sábado, 13 de setembro de 2014

Evangelho do Dia


Domingo, dia 14 de Setembro de 2014



Comentário do dia
Santa Teresa Benedita da Cruz [Edith Stein] : «Para que o mundo seja salvo por Ele»

Núm. 21,9b-14.

Moisés fez, pois, uma serpente de bronze e fixou-a sobre um poste. Quando alguém era mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, vivia.
Os filhos de Israel partiram e acamparam em Obot.
Partiram de Obot e acamparam em Ié-Abarim, no deserto que se encontra em frente de Moab, a oriente.
Partiram dali e acamparam no vale de Zéred.
Partiram dali e acamparam além do Arnon, que sai do território dos amorreus e atravessa o deserto; na verdade, o Arnon é a fronteira de Moab, entre Moab e os amorreus.
Por isso, se diz no "Livro das Guerras do Senhor": «Vaeb em Sufá e as suas torrentes,


Salmos 78(77),1-2.34-38.

Escuta, meu povo, os meus ensinamentos;
presta atenção às minhas palavras.  
Vou abrir a minha boca em parábolas
e revelar os enigmas de outros tempos.  

Quando os castigava, eles procuravam-nO,
convertiam-se e voltavam se para Deus.  
Recordavam-se então que Deus era o seu protector,
que o Altíssimo era o seu libertador.  

Mas logo O enganavam com a boca
e lhe mentiam com a língua.
Os seus corações não eram leais com Ele,
nem fiéis à sua aliança.  

Mas Deus, que é misericordioso, perdoava-lhes os pecados
e não os destruía.
Muitas vezes conteve a sua cólera
e não executava toda a sua ira.




Filip. 2,6-11.

Cristo Jesus, que é de condição divina, não considerou como uma usurpação ser igual a Deus;
no entanto, esvaziou-se a si mesmo, tomando a condição de servo. Tornando-se semelhante aos homens e sendo, ao manifestar-se, identificado como homem,
rebaixou-se a si mesmo, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.
Por isso mesmo é que Deus o elevou acima de tudo e lhe concedeu o nome que está acima de todo o nome,
para que, ao nome de Jesus, se dobrem todos os joelhos, os dos seres que estão no céu, na terra e debaixo da terra;
e toda a língua proclame: "Jesus Cristo é o Senhor!", para glória de Deus Pai.


João 3,13-17.

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: «Ninguém subiu ao Céu a não ser aquele que desceu do Céu, o Filho do Homem.
Assim como Moisés ergueu a serpente no deserto, assim também é necessário que o Filho do Homem seja erguido ao alto,
a fim de que todo o que nele crê tenha a vida eterna.
Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unigénito, a fim de que todo o que nele crê não se perca, mas tenha a vida eterna.
De facto, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele.



Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário do dia:

Santa Teresa Benedita da Cruz [Edith Stein] (1891-1942), carmelita, mártir, co-padroeira da Europa
Poema «Signum Crucis», 16/11/1937

«Para que o mundo seja salvo por Ele»

[…] Tendo-Se feito homem por amor aos homens,

Ofereceu a plenitude da sua vida humana

às almas que escolheu.

Ele, que formou cada coração humano,

Quer um dia manifestar

O sentido secreto do ser de cada um

Por um novo nome que só aquele que o recebe compreende (Ap 2,17).

Uniu-Se a cada um dos eleitos

De maneira misteriosa e única.

Tirando-a da plenitude da sua vida humana,

Ofereceu-nos

A Cruz.


O que é a cruz?

O sinal do máximo opróbrio.

Aquele que entra em contacto com ela

é rejeitado de entre homens.

Aqueles que um dia O aclamaram

Afastam-se dele com terror e já não O conhecem.

Foi abandonado sem defesa aos seus inimigos.

Na terra nada mais Lhe resta

Além do sofrimento, dos tormentos e da morte.


O que é a cruz ?

O sinal que indica o céu.

Muito acima da poeira e das brumas desta Terra,

Ela eleva-se ao alto, até à luz pura.

Abandona portanto o que os homens podem possuir,

Abre as mãos, cinge-te contra a cruz:

Ela levar-te-á, então,

Até à luz eterna.


Ergue os olhos para a cruz:

Ela estende as suas traves

Qual homem que abre os braços

Para acolher o mundo inteiro.

Vinde todos, vós que tomais sobre vós o meu jugo (Mt 11,28)

E vós também, que apenas podeis gritar com Ele na cruz.

Ela é a imagem do Deus que, crucificado, se torna lívido.

Ela eleva-se da terra até ao céu,

Como Aquele que subiu ao céu

E queria para aí levar-nos a todos juntamente consigo.


Abraça simplesmente a cruz, e possui-Lo-ás,

Ele, o Caminho, a Verdade, a Vida (Jo 14,6).

Se carregares a tua cruz, será ela a carregar-te,

Nela terás a beatitude.







sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Evangelho do Dia


Sabado, dia 13 de Setembro de 2014

Sábado da 23ª semana do Tempo Comum

S. João Crisóstomo, bispo, Doutor da Igreja, +407

Comentário do dia
São Patrício : Alicerçado sobre a rocha

1 Cor. 10,14-22.

Irmãos: Fugi da idolatria.
Falo-vos como a pessoas sensatas; julgai vós mesmos o que digo.
O cálice de bênção, que abençoamos, não é comunhão com o sangue de Cristo? O pão que partimos não é comunhão com o corpo de Cristo?
Uma vez que há um único pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, porque todos participamos desse único pão.
Vede o Israel segundo a carne: os que comem as vítimas não estão em comunhão com o altar?
Que vos hei-de dizer, pois? Que a carne imolada aos ídolos tem algum valor, ou que o próprio ídolo é alguma coisa?
Não! Mas aquilo que os pagãos sacrificam, sacrificam-no aos demónios e não a Deus. E eu não quero que estejais em comunhão com os demónios.
Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demónios; não podeis participar da mesa do Senhor e da mesa dos demónios.
Ou queremos provocar a ira do Senhor? Acaso somos mais fortes do que Ele?


Salmos 116(115),12-13.17-18.

Como retribuirei ao Senhor
todos os seus benefícios para comigo? 
Elevarei o cálice da salvação,
invocando o nome do Senhor. 

Oferecer-vos-ei um sacrifício de louvor,
invocando, Senhor, o vosso nome.
Cumprirei com as minhas promessas ao senhor,
na presença de todo o seu povo




Lucas 6,43-49.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Não há árvore boa que dê mau fruto, nem árvore má que dê bom fruto.
Cada árvore conhece-se pelo seu fruto; não se colhem figos dos espinhos, nem uvas dos abrolhos.
O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o que é bom; e o mau, do mau tesouro tira o que é mau; pois a boca fala da abundância do coração.»
«Porque me chamais 'Senhor, Senhor', e não fazeis o que Eu digo?
Vou mostrar-vos a quem é semelhante todo aquele que vem ter comigo, escuta as minhas palavras e as põe em prática.
É semelhante a um homem que edificou uma casa: cavou, aprofundou e assentou os alicerces sobre a rocha. Sobreveio uma inundação, a torrente arremessou-se com violência contra aquela casa mas não a abalou, por ter sido bem edificada.
Mas aquele que ouve as minhas palavras e não as pratica é semelhante a um homem que edificou uma casa sobre a terra, sem alicerces. A torrente arremessou-se contra ela, e a casa imediatamente se desmoronou. E foi grande a sua ruína!»



Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário do dia:

São Patrício (c. 385-c. 461), monge missionário, bispo
Lorica: «A couraça» (cf Ef 6,14)

Alicerçado sobre a rocha

Cinjo-me hoje com a força poderosa da invocação da Trindade, da fé em Deus uno e trino, Criador do Universo.


Cinjo-me hoje com o poder da encarnação de Cristo e do seu baptismo, com o poder da sua crucificação e da sua descida ao túmulo, com o poder da sua ressurreição e da sua ascensão, com o poder da sua vinda no dia do Juízo Final.


Cinjo-me hoje com a força do amor dos serafins, a obediência dos anjos, o serviço dos arcanjos, a esperança da ressurreição com vista à recompensa, as orações dos patriarcas, as profecias dos profetas, a pregação dos apóstolos, a fidelidade dos confessores, a inocência das virgens santas, as acções de todos os justos.


Cinjo-me hoje com o poder do céu, a luz do sol, a claridade da lua, o esplendor do fogo, o brilho do relâmpago, a rapidez do vento, as profundezas do mar, a estabilidade da terra, a solidez das pedras.


Cinjo-me hoje com a força de Deus para me guiar, o poder de Deus para me amparar, a sabedoria de Deus para me instruir, o olhar de Deus para zelar por mim, o ouvido de Deus para me escutar, a palavra de Deus para falar comigo, a mão de Deus para me guardar, o caminho de Deus para eu trilhar, o escudo de Deus para me proteger, os exércitos de Deus para me salvarem das ciladas dos demónios, das tentações dos vícios, das fraquezas da natureza e de todos aqueles que me querem mal. […]


Cristo comigo, Cristo à minha frente, Cristo atrás de mim, Cristo em mim, Cristo abaixo de mim, Cristo sobre mim, Cristo à minha direita, Cristo à minha esquerda, Cristo quando me levanto, Cristo quando me deito, Cristo no coração de quem pensa em mim, Cristo na boca de quem fala de mim, Cristo nos olhos de quem me olha, Cristo nos ouvidos de quem me ouve.


Cinjo-me hoje com a força poderosa da invocação da Trindade, da fé em Deus uno e trino, Criador do Universo.







quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Evangelho do Dia


Sexta-feira, dia 12 de Setembro de 2014

Sexta-feira da 23ª semana do Tempo Comum
Santíssimo Nome de Maria

S. Guido de Anderlecht, peregrino, +1012, Beata Maria Vitória Fornari, viúva, religiosa, fundadora, +1617

Comentário do dia
Santo Efrém : "Então verás"

1 Cor. 9,16-19.22b-27.

Irmãos: Anunciar o Evangelho, não é para mim motivo de glória, é antes uma obrigação que me foi imposta: ai de mim, se eu não evangelizar!
Se o fizesse por iniciativa própria, mereceria recompensa; mas, não sendo de maneira espontânea, é um encargo que me está confiado.
Qual é, portanto, a minha recompensa? É que, pregando o Evangelho, eu faço-o gratuitamente, sem me fazer valer dos direitos que o seu anúncio me confere.
De facto, embora livre em relação a todos, fiz-me servo de todos, para ganhar o maior número.
Fiz-me fraco com os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para salvar alguns a qualquer custo.
E tudo faço por causa do Evangelho, para dele me tornar participante.
Não sabeis que os que correm no estádio correm todos, mas só um ganha o prémio? Correi, pois, assim, para o alcançardes.
Os atletas impõem a si mesmos toda a espécie de privações: eles, para ganhar uma coroa corruptível; nós, porém, para ganhar uma coroa incorruptível.
Assim, também eu corro, mas não às cegas; dou golpes, mas não no ar.
Castigo o meu corpo e mantenho-o submisso, para que não aconteça que, tendo pregado aos outros, venha eu próprio a ser eliminado.


Salmos 84(83),3.4.5-6.12.

A minha alma suspira
pelos átrios do Senhor;
o meu coração e a minha carne
cantam de alegria ao Deus vivo!

Até as aves do céu encontram abrigo
e as andorinhas um ninho para os seus filhos,
junto dos vossos altares, Senhor dos Exércitos,
meu rei e meu Deus.

Felizes os que moram em tua casa:
podem louvar-te continuamente.
Felizes os que em ti encontram a sua força,
os que trazem no coração os caminhos do santuário.

Porque o Senhor é sol e é escudo;
Ele concede a graça e a glória;
o Senhor não recusa os seus favores
aos que vivem com rectidão.




Lucas 6,39-42.

Naquele tempo, disse Jesus aos discípulos ainda esta parábola: «Um cego pode guiar outro cego? Não cairão os dois nalguma cova?
Não está o discípulo acima do mestre, mas o discípulo bem formado será como o mestre.
Porque reparas no argueiro que está na vista do teu irmão, e não reparas na trave que está na tua própria vista?
Como podes dizer ao teu irmão: 'Irmão, deixa-me tirar o argueiro da tua vista', tu que não vês a trave que está na tua? Hipócrita, tira primeiro a trave da tua vista e, então, verás para tirar o argueiro da vista do teu irmão.»



Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário do dia:

Santo Efrém (c. 306-373), diácono da Síria, doutor da Igreja
Sermão 3, 2.4-5 (Breviário, 09/06)

"Então verás"

Fazei resplandecer, Senhor, o dia luminoso da vossa ciência e dissipai as trevas nocturnas da nossa alma, para que seja iluminada e Vos sirva renovada e pura. O nascer do sol assinala aos mortais o começo das suas labutas; adornai, Senhor, a morada da nossa alma, para que nela permaneça o esplendor daquele dia que não tem fim.

Fazei, Senhor, que cheguemos a contemplar em nós mesmos a vida da ressurreição, e que nada consiga apartar o nosso espírito das vossas alegrias. Imprimi, Senhor, em nossos corações o sinal daquele dia que não se rege pelo movimento do sol, infundindo-nos uma constante orientação para Vós.

Todos os dias Vos abraçamos nos sacramentos e Vos recebemos no nossos corpo; tornai-nos dignos de sentir em nós mesmos a ressurreição que esperamos. Com a graça do baptismo conservamos escondido no nosso corpo o tesouro que nos destes, esse tesouro que aumenta na mesa dos vossos sacramentos; fazei-nos viver sempre na alegria da vossa graça.

Nós Vos pedimos que, através daquela beleza espiritual que a vossa vontade imortal faz resplandecer mesmo nas criaturas mortais, nos leveis a compreender rectamente a beleza da nossa própria dignidade. […]

A vossa ressurreição, ó Jesus, faça crescer em nós o homem espiritual e os sinais dos vossos sacramentos no-lo revelem como num espelho, para o conhecermos cada vez melhor. […] Concedei, Senhor, que caminhemos velozmente para a nossa pátria celeste e, como Moisés no alto do monte, a possamos desde já contemplar através da Revelação.







quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Evangelho do Dia


Quinta-feira, dia 11 de Setembro de 2014

Quinta-feira da 23ª semana do Tempo Comum

São João Gabriel Perboyre, presbítero, mártir, +1840

Comentário do dia
Jean Tauler : «Uma boa medida, cheia, recalcada, transbordante»

1 Cor. 8,1b-7.11-13.

Irmãos: A ciência incha, mas a caridade edifica.
Se alguém pensa que sabe alguma coisa, ainda não sabe como deveria saber.
Mas se alguém ama a Deus, esse é conhecido por Deus.
Portanto, quanto ao consumo de carnes imoladas aos ídolos, sabemos que um ídolo não é nada no mundo, e que não há outro deus a não ser o Deus único.
Pois, embora haja pretensos deuses, quer no céu quer na terra – e há muitos deuses e muitos senhores –
para nós, contudo, um só é Deus, o Pai, de quem tudo procede e para quem nós somos, e um só é o Senhor Jesus Cristo, por meio do qual tudo existe e mediante o qual nós existimos.
Mas nem todos têm esta ciência. Alguns, acostumados até há pouco ao culto dos ídolos, comem a carne como se fosse um verdadeiro sacrifício aos ídolos, e a sua consciência, fraca como é, fica manchada.
E assim, pela tua ciência, vai perder-se quem é fraco, um irmão pelo qual Cristo morreu.
Pecando contra os próprios irmãos e ferindo a consciência deles que é débil, é contra Cristo que pecais.
Por isso, se um alimento for motivo de queda para o meu irmão, nunca mais voltarei a comer carne, para não causar a queda do meu irmão.


Salmos 139(138),1-3.13-14ab.23-24.

Senhor, tu conheces o íntimo do meu ser:
sabeis quando me sento e quando me levanto.
De longe penetrais o meu pensamento.
Vês-me quando caminho e quando descanso;

estás atento a todos os meus passos.
Tu modelaste as entranhas do meu ser
e formaste-me no seio de minha mãe.
Dou-te graças por tão espantosas maravilhas;

As vossas obras são admiráveis
Sondai-me, Senhor, e vede o meu coração,
observai a intimidade dos meus pensamentos.
Vede que não ande por mau caminho,

conduzi-me pelo caminho da eternidade.



Lucas 6,27-38.

Naquele tempo, Jesus falou aos seus discípulos, dizendo: «Digo-vos, porém, a vós que me escutais: Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam,
abençoai os que vos amaldiçoam, rezai pelos que vos caluniam.
A quem te bater numa das faces, oferece-lhe também a outra; e a quem te levar a capa, não impeças de levar também a túnica.
Dá a todo aquele que te pede e, a quem se apoderar do que é teu, não lho reclames.
O que quiserdes que os outros vos façam, fazei-lho vós também.
Se amais os que vos amam, que agradecimento mereceis? Os pecadores também amam aqueles que os amam.
Se fazeis bem aos que vos fazem bem, que agradecimento mereceis? Também os pecadores fazem o mesmo.
E, se emprestais àqueles de quem esperais receber, que agradecimento mereceis? Também os pecadores emprestam aos pecadores, a fim de receberem outro tanto.
Vós, porém, amai os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem nada esperar em troca. Então, a vossa recompensa será grande e sereis filhos do Altíssimo, porque Ele é bom até para os ingratos e os maus.
Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso.»
«Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados.
Dai e ser-vos-á dado: uma boa medida, cheia, recalcada, transbordante será lançada no vosso regaço. A medida que usardes com os outros será usada convosco.»



Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário do dia:

Jean Tauler (c. 1300-1361), dominicano de Estrasburgo
Sermão 39 para o 4º Domingo após a Solenidade da Santíssima Trindade

«Uma boa medida, cheia, recalcada, transbordante»

Nosso Senhor menciona quatro tipos de medidas que serão dadas ao homem: uma boa medida, uma medida cheia, uma medida recalcada e uma medida transbordante. […] Compreendei primeiro o que é a boa medida. Ela consiste no facto de o homem voltar a sua vontade para Deus, viver segundo os mandamentos de Deus e da santa Igreja […], na prática dos sacramentos e no arrependimento dos pecados, no amor a Deus e ao próximo. […] Eis uma vida verdadeiramente cristã […]; pode-se dizer que é o estritamente necessário. […] Quando o homem se inicia na vida espiritual, propõe-se boas práticas exteriores, tais como orações, prostrações, jejuns e outras formas particulares de devoção. Em seguida, é-lhe dada a medida cheia, a saber, um exercício interior, íntimo, pelo qual o homem emprega todo o seu zelo a procurar a Deus nas profundezas do seu coração, pois é aí que está o Reino de Deus (Lc 17,21). Meus filhos, esta vida é tão diferente da primeira como correr é diferente de estar sentado. […]


Vem em seguida a medida recalcada: é o amor que se difunde. Este amor atrai tudo a si: as boas obras, a vida, o sofrimento. Ele traz para o seu vaso todo o bem que se faz no mundo, quer seja feito pelos bons ou pelos maus […]; tudo está na caridade. […] O amor absorve todo o bem que há no céu, nos anjos e nos santos, nos sofrimentos dos mártires, e atrai para si tudo o que há de bom nas criaturas do céu e da terra, de que uma parte tão grande se perde, ou pelo menos parece perder-se; mas a caridade não a deixa perder. […]


Vem em seguida a medida transbordante. Esta medida está tão cheia, é tão abundante, tão generosa, que transborda por todos os lados. Nosso Senhor toca o vaso com um dedo e logo a plenitude dos dons sobe rapidamente, ultrapassando tudo o que o vaso havia recolhido em si e acima de si. […] Tudo se difunde e tudo se perde em Deus e se torna um com Ele. Deus ama-Se nesses homens, opera todas as suas obras neles. […] É assim que a medida dos corações transbordantes se difunde por toda a Igreja.







terça-feira, 9 de setembro de 2014

Evangelho do Dia


Quarta-feira, dia 10 de Setembro de 2014

Quarta-feira da 23ª semana do Tempo Comum

S. Nicolau Tolentino, presbítero, +1305

Comentário do dia
Beato Charles de Foucauld : «Felizes vós, que agora chorais»

1 Cor. 7,25-31.

Irmãos: A respeito de quem é solteiro, não tenho nenhum preceito do Senhor, mas dou um conselho, como homem que, pela misericórdia do Senhor, é digno de confiança.
Julgo, pois, que essa condição é boa, por causa das angústias presentes; sim, é bom para o homem continuar assim.
Estás comprometido com uma mulher? Não procures romper o vínculo. Não estás comprometido? Não procures mulher.
Todavia, se te casares, não pecas; e se uma virgem se casar, também não peca. Mas estes terão de suportar as tribulações corporais e eu quisera poupar-vos a elas.
Eis o que vos digo, irmãos: o tempo é breve. De agora em diante, os que têm mulher, vivam como se não a tivessem;
e os que choram, como se não chorassem; os que se alegram, como se não se alegrassem; os que compram, como se não possuíssem;
os que usam deste mundo, como se não o usufruíssem plenamente. Porque este mundo de aparências está a terminar.


Salmos 45(44),11-12.14-15.16-17.

Filha, escuta, vê e presta atenção;
esquece o teu povo e a casa do teu pai.
Porque o rei deixou se prender pela tua beleza;
Ele é agora o teu Senhor: presta-Lhe homenagem!

A filha do rei é toda formosura,
os seus vestidos são de brocados de ouro.  
Em vestes de muitas cores é apresentada ao rei;
as donzelas, suas amigas, seguem na em cortejo.  

Avançam com alegria e júbilo
e entram felizes no palácio real.  
No lugar de teus pais, estarão os teus filhos;
farás deles príncipes sobre toda a terra.




Lucas 6,20-26.

Naquele tempo, Jesus erguendo os olhos para os discípulos, pôs-se a dizer: «Felizes vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus.
Felizes vós, os que agora tendes fome, porque sereis saciados. Felizes vós, os que agora chorais, porque haveis de rir.
Felizes sereis, quando os homens vos odiarem, quando vos expulsarem, vos insultarem e rejeitarem o vosso nome como infame, por causa do Filho do Homem.
Alegrai-vos e exultai nesse dia, pois a vossa recompensa será grande no Céu. Era precisamente assim que os pais deles tratavam os profetas».
«Mas ai de vós, os ricos, porque recebestes a vossa consolação!
Ai de vós, os que estais agora fartos, porque haveis de ter fome! Ai de vós, os que agora rides, porque gemereis e chorareis!
Ai de vós, quando todos disserem bem de vós! Era precisamente assim que os pais deles tratavam os falsos profetas».



Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário do dia:

Beato Charles de Foucauld (1858-1916), eremita e missionário no Saara
Meditações sobre as passagens dos santos evangelhos relativos às quinze virtudes, Nazaré, 1897-98; n°15

«Felizes vós, que agora chorais»

Tenhamos esperança, tenhamos esperança, todos nós que choramos, que derramamos lágrimas inocentes; tenhamos esperança se chorarmos as dores do nosso corpo ou da nossa alma: elas servem-nos de purgatório, Deus serve-Se delas para […] nos fazer elevar os olhos para Ele, para nos purificar e nos santificar.


Tenhamos ainda mais esperança se chorarmos as dores dos outros, pois essa caridade é-nos inspirada por Deus e agrada-Lhe; tenhamos ainda mais esperança se chorarmos os nossos pecados, pois essa compunção é-nos colocada na alma pelo próprio Deus. E tenhamos ainda mais esperança se chorarmos com o coração puro pelos pecados dos outros, pois esse amor da glória de Deus e da santificação das almas são-nos inspirados por Deus e são grandes graças.


Tenhamos esperança se chorarmos com o desejo de ver a Deus e com a dor por estarmos separados dele; pois esse desejo amoroso é obra de Deus em nós. Tenhamos ainda mais esperança se chorarmos simplesmente porque amamos, sem nada desejar nem temer, querendo plenamente tudo o que Deus quer e querendo apenas isso, felizes com a sua glória, sofrendo com os seus sofrimentos passados, chorando, ora de compaixão à lembrança da sua Paixão, ora de alegria ao pensar na sua Ascensão e na sua glória, ora simplesmente com a emoção de morrermos de amor por Ele!


Ó dulcíssimo Jesus, fazei-me chorar por todas estas razões; fazei-me chorar todas as lágrimas que o amor faz derramar em Vós, por Vós e para Vós. Ámen.







segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Evangelho do Dia


Terça-feira, dia 09 de Setembro de 2014

Terça-feira da 23ª semana do Tempo Comum

Beato Frederico Ozanam, leigo, +1853, S. Pedro Claver, presbítero, +1654

Comentário do dia
Santo Agostinho : «Passou a noite a orar a Deus»

1 Cor. 6,1-11.

Irmãos: Quando algum de vós entra em litígio com outro, como é que se atreve a submetê-lo ao juízo dos injustos e não ao dos santos?
Ou não sabeis que os santos é que hão-de julgar o mundo? E, se é por vós que o mundo há-de ser julgado, sereis indignos de julgar questões menores?
Não sabeis que havemos de julgar os anjos? Quanto mais, as pequenas coisas da vida!
Quando, pois, tendes questões menores, porque escolheis como juízes aqueles que a Igreja menospreza?
Digo isto para vossa vergonha. Não haverá, entre vós, ninguém suficientemente sábio para poder julgar entre irmãos?
No entanto, um irmão processa o seu irmão, e isto diante dos não crentes!
Ora, a existência de questões entre vós é já um sinal de inferioridade. Porque não preferis, antes, sofrer uma injustiça? Porque não preferis ser prejudicados?
Mas, pelo contrário, sois vós que cometeis injustiças e causais danos, e isto contra os próprios irmãos!
Ou não sabeis que os injustos não herdarão o Reino de Deus? Não vos iludais: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os pedófilos,
nem os ladrões, nem os avarentos, nem os beberrões, nem os caluniadores, nem os salteadores herdarão o Reino de Deus.
E alguns de vós eram assim. Mas vós cuidastes de vos purificar; fostes santificados, fostes justificados em nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito do nosso Deus.


Salmos 149(148),1-2.3-4.5-6a.9b.

Cantai ao Senhor um cântico novo;

louvai-O na assembleia dos fiéis!
Alegre-se Israel no seu Criador;

regozije-se o povo de Sião no seu Rei!
Louvem o seu nome com danças;
cantem-Lhe ao som de harpas e tambores!

O Senhor ama o seu povo
e honra os humildes com a vitória!
Exultem de alegria os fiéis
e cantem jubilosos em seus leitos.

Entoem bem alto os louvores de Deus,
é uma honra para todos os seus fiéis.



Lucas 6,12-19.

Naqueles dias, Jesus foi para o monte fazer oração e passou a noite a orar a Deus.
Quando nasceu o dia, convocou os discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu o nome de Apóstolos:
Simão, a quem chamou Pedro, e André, seu irmão; Tiago, João, Filipe e Bartolomeu;
Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado o Zelote;
Judas, filho de Tiago, e Judas Iscariotes, que veio a ser o traidor.
Descendo com eles, deteve-se num sítio plano, juntamente com numerosos discípulos e uma grande multidão de toda a Judeia, de Jerusalém e do litoral de Tiro e de Sídon,
que acorrera para o ouvir e ser curada dos seus males. Os que eram atormentados por espíritos malignos ficavam curados;
e toda a multidão procurava tocar-lhe, pois emanava dele uma força que a todos curava.



Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário do dia:

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África), doutor da Igreja
Carta 130, a Proba, sobre a oração, 14-15 (Breviário, 6ª feira da XXIX semana do Tempo Comum)

«Passou a noite a orar a Deus»

Quem só pede ao Senhor a bem-aventurança e só por ela anseia (cf Sl 26,4) pede com segurança e certeza […]. Esta é a única verdadeira vida, a única vida bem-aventurada: contemplar eternamente a bondade do Senhor, na imortalidade e incorruptibilidade de corpo e alma. Só por causa desta felicidade se buscam outros bens, só com esta finalidade se pede como convém. Quem alcançar a vida bem-aventurada terá tudo o que deseja e nela nada encontrará que não lhe convenha.


Ali está a fonte de vida (cf Sl 36 [35],10), da qual agora sentimos sede na oração, enquanto vivemos na esperança sem ver ainda o que esperamos (cf Rom 8,25), refugiando-nos à sombra das asas daquele em cuja presença estão todos os nossos desejos (cf Sl 35,8; 37,10), para saborearmos a abundância da sua casa e saciarmo-nos na torrente das suas delícias; porque nele está a fonte da vida e é na sua luz que veremos a luz (cf Sl 35,9-10), quando na sua bondade saciarmos todos os nossos desejos e já nada tivermos que pedir com gemidos porque tudo possuiremos com alegria.


Mas, como essa vida é a paz que supera todo o entendimento (cf Fil 4,7), também quando a pedimos na oração não sabemos o que pedimos (cf Rom 8,26). […] Há em nós, por assim dizer, uma douta ignorância; douta, sem dúvida, porque instruída pelo Espírito Santo que vem em auxílio da nossa fraqueza. De facto, diz o Apóstolo [Paulo]: esperar o que não vemos é esperar com perseverança; e acrescenta: o Espírito vem em auxílio da nossa fraqueza, porque não sabemos o que devemos pedir nas nossas orações; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis (Rom 8,25-26).







domingo, 7 de setembro de 2014

Evangelho do Dia


Segunda-feira, dia 08 de Setembro de 2014

Natividade da Virgem Santa Maria – Festa
Natividade de Nossa SenhoraNossa Senhora dos Remédios

Comentário do dia
Beato Guerric de Igny : «Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama Cristo»

Miqueias 5,1-4a.

Eis o que diz o Senhor: «Mas tu, Belém-Efrata, tão pequena entre as famílias de Judá, é de ti que me há-de sair aquele que governará em Israel. As suas origens remontam aos tempos antigos, aos dias de um passado longínquo.
Por isso, Deus abandonará o seu povo até ao tempo em que der à luz aquela que há-de dar à luz, e em que o resto dos seus irmãos há-de voltar para junto dos filhos de Israel.
Ele permanecerá firme e apascentará o seu rebanho com a força do Senhor e com a majestade do nome do Senhor, seu Deus. Estarão tranquilos, porque ele será grande até aos confins da terra.
Ele próprio será a paz. Se a Assíria vier ao nosso país e calcar aos pés os nossos palácios, opor-lhe-emos sete pastores e oito governadores de homens.


Salmos 13(12),6ab.6cd.

Eu, porém, confiei na tua misericórdia;
o meu coração alegra se com a tua salvação.    
Cantarei ao Senhor
pelo bem que Ele me fez.




Mateus 1,1-16.18-23.

Genealogia de Jesus Cristo, Filho de David, Filho de Abraão:
Abraão gerou Isaac; Isaac gerou Jacob; Jacob gerou Judá e seus irmãos;
Judá gerou, de Tamar, Peres e Zera; Peres gerou Hesron; Hesron gerou Rame;
Rame gerou Aminadab; Aminadab gerou Nachon; Nachon gerou Salmon;
Salmon gerou, de Raab, Booz; Booz gerou, de Rute, Obed; Obed gerou Jessé;
Jessé gerou o rei David. David, da mulher de Urias, gerou Salomão;
Salomão gerou Roboão; Roboão gerou Abias; Abias gerou Asa;
Asa gerou Josafat; Josafat gerou Jorão; Jorão gerou Uzias;
Uzias gerou Jotam; Jotam gerou Acaz; Acaz gerou Ezequias;
Ezequias gerou Manassés; Manassés gerou Amon; Amon gerou Josias;
Josias gerou Jeconias e seus irmãos, na época da deportação para Babilónia.
Depois da deportação para Babilónia, Jeconias gerou Salatiel; Salatiel gerou Zorobabel;
Zorobabel gerou Abiud. Abiud gerou Eliaquim; Eliaquim gerou Azur;
Azur gerou Sadoc; Sadoc gerou Aquim; Aquim gerou Eliud;
Eliud gerou Eleázar; Eleázar gerou Matan; Matan gerou Jacob.
Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama Cristo.
Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava desposada com José; antes de coabitarem, notou-se que tinha concebido pelo poder do Espírito Santo.
José, seu esposo, que era um homem justo e não queria difamá-la, resolveu deixá-la secretamente.
Andando ele a pensar nisto, eis que o anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que ela concebeu é obra do Espírito Santo.
Ela dará à luz um filho, ao qual darás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados.»
Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor tinha dito pelo profeta:
Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho; e hão-de chamá lo Emanuel, que quer dizer: Deus connosco.



Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário do dia:

Beato Guerric de Igny (c. 1080-1157), abade cisterciense
1º sermão para a Natividade de Maria

«Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama Cristo»

Hoje celebramos o nascimento da bem-aventurada Virgem Maria, de quem nasceu Aquele que é a vida de todos. Hoje nasceu a Virgem de quem quis nascer a salvação de todos, para dar àqueles que nasciam para morrer a possibilidade de renascerem para a vida. Hoje nasceu a nossa nova mãe, que apagou a maldição de Eva, nossa primeira mãe. Assim, através dela, somos herdeiros da bênção, nós, que por causa da primeira mãe tínhamos nascido sob a antiga maldição. Sim, Ela é na verdade uma nova mãe, uma mãe que renovou a juventude dos filhos envelhecidos, que curou o mal dum envelhecimento hereditário e de todas as outras formas de envelhecimento que lhe tinham sido acrescentadas. Sim, Ela é na verdade uma nova mãe, que dá à luz um filho através dum prodígio novo, permanecendo virgem, Ela é a que deu ao mundo Aquele que criou o mundo. […]


Que novidade maravilhosa, a dessa virgindade fecunda! Mas ainda mais maravilhosa é a novidade do fruto que Ela deu ao mundo. […] Perguntas a ti próprio como é que uma virgem deu à luz o Salvador? Da mesma forma que a flor da vinha espalha o seu perfume. Muito tempo antes do nascimento de Maria, o Espírito que iria habitar nela […] tinha dito em seu nome: «Tal como a vinha, produzi um doce perfume» (cf Sir 24,17 Vulg). […] Como a flor não se alterou por ter dado o seu perfume, assim a pureza de Maria não se alterou por ter dado à luz o Salvador. […]


E também tu, se te mantiveres casto, não apenas «a tua carne reflorirá» (cf Sl 27,7), mas descerá sobre ti uma santidade vinda de Deus. O teu olhar já não errará, desregrado e perdido, mas será embelezado pelo pudor […]; toda a tua pessoa ficará ornada pelas flores da graça e da pureza.







sábado, 6 de setembro de 2014

Evangelho do Dia


Domingo, dia 07 de Setembro de 2014

23º Domingo do Tempo Comum - Ano A

Beato Vicente de Santo António, presbítero e mártir, +1629

Comentário do dia
São João Crisóstomo : «Eu estou no meio deles»

Ezeq. 33,7-9.

Eis o que diz o Senhor: «A ti, filho de homem, Eu constituí-te sentinela da casa de Israel. Deves ouvir a palavra que sai da minha boca e adverti-los, da minha parte.
Se Eu digo ao ímpio que vai morrer e tu não lhe falas para o pôr de sobreaviso contra a sua má conduta, ele perecerá em razão do próprio pecado; mas é a ti que Eu pedirei contas do seu sangue.
Mas, se advertes o pecador para o afastar do mau caminho e ele não se converte, ele morrerá na sua iniquidade; mas tu salvarás a tua vida."


Salmos 95(94),1-2.6-7.8-9.

Vinde, exultemos de alegria no Senhor,
aclamemos o rochedo da nossa salvação.
Vamos à sua presença com hinos de louvor,
saudemo-lo com cânticos jubilosos.

Vinde, prostremo-nos em terra,
adoremos o Senhor que nos criou.
Pois ele é o nosso Deus
e nós o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.

Quem dera ouvísseis hoje a sua voz:
«Não endureçais os vossos corações,
como em Meriba, como no dia de Massá, no deserto,
quando os vossos pais me provocaram

e me puseram à prova,
apesar de terem visto as minhas obras.»



Romanos 13,8-10.

Irmãos: Não fiqueis a dever nada a ninguém, a não ser isto: amar-vos uns aos outros. Pois quem ama o próximo cumpre plenamente a lei.
De facto: Não cometerás adultério, não matarás, não furtarás, não cobiçarás, bem como qualquer outro mandamento, estão resumidos numa só frase: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
O amor não faz mal ao próximo. Assim, é no amor que está o pleno cumprimento da lei. Viver na luz


Mateus 18,15-20.

Naquele tempo, disse Jeus aos seus discipulos: «Se o teu irmão pecar, vai ter com ele e repreende o a sós. Se te der ouvidos, terás ganho o teu irmão.
Se não te der ouvidos, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão fique resolvida pela palavra de duas ou três testemunhas.
Se ele se recusar a ouvi-las, comunica-o à Igreja; e, se ele se recusar a atender à própria Igreja, seja para ti como um pagão ou um cobrador de impostos.
Em verdade vos digo: Tudo o que ligardes na Terra será ligado no Céu, e tudo o que desligardes na Terra será desligado no Céu.»
«Digo-vos ainda: Se dois de entre vós se unirem, na Terra, para pedir qualquer coisa, hão-de obtê-la de meu Pai que está no Céu.
Pois, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles.»



Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário do dia:

São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja
8ª Homilia sobre a Carta aos Romanos, 8; PG 60, 464

«Eu estou no meio deles»

Quando vos digo para imitardes o apóstolo Paulo, não estou a dizer-vos: «Ressuscitai os mortos, curai os leprosos.» Fazei melhor: tende caridade. Tende o amor que animava São Paulo, pois essa virtude é bem superior ao poder de fazer milagres. Onde houver caridade, Deus Filho reina com o Pai e o Espírito Santo. Ele disse-o: «Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles.» Amar este encontro é característico de uma amizade tão forte quanto real.


Haverá pessoas tão miseráveis, perguntarei vós, que não desejem ter Cristo entre elas? Há, sim, meus filhos: nós próprios. Expulsamo-Lo do meio de nós quando estamos em luta uns contra os outros. Dir-me-eis: «O que estás a dizer? Não vês que estamos reunidos em seu nome, entre as mesmas paredes, no recinto da mesma igreja, atentos à voz do nosso pastor? Sem a menor dissensão, na unidade dos cânticos e das orações, a escutar juntos o nosso pastor. Onde está a discórdia?»


Sei que estamos no mesmo redil e com o mesmo pastor. Por isso, choro mais amargamente ainda. […] Pois estando vós calmos e tranquilos neste momento, ao sairdes da igreja, este critica aquele; um injuria publicamente o outro; outro é devorado pela inveja, pelo ciúme ou pela avareza; aquele medita na vingança, este na sensualidade, na duplicidade ou na fraude. […] Respeitai portanto, respeitai esta mesa santa na qual todos comungamos; respeitai Cristo por nós imolado; respeitai o sacrifício que é oferecido sobre este altar que está no meio de nós.







sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Evangelho do Dia


Sabado, dia 06 de Setembro de 2014

Sábado da 22ª semana do Tempo Comum

Santo Eleutério, abade, séc. VI

Comentário do dia
Catecismo da Igreja Católica: «O Filho do Homem é Senhor do sábado»

1 Cor. 4,6b-15.

Irmãos: Aprendei de mim e e Apolo a sentença: «não ir além do que está escrito», e para que ninguém se vanglorie, tomando o partido de um contra o outro.
Pois, quem te faz superior aos outros? Que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, porque te glorias, como se não o tivesses recebido?
Já estais saciados! Já sois ricos! Sem nós, já vos tornastes reis! Oxalá o tivésseis conseguido, para que também nós pudéssemos reinar convosco.
De facto, parece-me que Deus nos pôs a nós, os apóstolos, no último lugar, como se fôssemos condenados à morte, porque nos tornámos espectáculo para o mundo, para os anjos e para os homens.
Nós somos loucos por causa de Cristo, e vós, sábios em Cristo! Nós somos fracos, e vós, fortes! Vós, honrados, e nós, desprezados!
Até este momento, sofremos fome, sede e nudez, somos esbofeteados, andamos errantes,
e cansamo-nos a trabalhar com as nossas próprias mãos. Amaldiçoados, abençoamos; perseguidos, aguentamos;
caluniados, consolamos! Tornámo-nos, até ao presente, como o lixo do mundo e a escória do universo.
Não escrevo estas coisas para vos envergonhar, mas para vos admoestar, como a meus filhos muito queridos.
Na verdade, ainda que tivésseis dez mil pedagogos em Cristo, não teríeis muitos pais, porque fui eu que os gerei em Cristo Jesus, pelo Evangelho.


Salmos 145(144),17-18.19-20.21.

O Senhor é justo em todos os seus caminhos
e misericordioso em todas as suas obras.
O Senhor está perto de todos os que O invocam,
dos que O invocam sinceramente.

Ele realiza os desejos dos que O temem,
escuta os seus gemidos e salva-os.
O Senhor protege todos os que O amam,
mas extermina todos os ímpios.

Cante a minha boca os louvores do Senhor
e todo o ser vivo bendiga eternamente
o seu santo nome.




Lucas 6,1-5.

Num dia de sábado, passando Jesus através das searas, os seus discípulos puseram-se a arrancar e a comer espigas, desfazendo-as com as mãos.
Alguns fariseus disseram: «Porque fazeis o que não é permitido fazer ao sábado?»
Jesus respondeu: «Não lestes o que fez David, quando teve fome, ele e os seus companheiros?
Como entrou na casa de Deus e, tomando os pães da oferenda, comeu e deu aos seus companheiros esses pães que só aos sacerdotes era permitido comer?»
E acrescentou: «O Filho do Homem é Senhor do sábado.»



Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário do dia:

Catecismo da Igreja Católica
§§1166-1167

«O Filho do Homem é Senhor do sábado»

«Por tradição apostólica que remonta ao próprio dia da ressurreição de Cristo, a Igreja celebra o mistério pascal todos os oito dias, no dia que se denomina, com toda a propriedade, dia do Senhor ou Domingo» (Vat II, SC 106). O dia da ressurreição de Cristo é, ao mesmo tempo, o «primeiro dia da semana» (Jo 20,1), memorial do primeiro dia da criação, e o «oitavo dia» em que Cristo, após o seu «repouso» do grande sábado, inaugura o «dia que o Senhor fez», o «dia que não conhece ocaso» (Sl 117, liturgia bizantina). A «Ceia do Senhor» (1Cor 11,20) é o seu centro, porque é nela que toda a comunidade dos fiéis encontra o Senhor ressuscitado, que os convida para o seu banquete (Jo 21,12; Lc 24,30).


«O dia do Senhor, o dia da ressurreição, o dia dos cristãos, é o nosso dia. Chama-se dia do Senhor por isso mesmo: porque foi nesse dia que o Senhor subiu vitorioso para junto do Pai. Se os pagãos lhe chamam dia do Sol, também nós de bom grado o confessamos: porque hoje se ergueu a luz do mundo, hoje apareceu o sol da justiça, cujos raios nos trazem a salvação» (São Jerónimo; Mal 3,20).


O Domingo é o dia por excelência da assembleia litúrgica, em que os fiéis se reúnem «para, ouvindo a Palavra de Deus e participando na Eucaristia, fazerem memória da paixão, ressurreição e glória do Senhor Jesus, e darem graças a Deus, que os "regenerou para uma esperança viva pela ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos"» (SC 106; 1Ped 1,3). «Quando meditamos, ó Cristo, nas maravilhas que tiveram lugar neste dia de domingo da tua santa ressurreição, dizemos: Bendito o dia de Domingo, porque nele teve início a criação [...], a salvação do mundo [...], a renovação do género humano [...]. Foi nesse dia que o céu e a terra se congratularam […]. Bendito o dia de Domingo, porque nele foram abertas as portas do paraíso, para que Adão e todos os proscritos nele entrassem sem temor» (liturgia siríaca de Antioquia).







quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Evangelho do Dia


Sexta-feira, dia 05 de Setembro de 2014

Sexta-feira da 22ª semana do Tempo Comum

Beata Teresa de Calcutá, religiosa, +1997

Comentário do dia
São João Paulo II : O teu Criador é o teu Esposo

1 Cor. 4,1-5.

Irmãos: Todos nos devem considerar como servos de Cristo e administradores dos mistérios de Deus.
Ora, o que se requer dos administradores é que sejam fiéis.
Quanto a mim, pouco me importa ser julgado por vós ou por um tribunal humano. Nem eu me julgo a mim mesmo.
De nada me acusa a consciência, mas nem por isso me dou por justificado; quem me julga é o Senhor.
Por conseguinte, não julgueis antes do tempo, até que venha o Senhor. Ele é quem há-de iluminar o que se esconde nas trevas e desvendar os desígnios dos corações. E então cada um receberá de Deus o louvor que merece.


Salmos 37(36),3-4.5-6.27-28.39-40.

Confia no Senhor e faz o bem;
habitarás a terra e viverás tranquilo.
Procura no Senhor a tua felicidade,  
e Ele satisfará os desejos do teu coração.

Confia ao Senhor o teu destino,
confia nele e Ele há-de ajudar-te.
Fará brilhar a tua  luz como a justiça,
e como sol do meio dia os teus direitos.

Afasta-te do mal e pratica o bem,
e então viverás para sempre.
O Senhor ama a justiça e não abandona os seus fiéis.
Os ímpios serão destruídos, e a raça dos ímpios exterminada.

A salvação dos justos vem do Senhor,
Ele é o seu refúgio no tempo da tribulação.
O Senhor os ajuda e os liberta,
porque n'Ele procuram refúgio.




Lucas 5,33-39.

Naquele tempo, os fariseus e os escribas disseram a Jesus: «Os discípulos de João jejuam frequentemente e recitam orações; o mesmo fazem também os dos fariseus. Os teus, porém, comem e bebem!»
Jesus respondeu-lhes: «Podeis vós fazer jejuar os companheiros do esposo, enquanto o esposo está com eles?
Virão dias em que o Esposo lhes será tirado; então, nesses dias, hão-de jejuar.»
Disse-lhes também esta parábola: «Ninguém recorta um bocado de roupa nova para o deitar em roupa velha; aliás, irá estragar-se a roupa nova, e também à roupa velha não se ajustará bem o remendo que vem da nova.
E ninguém deita vinho novo em odres velhos; se o fizer, o vinho novo rompe os odres e derrama-se, e os odres ficarão perdidos.
Mas deve deitar-se vinho novo em odres novos.
E ninguém, depois de ter bebido o velho, quer do novo, pois diz: 'O velho é que é bom!'»



Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário do dia:

São João Paulo II (1920-2005), papa
Carta Apostólica «Mulieris dignitatem / A dignidade da mulher», § 25 (trad. © copyright Libreria Editrice Vaticana, rev.)

O teu Criador é o teu Esposo

Se o amor de Deus para com o homem, para com o povo escolhido, Israel, é apresentado pelos profetas como o amor do esposo pela esposa, tal analogia exprime a qualidade esponsal e o caráter divino e não humano do amor de Deus: «O teu esposo é o teu Criador [...] que se chama Deus de toda a terra» (Is 54,5). O mesmo se diga também do amor esponsal de Cristo redentor: «Com efeito, Deus amou tanto o mundo que lhe deu o Seu Filho unigénito» (Jo 3,16). Trata-se, portanto, do amor de Deus expresso mediante a redenção, operada por Cristo. […]


Segundo a Carta aos Efésios, a esposa é a Igreja, tal como para os profetas a esposa era Israel: portanto, é um sujeito coletivo, e não uma pessoa singular. Este sujeito coletivo é o Povo de Deus, ou seja, uma comunidade composta de muitas pessoas, tanto homens como mulheres. «Cristo amou a Igreja» (5,25) precisamente como comunidade, como Povo de Deus e, ao mesmo tempo, […] amou cada pessoa singularmente. De facto, Cristo redimiu todos, sem excepção, todos os homens e todas as mulheres.


Na redenção exprime-se justamente este amor de Deus e realiza-se, na história do homem e do mundo, o caráter esponsal desse amor. Cristo entrou na história e permanece nela como o Esposo que «Se entregou a Si mesmo» (cf. v. 25). Entregar-se significa tornar-se um dom sincero, da maneira mais completa e radical: Ninguém tem maior amor do que este (cf Jo 15,13). Nesta concepção, por meio da Igreja, todos os seres humanos — tanto homens como mulheres — são chamados a ser a Esposa de Cristo, Redentor do mundo.







quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Evangelho do Dia


Quinta-feira, dia 04 de Setembro de 2014

Quinta-feira da 22ª semana do Tempo Comum
Nossa Senhora Consoladora

Santa Rosa de Viterbo, virgem, +1252

Comentário do dia
São Máximo de Turim : «De futuro, serás pescador de homens.»

1 Cor. 3,18-23.

Irmãos: Ninguém se engane a si mesmo: se algum de entre vós se julga sábio à maneira deste mundo, torne-se louco para ser sábio.
Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus. Com efeito, está escrito: Ele apanha os sábios na sua própria astúcia.
E ainda: O Senhor conhece os pensamentos dos sábios e sabe que são fúteis.
Portanto, ninguém se glorie nos homens, pois tudo é vosso:
Paulo, Apolo, Cefas, o mundo, a vida, a morte, o presente ou o futuro. Tudo é vosso.
Mas vós sois de Cristo e Cristo é de Deus.


Salmos 24(23),1-2.3-4ab.5-6.

Ao Senhor pertence a terra e o que nela existe,
o mundo inteiro e os que nele habitam.
Pois Ele a fundou sobre os mares
e a consolidou sobre os abismos.

Quem poderá subir à montanha do Senhor
e apresentar-se no seu santuário?
O que tem as mãos inocentes e o coração limpo,
o que não ergue o espírito para as coisas vãs.

Este há-de receber a bênção do Senhor  
e a recompensa de Deus, seu salvador.
Esta é a geração dos que O procuram,
dos que buscam a face do Deus de Jacob.




Lucas 5,1-11.

Naquele tempo, encontrando-se junto do lago de Genesaré, e comprimindo-se à volta dele a multidão para escutar a palavra de Deus,
Jesus viu dois barcos que se encontravam junto do lago. Os pescadores tinham descido deles e lavavam as redes.
Entrou num dos barcos, que era de Simão, pediu-lhe que se afastasse um pouco da terra e, sentando-se, dali se pôs a ensinar a multidão.
Quando acabou de falar, disse a Simão: «Faz-te ao largo; e vós, lançai as redes para a pesca.»
Simão respondeu: «Mestre, trabalhámos durante toda a noite e nada apanhámos; mas, porque Tu o dizes, lançarei as redes.»
Assim fizeram e apanharam uma grande quantidade de peixe. As redes estavam a romper-se,
e eles fizeram sinal aos companheiros que estavam no outro barco, para que os viessem ajudar. Vieram e encheram os dois barcos, a ponto de se irem afundando.
Ao ver isto, Simão Pedro caiu aos pés de Jesus, dizendo: «Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador.»
Ele e todos os que com ele estavam encheram-se de espanto por causa da pesca que tinham feito; o mesmo acontecera
a Tiago e a João, filhos de Zebedeu e companheiros de Simão. Jesus disse a Simão: «Não tenhas receio; de futuro, serás pescador de homens.»
E, depois de terem reconduzido os barcos para terra, deixaram tudo e seguiram Jesus.



Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário do dia:

São Máximo de Turim (?-c. 420), bispo
Sermão 39, atrib.

«De futuro, serás pescador de homens.»

Quando o Senhor, sentado na barca, diz a Pedro : «Faz-te ao largo; e vós, lançai as redes para a pesca», não está propriamente a aconselhá-lo a lançar os instrumentos de pesca, mas a difundir no fundo dos corações as palavras da pregação. São Paulo penetrou neste abismo dos corações, lançando nele a Palavra: «Oh, que profundidade de riqueza, de sabedoria e de ciência é a de Deus!» (Rom 11,33). […] Tal como a rede traz para a barca os peixes que apanhou, assim também a fé conduz ao seu seio, ao repouso, os homens que reuniu.


Para dar a entender, uma vez mais, que o Senhor falava da pesca espiritual, Pedro diz-Lhe: «Mestre, trabalhámos durante toda a noite e nada apanhámos; mas, porque Tu o dizes, lançarei as redes.» […] O Verbo, a Palavra de Deus, é o Senhor, nosso Salvador. […] Lançando as redes de acordo com o Verbo, Pedro difunde a sua eloquência segundo Cristo, lançando as redes segundo as prescrições do seu Mestre: em nome do Senhor, lança palavras claras e eficazes, que permitem salvar, já não criaturas irracionais, mas os homens.


«Trabalhámos durante toda a noite e nada apanhámos.» Sim, Pedro tinha trabalhado toda a noite […]; quando brilhou a luz do Senhor, as trevas dissiparam-se e a fé permitiu-lhe distinguir, no fundo das águas, aquilo que os seus olhos não eram capazes de ver. Com efeito, Pedro sofreu por causa da noite, até que a luz de Cristo veio em seu auxílio; é por isso que o apóstolo Paulo afirma: «A noite vai adiantada e o dia está próximo» (Rom 13,12).







terça-feira, 2 de setembro de 2014

Evangelho do Dia


Quarta-feira, dia 03 de Setembro de 2014

Quarta-feira da 22ª semana do Tempo Comum

S. Gregório Magno, Papa, Doutor da Igreja, +604

Comentário do dia
São Jerónimo : Cristo médico

1 Cor. 3,1-9.

Irmãos: Não pude falar-vos como a simples homens espirituais, mas como a homens carnais, como a criancinhas em Cristo.
Foi leite que vos dei a beber e não alimento sólido, que ainda não podíeis suportar. Nem mesmo agora podeis, visto que sois ainda carnais.
Pois se há entre vós rivalidades e contendas, não é porque sois carnais e procedeis de modo meramente humano?
Quando um diz: «Eu sou de Paulo»; e outro: «Eu sou de Apolo», não estais a proceder como simples homens?
Pois, quem é Apolo? Quem é Paulo? Simples servos, por cujo intermédio abraçastes a fé, e cada um actuou segundo a medida que o Senhor lhe concedeu.
Eu plantei, Apolo regou, mas foi Deus quem deu o crescimento.
Assim, nem o que planta nem o que rega é alguma coisa, mas só Deus, que faz crescer.
Tanto o que planta como o que rega formam um só, e cada um receberá a recompensa, conforme o seu próprio trabalho.
Pois, nós somos cooperadores de Deus, e vós sois o seu terreno de cultivo, o edifício de Deus.


Salmos 33(32),12-13.14-15.20-21.

Feliz a nação que tem o Senhor por seu Deus,
o povo que Ele escolheu para sua herança.
Do céu, o Senhor contempla
e vê toda a humanidade.

Do trono em que está sentado,
observa todos os habitantes da terra.
Ele formou o coração de cada homem
e discerne todas as suas obras.

A nossa alma espera o Senhor:
Ele é o nosso amparo e protector.
N'Ele se alegra o nosso coração
e em seu nome santo confiamos.




Lucas 4,38-44.

Naquele tempo, deixando a sinagoga, Jesus entrou em casa de Simão. A sogra de Simão estava com muita febre, e intercederam junto dele em seu favor.
Inclinando-se sobre ela, ordenou à febre e esta deixou-a; ela erguendo-se, começou imediatamente a servi-los.
Ao pôr-do-sol, todos quantos tinham doentes, com diversas enfermidades, levavam-lhos; e Ele, impondo as mãos a cada um deles, curava-os.
Também de muitos saíam demónios, que gritavam e diziam: «Tu és o Filho de Deus!» Mas Ele repreendia-os e não os deixava falar, porque sabiam que Ele era o Messias.
Ao romper do dia, saiu e retirou-se para um lugar solitário. As multidões procuravam-no e, ao chegarem junto dele, tentavam retê-lo, para que não se afastasse delas.
Mas Ele disse-lhes: «Tenho de anunciar a Boa-Nova do Reino de Deus também às outras cidades, pois para isso é que fui enviado.»
E pregava nas sinagogas da Judeia.



Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário do dia:

São Jerónimo (347-420), presbítero, tradutor da Bíblia, doutor da Igreja
Homilias sobre o evangelho de Marcos, nº 2C; PLS 2, 125s, SC 494

Cristo médico

«A sogra de Simão estava de cama com muita febre.» Possa Cristo vir a nossa casa, entrar e curar com uma só palavra a febre dos nossos pecados. Todos nós temos febre. De cada vez que nos encolerizamos, ficamos com febre; todos os nossos defeitos são outros tantos acessos de febre. Peçamos aos apóstolos que intercedam junto de Jesus, para que Ele Se aproxime de nós e nos tome pela mão; pois logo que Ele nos tome pela mão a febre desaparecerá.


É Ele o verdadeiro, o grande médico, o primeiro de todos os médicos. Moisés é um médico, Isaías e todos os santos são médicos; mas Jesus é o primeiro de todos os médicos. Ele sabe perfeitamente tomar o pulso e sondar os segredos das doenças. Não toca na orelha nem na fronte, nem em nenhuma outra parte do corpo, mas agarra na mão […], isto é, nas obras más. Primeiro cura as obras e depois a febre desaparece.







segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Evangelho do Dia


Terça-feira, dia 02 de Setembro de 2014

Terça-feira da 22ª semana do Tempo Comum

Santa Doroteia, mártir, séc. II

Comentário do dia
Catecismo da Igreja Católica: «Vieste para nos arruinar?»

1 Cor. 2,10b-16.

Irmãos: O Espírito Santo conhece todas as coisas, até o que há de mais profundo em Deus.
Quem, de entre os homens, conhece o que há no homem, senão o espírito do homem que nele habita? Assim também, as coisas que são de Deus, ninguém as conhece, a não ser o Espírito de Deus.
Quanto a nós, não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que vem de Deus, para podermos conhecer os dons da graça de Deus.
E deles não falamos com palavras que a sabedoria humana ensina, mas com as que o Espírito inspira, falando de realidades espirituais em termos espirituais.
O homem terreno não aceita o que vem do Espírito de Deus, pois é uma loucura para ele. Não o pode compreender, pois só de modo espiritual pode ser avaliado.
Pelo contrário, o homem espiritual julga todas as coisas e a ele ninguém o pode julgar.
Pois quem conheceu o pensamento do Senhor, para poder instruí-lo? Mas nós temos o pensamento de Cristo.


Salmos 145(144),8-9.10-11.12-13ab.13cd-14.

O Senhor é clemente e compassivo,
é paciente e misericordioso.
O Senhor é bom para com todos,
a sua misericórdia se estende a todas as criaturas,

Graças vos dêem Senhor, todas as criaturas
e bendigam-vos os vossos fiéis.  
Proclamem a glória do vosso reino  
e anunciem os vossos feitos gloriosos.

Para darem a conhecer aos homens o vosso poder,
a glória e o esplendor do vosso reino.
O teu reino é um reino para toda a eternidade
e o teu domínio estende-se por todas as gerações.

e o seu domínio estende-se
por todas as gerações.
O Senhor ergue todos os que caem
e reanima todos os abatidos.




Lucas 4,31-37.

Naquele tempo, Jesus desceu a Cafarnaúm, cidade da Galileia, e a todos ensinava ao sábado.
E estavam maravilhados com o seu ensino, porque falava com autoridade.
Encontrava-se na sinagoga um homem que tinha um espírito demoníaco, o qual se pôs a bradar em alta voz:
«Ah! Que tens que ver connosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos arruinar? Sei quem Tu és: o Santo de Deus!»
Jesus ordenou-lhe: «Cala-te e sai desse homem!» O demónio, arremessando o homem para o meio da assistência, saiu dele sem lhe fazer mal algum.
Dominados pelo espanto, diziam uns aos outros: «Que palavra é esta? Ordena com autoridade e poder aos espíritos malignos, e eles saem!»
A sua fama espalhou-se por todos os lugares daquela região.



Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário do dia:

Catecismo da Igreja Católica
§§ 311-314

«Vieste para nos arruinar?»

Os anjos e os homens, criaturas inteligentes e livres, devem caminhar para o seu último destino por livre escolha e amor preferencial. Podem, por conseguinte, desviar-se. De facto, pecaram. Foi assim que entrou no mundo o mal moral, incomensuravelmente mais grave que o mal físico. Deus não é, de modo algum, nem directa nem indirectamente, causa do mal moral. No entanto, permite-o por respeito pela liberdade da sua criatura e misteriosamente sabe tirar dele o bem. […] Do maior mal moral jamais praticado, como foi o repúdio e a morte do Filho de Deus, causado pelos pecados de todos os homens, Deus, pela superabundância da sua graça (cf Rom 5,20), tirou o maior dos bens: a glorificação de Cristo e a nossa redenção. Mas nem por isso o mal se transforma em bem.


«Tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus» (Rom 8,28). O testemunho dos santos não cessa de confirmar esta verdade. Assim, Santa Catarina de Sena diz aos «que se escandalizam e se revoltam contra o que lhes acontece»: «Tudo procede do amor, tudo está ordenado para a salvação do homem, e não com nenhum outro fim.» E Juliana de Norwich: «Compreendi, pois, pela graça de Deus, que era necessário ater-me firmemente à fé […] e crer, com não menos firmeza, que todas as coisas serão para bem»: «Thou shalt see thyself that all manner of thing shall be well.»


Nós cremos firmemente que Deus é o Senhor do mundo e da história. Muitas vezes, porém, os caminhos da sua Providência são-nos desconhecidos. Só no fim, quando acabar o nosso conhecimento parcial e virmos Deus «face a face» (1Cor 13,12), é que nos serão plenamente conhecidos os caminhos pelos quais, mesmo através do mal e do pecado, Deus terá conduzido a criação ao repouso desse Sábado definitivo, em vista do qual criou o céu e a terra.







domingo, 31 de agosto de 2014

Evangelho do Dia


Segunda-feira, dia 01 de Setembro de 2014

Segunda-feira da 22ª semana do Tempo Comum

Santo Egídio, abade, séc. VII

Comentário do dia
São João Paulo II : Exortação apostólica «Christifideles laici / Os fiéis leigos», §§ 13-14

1 Cor. 2,1-5.

Quando fui ter convosco, irmãos, não me apresentei com o prestígio da linguagem ou da sabedoria, para vos anunciar o mistério de Deus.
Julguei não dever saber outra coisa entre vós a não ser Jesus Cristo, e este, crucificado.
Estive no meio de vós cheio de fraqueza, de receio e de grande temor.
A minha palavra e a minha pregação nada tinham dos argumentos persuasivos da sabedoria humana, mas eram uma demonstração do poder do Espírito,
para que a vossa fé não se baseasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus.


Salmos 119(118),97.98.99.100.101.102.

Quanto amo, Senhor, a tua lei!
Nela medito todos os dias.
Fizeste-me mais sábio do que os meus inimigos,
porque os teus mandamentos estão sempre comigo.

Tornei-me mais sábio do que todos os mestres,
porque medito sempre nos teus preceitos.
Entendo mais do que os anciãos,
porque cumpro as tuas instruções.

Desviei os meus pés de todo o mau caminho
para obedecer às tuas palavras.
Não me tenho afastado dos vossos juízos,
porque sois Vós quem me ensina.




Lucas 4,16-30.

Naquele tempo, Jesus foi a Nazaré, onde tinha sido criado. Segundo o seu costume, entrou em dia de sábado na sinagoga e levantou-Se para ler.
Entregaram-lhe o livro do profeta Isaías e, desenrolando-o, deparou com a passagem em que está escrito:
«O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; a mandar em liberdade os oprimidos,
a proclamar um ano favorável da parte do Senhor.»
Depois, enrolou o livro, entregou-o ao responsável e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele.
Começou, então, a dizer-lhes: «Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura, que acabais de ouvir.»
Todos davam testemunho em seu favor e se admiravam com as palavras repletas de graça que saíam da sua boca. Diziam: «Não é este o filho de José?»
Disse-lhes, então: «Certamente, ides citar-me o provérbio: 'Médico, cura-te a ti mesmo.' Tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaúm, fá-lo também aqui na tua terra.»
Acrescentou, depois: «Em verdade vos digo: Nenhum profeta é bem recebido na sua pátria.
Posso assegurar-vos, também, que havia muitas viúvas em Israel no tempo de Elias, quando o céu se fechou durante três anos e seis meses e houve uma grande fome em toda a terra;
contudo, Elias não foi enviado a nenhuma delas, mas sim a uma viúva que vivia em Sarepta de Sídon.
Havia muitos leprosos em Israel, no tempo do profeta Eliseu, mas nenhum deles foi purificado senão o sírio Naaman.»
Ao ouvirem estas palavras, todos, na sinagoga, se encheram de furor.
E, erguendo-se, lançaram-no fora da cidade e levaram-no ao cimo do monte sobre o qual a cidade estava edificada, a fim de o precipitarem dali abaixo.
Mas, passando pelo meio deles, Jesus seguiu-o seu caminho.



Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário do dia:

São João Paulo II (1920-2005), papa
«Ele ungiu-Me para anunciar a Boa-Nova»

Exortação apostólica «Christifideles laici / Os fiéis leigos», §§ 13-14

Diz o Concílio Vaticano II: «Pela regeneração e pela unção do Espírito Santo, os baptizados são consagrados para serem uma morada espiritual». O Espírito Santo «unge» o baptizado, imprime-lhe a Sua marca indelével (cf 2Cor 1,21-22) e faz dele templo espiritual, isto é, enche-o com a santa presença de Deus, graças à união e à conformação com Jesus Cristo. Com esta «unção» espiritual, o cristão pode, por sua vez, repetir as palavras de Jesus: «O Espírito do Senhor está sobre Mim: por isso, Me ungiu». […]


«A missão de Cristo — Sacerdote, Profeta-Mestre, Rei — continua na Igreja. Todo o Povo de Deus participa nesta tríplice missão.» […] Os fiéis leigos participam no múnus sacerdotal pelo qual Jesus Se ofereceu a Si mesmo sobre a Cruz e continuamente Se oferece na celebração da Eucaristia. […] «Todos os seus trabalhos, orações e empreendimentos apostólicos, a vida conjugal e familiar, o trabalho de cada dia, o descanso do espírito e do corpo, se forem feitos no Espírito, e as próprias incomodidades da vida, […] se tornam em outros tantos sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo (cf 1Ped 2,5); sacrifícios estes que são piedosamente oferecidos ao Pai, juntamente com a oblação do corpo do Senhor, na celebração da Eucaristia.» […]


A participação no múnus profético de Cristo […] habilita e empenha os fiéis leigos a aceitar, na fé, o evangelho e a anunciá-lo com a palavra e com as obras. […] Vivem a realeza cristã, sobretudo no combate espiritual para vencerem dentro de si o reino do pecado (cf Rom 6,12) e depois, mediante o dom de si, para servirem […] o próprio Jesus presente em todos os seus irmãos, sobretudo nos mais pequeninos (cf Mt 25,40). Mas os fiéis leigos são chamados de forma particular a restituir à criação todo o seu valor originário. Ao ordenar as coisas criadas para o verdadeiro bem do homem, com uma acção animada pela vida da graça, os fiéis leigos participam no exercício do poder com que Jesus Ressuscitado atrai a Si todas as coisas e as submete, com Ele mesmo, ao Pai, de forma que Deus seja tudo em todos (cf 1Cor 15,28; Jo 12,32).







sábado, 30 de agosto de 2014

Evangelho do Dia


Domingo, dia 31 de Agosto de 2014

22º Domingo do Tempo Comum - Ano A
XXII Domingo Comum (semana II do saltério)

São Raimundo Nonato, presbítero, +1240

Comentário do dia
Imitação de Cristo: «Tome a sua cruz e siga-Me.»

Jer. 20,7-9.

Vós me seduziste, Senhor, e eu me deixei seduzir! Tu me dominaste e venceste. Sou objecto de contínua irrisão, e todos escarnecem de mim.
Todas as vezes que falo é para proclamar: «Violência! Opressão!» A palavra do Senhor tornou-se para mim motivo de insultos e escárnios, dia após dia.
A mim mesmo dizia: «Não pensarei nele mais! Não falarei mais em seu nome!» Mas, no meu coração, a sua palavra era um fogo devorador, encerrado nos meus ossos. Esforçava-me por contê-lo, mas não podia.


Salmos 63(62),2.3-4.5-6.8-9.

Ó Deus, Tu és o meu Deus: desde a aurora Vos procuro
A minha alma tem sede de Ti;
todo o meu ser anela por Ti,
como terra árida, sequiosa, sem água.

Quero contemplar-Te no santuário,
para ver o teu poder e a tua glória.
O teu amor vale mais do que a vida;
por isso, os meus lábios Te hão-de louvar.  

Quero bendizer-Te toda a minha vida
e em teu louvor levantar as minhas mãos.
A minha alma será saciada com deliciosos manjares,
com vozes de júbilo Te louvarei.

Porque Tu és o meu auxílio,
e à sombra das Tuas asas eu exulto.
A minha alma está unida a Ti,
a tua mão direita me sustenta.




Romanos 12,1-2.

Por isso, vos exorto, irmãos, pela misericórdia de Deus, a que ofereçais os vossos corpos como sacrifício vivo, santo, agradável a Deus. Seja este o vosso verdadeiro culto, o espiritual.
Não vos acomodeis a este mundo. Pelo contrário, deixai-vos transformar, adquirindo uma nova mentalidade, para poderdes discernir qual é a vontade de Deus: o que é bom, o que lhe é agradável, o que é perfeito. Ao serviço da comunidade


Mateus 16,21-27.

A partir desse momento, Jesus Cristo começou a fazer ver aos seus discípulos que tinha de ir a Jerusalém e sofrer muito, da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos doutores da Lei, ser morto e, ao terceiro dia, ressuscitar.
Tomando-o de parte, Pedro começou a repreendê-lo, dizendo: «Deus te livre, Senhor! Isso nunca te há-de acontecer!»
Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: «Afasta-te, Satanás! Tu és para mim um estorvo, porque os teus pensamentos não são os de Deus, mas os dos homens!»
Jesus disse, então, aos discípulos: «Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.
Quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la.
Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida? Ou que poderá dar o homem em troca da sua vida?
Porque o Filho do Homem há-de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um conforme o seu procedimento.



Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário do dia:

Imitação de Cristo, tratado espiritual do século XV, Livraria Moraes, 1959
Livro II, cap. 12

«Tome a sua cruz e siga-Me.»

Se levas a cruz de boa vontade, ela te levará e conduzirá ao fim desejado, onde será o fim do sofrimento; mas não será neste mundo. Se a levas de má vontade, fazes dela um fardo e ainda mais te pesará; e, contudo, terás de a suportar. Se foges a uma cruz, encontrarás sem dúvida outra, e talvez ainda mais pesada.

Julgas fugir àquilo de que nenhum dos mortais se pode livrar? Qual dos santos viveu neste mundo sem cruz e sem tribulação? Nem mesmo Jesus Cristo, Nosso Senhor, passou uma só hora sem a dor da Paixão enquanto viveu. «Era necessário que Cristo sofresse a ressuscitasse dos mortos, e que assim entrasse na sua glória» (Lc 24, 46ss). E como procuras tu outro, além desse régio caminho que é o da santa cruz? […]

Contudo, esse que é afligido de tanta maneira não está sem o alívio da consolação, porque sente crescer em si o maior fruto pelo sofrimento da sua cruz. Assim, enquanto a ela se submete de livre vontade, todo o peso da tribulação se converte em confiança de consolação divina. […] Isto não é virtude do homem, mas graça de Cristo, que pode tais coisas e age na frágil carne de tal modo, que tudo aquilo a que ela naturalmente sempre foge e que aborrece é empreendido e amado por este fervor do espírito.

Não é próprio do homem levar a cruz, amar a cruz […]. Se olhas só para ti, nada disto conseguirás. Mas, se confias no Senhor, ser-te-á dada a força do céu, e ao teu mando se submeterão o mundo e a carne. E nem temerás o inimigo, se estiveres armado de fé e marcado com a Cruz de Cristo.







sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Evangelho do Dia


Sabado, dia 30 de Agosto de 2014

Sábado da 21ª semana do Tempo Comum

Santa Joana Jugan, religiosa, +1879, Santa Tecla, virgem, mártir, séc. I, Beato Eustáquio van Lieshout, presbítero, +1943

Comentário do dia
Concílio Vaticano II: «Confiaste-me cinco talentos; aqui estão outros cinco que eu ganhei»

1 Cor. 1,26-31.

Irmãos: Considerai, pois, a vossa vocação: humanamente falando, não há entre vós muitos sábios, nem muitos poderosos, nem muitos nobres.
Mas o que há de louco no mundo é que Deus escolheu para confundir os sábios; e o que há de fraco no mundo é que Deus escolheu para confundir o que é forte.
O que o mundo considera vil e desprezível é que Deus escolheu; escolheu os que nada são, para reduzir a nada aqueles que são alguma coisa.
Assim, ninguém se pode vangloriar diante de Deus.
É por Ele que vós estais em Cristo Jesus, que se tornou para nós sabedoria que vem de Deus, justiça, santificação e redenção,
a fim de que, como diz a Escritura, aquele que se gloria, glorie-se no Senhor.


Salmos 33(32),12-13.18-19.20-21.

Feliz a nação que tem o Senhor por seu Deus,
o povo que Ele escolheu para sua herança.
Do céu, o Senhor contempla
e vê toda a humanidade.

Os olhos do Senhor velam pelos seus fiéis,
por aqueles que esperam na sua bondade,
para os libertar da morte
e os manter vivos no tempo da fome.

A nossa alma espera o Senhor:
Ele é o nosso amparo e protector.
N'Ele se alegra o nosso coração
e em seu nome santo confiamos.




Mateus 25,14-30.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola: «Um homem que, ao partir para fora, chamou os servos e confiou-lhes os seus bens.
A um deu cinco talentos, a outro dois e a outro um, a cada qual conforme a sua capacidade; e depois partiu.
Aquele que recebeu cinco talentos negociou com eles e ganhou outros cinco.
Da mesma forma, aquele que recebeu dois ganhou outros dois.
Mas aquele que apenas recebeu um foi fazer um buraco na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor.
Passado muito tempo, voltou o senhor daqueles servos e pediu-lhes contas.
Aquele que tinha recebido cinco talentos aproximou-se e entregou-lhe outros cinco, dizendo: 'Senhor, confiaste-me cinco talentos; aqui estão outros cinco que eu ganhei.'
O senhor disse-lhe: 'Muito bem, servo bom e fiel, foste fiel em coisas de pouca monta, muito te confiarei. Entra no gozo do teu senhor.'
Veio, em seguida, o que tinha recebido dois talentos: 'Senhor, disse ele, confiaste-me dois talentos; aqui estão outros dois que eu ganhei.'
O senhor disse-lhe: 'Muito bem, servo bom e fiel, foste fiel em coisas de pouca monta, muito te confiarei. Entra no gozo do teu senhor.'
Veio, finalmente, o que tinha recebido um só talento: 'Senhor, disse ele, sempre te conheci como homem duro, que ceifas onde não semeaste e recolhes onde não espalhaste.
Por isso, com medo, fui esconder o teu talento na terra. Aqui está o que te pertence.'
O senhor respondeu-lhe: 'Servo mau e preguiçoso! Sabias que eu ceifo onde não semeei e recolho onde não espalhei.
Pois bem, devias ter levado o meu dinheiro aos banqueiros e, no meu regresso, teria levantado o meu dinheiro com juros.'
Tirai-lhe, pois, o talento, e dai-o ao que tem dez talentos.
Porque ao que tem será dado e terá em abundância; mas, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado.
A esse servo inútil, lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes.'»



Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário do dia:

Concílio Vaticano II
Constituição dogmática sobre a Igreja no mundo actual «Gaudium et spes», §§ 33-35

«Confiaste-me cinco talentos; aqui estão outros cinco que eu ganhei»

Sempre o homem procurou, com o seu trabalho e engenho, desenvolver mais a própria vida. […] Muitas são as questões que se levantam entre os homens, perante este imenso empreendimento, que já atingiu todo o género humano. Qual o sentido e valor desta actividade? Como se devem usar estes bens? […]


Uma coisa é certa para os crentes: a actividade humana individual e colectiva, aquele imenso esforço com que os homens, no decurso dos séculos, tentaram melhorar as suas condições de vida, corresponde à vontade de Deus. Pois o homem, criado à imagem de Deus, recebeu o mandamento de dominar a terra com tudo o que ela contém (Gn 1,26ss), de governar o mundo na justiça e na santidade e, reconhecendo Deus como Criador universal, de se orientar a si e ao universo para Ele; de maneira que, estando todas as coisas sujeitas ao homem, seja glorificado em toda a terra o nome de Deus. Isto aplica-se também às actividades de todos os dias. […]


Mas quanto mais aumenta o poder dos homens, tanto mais cresce a sua responsabilidade, pessoal e comunitária. Vê-se, portanto, que a mensagem cristã não afasta os homens da tarefa de construir o mundo, nem os leva a desatender o bem dos seus semelhantes, mas que, antes, os obriga ainda mais a realizar essas actividades. A actividade humana, do mesmo modo que procede do homem, assim para ele se ordena. De facto, quando age, o homem não transforma apenas as coisas e a sociedade, mas realiza-se a si mesmo. […] O homem vale mais por aquilo que é do que por aquilo que tem. Do mesmo modo, tudo o que o homem faz para conseguir mais justiça, mais fraternidade, uma organização mais humana das relações sociais, vale mais do que os progressos técnicos.







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