

Comentário do dia
Santo Agostinho : «Ser-te-á retribuído na ressurreição dos justos»

Romanos 11,29-36.

Irmãos: Os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis.
Vós fostes outrora desobedientes a Deus e agora alcançastes misericórdia, devido à desobediência dos judeus.
Assim também eles desobedecem agora, de modo que, devido à misericórdia obtida por vós, também eles agora alcancem misericórdia.
Efetivamente, Deus encerrou a todos na desobediência, para usar de misericórdia para com todos.
Como é profunda a riqueza, a sabedoria e a ciência de Deus! Como são insondáveis os seus desígnios e incompreensíveis os seus caminhos!
Quem conheceu o pensamento do Senhor? Quem foi o seu conselheiro?
Quem Lhe deu primeiro, para que tenha de receber retribuição?
D'Ele, por Ele e para Ele são todas as coisas. Glória a Deus para sempre. Amen.


Lucas 14,12-14.

Naquele tempo, disse Jesus a um dos principais fariseus, que O tinha convidado para uma refeição: «Quando ofereceres um almoço ou um jantar, não convides os teus amigos nem os teus irmãos, nem os teus parentes nem os teus vizinhos ricos, não seja que eles por sua vez te convidem e assim serás retribuído.
Mas quando ofereceres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos;
e serás feliz por eles não terem com que retribuir-te: ser-te-á retribuído na ressurreição dos justos».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
Discurso sobre o salmo 121

«Ser-te-á retribuído na ressurreição dos justos»

O amor é muito poderoso: ele é a nossa força. Sem ele, de nada nos servirá o resto. «Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos», diz o apóstolo Paulo, «se não tiver amor, sou como bronze que ressoa, ou como címbalo que tine» (1Cor 13,1). Escutai em seguida esta palavra magnífica: «Ainda que distribua todos os meus bens em esmolas e entregue o meu corpo a fim de ser queimado, se não tiver amor, de nada me aproveita» (v. 3). Se não tens senão o amor, mesmo que não possas distribuir nada pelos pobres, ama. Darás apenas «um copo de água fresca» (Mt 10,42), e isso valer-te-á a mesma recompensa que Zaqueu, que distribuiu metade da sua fortuna (Lc 19,8). Como será isso? Um dá pouco, o outro muito e os seus gestos têm o mesmo valor? Pois sim: os recursos são desiguais, mas o amor é igual. [...]

O salmista diz: «Vamos à casa do Senhor» (Sl 121,4). Vejamos se de facto lá vamos. Não são os nossos pés, mas o nosso coração que nos leva. Vejamos se de facto lá vamos; que cada um de vós se interrogue: Que fazes pelo pobre fiel, pelo teu irmão indigente, pelo mendigo que te estende a mão? Vê se o teu coração não será estreito. [...] «Procurai o que faz a paz de Jerusalém» (v.6). O que faz a paz em Jerusalém? «A abundância para os que te amam» (Vulg.). O salmista dirige a palavra a Jerusalém: «Os que te amam estarão na abundância» – a abundância depois da pobreza. Aqui em baixo, a miséria, lá em cima, a abundância; aqui a fraqueza, lá, a força; os que são pobres aqui serão ricos lá em cima. Donde vem a sua riqueza? De terem dado, aqui, os bens que durante algum tempo receberam de Deus; lá, recebem o que Deus lhes dá, por toda a eternidade.

Meus irmãos, aqui os ricos são pobres; é bom que o rico descubra a sua pobreza. Julga-se repleto? Isso é inchaço e não plenitude. Que reconheça o seu vazio a fim de poder ser cumulado. Que possui ele? Ouro. Que lhe falta? A vida eterna. Que olhe bem para o que tem e para o que lhe falta. Irmãos, que dê o que possui, a fim de receber o que não tem.







sábado, 4 de novembro de 2017

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Domingo, dia 05 de Novembro de 2017

31º Domingo do Tempo Comum
XXXI Domingo Comum (semana III do saltério)Todos os Santos (no Brasil)

Santos Zacarias e Isabel, parentes de Nossa Senhora, Beato Caio Coreano, mártir, +1624, Beato Mariano de la Mata, religioso, +1983

Comentário do dia
Santo Hilário : «Eles dizem e não fazem»

Malaquias 1,14b.2,1-2b.8-10.

Eu sou um grande Rei, diz o Senhor do Universo, e o meu nome é temível entre as nações.
Agora, este aviso é para vós, sacerdotes:
Se não me ouvirdes, se não tomardes a peito dar glória ao meu nome – diz o Senhor do universo – lançarei contra vós a maldição e amaldiçoarei as vossas bênçãos. E essa maldição já está cumprida, porque vós não tomais isto a peito.
Vós desviastes-vos do caminho, fizestes tropeçar muitos na lei e destruístes a aliança de Levi, diz o Senhor do Universo.
Por isso, como não seguis os meus caminhos e fazeis aceção de pessoas perante a lei, também Eu vos tornarei desprezíveis e abjetos aos olhos de todo o povo.
Não temos todos nós um só Pai? Não foi o mesmo Deus que nos criou? Então porque somos desleais uns para com os outros, profanando a aliança dos nossos pais?


1 Tess. 2,7b-9.13.

Irmãos: Fizemo-nos pequenos no meio de vós. Como a mãe que acalenta os filhos que anda a criar,
assim nós também, pela viva afeição que vos dedicamos, desejaríamos partilhar convosco, não só o Evangelho de Deus, mas ainda a própria vida, tão caros vos tínheis tornado para nós.
Bem vos lembrais, irmãos, dos nossos trabalhos e canseiras. Foi a trabalhar noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós, que vos pregámos o Evangelho de Deus.
Por isso, também nós damos graças a Deus sem cessar, porque, depois de terdes ouvido a palavra de Deus por nós pregada, vós a acolhestes, não como palavra humana, mas como ela é realmente, palavra de Deus, que permanece ativa em vós, os crentes.


Mateus 23,1-12.

Naquele tempo, Jesus falou à multidão e aos discípulos, dizendo:
«Na cadeira de Moisés sentaram-se os escribas e os fariseus.
Fazei e observai tudo quanto vos disserem, mas não imiteis as suas obras, porque eles dizem e não fazem.
Atam fardos pesados e põem-nos aos ombros dos homens, mas eles nem com o dedo os querem mover.
Tudo o que fazem é para serem vistos pelos homens: alargam os filactérios e ampliam as borlas;
gostam do primeiro lugar nos banquetes e dos primeiros assentos nas sinagogas,
das saudações nas praças públicas e que os tratem por 'Mestres'. Vós, porém, não vos deixeis tratar por 'Mestres',
porque um só é o vosso Mestre e vós sois todos irmãos.
Na terra não chameis a ninguém vosso 'Pai', porque um só é o vosso pai, o Pai celeste.
Nem vos deixeis tratar por 'Doutores', porque um só é o vosso doutor, o Messias.
Aquele que for o maior entre vós será o vosso servo.
Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Santo Hilário (c. 315-367), bispo de Poitiers, doutor da Igreja
Comentários sobre S. Mateus

«Eles dizem e não fazem»

O Senhor adverte-nos de que as belas palavras e os comportamentos amáveis devem ser julgados pelos frutos que produzem. Devemos, pois, apreciar as pessoas, não por aquilo que se propõem com as palavras, mas pelo que são realmente, pelos seus atos. Muitas vezes, sob uma aparência de ovelha dissimula-se uma raiva de lobo (Mt 7, 15). E, da mesma maneira que os espinhos não produzem uvas, nem os espinheiros figos, [...] assim também, diz-nos Jesus, não é em belas palavras que consiste a realidade das boas obras, mas todos os homens devem ser julgados pelos seus frutos (vv. 16-18).

Não, um serviço que se limite a belas palavras não basta para obter o Reino dos céus. Pois com que se articularia uma santidade limitada a belas palavras, se o caminho do Reino dos céus se encontra na obediência à vontade de Deus?

Temos pois de nos empenhar, se queremos alcançar a felicidade eterna. Temos de dar alguma coisa de nós mesmos: querer o bem, evitar o mal e obedecer de todo o coração aos preceitos divinos. Tal atitude valer-nos-á ser reconhecidos por Deus como filhos. Por isso, adequemos os nossos atos à sua vontade, em vez de nos glorificarmos no seu poder. Porque Ele afastará e rejeitará os que se tiverem apartado dele pela iniquidade dos seus atos.







sexta-feira, 3 de novembro de 2017

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Sabado, dia 04 de Novembro de 2017

Sábado da 30ª semana do Tempo Comum

S. Carlos Borromeu, bispo, +1584

Comentário do dia
São Bruno de Segni : «Quem se humilha será exaltado»

Romanos 11,1-2a.11-12.25-29.

Irmãos: Eu pergunto: Teria Deus rejeitado o seu povo? De modo nenhum. Porque eu também sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim.
Deus não rejeitou o seu povo, que de antemão conheceu.
Pergunto ainda: Teria Israel tropeçado para cair definitivamente? De modo nenhum. Mas da sua queda resultou a salvação dos gentios, para provocar a emulação de Israel.
Se a sua queda se tornou riqueza para o mundo e o seu declínio riqueza para os gentios, que não fará a sua participação plena na salvação?
Não quero, irmãos, que ignoreis este mistério, para não pensardes que sois sábios: O endurecimento de uma parte de Israel durará até que chegue à salvação a plenitude dos gentios.
Então todo Israel será salvo, como diz a Escritura: «De Sião virá o Libertador, que afastará as iniquidades de Jacob.
E esta será a aliança que farei com eles, quando perdoar os seus pecados».
Quanto ao Evangelho, eles são inimigos de Deus para vossa utilidade; mas quanto à escolha divina, são por Ele amados por causa dos seus pais.
Porque os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis.


Lucas 14,1.7-11.

Naquele tempo, Jesus entrou, num sábado, em casa de um dos principais fariseus para tomar uma refeição. Todos O observavam.
Ao notar como os convidados escolhiam os primeiros lugares, Jesus disse-lhes esta parábola:
«Quando fores convidado para um banquete nupcial, não tomes o primeiro lugar. Pode acontecer que tenha sido convidado alguém mais importante do que tu;
então, aquele que vos convidou a ambos, terá que te dizer: 'Dá o lugar a este'; e ficarás depois envergonhado, se tiveres de ocupar o último lugar.
Por isso, quando fores convidado, vai sentar-te no último lugar; e quando vier aquele que te convidou, dirá: 'Amigo, sobe mais para cima'; ficarás então honrado aos olhos dos outros convidados.
Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

São Bruno de Segni (c. 1045-1123), bispo
Comentário ao evangelho de Lucas

«Quem se humilha será exaltado»

«Tu me preparas abundante mesa em frente de meus inimigos» (Sl 22,5). [...] Que mais podemos nós desejar? Porque havemos de escolher os primeiros lugares? Seja qual for o lugar que ocupemos, teremos tudo em abundância e nada nos faltará. Mas tu que procuras ter o primeiro lugar, quem quer que sejas, vai-te sentar no último lugar. Não permitas que o teu saber te encha de orgulho; não te deixes exaltar pela fama. Quanto mais importante fores, mais necessário é humilhares-te em todas as coisas, e «encontrarás graça junto de Deus» (Lc 1,30), de tal modo que, no momento favorável, Ele te dirá: «'"Amigo, sobe mais para cima"; ficarás então honrado aos olhos dos outros convidados».

Certamente, tanto quanto dependia dele, Moisés ocupava o último lugar. Quando o Senhor o quis enviar aos filhos de Israel e o convidou a ter acesso a um estado mais elevado, ele respondeu-Lhe: «Ah, Senhor! Eu não sou homem que facilmente use de palavra» (Ex 4,10), «dai essa missão a outro» (Ex 4,13). É como se tivesse dito: «Não sou digno de tão alto cargo». Saul também se considerava um homem de condição humilde, quando o Senhor fez dele um rei. E igualmente Jeremias, receando subir ao primeiro lugar, dizia: «Ó Senhor meu Deus, vede: não sei falar, não passo de uma criança». É pois em humildade, e não por orgulho, em virtudes e não pelo dinheiro, que devemos procurar ocupar o primeiro lugar.







quinta-feira, 2 de novembro de 2017

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Sexta-feira, dia 03 de Novembro de 2017

Sexta-feira da 30ª semana do Tempo Comum

S. Martinho de Porres (ou de Lima), religioso, +1639

Comentário do dia
Catecismo da Igreja Católica: O sentido do sábado

Romanos 9,1-5.

Irmãos: Em Cristo digo a verdade, não minto, e disso me dá testemunho a consciência no Espírito Santo:
Sinto uma grande tristeza e uma dor contínua no meu coração.
Quisera eu próprio ser anátema, separado de Cristo, para bem dos meus irmãos, que são do mesmo sangue que eu,
que são israelitas, a quem pertencem a adoção filial, a glória, as alianças, a legislação, o culto e as promessas,
a quem pertencem os Patriarcas e de quem procede Cristo segundo a carne, Ele que está acima de todas as coisas, Deus bendito por todos os séculos. Amen.


Lucas 14,1-6.

Naquele tempo, Jesus entrou, num sábado, em casa de um dos principais fariseus para tomar uma refeição. Todos O observavam.
Diante d'Ele encontrava-se um hidrópico.
Jesus tomou a palavra e disse aos doutores da lei e aos fariseus: «É lícito ou não curar ao sábado?».
Mas eles ficaram calados. Então Jesus tomou o homem pela mão, curou-o e mandou-o embora.
Depois disse-lhes: «Se um filho vosso ou um boi cair num poço, qual de vós não irá logo retirá-lo em dia de sábado?».
E eles não puderam replicar a estas palavras.



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Catecismo da Igreja Católica
§§ 345-349

O sentido do sábado

O «Sábado» – fim da obra dos «seis dias». O texto sagrado diz que «Deus concluiu, no sétimo dia, a obra que fizera» e que assim «se completaram o céu e a terra»; e no sétimo dia Deus «descansou» e santificou e abençoou este dia (Gn 2,1-3). Estas palavras inspiradas são ricas de salutares ensinamentos:

Na criação, Deus estabeleceu uma base e leis que permanecem estáveis, sobre as quais o crente pode apoiar-se com confiança, e que serão para ele sinal e garantia da fidelidade inquebrantável da Aliança divina. Por seu lado, o homem deve manter-se fiel a esta base e respeitar as leis que o Criador nela inscreveu.

A criação foi feita em vista do Sábado e, portanto, do culto e da adoração de Deus. O culto está inscrito na ordem da criação – «Operi Dei nihil preponatur – Nada se anteponha à obra de Deus (ao culto divino)» – diz a Regra de São Bento, indicando assim a justa ordem das preocupações humanas.

O Sábado está no coração da Lei de Israel. Guardar os mandamentos é corresponder à sabedoria e à vontade de Deus, expressas na sua obra da criação.

O oitavo dia. Mas para nós, um dia novo surgiu: o dia da Ressurreição de Cristo. O sétimo dia acaba a primeira criação. O oitavo dia começa a nova criação. A obra da criação culmina, assim, na obra maior da Redenção. A primeira criação encontrou o seu sentido e cume na nova criação em Cristo, cujo esplendor ultrapassa o da primeira.







quarta-feira, 1 de novembro de 2017

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Quinta-feira, dia 02 de Novembro de 2017

Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos
Comemoração de todos os Fiéis Defuntos

Comentário do dia
São Cipriano : «Quem crê em Mim, mesmo que tenha morrido, viverá» (Jo 11,25)

Sab. 3,1-9.

As almas dos justos estão na mão de Deus, e nenhum tormento os atingirá.
Aos olhos dos insensatos parecem ter morrido; a sua saída deste mundo foi considerada uma desgraça
e a sua partida do meio de nós um aniquilamento. Mas eles estão em paz.
Aos olhos dos homens eles sofreram um castigo, mas a sua esperança estava cheia de imortalidade.
Depois de leve pena, terão grandes benefícios, porque Deus os pôs à prova e os achou dignos de Si.
Experimentou-os como ouro no crisol e aceitou-os como sacrifício de holocausto.
No tempo da recompensa hão-de resplandecer, correndo como centelhas através da palha.
Hão-de governar as nações e dominar os povos e o Senhor reinará sobre eles eternamente.
Os que n'Ele confiam compreenderão a verdade e os que Lhe são fiéis permanecerão com Ele no amor, pois a graça e a fidelidade são para os seus santos e a sua vinda será benéfica para os seus eleitos.


Romanos 6,3-9.

Irmãos: Todos nós que fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte.
Fomos sepultados com Ele pelo Batismo na sua morte, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos, pela glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova.
Se, na verdade, estamos totalmente unidos a Cristo pela semelhança da sua morte também o estaremos pela semelhança da sua ressurreição.
Bem sabemos que o nosso homem velho foi crucificado com Cristo, para que fosse destruído o corpo do pecado e não mais fôssemos escravos dele.
Quem morreu, está livre do pecado.
Se morremos com Cristo, acreditamos que também com Ele viveremos,
sabendo que, uma vez ressuscitado dos mortos, Cristo já não pode morrer; a morte já não tem domínio sobre Ele.


Mateus 25,31-46.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Quando o Filho do homem vier na sua glória com todos os seus Anjos, sentar-Se-á no seu trono glorioso.
Todas as nações se reunirão na sua presença, e Ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos;
e colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda.
Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: 'Vinde, benditos de meu Pai; recebei como herança o reino que vos está preparado desde a criação do mundo.
Porque tive fome e destes-Me de comer; tive sede e destes-Me de beber; era peregrino e Me recolhestes;
não tinha roupa e Me vestistes; estive doente e viestes visitar-Me; estava na prisão e fostes ver-Me'.
Então os justos Lhe dirão: 'Senhor, quando é que Te vimos com fome e Te demos de comer, ou com sede e Te demos de beber?
Quando é que Te vimos peregrino e Te recolhemos, ou sem roupa e Te vestimos?
Quando é que Te vimos doente ou na prisão e Te fomos ver?'.
E o Rei lhes responderá: 'Em verdade vos digo: Quantas vezes o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes'.
Dirá então aos que estiverem à sua esquerda: 'Afastai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e os seus anjos.
Porque tive fome e não Me destes de comer; tive sede e não Me destes de beber;
era peregrino e não Me recolhestes; estava sem roupa e não Me vestistes; estive doente e na prisão e não Me fostes visitar'.
Então também eles Lhe hão-de perguntar: 'Senhor, quando é que Te vimos com fome ou com sede, peregrino ou sem roupa, doente ou na prisão, e não Te prestámos assistência?'.
E Ele lhes responderá: 'Em verdade vos digo: Quantas vezes o deixastes de fazer a um dos meus irmãos mais pequeninos, também a Mim o deixastes de fazer'.
Estes irão para o suplício eterno, e os justos para a vida eterna».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

São Cipriano (c. 200-258), bispo de Cartago e mártir
Sobre a morte § 20; PL 4, 596s

«Quem crê em Mim, mesmo que tenha morrido, viverá» (Jo 11,25)

Não devemos chorar os nossos irmãos que a chamada do Senhor retirou deste mundo, pois sabemos que não se perderam, mas partiram antes de nós: deixaram-nos como viajantes, como navegantes, para nos precederem. Devemos portanto invejá-los em vez de os chorar, e não devemos vestir-nos, aqui em baixo, com roupas escuras enquanto, lá no Alto, eles envergam vestes brancas. Não demos aos pagãos oportunidade de com razão nos reprovarem por lamentarmos aqueles que declaramos vivos junto de Deus, como se estivessem aniquilados e perdidos. É que traímos a nossa esperança e fé se o que dizemos parece fingimento e mentira. De nada serve afirmarmos por palavras que temos coragem e destruirmos por atos a verdade dessa afirmação […].

Quando morremos, passamos, pela morte, à imortalidade; e a vida eterna não pode ser-nos dada se não sairmos deste mundo. Não se trata de um ponto final, mas de uma passagem. No termo da nossa viagem no tempo, encontra-se a nossa passagem para a eternidade. Quem não se apressaria em direção a um bem maior? Quem não desejaria ser mudado e transformado à imagem de Cristo?

A nossa pátria é o céu […]. Aí nos espera um grande número de seres queridos, somos desejados por uma multidão imensa de pais, de irmãos e de filhos; seguros já da sua salvação, eles pensam na nossa. […] Apressemo-nos em chegar até eles, seja nosso desejo ardente irmos depressa para junto deles e de Cristo.







Todos os Santos

Prezados leitores

Toda a equipa de Evangelho Quotidiano vos deseja uma bela festa de Todos os Santos!

Neste dia, a Igreja da terra eleva os seus olhos e volta os seus pensamentos para a Igreja do Céu. A contemplação dos santos do Céu edifica-nos, consola-nos e fortalece-nos. É bom amar esses amigos de Deus que nos chamam e nos esperam. Louvemo-los e chamemos nós também por eles para que venham socorrer-nos e derramar sobre nós uma chuva invisível de graças.

Durante o mês de novembro, a nossa mãe Igreja confia à nossa oração atenta e devota as almas dos defuntos que estão ainda no Purgatório, à espera da felicidade do Céu. É um dever imperioso rezar por essas almas que esperam de nós ajuda e consolo. Em retorno, tenhamos a certeza, elas rezarão também por nós. Não hesitemos em solicitá-las e estabeleçamos com elas os laços maravilhosos da comunhão dos santos. Pensemos, de modo particular, nos defuntos da nossa família e nas pessoas que nos eram próximas. A amizade terrestre pode ser mantida espiritualmente de alma a alma pela oração.

Que a Virgem Maria, mãe de todos nós, nos ajude a viver em comunhão com os santos e as almas do Purgatório e a reforçar as nossas orações por elas.

Com muita amizade,

 

A equipa de Evangelho Quotidiano em língua portuguesa, um serviço evangelizo.org

terça-feira, 31 de outubro de 2017

padrecavalieri@uol.com.br


Quarta-feira, dia 01 de Novembro de 2017

Todos os santos – solenidade
Todos-os-Santos

Comentário do dia
São Gregório Magno : «Deles é o reino dos Céus.»

Apoc. 7,2-4.9-14.

Eu, João, vi um Anjo que subia do Nascente, trazendo o selo do Deus vivo. Ele clamou em alta voz aos quatro Anjos a quem foi dado o poder de causar dano à terra e ao mar:
«Não causeis dano à terra, nem ao mar, nem às árvores, até que tenhamos marcado na fronte os servos do nosso Deus».
E ouvi o número dos que foram marcados: cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos dos filhos de Israel.
Depois disto, vi uma multidão imensa, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam de pé, diante do trono e na presença do Cordeiro, vestidos com túnicas brancas e de palmas na mão.
E clamavam em alta voz: «A salvação ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro».
Todos os Anjos formavam círculo em volta do trono, dos Anciãos e dos quatro Seres Vivos. Prostraram-se diante do trono, de rosto por terra, e adoraram a Deus,
dizendo: «Ámen! A bênção e a glória, a sabedoria e a ação de graças, a honra, o poder e a força ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Ámen!».
Um dos Anciãos tomou a palavra e disse-me: «Esses que estão vestidos de túnicas brancas, quem são e de onde vieram?».
Eu respondi-lhe: «Meu Senhor, vós é que o sabeis». Ele disse-me: «São os que vieram da grande tribulação, os que lavaram as túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro».


1 João 3,1-3.

Caríssimos: Vede que admirável amor o Pai nos consagrou em nos chamar filhos de Deus. E somo-lo de facto. Se o mundo não nos conhece, é porque não O conheceu a Ele.
Caríssimos, agora somos filhos de Deus e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Mas sabemos que, na altura em que se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porque O veremos como Ele é.
Todo aquele que tem n'Ele esta esperança purifica-se a si mesmo, para ser puro, como Ele é puro.


Mateus 5,1-12a.

Naquele tempo, ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se. Rodearam-n'O os discípulos,
e Ele começou a ensiná-los, dizendo:
«Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus.
Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.
Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a terra.
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.
Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.
Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus.
Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós.
Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

São Gregório Magno (c. 540-604), papa, doutor da Igreja
Homilia 14 sobre o Evangelho

«Deles é o reino dos Céus.»

Jesus disse no Evangelho: «As minhas ovelhas escutam a minha voz, Eu conheço-as, elas seguem-Me e Eu dou-lhes a vida eterna» (Jo 10,27). Um pouco antes, tinha dito: «Se alguém entrar por Mim, será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem» (v. 9). Porque entra-se pela fé, mas sai-se da fé pela visão face a face; passando da crença à contemplação, encontraremos pastagens para o repouso eterno.

São pois as ovelhas do Senhor quem tem acesso às pastagens, porque aquele que sai na simplicidade de coração recebe em alimento uma erva sempre verde. E estas pastagens das ovelhas são as alegrias profundas de um paraíso sempre verdejante. A pastagem dos eleitos é o rosto de Deus presente, contemplado numa visão sem sombra; a alma sacia-se sem fim deste alimento de vida.

Nestas pastagens, os que escaparam à rede dos desejos deste mundo são cumulados eternamente. Ali, canta o coro dos anjos, ali são reunidos os habitantes dos céus. Ali, há uma festa alegre para os que regressam, depois dos seus trabalhos, de uma triste estadia no estrangeiro. Ali se encontram o coro dos profetas de olhos penetrantes, os doze apóstolos juízes, a armada vitoriosa dos inúmeros mártires, tanto mais felizes quanto foram aqui em baixo duramente afligidos. Nesse lugar, é recompensada a constância dos confessores da fé. Ali se encontram os homens fiéis a quem os prazeres deste mundo não puderam amolecer a força de alma, as santas mulheres que venceram toda a fragilidade ao mesmo tempo que a este mundo; ali estão as crianças que pela sua maneira de viver se elevaram acima dos seus anos, os anciãos que a idade não pôde enfraquecer aqui em baixo e que não perderam a força para trabalhar. Irmãos bem amados, ponhamo-nos em busca dessas pastagens, onde seremos felizes na companhia de tantos santos.







segunda-feira, 30 de outubro de 2017

padrecavalieri@uol.com.br


Terça-feira, dia 31 de Outubro de 2017

Terça-feira da 30ª semana do Tempo Comum

Santo Afonso Rodrigues, viuvo, religioso, +1617

Comentário do dia
Simeão: O reino de Deus

Romanos 8,18-25.

Irmãos: Eu penso que os sofrimentos do tempo presente não têm comparação com a glória que se há de manifestar em nós.
Na verdade, as criaturas esperam ansiosamente a revelação dos filhos de Deus.
Elas estão sujeitas à vã situação do mundo, não por sua vontade, mas por vontade d'Aquele que as submeteu,
com a esperança de que as mesmas criaturas sejam também libertadas da corrupção que escraviza, para receberem a gloriosa liberdade dos filhos de Deus.
Sabemos que toda a criatura geme ainda agora e sofre as dores da maternidade.
E não só ela, mas também nós, que possuímos as primícias do Espírito, gememos interiormente, esperando a adoção filial e a libertação do nosso corpo.
É em esperança que estamos salvos, pois ver o que se espera não é esperança: quem espera o que já vê?
Mas esperar o que não vemos é esperá-lo com perseverança.


Lucas 13,18-21.

Naquele tempo, disse Jesus: «A que é semelhante o reino de Deus, a que hei de compará-lo?
É semelhante ao grão de mostarda que um homem tomou e lançou na sua horta. Cresceu, tornou-se árvore e as aves do céu vieram abrigar-se nos seus ramos».
Jesus disse ainda: «A que hei de comparar o reino de Deus?
É semelhante ao fermento que uma mulher tomou e misturou em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Simeão, o Novo Teólogo (c. 949-1022), monge grego
Hino 17

O reino de Deus

Vou mostrar-te claramente que é aqui em baixo que tens de acolher o Reino dos céus, todo inteiro, se nele quiseres entrar após a tua morte. Escuta Deus que te fala em parábolas: «A que é semelhante o reino de Deus, a que hei de compará-lo? É semelhante ao grão de mostarda que um homem tomou e lançou na sua horta. Cresceu, tornou-se árvore». Esse grão é o Reino dos céus, é a graça do Espírito divino, e a horta é o coração de cada homem, o sítio onde quem O recebeu esconde o Espírito no fundo de si mesmo, nas pregas das suas entranhas, para que ninguém O possa ver. E guarda-O com todo o cuidado, para que germine, para que Se torne uma árvore e Se eleve até ao céu.

Portanto, se disseres: «Não é aqui em baixo, mas só após a morte que acederão ao Reino todos os que o tiverem desejado com fervor», estás a alterar o sentido das parábolas do Salvador nosso Deus. E, se não tomares o grão, esse grão de mostarda, como Ele te disse, se não o lançares na tua horta, ficarás totalmente estéril. Pois é aqui que recebes a semente.

«Aqui em baixo, recebe o penhor», diz o Mestre; «aqui em baixo, recebe o selo. Já aqui, acende a tua lâmpada. Se fores sensato, é aqui em baixo que Me tornarei para ti a pérola (Mt 13,45), é aqui em baixo que serei o teu trigo e o teu grão de mostarda. É aqui em baixo que serei fermento e farei levedar a massa. É aqui que serei para ti como água e Me tornarei fogo abrasador. É aqui que Me tornarei a tua veste e o teu alimento e toda a tua bebida, se o desejares». Eis o que diz o Mestre: «Assim pois, se já aqui em baixo Me reconheceres como tal, também no céu Me possuirás inefavelmente e Eu tornar-Me-ei tudo para ti».







domingo, 29 de outubro de 2017

padrecavalieri@uol.com.br


Segunda-feira, dia 30 de Outubro de 2017

Segunda-feira da 30ª semana do Tempo Comum

S. Geraldo de Potenza, bispo, +1119, Beata Maria Restituta Kafka, religiosa, mártir, +1943

Comentário do dia
São Gregório Magno : «Mulher, estás livre da tua enfermidade»

Romanos 8,12-17.

Irmãos: Já não somos devedores à carne, para vivermos segundo a carne.
Se viverdes segundo a carne, morrereis; mas se pelo Espírito fizerdes morrer as obras da carne, vivereis.
Porque todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus.
Vós não recebestes um espírito de escravidão para recair no temor, mas o Espírito de adoção filial, pelo qual exclamamos: «Abá, Pai».
O próprio Espírito Santo dá testemunho, em união com o nosso espírito, de que somos filhos de Deus.
Se somos filhos, também somos herdeiros, herdeiros de Deus e herdeiros com Cristo; Se sofrermos com Ele, também com Ele seremos glorificados.


Lucas 13,10-17.

Naquele tempo, estava Jesus a ensinar ao sábado numa sinagoga.
Apareceu lá uma mulher com um espírito que a tornava enferma havia dezoito anos; andava curvada e não podia de modo algum endireitar-se.
Ao vê-la, Jesus chamou-a e disse-lhe: «Mulher, estás livre da tua enfermidade»;
e impôs-lhe as mãos. Ela endireitou-se logo e começou a dar glória a Deus.
Mas o chefe da sinagoga, indignado por Jesus ter feito uma cura ao sábado, tomou a palavra e disse à multidão: «Há seis dias para trabalhar. Portanto, vinde curar-vos nesses dias e não no dia de sábado».
O Senhor respondeu: «Hipócritas! Não solta cada um de vós do estábulo o seu boi ou o seu jumento ao sábado, para o levar a beber?
E esta mulher, filha de Abraão, que Satanás prendeu há dezoito anos, não devia libertar-se desse jugo no dia de sábado?».
Enquanto Jesus assim falava, todos os seus adversários ficaram envergonhados e a multidão alegrava-se com todas as maravilhas que Ele realizava.



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

São Gregório Magno (c. 540-604), papa, doutor da Igreja
Homílias sobre o Evangelho, n.° 31

«Mulher, estás livre da tua enfermidade»

«Naquele tempo, estava Jesus a ensinar ao sábado numa sinagoga. Apareceu lá uma mulher com um espírito que a tornava enferma havia dezoito anos; andava curvada e não podia de modo algum endireitar-se.» [...] O pecador, preocupado com as coisas da terra e não procurando as do Céu, torna-se incapaz de olhar para o alto: ao seguir os desejos que o conduzem para baixo, a sua alma, perdendo a retidão, curva-se, e apenas vê aquilo em que pensa incessantemente. Voltai-vos para dentro do vosso coração, irmãos muito estimados, e examinai continuamente os pensamentos que não cessam de agitar o vosso espírito. Um pensa nas honras, outro no dinheiro, outro ainda em aumentar as suas propriedades. Todas essas coisas são inferiores e, quando o espírito investe nisso, altera-se, perdendo a sua retidão. E, porque não se engrandece para desejar os bens do alto, está como esta mulher curvada, que não consegue de modo nenhum olhar para cima. [...]

Efetivamente, o salmista descreveu bem a nossa curvatura quando disse de si próprio, como símbolo de todo o género humano: «Ando cabisbaixo e profundamente abatido» (Sl 37,7). Considerava que o homem, tendo sido criado para contemplar a luz do alto, fora expulso do paraíso devido aos seus pecados, e que, consequentemente, as trevas reinavam na sua alma, fazendo-o perder o apetite das coisas do alto e arrastando toda a sua atenção para as inferiores. [...] Se o homem que perdeu de vista as coisas do Céu pensasse apenas nas necessidades deste mundo, andaria sem dúvida curvado e humilhado, mas não «em excesso». Ora, como não é só a necessidade que faz descer os seus pensamentos [...], mas também o prazer proibido que o esmaga, não anda somente curvado, mas curvado em excesso.







sábado, 28 de outubro de 2017

padrecavalieri@uol.com.br


Domingo, dia 29 de Outubro de 2017

30º Domingo do Tempo Comum
XXX Domingo Comum (semana II do saltério)

S. Narciso, bispo de Jerusalém, +212, Santa Ermelinda, virgem, eremita, séc. VI, Beata Chiara Luce Badano, virgem +1990

Comentário do dia
Santo Anselmo : «Nestes dois mandamentos se resumem toda a Lei e os Profetas»

Ex. 22,20-26.

Eis o que diz o Senhor: «Não prejudicarás o estrangeiro, nem o oprimirás, porque vós próprios fostes estrangeiros na terra do Egipto.
Não maltratarás a viúva nem o órfão.
Se lhes fizeres algum mal e eles clamarem por Mim, escutarei o seu clamor;
inflamar-se-á a minha indignação e matar-vos-ei ao fio da espada. As vossas mulheres ficarão viúvas, e órfãos os vossos filhos.
Se emprestares dinheiro a alguém do meu povo, ao pobre que vive junto de ti, não procederás com ele como um usurário, sobrecarregando-o com juros.
Se receberes como penhor a capa do teu próximo, terás de lha devolver até ao pôr do sol,
pois é tudo o que ele tem para se cobrir, é o vestuário com que cobre o seu corpo. Com que dormiria ele? Se ele Me invocar, escutá-lo-ei, porque sou misericordioso».


1 Tess. 1,5c-10.

Irmãos: Vós sabeis como procedemos no meio de vós, para vosso bem.
Tornastes-vos imitadores nossos e do Senhor, recebendo a palavra no meio de muitas tribulações, com a alegria do Espírito Santo;
e assim vos tornastes exemplo para todos os crentes da Macedónia e da Acaia.
Porque, partindo de vós, a palavra de Deus ressoou não só na Macedónia e na Acaia, mas em toda a parte se divulgou a vossa fé em Deus, de modo que não precisamos de falar sobre ela.
De facto, são eles próprios que relatam o acolhimento que tivemos junto de vós e como dos ídolos vos convertestes a Deus, para servir ao Deus vivo e verdadeiro
e esperar dos Céus o seu Filho, a quem ressuscitou dos mortos: Jesus, que nos livrará da ira que há-de vir.


Mateus 22,34-40.

Naquele tempo, os fariseus, ouvindo dizer que Jesus tinha feito calar os saduceus, reuniram-se em grupo,
e um doutor da Lei perguntou a Jesus, para O experimentar:
«Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?».
Jesus respondeu: «'Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu espírito'.
Este é o maior e o primeiro mandamento.
O segundo, porém, é semelhante a este: 'Amarás o teu próximo como a ti mesmo'.
Nestes dois mandamentos se resumem toda a Lei e os Profetas».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Santo Anselmo (1033-1109), monge, bispo, doutor da Igreja
Carta 112, dirigida a Hugo, prisioneiro

«Nestes dois mandamentos se resumem toda a Lei e os Profetas»

Como reinar nos céus mais não é do que aderir a Deus e a todos os santos, pelo amor, numa única vontade, de tal forma que todos exercem em conjunto um único e mesmo poder, ama a Deus mais do que ti próprio, e verás que começas a ter o que desejas possuir de forma perfeita no céu. Concerta-te com Deus e com os homens – desde que estes não se separem de Deus – e começarás a reinar com Deus e com os seus santos. Porque, na justa medida em que agora te concertares com a vontade de Deus e com a dos homens, Deus e todos os santos concertar-se-ão com a tua vontade. Portanto, se queres ser rei nos céus, ama a Deus e aos homens como deves, e merecerás ser o que desejas.

Mas não poderás possuir este amor na perfeição se não esvaziares o coração de todos os outros amores [...]. É por isso que aqueles que enchem o coração com o amor a Deus e ao próximo têm apenas o querer de Deus, ou o de outro homem, na condição de que este não seja contrário a Deus. São, pois, fiéis à oração e a esta maneira de viver, lembrando-se sempre dos céus; porque lhes é agradável desejar a Deus e falar acerca desse que amam, ouvir falar dele e pensar nele. É por isso também que rejubilam com todos os que estão em graça, que choram com os que estão em dificuldades (Rom 12,15), que têm compaixão pelos infelizes e que dão aos pobres – porque amam os outros homens como a si mesmos. [...] É assim que, de facto, nestes dois mandamentos do amor «se resumem toda a Lei e os Profetas».







sexta-feira, 27 de outubro de 2017

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Sabado, dia 28 de Outubro de 2017

S. Simão e S. Judas, Apóstolos – Festa

S. Simão e S. Judas Tadeu, apóstolos

Comentário do dia
Orígenes : A palavra dos apóstolos Simão e Judas ressoou por toda a terra

Efésios 2,19-22.

Irmãos: Já não sois estrangeiros nem hóspedes, mas sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus,
edificados sobre o alicerce dos Apóstolos e dos Profetas, que tem Cristo como pedra angular.
Em Cristo, toda a construção, bem ajustada, cresce para formar um templo santo do Senhor;
e em união com Ele, também vós sois integrados na construção, para vos tornardes, no Espírito Santo, morada de Deus.


Lucas 6,12-19.

Naqueles dias, Jesus subiu ao monte para rezar e passou a noite em oração a Deus.
Quando amanheceu, chamou os discípulos e escolheu doze entre eles, a quem deu o nome de apóstolos:
Simão, a quem deu também o nome de Pedro, e seu irmão André; Tiago e João; Filipe e Bartolomeu,
Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado o Zelota;
Judas, irmão de Tiago, e Judas Iscariotes, que veio a ser o traidor.
Depois desceu com eles do monte e deteve-Se num sítio plano, com numerosos discípulos e uma grande multidão de pessoas de toda a Judeia, de Jerusalém e do litoral de Tiro e de Sidónia.
Tinham vindo para ouvir Jesus e serem curados das suas doenças. Os que eram atormentados por espíritos impuros também ficavam curados.
Toda a multidão procurava tocar Jesus, porque saía d'Ele uma força que a todos sarava.



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Orígenes (c. 185-253), presbítero, teólogo
Contra Celso, I, 62

A palavra dos apóstolos Simão e Judas ressoou por toda a terra

Se Jesus tivesse escolhido para ministros dos seus ensinamentos homens sábios segundo a opinião pública, capazes de compreender e de exprimir ideias caras à multidão, poderiam tê-lo acusado de pregar segundo o método dos filósofos de escola, e o carácter divino da sua doutrina não se teria mostrado com toda a sua evidência. A sua doutrina e a sua pregação teriam consistido «em sabedoria de palavras» (1Cor 1,17) […]; e a nossa fé, semelhante àquela com que se adere às doutrinas dos filósofos deste mundo, assentaria na sabedoria dos homens e não no poder de Deus (cf 1Cor 2,5). Mas, quando vemos pescadores e publicanos sem instrução terem a ousadia de discutir com os judeus a fé em Jesus Cristo, de a pregar ao resto do mundo, e de conseguir lá chegar, não podemos deixar de procurar a origem deste poder de persuasão. Como não podemos deixar de confessar que Jesus cumpriu a sua palavra – «Vinde após Mim e Eu farei de vós pescadores de homens» (Mt 4,19) – nos seus apóstolos por meio de um poder divino.

Também Paulo manifesta este poder quando escreve: «A minha palavra e a minha pregação não consistiram em discursos persuasivos da sabedoria humana, mas na manifestação do Espírito e do poder divino» (1Cor 2,4) […]. O mesmo haviam já dito os profetas, quando anunciaram a pregação do Evangelho: «O Senhor dá a palavra e os anunciadores da Boa Nova são uma multidão», a fim de que «rápida corra a sua palavra» (Sl 67, 12; 147, 4). E, de facto, vemos que «a voz» dos apóstolos de Jesus ressoa «por toda a terra, até aos confins do universo a sua palavra» (Sl 18, 5; Rom 10, 18). É por este motivo que aqueles que escutam a palavra de Deus poderosamente enunciada se enchem de poder, manifestando-o pela sua conduta e pela sua luta em prol da verdade até à morte.







quinta-feira, 26 de outubro de 2017

padrecavalieri@uol.com.br


Sexta-feira, dia 27 de Outubro de 2017

Sexta-feira da 29ª semana do Tempo Comum

Santos Vicente, Sabina e Cristeta, irmãos, mártires, +303, S. Gonçalo de Lagos, presbítero, +1422

Comentário do dia
São João XXIII : Discernir os sinais dos tempos: um grande tema do Concílio Vaticano II

Romanos 7,18-25a.

Irmãos: Eu sei que em mim, isto é, na minha natureza, não habita o bem, pois querer o bem está ao meu alcance, mas realizá-lo não está.
Na verdade, não faço o bem, que quero, mas pratico o mal, que não quero.
Ora, se eu faço o que não quero, já não sou eu que o realizo, mas o pecado que habita em mim.
Descubro pois em mim esta lei: ao querer fazer o bem, é o mal que está ao meu alcance.
Sinto prazer na lei de Deus, segundo o homem interior.
Mas vejo que há outra lei nos meus membros, que luta contra a lei da minha razão; ela torna-me escravo da lei do pecado, que está nos meus membros.
Infeliz de mim! Quem me libertará deste corpo de morte?
Deus, a quem dêmos graças, por Jesus Cristo, nosso Senhor.


Lucas 12,54-59.

Naquele tempo, dizia Jesus à multidão: «Quando vedes levantar-se uma nuvem no poente, logo dizeis: 'Vem chuva'; e assim acontece.
E quando sopra o vento sul, dizeis: 'Vai fazer muito calor'; e assim sucede.
Hipócritas, se sabeis discernir o aspeto da terra e do céu, porque não sabeis discernir o tempo presente?
Porque não julgais por vós mesmos o que é justo?».
E acrescentou: «Quando fores com o teu adversário ao magistrado, esforça-te por te entenderes com ele no caminho, para que ele não te arraste ao juiz e o juiz te entregue ao oficial de justiça e o oficial de justiça te meta na prisão.
Eu te digo: Não sairás de lá, enquanto não pagares o último centavo».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

São João XXIII (1881-1963), papa
Discurso na abertura do Concílio Vaticano II, 11/10/1962, §§ 2-4

Discernir os sinais dos tempos: um grande tema do Concílio Vaticano II

No exercício quotidiano do nosso ministério pastoral, ferem nossos ouvidos sugestões de almas, ardorosas sem dúvida no zelo, mas não dotadas de grande sentido de discrição e moderação. Nos tempos atuais, elas não veem senão prevaricações e ruínas; vão repetindo que a nossa época, em comparação com as passadas, foi piorando; e portam-se como quem nada aprendeu da história, que é também mestra da vida, e como se no tempo dos concílios ecuménicos precedentes tudo fosse triunfo completo da ideia e da vida cristã, e da justa liberdade religiosa.

Parece-nos que devemos discordar desses profetas da desventura, que anunciam acontecimentos sempre infaustos, como se estivesse iminente o fim do mundo.

No presente momento histórico, a Providência está a levar-nos para uma nova ordem de relações humanas, que, por obra dos homens e o mais das vezes para além do que eles esperam, se dirigem para o cumprimento de desígnios superiores e inesperados; e tudo, mesmo as adversidades humanas, dispõe para o bem maior da Igreja.







quarta-feira, 25 de outubro de 2017

padrecavalieri@uol.com.br


Quinta-feira, dia 26 de Outubro de 2017

Quinta-feira da 29ª semana do Tempo Comum

Santo Evaristo, papa, mártir, +107

Comentário do dia
Isaac o Sírio : «Eu vim trazer o fogo à terra»

Romanos 6,19-23.

Irmãos: Falo com linguagem humana, por causa da vossa fraqueza: Assim como entregastes os vossos membros como escravos ao serviço da impureza e da desordem, que conduz à revolta contra Deus, colocai agora os vossos membros ao serviço da justiça, que conduz à santidade.
Na verdade, quando éreis escravos do pecado, éreis livres em relação à justiça.
Mas que fruto colhestes então dessas obras de que atualmente vos envergonhais? De facto, o seu fim é a morte.
Mas agora, libertos do pecado e tornados servos de Deus, produzis o fruto que conduz à santificação, cujo fim é a vida eterna.
Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, em Jesus Cristo, nosso Senhor.


Lucas 12,49-53.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Eu vim trazer o fogo à terra e que quero Eu senão que ele se acenda?
Tenho de receber um batismo e estou ansioso até que ele se realize.
Pensais que Eu vim estabelecer a paz na terra? Não. Eu vos digo que vim trazer a divisão.
A partir de agora, estarão cinco divididos numa casa: três contra dois e dois contra três.
Estarão divididos o pai contra o filho e o filho contra o pai, a mãe contra a filha e a filha contra a mãe, a sogra contra a nora e a nora contra a sogra».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Isaac o Sírio (século VII), monge perto de Mossul
Discursos sobre ascese, 1.ª série, n.º 2

«Eu vim trazer o fogo à terra»

Violenta-te (cf Mt 11,12), esforça-te por imitar a humildade de Cristo, para que se torne cada vez mais forte o fogo que Ele acendeu em ti, esse fogo pelo qual são consumidos todos os impulsos deste mundo que destroem o homem novo e maculam as moradas do Senhor santo e poderoso. Porque eu afirmo com S. Paulo que «nós somos o templo do Deus vivo» (2Cor 6,16). Por isso, purifiquemos esse templo «como Ele é puro» (1Jo 3,3), para que Ele tenha desejo de aí morar; santifiquemo-lo porque Ele é santo (1Pe 1,16); ornamentemo-lo com todas as obras boas e dignas.

Enchamos o templo do repouso da sua vontade, como de um perfume, através da oração pura, da oração do coração, que é impossível de alcançar se nos entregarmos continuamente aos impulsos deste mundo. Assim, a nuvem da sua glória cobrirá a nossa alma e a luz da sua grandeza brilhará no nosso coração (cf 1Rs 8,10). Todos aqueles que permanecem na casa de Deus serão repletos de alegria e rejubilarão. Mas os insolentes e os ignóbeis desaparecerão sob o fogo do Espírito Santo.







terça-feira, 24 de outubro de 2017

padrecavalieri@uol.com.br


Quarta-feira, dia 25 de Outubro de 2017

Quarta-feira da 29ª semana do Tempo Comum

S. Crispim e S. Crispiniano, mártires, séc. III, Santo Antônio de Sant'Ana Galvão, religioso brasileiro, +1822

Comentário do dia
São João Crisóstomo : «Estai [...] preparados»

Romanos 6,12-18.

Irmãos: Não reine o pecado no vosso corpo mortal, obedecendo aos seus desejos.
Não ofereçais os vossos membros como arma da injustiça ao serviço do pecado; mas oferecei-vos a Deus, como homens que revivem de entre os mortos, e oferecei os vossos membros como armas da justiça ao serviço de Deus.
E o pecado não vos dominará, porque não estais sob o regime da Lei, mas sob o regime da graça.
Como, então? Havemos de pecar, porque não estamos sob o regime da Lei, mas sob o regime da graça? De modo nenhum.
Não sabeis que, se vos ofereceis como escravos a alguém, para lhe obedecerdes, vos tornais escravos daquele a quem obedeceis, quer seja do pecado, que leva à morte, quer da obediência, que vos leva à justiça?
Mas dêmos graças a Deus, porque, se éreis escravos do pecado, agora vos submetestes de todo o coração à norma de doutrina que vos foi transmitida.
E assim, libertos do pecado, vos tornastes servos da justiça.


Lucas 12,39-48.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Compreendei isto: se o dono da casa soubesse a que hora viria o ladrão, não o deixaria arrombar a sua casa.
Estai vós também preparados, porque na hora em que não pensais virá o Filho do homem».
Disse Pedro a Jesus: «Senhor, é para nós que dizes esta parábola, ou também para todos os outros?».
O Senhor respondeu: «Quem é o administrador fiel e prudente que o senhor estabelecerá à frente da sua casa, para dar devidamente a cada um a sua ração de trigo?
Feliz o servo a quem o senhor, ao chegar, encontrar assim ocupado.
Em verdade vos digo que o porá à frente de todos os seus bens.
Mas se aquele servo disser consigo mesmo: 'O meu senhor tarda em vir'; e começar a bater em servos e servas, a comer, a beber e a embriagar-se,
o senhor daquele servo chegará no dia em que menos espera e a horas que ele não sabe; ele o expulsará e fará que tenha a sorte dos infiéis.
O servo que, conhecendo a vontade do seu senhor, não se preparou ou não cumpriu a sua vontade, levará muitas vergastadas.
Aquele, porém, que, sem a conhecer, tenha feito ações que mereçam vergastadas, levará apenas algumas. A quem muito foi dado, muito será exigido; a quem muito foi confiado, mais se lhe pedirá».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja
Homilia 77 sobre S. Mateus

«Estai [...] preparados»

«Na hora em que não pensais virá o Filho do homem». Jesus diz-lhes isto para que os discípulos fiquem vigilantes, para que estejam sempre preparados. Se lhes diz que virá quando menos O esperam, é porque quer levá-los a praticar a virtude com zelo e sem descanso. É como se lhes dissesse: «Se as pessoas soubessem quando vão morrer, estariam perfeitamente preparadas para esse dia». Mas o momento final da nossa vida é um segredo que escapa a cada homem.

É por isso que o Senhor exige duas qualidades ao seu servo: que seja fiel, para que não atribua a si mesmo nada do que pertence ao seu Mestre, e que seja avisado, para administrar convenientemente tudo o que lhe foi confiado. São-nos pois necessárias estas duas qualidades para estarmos preparados para a chegada do Mestre. [...] Porque, como não sabemos qual é o dia do nosso encontro com Ele, dizemos para connosco: «O meu Senhor tarda em vir». O servo fiel e avisado não tem tal pensamento. Ó infeliz, que pensas que o teu Mestre se demora: imaginas que, por isso, Ele não virá? A sua vinda é certa. Porque não estás vigilante à sua espera? Não, o Senhor não está demorado: esse atraso só existe na imaginação do mau servo.







segunda-feira, 23 de outubro de 2017

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Terça-feira, dia 24 de Outubro de 2017

Terça-feira da 29 semana do Tempo Comum

Santo António Maria Claret, bispo, fundador, +1870

Comentário do dia
Isaac o Sírio : «Tende [...] as lâmpadas acesas.»

Romanos 5,12.15b.17-19.20b-21.

Irmãos: Assim como por um só homem entrou o pecado no mundo e pelo pecado a morte, assim também a morte atingiu todos os homens, porque todos pecaram.
Se pelo pecado de um só pereceram todos, com muito mais razão a graça de Deus, dom contido na graça de um só homem, Jesus Cristo, se concedeu com abundância a todos os homens.
Se a morte reinou pelo pecado de um só homem, com muito mais razão, aqueles que recebem com abundância a graça e o dom da justiça reinarão na vida por meio de um só, Jesus Cristo.
Porque, assim como, pelo pecado de um só, veio para todos os homens a condenação, assim também, pela obra de justiça de um só, virá para todos a justificação, que dá a vida.
De facto, como pela desobediência de um só homem, todos se tornaram pecadores, assim também, pela obediência de um só, todos se tornarão justos.
Onde abundou o pecado superabundou a graça,
para que, assim como o pecado reinou pela morte, também a graça reine pela justiça, para nos dar a vida eterna, por Jesus Cristo, nosso Senhor.


Lucas 12,35-38.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Tende os rins cingidos e as lâmpadas acesas.
Sede como homens que esperam o seu senhor voltar do casamento, para lhe abrirem logo a porta, quando chegar e bater.
Felizes esses servos, que o senhor, ao chegar, encontrar vigilantes. Em verdade vos digo: cingir-se-á e mandará que se sentem à mesa e, passando diante deles, os servirá.
Se vier à meia-noite ou de madrugada felizes serão se assim os encontrar».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Isaac o Sírio (século VII), monge perto de Mossul
Discursos ascéticos

«Tende [...] as lâmpadas acesas.»

A oração que se faz durante a noite tem um grande poder, mais do que a que se faz durante o dia. Foi por isso que todos os santos tiveram o hábito de rezar de noite, combatendo a moleza do corpo e a suavidade do sono, e ultrapassando a sua própria natureza corporal. Também o profeta dizia: «Estou cansado de tanto gemer; todas as noites banho o leito com as minhas lágrimas» (Sl 6,7), enquanto suspirava no fundo de si mesmo, numa oração apaixonada. E noutro passo: «Levanto-me a meio da noite para Te louvar por causa das tuas sentenças, Tu que és o Justo» (Sl 118,62). Sempre que queriam dirigir a Deus algum pedido, os santos recorriam à oração noturna e imediatamente recebiam o que pediam.

O próprio Satanás receia intensamente a oração que se faz durante as vigílias: mesmo que seja acompanhada de distrações, esta oração não fica sem fruto, a menos que se peça o que não convém. É por isso que ele trava sérios combates contra os que velam, a fim de os afastar dessa prática, sobretudo se se mostram perseverantes. Mas os que se fortaleceram um pouco que seja contra as suas manhas perniciosas, saborearam os dons que Deus concede durante as vigílias e experimentaram pessoalmente a grandeza da ajuda que Deus lhes dá desprezam-no completamente, a ele e a todos os seus estratagemas.







domingo, 22 de outubro de 2017

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Segunda-feira, dia 23 de Outubro de 2017

Segunda-feira da 29ª semana do Tempo Comum

S. João de Capistrano, religioso, +1456

Comentário do dia
Concílio Vaticano II: Amontoar para si ou ser rico em relação a Deus?

Romanos 4,20-25.

Irmãos: Perante a promessa de Deus, Abraão não se deixou abalar pela desconfiança, antes se fortaleceu na fé, dando glória a Deus,
plenamente convencido de que Deus era capaz de cumprir o que tinha prometido.
Por este motivo é que isto «lhe foi atribuído como justiça».
Não é só por causa dele que está escrito «Isto foi-lhe atribuído»,
mas também por causa de nós, que acreditamos n'Aquele que ressuscitou dos mortos, Jesus, Nosso Senhor,
que foi entregue à morte por causa das nossas faltas e ressuscitou para nossa justificação.


Lucas 12,13-21.

Naquele tempo, alguém, do meio da multidão, disse a Jesus: «Mestre, diz a meu irmão que reparta a herança comigo».
Jesus respondeu-lhe: «Amigo, quem Me fez juiz ou árbitro das vossas partilhas?».
Depois disse aos presentes: «Vede bem, guardai-vos de toda a avareza: a vida de uma pessoa não depende da abundância dos seus bens».
E disse-lhes esta parábola: «O campo dum homem rico tinha produzido excelente colheita.
Ele pensou consigo: 'Que hei de fazer, pois não tenho onde guardar a minha colheita?
Vou fazer assim: Deitarei abaixo os meus celeiros para construir outros maiores, onde guardarei todo o meu trigo e os meus bens.
Então poderei dizer a mim mesmo: Minha alma, tens muitos bens em depósito para longos anos. Descansa, come, bebe, regala-te'.
Mas Deus respondeu-lhe: 'Insensato! Esta noite terás de entregar a tua alma. O que preparaste, para quem será?'
Assim acontece a quem acumula para si, em vez de se tornar rico aos olhos de Deus».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Concílio Vaticano II
Constituição sobre a Igreja no mundo atual, «Gaudium et spes», §§ 88-90

Amontoar para si ou ser rico em relação a Deus?

Os cristãos cooperem de bom grado e de todo o coração na construção da ordem internacional, com verdadeiro respeito pelas liberdades legítimas e na amigável fraternidade de todos; e tanto mais quanto é verdade que a maior parte do mundo ainda sofre tantas necessidades, de maneira que, nos pobres, o próprio Cristo como que apela em alta voz para a caridade dos seus discípulos. Não se dê aos homens o escândalo de haver algumas nações, geralmente de maioria cristã, na abundância, enquanto outras não têm sequer o necessário para viver e são atormentadas pela fome, pela doença e por toda a espécie de misérias. Pois o espírito de pobreza e de caridade é a glória e o testemunho da Igreja de Cristo. São, por isso, de louvar e devem ser ajudados os cristãos, sobretudo jovens, que se oferecem espontaneamente para ir em ajuda dos outros homens e povos. [...]

É, portanto, absolutamente necessário que a Igreja esteja presente na comunidade das nações, para fomentar e estimular a cooperação entre os homens; tanto por meio das suas instituições públicas, como graças à inteira e sincera colaboração de todos os cristãos. [...] Dedique-se especial cuidado em formar neste ponto a juventude, tanto na educação religiosa como na cívica.

Finalmente, é de desejar que os católicos, para bem cumprirem a sua missão na comunidade internacional, procurem cooperar ativa e positivamente, quer com os irmãos separados que com eles professam a caridade evangélica, quer com todos os homens que anelam verdadeiramente pela paz.







sábado, 21 de outubro de 2017

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Domingo, dia 22 de Outubro de 2017

29º Domingo do Tempo Comum
XXIX Domingo Comum (semana I do saltério)

S. João Paulo II, Papa, +2005, S. Martinho de Dume, bispo, +579, Beata Josefina Leroux e companheiras, mártires, séc. XVIII

Comentário do dia
São Lourenço de Brindisi : Ser realmente uma imagem de Deus

Is. 45,1.4-6.

Assim fala o Senhor a Ciro, seu ungido, a quem tomou pela mão direita, para subjugar diante dele as nações e fazer cair as armas da cintura dos reis, para abrir as portas à sua frente, sem que nenhuma lhe seja fechada:
«Por causa de Jacob, meu servo, e de Israel, meu eleito, Eu te chamei pelo teu nome e te dei um título glorioso, quando ainda não Me conhecias.
Eu sou o Senhor e não há outro; fora de Mim não há Deus. Eu te cingi, quando ainda não Me conhecias,
para que se saiba, do Oriente ao Ocidente, que fora de Mim não há outro. Eu sou o Senhor e mais ninguém».


1 Tess. 1,1-5b.

Paulo, Silvano e Timóteo à Igreja dos Tessalonicenses, que está em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo: A graça e a paz estejam convosco.
Damos continuamente graças a Deus por todos vós, ao fazermos menção de vós nas nossas orações.
Recordamos a atividade da vossa fé, o esforço da vossa caridade e a firmeza da vossa esperança em Nosso Senhor Jesus Cristo, na presença de Deus, nosso Pai.
Nós sabemos, irmãos amados por Deus, como fostes escolhidos.
O nosso Evangelho não vos foi pregado somente com palavras, mas também com obras poderosas, com a ação do Espírito Santo.


Mateus 22,15-21.

Naquele tempo, os fariseus reuniram-se para deliberar sobre a maneira de surpreender Jesus no que dissesse.
Enviaram-Lhe alguns dos seus discípulos, juntamente com os herodianos, e disseram-Lhe: «Mestre, sabemos que és sincero e que ensinas, segundo a verdade, o caminho de Deus, sem Te deixares influenciar por ninguém, pois não fazes aceção de pessoas.
Diz-nos o teu parecer: É lícito ou não pagar tributo a César?».
Jesus, conhecendo a sua malícia, respondeu: «Porque Me tentais, hipócritas?
Mostrai-Me a moeda do tributo». Eles apresentaram-Lhe um denário,
e Jesus perguntou: «De quem é esta imagem e esta inscrição?».
Eles responderam: «De César». Disse-lhes Jesus: «Então, dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

São Lourenço de Brindisi (1559-1619), capuchinho, doutor da Igreja
Sermão para o 22º Domingo depois de Pentecostes

Ser realmente uma imagem de Deus

«Então, dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus». É preciso dar a cada um o que lhe pertence. Eis uma palavra verdadeiramente cheia de sabedoria e de ciência celestial. Porque nos ensina que há duas espécies de poder: um humano e terreno, outro divino e celeste. [...] Ensina-nos que devemos estar sujeitos a uma dupla obediência: às leis dos homens e às leis divinas. [...] Temos de pagar a César a moeda que tem a efígie e a inscrição de César, e a Deus o que recebeu o sinete da imagem e semelhança divinas: «Resplandeça sobre nós, Senhor, a luz da tua face!» A luz da tua face deixou em nós a tua marca, Senhor (Sl 4,7).

Fomos criados à imagem e semelhança de Deus (cf Gn 1,26). Tu és homem, ó cristão. És, portanto, moeda do tesouro divino, uma moeda que tem a efígie e a inscrição do Imperador divino. Assim, pergunto com Cristo: «De quem é esta imagem e esta inscrição?» Tu respondes: «De Deus». E eu digo-te: «Então porque não dás a Deus o que é de Deus?»

Se queremos realmente ser imagem de Deus, devemos assemelhar-nos a Cristo, pois Ele é a imagem da bondade de Deus e «imagem fiel da sua substância» (Heb 1,3). E Deus, «àqueles que Ele de antemão conheceu, também os predestinou para serem uma imagem idêntica à do seu Filho» (Rom 8,29). Cristo deu verdadeiramente a César o que era de César e a Deus o que era de Deus. Ele observou da maneira mais perfeita os preceitos contidos nas duas tábuas da lei divina, «tornando-Se obediente até à morte e morte de cruz» (Fil 2,8), e por isso foi elevado ao mais alto grau de todas as virtudes visíveis e invisíveis.







sexta-feira, 20 de outubro de 2017

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Sabado, dia 21 de Outubro de 2017

Sábado da 28ª semana do Tempo Comum

Santa Úrsula e companheiras, virgens, mártires, séc. IV, Beato Carlos de Áustria, imperador, +1922

Comentário do dia
Actas do martírio dos Santos Carpo: «A todo aquele que Me tiver reconhecido diante dos homens também o Filho do homem o reconhecerá»

Romanos 4,13.16-18.

Irmãos: Não foi por meio da Lei, mas pela justiça da fé, que se fez a Abraão ou à sua descendência a promessa de que receberia o mundo como herança.
Portanto a herança vem pela fé, para que seja dom gratuito de Deus e a promessa seja válida para toda a descendência, não só para a descendência segundo a Lei, mas também para a descendência segundo a fé de Abraão. Ele é o pai de todos nós,
como está escrito: «Fiz de ti o pai de muitos povos». Ele é o nosso pai diante d'Aquele em quem acreditou, o Deus que dá vida aos mortos e chama à existência o que não existe.
Esperando contra toda a esperança, Abraão acreditou, tornando-se pai de muitos povos, como lhe tinha sido dito: «Assim será a tua descendência».


Lucas 12,8-12.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «A todo aquele que Me tiver reconhecido diante dos homens também o Filho do homem o reconhecerá diante dos Anjos de Deus.
Mas quem Me tiver negado diante dos homens será negado diante dos Anjos de Deus.
E todo aquele que disser uma palavra contra o Filho do homem será perdoado; mas quem tiver blasfemado contra o Espírito Santo não será perdoado.
Quando vos levarem às sinagogas, aos magistrados e às autoridades, não vos preocupeis com o que haveis de responder nem com o que haveis de dizer em vossa defesa.
O Espírito Santo vos ensinará naquela hora o que haveis de dizer».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Actas do martírio dos Santos Carpo, Pailo e Agatónica (século III)
Ichtus, vol. 2

«A todo aquele que Me tiver reconhecido diante dos homens também o Filho do homem o reconhecerá»

Martírio de Carpo

No tempo do imperador Décio, Óptimus era procônsul em Pérgamo; o bem-aventurado Carpo, bispo de Gados, e o diácono Papilo de Tiatira, ambos confessores de Cristo, compareceram diante dele. O procônsul disse a Carpo:
- Qual é o teu nome?
- O meu primeiro nome, o mais belo, é Cristão. O meu nome no mundo é Carpo.
- Conheces os éditos de César que vos obrigam a sacrificar aos deuses, senhores do mundo, não é verdade? Ordeno-te que te aproximes e que ofereças um sacrifício.
- Eu sou cristão. Adoro Cristo, filho de Deus, que veio à terra nos últimos tempos para nos salvar e nos livrar das armadilhas do demónio. Não vou por isso sacrificar a esses ídolos.
- Sacrifica aos deuses, como ordena o imperador.
- Morram os deuses que não criaram o céu nem a terra.
- Sacrifica, como quer o imperador.
- Os vivos não sacrificam aos mortos.        
- Então tu crês que os deuses estão mortos?
- Certamente. Não vês que eles se assemelham a homens, mas estão imóveis? Deixa de os cobrir de honras; como eles não se mexem, os cães e os corvos virão cobri-los de esterco.
- Basta sacrificares. Tem piedade de ti mesmo!
- É mesmo por isso que eu escolho a melhor parte.
A estas palavras, o procônsul mandou que o suspendessem e lhe rasgassem o corpo com unhas de ferro.

Martírio de Papilo

Então o procônsul voltou-se para Papilo, para o interrogar:
- Tu és da classe dos notáveis?
- Não.
- Então quem és?
- Sou um cidadão.
- Tens filhos?
- Muitos, graças a Deus.
Uma voz de entre a multidão gritou:
- É aos cristãos que ele chama filhos!
- Porque me estás a mentir, dizendo que tens filhos?
- Repara que eu não minto, mas falo verdade: em todas as cidades da província, tenho filhos, que me foram dados por Deus.
- Oferece um sacrifício ou então explica-te.
- Desde a minha juventude que sirvo a Deus e nunca sacrifiquei aos ídolos; ofereço-me a mim mesmo em sacrifício ao Deus vivo e verdadeiro, que tem poder sobre todas as criaturas. E agora acabei, não tenho nada a acrescentar.
Amarraram-no também ao cavalete, onde foi rasgado com unhas de ferro. Três equipas de carrascos se sucederam sem que escapasse uma só queixa a Papilo. Qual valoroso atleta, sofria em profundo silêncio a fúria dos seus inimigos. O procônsul condenou os dois a serem queimados vivos. No anfiteatro, os espetadores mais próximos viram que Carpo sorria. Surpreendidos, perguntaram-lhe:
- Porque sorris?
O bem-aventurado Carpo respondeu:
- Vi a glória do Senhor e rejubilo. Eis-me liberto; não conhecerei mais as vossas misérias.

Martírio de Agatónica

Uma mulher que assistia ao martírio, Agatónica, viu a glória do Senhor que Carpo dizia ter contemplado. Compreendeu que era um sinal do céu e imediatamente exclamou:
- Esse festim também está preparado para mim. [...] Sou cristã. Nunca sacrifiquei aos demónios, mas somente a Deus. De boa vontade, se for digna disso, seguirei as pisadas dos meus mestres, os santos. É esse o meu maior desejo.
O procônsul disse-lhe:
- Sacrifica e não me obrigues a condenar-te ao mesmo suplício.
- Faz o que te parecer melhor. Eu vim para sofrer em nome de Cristo. Estou pronta.
Chegada ao lugar do suplício, Agatónica tirou as vestes e, alegre, subiu ao patíbulo. Os espetadores, tocados pela sua beleza, lamentavam-na:
- Que julgamento iníquo e que decretos injustos!
Quando ela sentiu as chamas tocarem o seu corpo, gritou três vezes:
- Senhor, Senhor, Senhor, vem em meu auxílio. É a Ti que recorro.
Foram as suas últimas palavras.







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- Juventude Nova é um estilo de vida. Um novo jeito de ser. - Ser JN significa assumir e testemunhar uma vida nova, renovada por Jesus Cristo.