quinta-feira, 19 de outubro de 2017

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Sexta-feira, dia 20 de Outubro de 2017

Sexta-feira da 28ª semana do Tempo Comum

Santa Iria, mártir, +653, Santa Maria Bertilla Boscardin, religiosa, enfermeira, +1922, Beato Contardo Ferrini, profissional católico, +1902

Comentário do dia
Santo Inácio de Loyola : «Não temais»

Romanos 4,1-8.

Irmãos: Que diremos de Abraão, nosso antepassado segundo a carne?
Se Abraão foi justificado pelas obras, tinha motivo para se gloriar. Mas ninguém se pode gloriar diante de Deus.
De facto, que diz a Escritura? «Abraão acreditou em Deus e isto foi-lhe atribuído como justiça».
Ora, a quem faz um trabalho o salário não é atribuído como favor, porque é uma obrigação.
Pelo contrário, a quem não faz as obras, mas acredita em Deus, que justifica o ímpio, a sua fé é-lhe atribuída como justiça.
Assim também David proclama feliz o homem a quem Deus atribui a justiça independentemente das obras:
«Felizes aqueles a quem foram perdoadas as ofensas e absolvidos os pecados.
Feliz o homem a quem o Senhor não atribui o pecado».


Lucas 12,1-7.

Naquele tempo, a multidão afluía aos milhares, a ponto de se atropelarem uns aos outros. E Jesus começou a dizer, em primeiro lugar para os seus discípulos: «Acautelai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia.
Não há nada encoberto que não venha a descobrir-se, nem há nada oculto que não venha a conhecer-se.
Por isso, tudo o que tiverdes dito às escuras será ouvido à luz do dia e o que tiverdes dito aos ouvidos, nos aposentos interiores, será proclamado sobre os telhados.
Digo-vos a vós, meus amigos: Não temais os que matam o corpo e depois nada mais podem fazer.
Vou mostrar-vos a quem deveis temer: Temei Aquele que, depois de matar, tem poder para lançar na Geena. Sim, Eu vos digo, a Esse é que deveis temer.
Não se vendem cinco passarinhos por duas moedas? Contudo, nenhum deles é esquecido diante de Deus.
Mais ainda, até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais. Valeis mais do que todos os passarinhos».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Santo Inácio de Loyola (1491-1556), fundador dos jesuítas
Carta de 17/11/1555

«Não temais»

Parece-me que deveríeis decidir-vos a fazer calmamente o que podeis. Não vos inquieteis com o resto, mas deixai nas mãos da divina Providência o que não podeis cumprir por vós mesmos. São agradáveis a Deus a solicitude e o cuidado que, com razoabilidade, pomos nas tarefas que nos competem, para conseguirmos concretizá-las da melhor maneira. Não Lhe são agradáveis a ansiedade e a inquietação do espírito: o Senhor quer que os nossos limites e fraquezas encontrem apoio na sua fortaleza e omnipotência, quer que tenhamos confiança em que a sua bondade suprirá a imperfeição dos nossos meios.

Os que se ocupam com muitos assuntos, mesmo que o façam com boas intenções, devem resolver-se a fazer apenas o que está ao seu alcance. Se tivermos de deixar de lado certas coisas, há que ter paciência, e não pensar que Deus espera de nós o que não podemos fazer. Ele não quer que o homem se atormente com as próprias limitações; não é preciso cansarmo-nos excessivamente. Quando de facto nos esforçámos por dar o melhor de nós, podemos deixar o resto nas mãos daquele que tem o poder de realizar tudo o que quer.

Que a bondade divina nos comunique sempre a luz da sabedoria, para que possamos ver com clareza e realizar a sua vontade com profunda convicção, em nós e nos outros […], para que das suas mãos aceitemos o que nos envia, considerando o que é de maior importância: a paciência, a humildade, a obediência e a caridade.







quarta-feira, 18 de outubro de 2017

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Quinta-feira, dia 19 de Outubro de 2017

Quinta-feira da 28ª semana do Tempo Comum

S. João de Brébeuf, Santo Isaac Jogues e companheiros, mártires, séc. XVII, S. Paulo da Cruz,presbítero, penitente, +1775, S. Pedro de Alcântara, religioso, +1562, Beato Timóteo Giaccardo, presbítero, +1948

Comentário do dia
Missal Romano: «começaram a persegui-l'O terrivelmente e a provocá-l'O»

Romanos 3,21-30.

Irmãos: Independentemente da Lei de Moisés, manifestou-se agora a justiça de Deus, de que dão testemunho a Lei e os Profetas;
porque a justiça de Deus vem pela fé em Jesus Cristo, para todos e sobre todos os crentes. De facto não há distinção alguma,
porque todos pecaram e estão privados da glória de Deus;
e todos são justificados de maneira gratuita pela sua graça, em virtude da redenção realizada em Cristo Jesus,
que Deus apresentou como vítima de propiciação, mediante a fé, pelo seu sangue. Assim Deus manifestava a sua justiça, tolerando as faltas outrora cometidas,
no tempo da sua paciência. Ele quis manifestar a sua justiça no tempo presente, não só para ser justo, mas também para justificar aquele que vive da fé em Jesus.
Onde está então o motivo para alguém se gloriar? Fica eliminado. Por que lei? Pela lei das obras? Não. Pela lei da fé.
Na verdade, estamos convencidos de que o homem é justificado pela fé, sem as obras da Lei.
Deus será somente Deus dos judeus? Não o será também dos gentios? Sim, Ele é também Deus dos gentios,
uma vez que há um só Deus. É Ele que há-de justificar pela fé os circuncidados, e os não-circuncidados, mediante a fé.


Lucas 11,47-54.

Naquele tempo, disse o Senhor aos doutores da lei: «Ai de vós, porque edificais os túmulos dos profetas, quando foram os vossos pais que os mataram.
Assim dais testemunho e aprovação às obras dos vossos pais, porque eles mataram-nos e vós levantais os monumentos.
É por isso que a Sabedoria de Deus disse: 'Eu lhes enviarei profetas e apóstolos; e eles hão de matar uns e perseguir outros'.
Mas Deus vai pedir contas a esta geração do sangue de todos os profetas, que foi derramado desde a criação do mundo,
desde o sangue de Abel até ao sangue de Zacarias, que pereceu entre o altar e o Santuário. Sim, Eu vos digo que se pedirão contas a esta geração.
Ai de vós, doutores da lei, porque tirastes a chave da ciência: vós não entrastes e impedistes os que queriam entrar!».
Quando Jesus saiu dali, os escribas e os fariseus começaram a persegui-l'O terrivelmente e a provocá-l'O com perguntas sobre muitas coisas,
armando-Lhe ciladas, para O surpreenderem nalguma palavra da sua boca.



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Missal Romano
Impropérios de Sexta-Feira Santa

«começaram a persegui-l'O terrivelmente e a provocá-l'O»

«Meu povo, que mal te fiz Eu?
Em que te contristei? Responde-me!» (Mq 6,3)

Libertei-te da terra do Egito:
E tu preparaste uma Cruz para o teu Salvador!
Guiei-te durante quarenta anos pelo deserto,
Alimentei-te com o maná e levei-te para a terra prometida:
E tu preparaste uma Cruz para o teu Salvador!

Que mais podia Eu fazer por ti?
Plantei-te como vinha formosa e escolhida:
E tu foste para Mim uma fonte de amargura:
Quiseste matar-Me a sede com vinagre,
E com uma lança atravessaste o lado do teu Salvador!

Meu Povo, que mal te fiz Eu?
Em que te contristei? Responde-me!

Dei-te o ceptro real:
E tu colocaste-Me na cabeça a coroa de espinhos!
Pelo meu poder elevei-te acima dos povos:
E tu levantaste-Me no patíbulo da Cruz!

Meu povo, que mal te fiz Eu?
Em que te contristei? Responde-Me!







terça-feira, 17 de outubro de 2017

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Quarta-feira, dia 18 de Outubro de 2017

S. Lucas, Evangelista – Festa

S. Lucas, Evangelista

Comentário do dia
Orígenes : «A fim de reconheceres a solidez da doutrina em que foste instruído» (Lc 1,4)

2 Tim. 4,10-17b.

Caríssimo: Demas abandonou-me. Preferiu o mundo presente e foi para Tessalónica. Crescente foi para a Galácia, e Tito para a Dalmácia.
Apenas Lucas está comigo. Traz contigo Marcos, pois me será de grande ajuda no ministério.
Quanto a Tíquico, enviei-o a Éfeso.
Quando vieres, traz o manto que deixei em Tróade, em casa de Carpo, bem como os livros, especialmente os pergaminhos.
Alexandre, o fundidor de cobre, causou-me muitos danos. O Senhor lhe retribuirá segundo as suas obras.
Toma tu também cuidado com ele, pois muito se tem oposto ao nosso ensinamento.
Na minha primeira defesa, ninguém esteve a meu lado: todos me abandonaram. Queira Deus que esta falta não lhes seja imputada.
O Senhor esteve a meu lado e deu-me força, para que, por meu intermédio, a mensagem do Evangelho fosse plenamente proclamada e todas as nações a ouvissem; e eu fui libertado da boca do leão.


Lucas 10,1-9.

Naquele tempo, designou o Senhor setenta e dois discípulos e enviou-os dois a dois à sua frente, a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir.
E dizia-lhes: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao dono da seara que mande trabalhadores para a sua seara.
Ide: Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos.
Não leveis bolsa nem alforge nem sandálias, nem vos demoreis a saudar alguém pelo caminho.
Quando entrardes nalguma casa, dizei primeiro: 'Paz a esta casa'.
E se lá houver gente de paz, a vossa paz repousará sobre eles; senão, ficará convosco.
Ficai nessa casa, comei e bebei do que tiverem, que o trabalhador merece o seu salário. Não andeis de casa em casa.
Quando entrardes nalguma cidade e vos receberem, comei do que vos servirem,
curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: 'Está perto de vós o reino de Deus'.



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Orígenes (c. 185-253), presbítero, teólogo
Homilias sobre São Lucas, n.º 1,1-2

«A fim de reconheceres a solidez da doutrina em que foste instruído» (Lc 1,4)

«Visto que muitos empreenderam compor uma narração dos factos que entre nós se consumaram, [...] resolvi eu também, depois de tudo ter investigado cuidadosamente desde a origem, expô-los a ti por escrito e pela sua ordem, caríssimo Teófilo, a fim de reconheceres a solidez da doutrina em que foste instruído» (Lc 1, 1-4).

Antigamente, entre os judeus, um grande número de pessoas presumia ter o dom da profecia, mas alguns eram falsos profetas. [...] O mesmo se passou no tempo no Novo Testamento, em que muitos «empreenderam» escrever evangelhos, mas nem todos foram aceites. [...] A palavra «empreenderam» contém uma acusação velada contra aqueles que, sem terem a graça do Espírito Santo, se lançaram na redação de evangelhos. Mateus, Marcos, João e Lucas não «empreenderam» escrever, mas, cheios do Espírito Santo, escreveram efetivamente os verdadeiros Evangelhos. [...]

A Igreja tem, pois, quatro evangelhos; os hereges têm-nos em grande número. [...] «Muitos empreenderam compor uma narração», mas apenas quatro evangelhos foram aprovados; e é desses que devemos retirar, para trazer à luz, aquilo em que é necessário crer sobre a pessoa do Nosso Senhor e Salvador. Sei que existe um evangelho a que chamam «segundo S. Tomé», outro «segundo Matias» e lemos ainda outros tantos para não fazermos figura de ignorantes diante daqueles que imaginam saber alguma coisa porque conhecem esses textos. Mas, em tudo isso, só aprovamos aquilo que a Igreja aprova: admitimos apenas quatro evangelhos. É isto que podemos dizer sobre o texto do prólogo de S. Lucas: «Muitos empreenderam compor uma narração dos factos que entre nós se consumaram».







segunda-feira, 16 de outubro de 2017

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Terça-feira, dia 17 de Outubro de 2017

Terça-feira da 28 semana do Tempo Comum

Santo Inácio de Antioquia, bispo, mártir, séc. II

Comentário do dia
Santa Teresa de Calcutá : «Dai antes de esmola o que está dentro e tudo para vós ficará limpo»

Romanos 1,16-25.

Irmãos: Não me envergonho do Evangelho, que é a força de Deus para a salvação de todo o crente: do judeu primeiramente, mas também do não judeu.
Porque no Evangelho se revela a justiça de Deus, que tem origem na fé e conduz à fé, como está escrito: 'O justo viverá pela fé'.
Na verdade, a ira de Deus manifesta-se do alto do Céu contra toda a impiedade e injustiça dos homens, que na sua injustiça abafam a verdade.
De facto, o que se pode conhecer de Deus é manifesto para eles, porque Deus lho manifestou.
Desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, o seu poder eterno e a sua divindade tornam-se, pelas suas obras, visíveis à inteligência. Deste modo, eles não têm desculpa,
porque, conhecendo a Deus, não O glorificaram como Deus nem Lhe deram graças. Ao contrário, entregaram-se aos seus vãos raciocínios e o seu coração insensato encheu-se de trevas.
Pretendendo ser sábios, tornaram-se loucos
e trocaram a glória de Deus imortal por imagens que representam homens mortais, aves, quadrúpedes e répteis.
Por isso Deus os entregou, segundo os desígnios dos seus corações, à impureza com que desonram os seus corpos.
Eles trocaram a verdade de Deus pela mentira, prestaram culto e adoração às criaturas em lugar do Criador, que é bendito para sempre. Amen.


Lucas 11,37-41.

Naquele tempo, depois de Jesus ter falado, um fariseu convidou-O para comer em sua casa. Jesus entrou e tomou lugar à mesa.
O fariseu admirou-se, ao ver que Ele não tinha feito as abluções antes de comer.
Disse-lhe o Senhor: «Vós, os fariseus, limpais o exterior do copo e do prato, mas o vosso interior está cheio de rapina e perversidade.
Insensatos! Quem fez o interior não fez também o exterior?
Dai antes de esmola o que está dentro e tudo para vós ficará limpo».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Santa Teresa de Calcutá (1910-1997), fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade
«Something Beautiful for God»

«Dai antes de esmola o que está dentro e tudo para vós ficará limpo»

Não podemos satisfazer-nos com dar dinheiro; o dinheiro não basta, porque não é difícil encontrá-lo. É das nossas mãos que os pobres precisam para serem servidos, é dos nossos corações que eles precisam para serem amados. A religião de Cristo é o amor, o contágio do amor.

Os que podem oferecer a si próprios uma vida fácil têm sem dúvida as suas razões: podem tê-la obtido com o seu trabalho. O que me incomoda é o desperdício, são os que deitam para o lixo o que poderia ser-nos útil. A dificuldade é que muitas vezes os ricos, ou mesmo as pessoas abastadas, não sabem verdadeiramente o que são os pobres; é por isso que podemos perdoar-lhes, porque o conhecimento só pode conduzir ao amor, e o amor ao serviço. É porque não os conhecem que não se sentem sensibilizados por eles.

Tento dar aos pobres, por amor, o que os ricos podem obter com o dinheiro. É verdade que não tocaria num leproso por um milhão de dólares; mas trato dele voluntariamente por amor a Deus.







domingo, 15 de outubro de 2017

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Segunda-feira, dia 16 de Outubro de 2017

Segunda-feira da 28ª semana do Tempo Comum

Santa Margarida Maria Alacoque, religiosa, +1690, Santa Edviges, viúva, +1243

Comentário do dia
Atribuído a São Romano: «Assim como Jonas foi um sinal para os habitantes de Nínive, assim o será também o Filho do homem para esta geração.»

Romanos 1,1-7.

Paulo, servo de Jesus Cristo, apóstolo por chamamento divino, escolhido para o Evangelho
que Deus tinha de antemão prometido pelos profetas nas Sagradas Escrituras,
acerca de seu Filho, nascido, segundo a carne, da descendência de David,
mas, segundo o Espírito que santifica, constituído Filho de Deus em todo o seu poder pela sua ressurreição de entre os mortos: Ele é Jesus Cristo, Nosso Senhor.
Por Ele recebemos a graça e a missão de apóstolo, a fim de levarmos todos os gentios a obedecerem à fé, para honra do seu nome,
dos quais fazeis parte também vós, chamados por Jesus Cristo.
A todos os que habitam em Roma, amados por Deus e chamados a serem santos, a graça e a paz de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo.


Lucas 11,29-32.

Naquele tempo, aglomerava-se uma grande multidão à volta de Jesus e Ele começou a dizer: «Esta geração é uma geração perversa: pede um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, senão o sinal de Jonas.
Assim como Jonas foi um sinal para os habitantes de Nínive, assim o será também o Filho do homem para esta geração.
No juízo final, a rainha do sul levantar-se-á com os homens desta geração e há de condená-los, porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão; e aqui está quem é maior do que Salomão.
No juízo final, os homens de Nínive levantar-se-ão com esta geração e hão de condená-la, porque fizeram penitência ao ouvir a pregação de Jonas; e aqui está quem é maior do que Jonas».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Atribuído a São Romano, o Melodista (?-c. 560), compositor de hinos
Hino «Nínive»; SC 99

«Assim como Jonas foi um sinal para os habitantes de Nínive, assim o será também o Filho do homem para esta geração.»

Tu previste o desespero de Nínive, desviaste a ameaça já profetizada, e a tua misericórdia venceu a tua cólera, Senhor. Tem piedade, também nos dias de hoje, do teu povo e da tua cidade; derruba os nossos adversários com a tua mão poderosa, por intercessão da Mãe de Deus, acolhendo o nosso arrependimento.

O hospital do arrependimento está aberto a todas as doenças morais: vinde, apressemo-nos a recorrer a ele e a tomar vigor para as nossas almas. Foi pelo arrependimento que a pecadora encontrou a salvação, que Pedro foi libertado das suas negações, que David pôs fim ao sofrimento do seu coração, e foi por ele que os ninivitas foram curados (Lc 7,50; 2S 12,13). Portanto, não hesitemos, levantemo-nos, mostremos a nossa ferida ao Salvador e deixemos que Ele nos cure. Porque Ele ultrapassa todo o nosso desejo, tal é o acolhimento que faz do nosso arrependimento.

Não são exigidos honorários aos que O procuram, porque eles não poderiam oferecer um presente com o mesmo valor que a cura. Recuperaram a saúde gratuitamente, mas deram o que podiam dar: em vez de presentes, lágrimas, que são, para este Libertador, objetos preciosos de amor e desejo. Disso são testemunhas a pecadora, Pedro, David e os ninivitas, pois levaram apenas os seus gemidos quando foram prostrar-se aos pés do Libertador, e Ele acolheu o seu arrependimento.


As lágrimas são muitas vezes mais fortes que Deus, se assim podemos dizer, e fazem violência sobre Ele; porque o Misericordioso Se deixa alegremente acorrentar pelas lágrimas, pelo menos pelas lágrimas do espírito (cf. 2Cor 7,10). [...] Choremos, portanto, com o coração, à maneira dos ninivitas que, graças à contrição, abriram o céu e chamaram a atenção do Libertador, que recebeu o seu arrependimento.







sábado, 14 de outubro de 2017

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Domingo, dia 15 de Outubro de 2017

28º Domingo do Tempo Comum
XXVIII Domingo Comum (semana IV do saltério)

Santa Teresa de Ávila, virgem, doutora da Igreja, +1582

Comentário do dia
Santo Agostinho : O traje das bodas

Is. 25,6-10a.

Sobre este monte, o Senhor do Universo há-de preparar para todos os povos um banquete de manjares suculentos, um banquete de vinhos deliciosos: comida de boa gordura, vinhos puríssimos.
Sobre este monte, há-de tirar o véu que cobria todos os povos, o pano que envolvia todas as nações;
Ele destruirá a morte para sempre. O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces e fará desaparecer da terra inteira o opróbrio que pesa sobre o seu povo. Porque o Senhor falou.
Dir-se-á naquele dia: «Eis o nosso Deus, de quem esperávamos a salvação; é o Senhor, em quem pusemos a nossa confiança.
Alegremo-nos e rejubilemos, porque nos salvou.
A mão do Senhor pousará sobre este monte».


Filip. 4,12-14.19-20.

Irmãos: Sei passar por privações, sei viver na abundância. Em toda e qualquer situação, estou preparado para me saciar e passar fome, para viver na abundância e sofrer carências.
Tudo posso n'Aquele que me conforta.
No entanto, fizestes bem em tomar parte na minha aflição.
O meu Deus proverá com abundância a todas as vossas necessidades, segundo a sua riqueza e magnificência, em Cristo Jesus.
A Deus nosso Pai, a glória pelos séculos dos séculos! Ámen!


Mateus 22,1-14.

Naquele tempo, Jesus dirigiu-Se de novo aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo e, falando em parábolas,
disse-lhes: «O reino dos Céus pode comparar-se a um rei que preparou um banquete nupcial para o seu filho.
Mandou os servos chamar os convidados para as bodas, mas eles não quiseram vir.
Mandou ainda outros servos, ordenando-lhes: 'Dizei aos convidados: Preparei o meu banquete, os bois e cevados foram abatidos, tudo está pronto. Vinde às bodas'.
Mas eles, sem fazerem caso, foram um para o seu campo e outro para o seu negócio;
os outros apoderaram-se dos servos, trataram-nos mal e mataram-nos.
O rei ficou muito indignado e enviou os seus exércitos, que acabaram com aqueles assassinos e incendiaram a cidade.
Disse então aos servos: 'O banquete está pronto, mas os convidados não eram dignos.
Ide às encruzilhadas dos caminhos e convidai para as bodas todos os que encontrardes'.
Então os servos, saindo pelos caminhos, reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala do banquete encheu-se de convidados.
O rei, quando entrou para ver os convidados, viu um homem que não estava vestido com o traje nupcial
e disse-lhe: 'Amigo, como entraste aqui sem o traje nupcial?'. Mas ele ficou calado.
O rei disse então aos servos: 'Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o às trevas exteriores; aí haverá choro e ranger de dentes'.
Na verdade, muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
Sermão 90, 5-6; PL 38-39, 561-563

O traje das bodas

O que é o traje das bodas, a veste nupcial? O apóstolo Paulo diz-nos: «Os preceitos não têm outro objetivo senão a caridade que nasce de um coração puro, de uma boa consciência e de uma fé sem fingimento» (1Tim 1,5). É essa a veste nupcial. Não se trata de um qualquer amor, porque muitas vezes veem-se homens que amam com má consciência. Os que se entregam juntos a brigas, à maldade, os que se amam com o amor dos atores, dos condutores de carros, dos gladiadores, amam-se generosamente entre si, mas não com aquela caridade que nasce de um coração puro, de uma boa consciência e de uma fé sem fingimento; ora, a veste nupcial não é essa caridade.

Revesti-vos, pois, da veste nupcial, vós que ainda a não tendes. Já entrastes na sala do banquete, ides aproximar-vos da mesa do Senhor, mas não tendes ainda, em honra do Esposo, a veste nupcial: procurais ainda os vossos interesses e não os de Jesus Cristo. Usa-se o traje nupcial para honrar a união nupcial, isto é, o Esposo e a Esposa. Vós conheceis o Esposo, que é Jesus Cristo; conheceis a Esposa, que é a Igreja (Ef 5,32). Honrai aquela que é desposada, honrai também Aquele que a desposa.







sexta-feira, 13 de outubro de 2017

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Sabado, dia 14 de Outubro de 2017

Sábado da 27ª semana do Tempo Comum

S. Calisto I, papa, mártir, +222, S. João Ogilvie, presbítero, mártir, +1615

Comentário do dia
São Sofrónio de Jerusalém : «Feliz Aquela que Te trouxe»

Joel 4,12-21.

Eis o que diz o Senhor: «Levantem-se as nações e encaminhem-se para o Vale de Josafat. Ali estarei sentado a julgar todas as nações vizinhas.
Metei a foice, porque a seara está madura; vinde pisar, porque o lagar está cheio: os tanques transbordam, porque é grande a malícia das nações».
Multidões e multidões no Vale do Julgamento! Está próximo o dia do Senhor no Vale do Julgamento!
O sol e a lua escureceram e as estrelas perderam o seu brilho.
O Senhor ruge desde Sião, de Jerusalém faz ouvir a sua voz: tremem os céus e a terra. Mas o Senhor é um refúgio para o seu povo, um abrigo para os filhos de Israel.
«Então sabereis que Eu sou o Senhor, vosso Deus, que habito em Sião, o meu santo monte. Jerusalém será um lugar sagrado e nunca mais passarão por lá os estranhos».
Nesse dia, os montes escorrerão vinho novo, as colinas jorrarão leite e correrão águas em todos os ribeiros de Judá. Do templo do Senhor sairá uma nascente, para regar o Vale das Acácias.
O Egipto será terra devastada e Edom um deserto desolado, por causa das violências contra os filhos de Judá, por terem derramado na sua terra sangue inocente.
Mas Judá será habitado para sempre e Jerusalém de geração em geração.
«Eu vingarei o seu sangue, que não deixarei impune». E o Senhor habitará em Sião.


Lucas 11,27-28.

Naquele tempo, enquanto Jesus falava à multidão, uma mulher levantou a voz no meio da multidão e disse: «Feliz Aquela que Te trouxe no seu ventre e Te amamentou ao seu peito».
Mas Jesus respondeu: «Mais felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

São Sofrónio de Jerusalém (?-639), monge, bispo
Homilia para a Anunciação, 2; PG 87, 3, 3241

«Feliz Aquela que Te trouxe»

«Rejubila, ó cheia de graça, o Senhor é contigo» (Lc 1,28). E nada há maior que esse júbilo, ó Virgem e Mãe! Nada há acima dessa graça. [...] Verdadeiramente «bendita és tu entre todas as mulheres» (Lc 1,42), porque transformaste em bênção a maldição de Eva, e porque Adão, que até então fora maldito, obteve de ti a bem-aventurança.

Verdadeiramente «bendita és tu entre todas as mulheres» porque, graças a ti, se derramou sobre os homens a bênção do Pai, que os libertou da antiga maldição. Verdadeiramente «bendita és tu entre todas as mulheres» porque, graças a ti, foram salvos os teus antepassados, pois tu geraste o Salvador que lhes obteria a redenção.

Verdadeiramente «bendita és tu entre todas as mulheres» porque, sem teres recebido semente, em ti trouxeste o fruto que doa a toda a terra a bem-aventurança, e a resgata da maldição donde nascem os espinhos. Verdadeiramente «bendita és tu entre todas as mulheres» porque, sendo por natureza mulher, na realidade te tornaste Mãe de Deus, uma vez que, sendo Aquele que geraste, na verdade, Deus feito carne, a mui justo título és chamada Mãe de Deus, porque é Deus Aquele que verdadeiramente deste à luz.







quinta-feira, 12 de outubro de 2017

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Sexta-feira, dia 13 de Outubro de 2017

Sexta-feira da 27ª semana do Tempo Comum

S. Eduardo, rei de Inglaterra, +1066, Beata Alexandrina Costa, virgem, +1955

Comentário do dia
São : O lugar do combate espiritual

Joel 1,13-15.2,1-2.

Vesti-vos de luto e chorai, sacerdotes, entoai lamentações, ministros do altar. Vinde passar a noite com vestes de penitência, ministros do meu Deus. Porque no templo de Deus, desapareceram a oferenda e a libação.
Proclamai um solene jejum, convocai uma assembleia. Reuni os anciãos e todos os habitantes do país no templo do Senhor, vosso Deus. E clamai ao Senhor:
«Ah, que dia este!». Está próximo o dia do Senhor, que vai chegar como devastação que vem do Omnipotente.
Tocai a trombeta em Sião, dai o alarme no meu santo monte. Estremeçam todos os habitantes do país, porque está a chegar o dia do Senhor. Sim, ele está próximo:
será dia de trevas e de escuridão, dia de nuvens e de sombras. Como a luz da aurora, estende-se sobre os montes um povo numeroso e forte. Nunca houve povo nenhum como ele, nem depois dele haverá outro, até às mais longínquas gerações.


Lucas 11,15-26.

Naquele tempo, Jesus expulsou um demónio, mas alguns dos presentes disseram: «É por Belzebu, príncipe dos demónios, que Ele expulsa os demónios».
Outros, para O experimentarem, pediam-Lhe um sinal do céu.
Mas Jesus, que conhecia os seus pensamentos, disse: «Todo o reino dividido contra si mesmo, acaba em ruínas e cairá casa sobre casa.
Se Satanás está dividido contra si mesmo, como subsistirá o seu reino? Vós dizeis que é por Belzebu que Eu expulso os demónios.
Ora, se Eu expulso os demónios por Belzebu, por quem os expulsam os vossos discípulos? Por isso eles mesmos serão os vossos juízes.
Mas se Eu expulso os demónios pelo dedo de Deus, então quer dizer que o reino de Deus chegou até vós.
Quando um homem forte e bem armado guarda o seu palácio, os seus bens estão em segurança.
Mas se aparece um mais forte do que ele e o vence, tira-lhe as armas em que confiava e distribui os seus despojos.
Quem não está comigo está contra Mim e quem não junta comigo dispersa.
Quando o espírito impuro sai do homem, anda a vaguear por lugares desertos à procura de repouso. Como não o encontra, diz consigo: 'Voltarei para a casa de onde saí'.
quando lá chega, encontra-a varrida e arrumada.
Então vai e toma consigo sete espíritos piores do que ele, que entram e se instalam nela. E o último estado daquele homem torna-se pior do que o primeiro».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

São (Padre) Pio de Pietrelcina (1887-1968), capuchinho
CE 33

O lugar do combate espiritual

O lugar do combate entre Deus e Satanás é a alma humana em cada instante da vida. É por conseguinte necessário que a alma dê livre acesso ao Senhor, para que Ele a fortaleça de todas as maneiras e com todo o tipo de armas. Deste modo, a luz de Deus poderá iluminá-la, para melhor combater as trevas do erro. Revestida de Cristo (Gal 3,27), da sua verdade e da sua justiça, protegida com o escudo da fé e da palavra de Deus, ela vencerá os seus inimigos, por muito poderosos que estes sejam (Ef 6,13s). Mas, para uma pessoa se revestir de Cristo, tem de morrer para si mesma.







quarta-feira, 11 de outubro de 2017

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Quinta-feira, dia 12 de Outubro de 2017

Quinta-feira da 27ª semana do Tempo Comum

Comentário do dia
Simeão: «Quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que Lho pedem!»

Malaquias 3,13-20a.

«As vossas palavras contra Mim são arrogantes – diz o Senhor – e perguntais: 'Que dissemos contra o Senhor?'.
Vós dissestes: 'É tempo perdido servir a Deus. Que aproveita cumprir os seus preceitos e andar vestido de luto diante do Senhor do Universo?
Por isso agora chamamos felizes os soberbos, que praticam o mal e prosperam, que provocam a Deus e ficam impunes'».
Então os que temem o Senhor falaram entre si; e o Senhor prestou atenção e escutou-os. Diante d'Ele foi escrito um livro que conserva a memória daqueles que O temem e respeitam o seu nome.
«No dia que Eu preparo, Eles serão minha propriedade – diz o Senhor do Universo –. Terei compaixão deles, como um pai se compadece do filho obediente.
Então vereis de novo a diferença entre o justo e o pecador, entre aquele que serve a Deus e aquele que não O serve.
Porque há-de vir o dia, ardente como uma fornalha, em que serão como a palha todos os soberbos e malfeitores. O dia que há-de vir os abrasará – diz o Senhor do Universo – e não lhes deixará raiz nem ramos.
Mas para vós que temeis o meu nome, nascerá o sol de justiça, trazendo nos seus raios a salvação.


Lucas 11,5-13.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Se algum de vós tiver um amigo, poderá ter de ir a sua casa à meia-noite, para lhe dizer: 'Amigo, empresta-me três pães,
porque chegou de viagem um dos meus amigos e não tenho nada para lhe dar'.
Ele poderá responder lá de dentro: 'Não me incomodes; a porta está fechada, eu e os meus filhos já nos deitámos; não posso levantar-me para te dar os pães'.
Eu vos digo: Se ele não se levantar por ser amigo, ao menos, por causa da sua insistência, levantar-se-á para lhe dar tudo aquilo de que precisa.
Também vos digo: Pedi e dar-se-vos-á; procurai e encontrareis; batei à porta e abrir-se-vos-á.
Porque quem pede recebe; quem procura encontra e a quem bate à porta, abrir-se-á.
Se um de vós for pai e um filho lhe pedir peixe, em vez de peixe dar-lhe-á uma serpente?
E se lhe pedir um ovo, dar-lhe-á um escorpião?
Se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que Lho pedem!».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Simeão, o Novo Teólogo (c. 949-1022), monge grego
Hinos, n.° 29

«Quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que Lho pedem!»

De onde vens? Como penetras,
no interior da minha cela,
fechada de todos os lados?
Com efeito, isto é estranho,
ultrapassa a palavra e o pensamento.
Mas o facto de vires até mim,
subitamente, todo inteiro, e de brilhares,
o facto de Te deixares ver sob uma forma luminosa,
como a Lua na sua plena luz,
deixa-me incapaz de pensar
e sem voz, meu Deus!
Sei bem que és
Aquele que veio para iluminar
os que estão nas trevas (Lc 1,79),
e fico estupefacto,
fico privado de senso e de palavras,
ao ver tão estranha maravilha
que ultrapassa toda a criação,
toda a natureza e as palavras. [...]

Como é que Deus está fora do universo
pela sua essência e a sua natureza,
pelo seu poder e pela sua glória,
e ao mesmo tempo habita em tudo e em todos,
mas de uma maneira especial nos seus santos?
Como arma neles a sua tenda
de forma consciente e substancial,
Ele que está totalmente para lá da substância?
Como está contido nas suas entranhas,
Ele que contém toda a criação?
Como brilha no coração deles,
neste coração carnal e espesso?
Como é que Ele está no interior deste,
como é que está fora de tudo,
mas preenche tudo?
Como é que, de noite e de dia,
brilha sem ser visto?

Diz-me, pode o espírito do homem
conceber todos estes mistérios,
poderá ele exprimi-los?
Seguramente que não! Nem um anjo
nem um arcanjo to poderiam explicar;
seriam incapazes
de to expor por meio de palavras.
Só o Espírito Santo, porque é divino,
conhece estes mistérios
e os sabe, porque apenas Ele
partilha a natureza, o trono e a eternidade
com o Filho e o Pai.
É pois àqueles a quem este Espírito resplandecerá
e com quem Se unirá liberalmente
que Ele mostra tudo de forma inexprimível. [...]
É como um cego: quando vê,
vê primeiramente a luz
e em seguida toda a criação
que está na luz, oh maravilha!
Do mesmo modo, aquele que foi iluminado
pelo Espírito divino na sua alma
entra imediatamente em comunhão com a luz
e contempla a luz,
a luz de Deus, do próprio Deus,
que também lhe mostra tudo,
ou antes, tudo o que Deus decidir,
tudo o que Ele desejar e quiser mostrar.
Àqueles que ilumina com a sua luz
Ele permite que vejam o que se encontra na luz divina.







terça-feira, 10 de outubro de 2017

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Quarta-feira, dia 11 de Outubro de 2017

Quarta-feira da 27ª semana do Tempo Comum

S. João XXIII, papa, +1963, S. Maria Soledade Torres, virgem, fundadora, +1887

Comentário do dia
Homilia do século V sobre a oração: «Ensina-nos a orar»

Jonas 4,1-11.

Jonas ficou muito desgostoso e irritado, quando Deus perdoou aos ninivitas,
e orou, dizendo: «Ah, Senhor! Não era isto que eu dizia, quando estava ainda na minha terra? Por isso me apressei a fugir para Társis, por saber que sois um Deus clemente e compassivo, lento para a ira, rico de misericórdia e sempre disposto a desistir do castigo.
Mas agora, Senhor, tirai-me a vida, porque para mim é melhor morrer do que ficar vivo».
O Senhor respondeu-lhe: «Terás razão para te irritares?».
Jonas saiu de Nínive e instalou-se a oriente da cidade. Aí fez uma cabana e sentou-se à sua sombra, para ver o que acontecia à cidade.
Então o Senhor Deus fez crescer um rícino, que se elevou por cima de Jonas, para lhe dar sombra à cabeça e o livrar do seu mau humor. Jonas ficou muito contente com o rícino.
Mas no dia seguinte, ao romper da manhã, Deus mandou um verme, que roeu as raízes do rícino, e ele secou.
Ao nascer do sol, Deus fez soprar do oriente um vento abrasador e o sol bateu em cheio na cabeça de Jonas, fazendo-o desmaiar. E Jonas tornou a pedir a morte, exclamando: «Para mim é melhor morrer do que ficar vivo».
Então Deus disse a Jonas: «Terás razão para te irritares por causa do rícino?». Jonas respondeu: «Tenho razão de me irritar mortalmente».
O Senhor disse-lhe: «Tu tens pena do rícino, que não te deu qualquer trabalho e não fizeste crescer, que nasceu numa noite e numa noite morreu.
E Eu não devia ter pena da grande cidade de Nínive, onde há mais de cento e vinte mil pessoas que não sabem distinguir a mão direita da esquerda, além de grande número de animais?».


Lucas 11,1-4.

Naquele tempo, estava Jesus em oração em certo lugar. Ao terminar, disse-Lhe um dos discípulos: «Senhor, ensina-nos a orar, como João Baptista ensinou também os seus discípulos».
Disse-lhes Jesus: «Quando orardes, dizei: 'Pai, santificado seja o vosso nome; venha o vosso reino;
dai-nos em cada dia o pão da nossa subsistência; perdoai-nos os nossos pecados,
porque também nós perdoamos a todo aquele que nos ofende; e não nos deixeis cair em tentação'».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Homilia do século V sobre a oração
PG 64, 461

«Ensina-nos a orar»

O bem supremo é a oração, a conversa familiar com Deus. Ela é relação com Deus e união com Ele. Tal como os olhos do corpo são iluminados à vista da luz, assim a alma voltada para Deus é iluminada com a sua luz inefável. A oração não resulta de uma atitude exterior, mas vem do coração. Não se limita a horas ou a momentos determinados, mas está em contínua atividade, de noite como de dia. Não nos contentemos com orientar o nosso pensamento para Deus quando estamos em oração; mas quando outras ocupações – como o cuidado dos pobres ou qualquer outra ocupação boa e útil – nos absorvem, é importante associar-lhes o desejo e a lembrança de Deus, a fim de oferecer ao Senhor do universo um alimento doce, temperado com o sal do amor de Deus. Podemos daí retirar grande vantagem, ao longo de toda a nossa vida, se a isso consagrarmos uma parte do nosso tempo.

A oração é a luz da alma, o verdadeiro conhecimento de Deus, a mediadora entre Deus e os homens. Por ela, a alma eleva-se ao céu e abraça o Senhor com um aperto inexprimível. Como um lactente a sua mãe, a alma grita a Deus chorando, ávida do leite divino; exprimindo assim os seus desejos profundos, recebe dons que ultrapassam tudo o que se pode ver na natureza. A oração, pela qual nos apresentamos respeitosamente perante Deus, é a alegria do coração e o repouso da alma.







segunda-feira, 9 de outubro de 2017

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Terça-feira, dia 10 de Outubro de 2017

Terça-feira da 27 semana do Tempo Comum

S. Daniel Comboni, presbítero, fundador, +1881, S. Tomás de Vilanova, bispo, +1555

Comentário do dia
Santo Agostinho : Duas mulheres, duas imagens da nossa vida

Jonas 3,1-10.

A palavra do Senhor foi dirigida a Jonas nos seguintes termos:
«Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive e apregoa nela a mensagem que Eu te direi».
Jonas levantou-se e foi a Nínive, conforme a palavra do Senhor. Nínive era uma grande cidade aos olhos de Deus; levava três dias a atravessar.
Jonas entrou na cidade e caminhou durante um dia, apregoando: «Daqui a quarenta dias, Nínive será destruída».
Os habitantes de Nínive acreditaram em Deus, proclamaram um jejum e revestiram-se de saco, desde o maior ao mais pequeno.
Logo que a notícia chegou ao rei de Nínive, ele ergueu-se do trono e tirou o manto, cobriu-se de saco e sentou-se sobre a cinza.
Depois foi proclamado em Nínive um decreto do rei e dos seus ministros, que dizia: «Os homens e os animais, os bois e as ovelhas, não provem alimento, não pastem nem bebam água.
Os homens e os animais revistam-se de saco e clamem a Deus com vigor; afaste-se cada um do seu mau caminho e das violências que tenha praticado.
Quem sabe? Talvez Deus reconsidere e desista, acalmando o ardor da sua ira, de modo que não pereçamos».
Quando Deus viu as suas obras e como se convertiam do seu mau caminho, desistiu do castigo com que os ameaçara e não o executou.


Lucas 10,38-42.

Naquele tempo, Jesus entrou em certa povoação e uma mulher chamada Marta recebeu-O em sua casa.
Ela tinha uma irmã chamada Maria, que, sentada aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra.
Entretanto, Marta atarefava-se com muito serviço. Interveio então e disse: «Senhor, não Te importas que minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe que venha ajudar-me».
O Senhor respondeu-lhe: «Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas,
quando uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
Sermão 104; PL 38, 616

Duas mulheres, duas imagens da nossa vida

Creio que compreendeis que estas duas mulheres, ambas diletas do Senhor, dignas do seu amor e suas discípulas, [...] são a imagem de duas formas de vida: a vida deste mundo e a vida do mundo futuro, a vida de trabalho e a vida de repouso, a vida das preocupações e a vida da bem-aventurança, a vida no tempo e a vida eterna.

Duas vidas: meditemos mais longamente sobre elas, e consideremos de que é feita esta vida. Não me refiro a uma vida censurável [...], a uma vida de vícios, de impiedades; não, falo de uma vida de trabalho, carregada de provações, de angústias, de tentações, de uma vida que não tem nada de culpável, de uma vida que era efetivamente a de Marta. [...] O mal estava ausente desta casa, tanto em Marta como em Maria; se estivesse presente, a chegada do Senhor tê-lo-ia dissipado. Duas mulheres aí viveram e as duas receberam o Senhor, duas vidas admiráveis, retas, uma feita de trabalho, a outra de repouso. [...] Uma de trabalho, mas livre de perturbações, que são obstáculo à vida entregue à ação; a outra isenta de ociosidade, que é obstáculo à vida contemplativa. Havia nesta casa as duas vidas, mas a fonte era a mesma. [...]

A vida de Marta é o nosso mundo; a vida de Maria é o mundo que esperamos. Vivamos neste mundo com retidão, para obtermos o outro em plenitude. Que possuímos já dessa vida? [...] Precisamente, neste momento, vivemos de certa maneira essa vida: afastando o trabalho, pondo de parte as preocupações familiares, reuni-vos e escutais. Comportando-vos assim, assemelhais-vos a Maria. Isso torna-se-vos mais fácil do que a mim, que tenho de tomar a palavra. No entanto, o que digo é a Cristo que vou buscá-lo, e este alimento é de Cristo. Porque é o pão comum a todos, e é para isso que vivo em comunhão convosco.







domingo, 8 de outubro de 2017

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Segunda-feira, dia 09 de Outubro de 2017

Segunda-feira da 27ª semana do Tempo Comum

S. João Leonardo, presbítero, +1609, S. Dionísio, bispo, e companheiros, mártires, ++250, Beato John Henry Newman, cardeal, +1890

Comentário do dia
Orígenes : «Então vai e faz o mesmo.»

Jonas 1,1-16.2,1.11.

A palavra do Senhor foi dirigida a Jonas, filho de Amitai:
«Levanta-te e vai à grande cidade de Nínive e anuncia-lhe que a fama da sua malícia chegou à minha presença».
Jonas levantou-se, a fim de fugir para Társis, para longe da presença do Senhor. Desceu a Jope, onde encontrou um navio que ia para Társis. Pagou a sua passagem e embarcou, a fim de seguir com os viajantes para Társis, para longe da presença do Senhor.
Mas o Senhor fez que soprasse um forte vento sobre o mar e levantou-se uma grande tempestade, a ponto de o navio ameaçar afundar-se.
Os marinheiros estavam aterrados e começou cada qual a clamar pelo seu deus. Para aliviarem o navio, deitaram a carga ao mar. Entretanto, Jonas tinha descido ao porão do navio e, deitado, dormia profundamente.
O capitão foi ter com ele e disse-lhe: «Como podes dormir? Levanta-te e invoca o teu Deus. Talvez Ele Se lembre de nós e não pereçamos».
Os tripulantes disseram uns para os outros: «Vamos deitar sortes, para sabermos quem é o responsável desta desgraça». Deitaram sortes e a sorte caiu sobre Jonas.
Então disseram-lhe: «Declara-nos por que motivo nos vem esta desgraça. Qual é a tua profissão? Donde vens? Qual é a tua terra e a que povo pertences?».
Jonas respondeu-lhes: «Eu sou hebreu e presto culto ao Senhor, Deus do Céu, que fez o mar e a terra».
Então aqueles homens sentiram um grande temor e disseram-lhe: «Que fizeste? – Pelo que Jonas lhes tinha contado, eles sabiam que fugia da presença do Senhor
– Que havemos de fazer-te, para que o mar se acalme à nossa volta?». É que o mar tornava-se cada vez mais impetuoso.
Jonas disse-lhes: «Agarrai-me e lançai-me ao mar e o mar acalmar-se-á à vossa volta, porque eu sei que é por minha causa que esta grande tormenta caiu sobre vós».
Os marinheiros remaram, tentando alcançar a costa, mas em vão, porque o mar se agitava cada vez mais contra eles.
Então invocaram o Senhor, dizendo: «Ah, Senhor! Não queremos morrer por causa deste homem; mas não nos torneis responsáveis pela morte dum inocente, porque Vós, Senhor, fareis o que Vos agrada».
Pegaram em Jonas e lançaram-no ao mar e o mar acalmou a sua fúria.
Aqueles homens começaram a temer muito o Senhor; ofereceram-Lhe um sacrifício e fizeram-Lhe votos.
Então o Senhor enviou um grande peixe para engolir Jonas e Jonas ficou nas entranhas do peixe três dias e três noites.
Por fim, o Senhor ordenou ao peixe que vomitasse Jonas na praia.


Lucas 10,25-37.

Naquele tempo, levantou-se um doutor da lei e perguntou a Jesus para O experimentar: «Mestre, que hei de fazer para receber como herança a vida eterna?».
Jesus disse-lhe: «Que está escrito na lei? Como lês tu?».
Ele respondeu: «Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento; e ao próximo como a ti mesmo».
Disse-lhe Jesus: «Respondeste bem. Faz isso e viverás».
Mas ele, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: «E quem é o meu próximo?».
Jesus, tomando a palavra, disse: «Um homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores. Roubaram-lhe tudo o que levava, espancaram-no e foram-se embora, deixando-o meio morto.
Por coincidência, descia pelo mesmo caminho um sacerdote; viu-o e passou adiante.
Do mesmo modo, um levita que vinha por aquele lugar, viu-o e passou também adiante.
Mas um samaritano, que ia de viagem, passou junto dele e, ao vê-lo, encheu-se de compaixão.
Aproximou-se, ligou-lhe as feridas deitando azeite e vinho, colocou-o sobre a sua própria montada, levou-o para uma estalagem e cuidou dele.
No dia seguinte, tirou duas moedas, deu-as ao estalajadeiro e disse: 'Trata bem dele; e o que gastares a mais eu to pagarei quando voltar'.
Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?».
O doutor da lei respondeu: «O que teve compaixão dele». Disse-lhe Jesus: «Então vai e faz o mesmo».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Orígenes (c. 185-253), presbítero, teólogo
Comentário sobre o Cântico dos cânticos, prólogo 2, 26-31

«Então vai e faz o mesmo.»

Está escrito : «Amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus» (1Jo 4,7); e mais adiante: «Deus é amor» (8). Deste modo se diz, por um lado, que o próprio Deus é amor, e por outro, que aquele que é de Deus é amor. Ora, quem é de Deus senão aquele que disse: «Saí de Deus e vim a este mundo»? (Jo 16,28). Se Deus Pai é amor, também o Filho é amor [...] ; o Pai e o Filho são um só e em nada diferem. Eis a razão por que Cristo é chamado, para além de Sabedoria, Poder, Justiça, Verbo e Verdade, também Amor. [...]

E, porque Deus é amor e o Filho que é de Deus é amor, Ele exige que haja em nós algo semelhante a Ele, de tal maneira que, por este amor, por esta caridade que está em Cristo Jesus [...], sejamos unidos a Ele por uma espécie de parentesco, graças a este nome. Como dizia S. Paulo, que estava unido a Ele: «Quem nos separará do amor de Deus, que está em Cristo Jesus Nosso Senhor?» (Rom 8,39).

Ora, este amor de caridade considera que todo o homem é o nosso próximo. Foi por essa razão que o Salvador repreendeu um homem que estava convencido de que a alma justa não estava obrigada a aplicar a todos a lei do amor ao próximo. [...] E compôs a parábola do «homem [que] descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores». Depois censura o sacerdote e o levita, que, vendo-o meio morto, passaram adiante, mas presta homenagem ao samaritano, que teve misericórdia para com ele. E confirma que este último foi o próximo do homem ferido, dizendo àquele que Lhe tinha feito a pergunta: «Então vai e faz o mesmo». Com efeito, por natureza, nós somos todos o próximo uns dos outros; mas, pelas obras de caridade, aquele que pode fazer bem torna-se próximo daquele que não pode fazê-lo. Foi por isso que o nosso Salvador Se fez nosso próximo, e não passou adiante quando estávamos «meio mortos» em consequência dos ferimentos infligidos pelos «salteadores».







sábado, 7 de outubro de 2017

padrecavalieri@uol.com.br


Domingo, dia 08 de Outubro de 2017

27º Domingo do Tempo Comum

Santa Taís, penitente, séc. IV, S. Simeão, teólogo, +1022, São João Calábria, presbítero, fundador, +1954

Comentário do dia
São Basílio : Dar fruto

Is. 5,1-7.

Vou cantar, em nome do meu amigo, um cântico de amor à sua vinha. O meu amigo possuía uma vinha numa fértil colina.
Lavrou-a e limpou-a das pedras, plantou-a de cepas escolhidas. No meio dela ergueu uma torre e escavou um lagar. Esperava que viesse a dar uvas, mas ela só produziu agraços.
E agora, habitantes de Jerusalém, e vós, homens de Judá, sede juízes entre mim e a minha vinha:
Que mais podia fazer à minha vinha que não tivesse feito? Quando eu esperava que viesse a dar uvas, porque é que apenas produziu agraços?
Agora vos direi o que vou fazer à minha vinha: vou tirar-lhe a vedação e será devastada; vou demolir-lhe o muro e será espezinhada.
Farei dela um terreno deserto: não voltará a ser podada nem cavada, e nela crescerão silvas e espinheiros; e hei de mandar às nuvens que sobre ela não deixem cair chuva.
A vinha do Senhor do Universo é a casa de Israel, e os homens de Judá são a plantação escolhida. Ele esperava retidão e só há sangue derramado; esperava justiça e só há gritos de horror.


Filip. 4,6-9.

Irmãos: Não vos inquieteis com coisa alguma. Mas, em todas as circunstâncias, apresentai os vossos pedidos diante de Deus, com orações, súplicas e acções de graças.
E a paz de Deus, que está acima de toda a inteligência, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.
Quanto ao resto, irmãos, tudo o que é verdadeiro e nobre, tudo o que é justo e puro, tudo o que é amável e de boa reputação, tudo o que é virtude e digno de louvor é o que deveis ter no pensamento.
O que aprendestes, recebestes, ouvistes e vistes em mim é o que deveis praticar. E o Deus da paz estará convosco.


Mateus 21,33-43.

Naquele tempo, disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: «Ouvi outra parábola: Havia um proprietário que plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar e levantou uma torre; depois, arrendou-a a uns vinhateiros e partiu para longe.
Quando chegou a época das colheitas, mandou os seus servos aos vinhateiros para receber os frutos.
Os vinhateiros, porém, lançando mão dos servos, espancaram um, mataram outro, e a outro apedrejaram-no.
Tornou ele a mandar outros servos, em maior número que os primeiros. E eles trataram-nos do mesmo modo.
Por fim, mandou-lhes o seu próprio filho, dizendo: 'Respeitarão o meu filho'.
Mas os vinhateiros, ao verem o filho, disseram entre si: 'Este é o herdeiro; matemo-lo e ficaremos com a sua herança'.
E, agarrando-o, lançaram-no fora da vinha e mataram-no.
Quando vier o dono da vinha, que fará àqueles vinhateiros?».
Eles responderam: «Mandará matar sem piedade esses malvados e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entreguem os frutos a seu tempo».
Disse-lhes Jesus: «Nunca lestes na Escritura: 'A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; tudo isto veio do Senhor e é admirável aos nossos olhos'?
Por isso vos digo: Ser-vos-á tirado o reino de Deus e dado a um povo que produza os seus frutos».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

São Basílio (c. 330-379), monge, bispo de Cesareia da Capadócia, doutor da Igreja
Homilia 5 sobre o Hexâmeron, 6

Dar fruto

O Senhor está permanentemente a comparar a alma humana com uma vinha: «O meu amigo possuía uma vinha numa colina fértil» (Is 5,1); «plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe» (Mt 21,33). É, evidentemente, à alma humana que Jesus chama a sua vinha, foi a ela que cercou, qual sebe, com a segurança que proporcionam os seus mandamentos e a proteção dos seus anjos, porque «o anjo do Senhor assenta os seus arraiais em redor dos que O temem» (Sl 33,8). Em seguida, ergueu em nosso redor uma paliçada, estabelecendo na Igreja «primeiro, apóstolos, segundo, profetas, terceiro, doutores» (1Cor 12,28). Por outro lado, através dos exemplos dos homens santos de outrora, eleva-nos os pensamentos, não os deixando cair por terra, onde mereceriam ser pisados. Deseja que os abraços da caridade, quais sarmentos de uma vinha, nos liguem ao nosso próximo e nos levem a repousar nele. Assim, mantendo permanentemente o impulso em direção aos céus, elevar-nos-emos como vinhas trepadeiras até aos mais altos cumes.

O Senhor pede-nos também que consintamos em ser podados. Ora, uma alma é podada quando afasta para longe de si os cuidados do mundo, que são um fardo para o nosso coração. Assim, aquele que afasta de si mesmo o amor carnal e a ligação às riquezas, ou que tem por detestável e desprezível a paixão pela miserável vanglória foi, por assim dizer, podado, e voltou a respirar, liberto do fardo inútil das preocupações deste mundo.

Mas – e mantendo ainda a linha da parábola – não podemos produzir apenas lenha, ou seja, viver com ostentação, ou procurar os louvores dos de fora. Temos de dar fruto, reservando as nossas obras para as mostrarmos ao verdadeiro agricultor (Jo 15,1).







sexta-feira, 6 de outubro de 2017

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Sabado, dia 07 de Outubro de 2017

Sábado da 26ª semana do Tempo Comum

Comentário do dia
São João Paulo II : «Eu Te bendigo, ó Pai, [...] porque [...] as revelaste aos pequeninos.»

Baruc 4,5-12.27-29.

Tem coragem, meu povo, memorial de Israel.
Fostes vendidos às nações, mas não para vossa ruína. Por terdes provocado a ira de Deus, fostes entregues aos vossos inimigos,
pois irritastes Aquele que vos criou, oferecendo sacrifícios aos demónios e não a Deus.
Esquecestes Aquele que vos sustentou, o Deus eterno, e contristastes também aquela que vos alimentou, Jerusalém.
Ao ver cair sobre vós a ira de Deus, ela disse: «Ouvi, cidades vizinhas de Sião, Deus infligiu-me um grande sofrimento,
pois vi o cativeiro dos meus filhos e filhas, que o Eterno fez cair sobre eles.
Eu tinha-os alimentado com alegria, mas vi-os partir com pranto e aflição.
Ninguém se alegre por causa de mim, vendo-me viúva e abandonada. Fiquei só, por causa dos pecados de meus filhos, porque se desviaram da Lei de Deus.
Tende coragem, meus filhos, e clamai a Deus, pois Aquele que vos castigou lembrar-se-á de vós.
Assim como tivestes o pensamento de abandonar a Deus, agora voltai para Ele e empenhai-vos dez vezes mais em procurá-l'O.
Pois Aquele que vos infligiu estes males fará vir sobre vós a eterna alegria, juntamente com a vossa salvação».


Lucas 10,17-24.

Naquele tempo, os setenta e dois discípulos voltaram cheios de alegria, dizendo: «Senhor, até os demónios nos obedeciam em teu nome».
Jesus respondeu-lhes: «Eu via Satanás cair do céu como um relâmpago.
Dei-vos o poder de pisar serpentes e escorpiões e dominar toda a força do inimigo; nada poderá causar-vos dano.
Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem; alegrai-vos antes porque os vossos nomes estão escritos no Céu».
Naquele momento, Jesus exultou de alegria pela ação do Espírito Santo e disse: «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e aos inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado.
Tudo Me foi entregue por meu Pai; e ninguém sabe o que é o Filho senão o Pai, nem o que é o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar».
Voltando-Se depois para os discípulos, disse-lhes: «Felizes os olhos que veem o que estais a ver,
porque Eu vos digo que muitos profetas e reis quiseram ver o que vós vedes e não viram e ouvir o que vós ouvis e não ouviram».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

São João Paulo II (1920-2005), papa
Encíclica « Dominum et vivificantem », § 20-21

«Eu Te bendigo, ó Pai, [...] porque [...] as revelaste aos pequeninos.»

Jesus exultou de alegria sob a ação do Espírito Santo e disse: «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e aos inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado». Jesus exulta pela paternidade divina; exulta porque Lhe foi dado revelar esta paternidade; exulta, por fim, por uma como que irradiação especial da mesma paternidade divina sobre os «pequeninos». E o evangelista qualifica tudo isto como um «exultar no Espírito Santo».

Aquilo que durante a teofania do Jordão veio, por assim dizer, «do exterior», do Alto, aqui provém «do interior», isto é, do mais íntimo do ser que é Jesus. É outra revelação do Pai e do Filho, unidos no Espírito Santo. Jesus fala só da paternidade de Deus e da própria filiação; não fala diretamente do Espírito que é Amor e, por isso, união do Pai e do Filho. Não obstante, aquilo que diz do Pai e de Si como Filho brota daquela plenitude do Espírito que está nele mesmo e se derrama no seu coração, impregna o seu próprio «eu», inspira e vivifica, a partir das profundezas do que Ele é, a sua ação. Daí esse seu «exultar no Espírito Santo». A união de Cristo com o Espírito Santo, da qual Ele tem uma consciência perfeita, exprime-se nessa «exultação», que torna «percetível», de certa maneira, a sua fonte recôndita. Dá-se assim uma especial manifestação e exaltação próprias do Filho do Homem, de Cristo-Messias, cuja humanidade pertence à Pessoa do Filho de Deus, substancialmente uno com o Espírito Santo na divindade.

Na magnífica confissão da paternidade de Deus, Jesus de Nazaré manifesta-Se também a Si mesmo, manifesta o seu «eu» divino: Ele é efetivamente o Filho «consubstancial» (Credo); e, por isso, «ninguém sabe o que é o Filho senão o Pai, nem o que é o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar», aquele Filho que «por nós, homens, e para nossa salvação» Se fez homem «por obra do Espírito Santo» e nasceu de uma virgem, cujo nome era Maria.







quinta-feira, 5 de outubro de 2017

padrecavalieri@uol.com.br


Sexta-feira, dia 06 de Outubro de 2017

Sexta-feira da 26ª semana do Tempo Comum

S. Bruno, eremita, +1101, Santa Maria Francisca das Cinco Chagas, virgem, +1791, Beato José Rubio, presbítero, operário, +1929

Comentário do dia
Hugo de São-Victor : «Quem vos escuta, escuta-me a Mim, e quem vos rejeita, rejeita-Me a Mim»

Baruc 1,15-22.

Ao Senhor, nosso Deus, pertence a justiça e a nós a vergonha que sentimos no rosto, como sucede neste dia ao homem de Judá e aos habitantes de Jerusalém,
aos nossos reis, aos nossos chefes, aos nossos sacerdotes, aos nossos profetas e aos nossos pais,
porque pecámos contra o Senhor.
Não obedecemos ao Senhor nosso Deus, não ouvimos a sua voz, nem seguimos os mandamentos que Ele nos deu.
Desde o dia em que o Senhor fez sair os nossos pais da terra do Egipto até este dia, fomos rebeldes ao Senhor, nosso Deus, e procedemos levianamente, não querendo escutar a sua voz.
Por isso, como vemos hoje, caíram sobre nós as desgraças e maldições que o Senhor predissera pela boca do seu servo Moisés, no dia em que fez sair os nossos pais da terra do Egipto, para nos dar uma terra onde corre leite e mel.
Não ouvimos a voz do Senhor, nosso Deus, apesar das palavras dos Profetas que Ele nos enviou;
mas cada um de nós seguiu as inclinações do seu coração, servindo deuses falsos e praticando o que é mal aos olhos do Senhor, nosso Deus.


Lucas 10,13-16.

Naquele tempo, disse Jesus: «Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida!
Porque se em Tiro e em Sidónia se tivessem realizado os milagres que em vós se realizaram, há muito tempo teriam feito penitência, vestindo-se de cilício e sentando-se sobre a cinza.
Assim, no dia do Juízo, haverá mais tolerância para Tiro e Sidónia do que para vós.
E tu, Cafarnaum, serás elevada até ao céu? Até ao inferno é que descerás.
Quem vos escuta, escuta-Me a Mim; e quem vos rejeita, rejeita-Me a Mim. Mas quem Me rejeita, rejeita Aquele que Me enviou».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Hugo de São-Victor (?-1141), cónego regular, teólogo
Tratado dos sacramentos da fé cristã, II, 1-2

«Quem vos escuta, escuta-me a Mim, e quem vos rejeita, rejeita-Me a Mim»

Assim como a respiração do homem passa pela cabeça, para descer até aos membros e os vivificar, assim também o Espírito Santo vem aos cristãos por Cristo. A cabeça é Cristo, os membros são os cristãos. Há uma cabeça e numerosos membros, um só corpo, formado pela cabeça e pelos membros, e neste único corpo um único Espírito, que está em plenitude na cabeça e de forma participada nos membros. Assim, pois, se há um só corpo, há também um só Espírito. Quem não está no corpo não pode ser vivificado pelo Espírito, segundo esta palavra da Escritura: «Se alguém não tem o Espírito de Cristo, não Lhe pertence» (Rom 8,9). Porque aquele que não tem o Espírito de Cristo não é membro de Cristo.

Aquilo que faz parte do corpo não está morto; aquilo que está separado do corpo não está vivo. É pela fé que nos tornamos membros; é pelo amor que somos vivificados. Pela fé, recebemos a unidade; pela caridade, recebemos a vida. O sacramento do batismo une-nos; e o Corpo e o Sangue de Cristo vivificam-nos. Pelo batismo, tornamo-nos membros do Corpo; pelo Corpo de Cristo, participamos na sua vida.







quarta-feira, 4 de outubro de 2017

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Quinta-feira, dia 05 de Outubro de 2017

Sábado da 16ª semana do Tempo Comum

Santa Faustina, religiosa, +1935, S. Benedito, o Negro, confessor, +1589, Beato Alberto Marvelli, leigo, +1946

Comentário do dia
Bento XVI: A caridade, alma da missão

Ex. 24,3-8.

Naqueles dias, Moisés veio comunicar ao povo todas as palavras do Senhor e todas as suas leis. O povo inteiro respondeu numa só voz: «Faremos tudo o que o Senhor ordenou».
Moisés escreveu todas as palavras do Senhor. No dia seguinte, levantou-se muito cedo, construiu um altar no sopé do monte e ergueu doze pedras pelas doze tribos de Israel.
Depois mandou que alguns jovens israelitas oferecessem holocaustos e imolassem novilhos, como sacrifícios pacíficos ao Senhor.
Moisés recolheu metade do sangue, deitou-o em vasilhas e derramou a outra metade sobre o altar.
Depois, tomou o Livro da Aliança e leu-o em voz alta ao povo, que respondeu: «Faremos quanto o Senhor disse e em tudo obedeceremos».
Então, Moisés tomou o sangue e aspergiu com ele o povo, dizendo: «Este é o sangue da aliança que o Senhor firmou convosco, mediante todas estas palavras».


Mateus 13,24-30.

Naquele tempo, Jesus disse às multidões mais esta parábola: «O reino dos Céus pode comparar-se a um homem que semeou boa semente no seu campo.
Enquanto todos dormiam, veio o inimigo, semeou joio no meio do trigo e foi-se embora.
Quando o trigo cresceu e começou a espigar, apareceu também o joio.
Os servos do dono da casa foram dizer-lhe: 'Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem então o joio?'.
Ele respondeu-lhes: 'Foi um inimigo que fez isso'. Disseram-lhe os servos: 'Queres que vamos arrancar o joio?'.
'Não! – disse ele – não suceda que, ao arrancardes o joio, arranqueis também o trigo.
Deixai-os crescer ambos até à ceifa e, na altura da ceifa, direi aos ceifeiros: Apanhai primeiro o joio e atai-o em molhos para queimar; e ao trigo, recolhei-o no meu celeiro'».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Bento XVI, papa de 2005 a 2013
Mensagem para o Dia Mundial das Missões 2006 (trad. © copyright Libreria Editrice Vaticana rev.)

A caridade, alma da missão

Se não for orientada pela caridade, isto é, se não brotar de um profundo ato de amor divino, a missão corre o risco de se reduzir a uma mera atividade filantrópica e social. Com efeito, o amor que Deus nutre por cada pessoa constitui o coração da experiência e do anúncio do Evangelho e, por sua vez, quantos o acolhem tornam-se suas testemunhas.

O amor de Deus, que dá vida ao mundo, é o amor que nos foi concedido em Jesus, Palavra de salvação, ícone perfeito da misericórdia do Pai celeste. Assim, a mensagem salvífica poderia ser oportunamente resumida com as palavras do evangelista João: «E o amor de Deus manifestou-se desta forma no meio de nós: Deus enviou ao mundo o seu Filho unigénito para que, por Ele, tivéssemos a vida» (1Jo 4,9). O mandamento de difundir o anúncio deste amor foi confiado por Jesus aos Apóstolos depois da sua ressurreição, e os Apóstolos, interiormente transformados no dia do Pentecostes pelo poder do Espírito Santo, começaram a dar testemunho do Senhor morto e ressuscitado. A partir de então, a Igreja continua esta mesma missão, que constitui para todos os fiéis um compromisso irrenunciável e permanente.







terça-feira, 3 de outubro de 2017

padrecavalieri@uol.com.br


Quarta-feira, dia 04 de Outubro de 2017

Quarta-feira da 26ª semana do Tempo Comum

S. Francisco de Assis, diácono, +1224

Comentário do dia
Santo Inácio de Loyola : «Segue-Me»

Neemias 2,1-8.

No mês de Nisã do ano vinte do reinado de Artaxerxes, em que eu era o copeiro-mor, tomei o vinho e servi-o ao rei. Como eu nunca me apresentara triste na sua presença,
o rei perguntou-me: «Porque tens o rosto abatido? Não estás doente; mas certamente tens o coração angustiado». Eu assustei-me,
mas respondi ao rei: «Viva o rei para sempre! Como não havia de andar tão triste, se a cidade onde estão os túmulos dos meus pais está em ruínas e as suas portas devoradas pelo fogo?».
O rei disse-me: «Então que desejas fazer?». Eu invoquei o Deus dos Céus
e respondi ao rei: «Se te agrada, ó rei, e estás contente com o teu servo, manda-me ir a Judá para reconstruir a cidade onde estão os túmulos dos meus pais».
O rei, que tinha a rainha a seu lado, perguntou-me: «Quanto tempo durará a tua viagem? Quando voltarás?». Marquei uma data. O rei concordou e deixou-me partir.
Eu disse ainda ao rei: «Se parecer bem ao rei, dêem-me cartas para o governador da província ocidental do Eufrates, a fim de me deixarem passar, até eu chegar a Judá,
e também uma carta para Asaf, intendente do parque florestal, a fim de me dar madeira para reconstruir as portas da cidadela do templo, as muralhas da cidade e a casa onde vou morar». O rei concedeu-mo, porque a mão bondosa do meu Deus estava comigo.


Lucas 9,57-62.

Naquele tempo, Jesus e os seus discípulos iam a caminho de Jerusalém, quando alguém Lhe disse: «Seguir-Te-ei para onde quer que fores».
Jesus respondeu-lhe: «As raposas têm as suas tocas, e as aves do céu os seus ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça».
Depois disse a outro: «Segue-Me». Ele respondeu: «Senhor, deixa-me ir primeiro sepultar meu pai».
Disse-lhe Jesus: «Deixa que os mortos sepultem os seus mortos; tu, vai anunciar o reino de Deus».
Disse-Lhe ainda outro: «Seguir-Te-ei, Senhor; mas deixa-me ir primeiro despedir-me da minha família».
Jesus respondeu-lhe: «Quem tiver lançado as mãos ao arado e olhar para trás não serve para o reino de Deus».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Santo Inácio de Loyola (1491-1556), fundador dos jesuítas
Exercícios espirituais, 2.ª semana, 12.º dia

«Segue-Me»

Os três tipos de humildade: o primeiro tipo de humildade é necessário à salvação eterna. E consiste em me rebaixar e me humilhar tanto quanto me for possível, para obedecer em tudo à Lei de Deus Nosso Senhor. De tal modo que, mesmo que me tornassem senhor de todas as coisas criadas deste mundo ou que estivesse em risco a minha própria vida temporal, nunca pensaria em transgredir um mandamento, fosse ele divino ou humano. [...]

O segundo tipo de humildade é uma humildade mais perfeita que a primeira. E consiste nisto: encontro-me num ponto em que não desejo nem tendo a preferir a riqueza à pobreza, a honra à desonra, uma vida longa a uma vida curta, quando as alternativas não afetam o serviço de Deus Nosso Senhor e a salvação da minha alma. [...]

O terceiro tipo de humildade é a humildade mais perfeita: é quando, incluindo a primeira e a segunda, sendo iguais o louvor e a glória de sua divina majestade, para imitar Cristo Nosso Senhor e me assemelhar a Ele mais eficazmente, desejo e escolho a pobreza com Cristo pobre em vez da riqueza, o opróbrio com Cristo coberto de opróbrios em lugar de honrarias; e desejo mais ser tido por insensato e louco para Cristo, que antes de todos foi tido como tal, do que por «sábio e prudente» neste mundo (Mt 11,25).







segunda-feira, 2 de outubro de 2017

padrecavalieri@uol.com.br


Terça-feira, dia 03 de Outubro de 2017

Terça-feira da 26ª semana do Tempo Comum

Santos Veríssimo, Máxima e Júlia, mártires, +303, Beatos André de Soveral, Ambrósio Francisco Ferro, presbíteros, e Mateus Moreira, mártires, +1645, S. Francisco de Borja, presbítero, +1572, Santa Maria Josefa Rossello, religiosa, +1880

Comentário do dia
Santo Agostinho : «Aquela gente não O quis receber, porque ia a caminho de Jerusalém.»

Zacarias 8,20-23.

Assim fala o Senhor do Universo: Virão de novo a Jerusalém povos e habitantes de grandes cidades.
Os habitantes de uma cidade irão dizer aos habitantes da outra: «Vamos implorar a benevolência do Senhor, vamos procurar o Senhor do Universo. Eu também irei».
Virão muitos povos e nações poderosas procurar em Jerusalém o Senhor do Universo, implorar a benevolência do Senhor.
Assim fala o Senhor do Universo: Naqueles dias, dez homens de todas as línguas faladas entre as nações agarrarão um judeu pela orla do manto, dizendo: «Queremos ir na vossa companhia, porque ouvimos dizer que Deus está convosco».


Lucas 9,51-56.

Aproximando-se os dias de Jesus ser levado deste mundo, Ele tomou a decisão de Se dirigir a Jerusalém
e mandou mensageiros à sua frente. Estes puseram-se a caminho e entraram numa povoação de samaritanos, a fim de Lhe prepararem hospedagem.
Mas aquela gente não O quis receber, porque ia a caminho de Jerusalém.
Vendo isto, os discípulos Tiago e João disseram a Jesus: «Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu que os destrua?».
Mas Jesus voltou-Se e repreendeu-os.
E seguiram para outra povoação.



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
Sermão sobre o Salmo 64

«Aquela gente não O quis receber, porque ia a caminho de Jerusalém.»

Há duas cidades; uma chama-se Babilónia, a outra Jerusalém. O nome de Babilónia significa «confusão»; Jerusalém significa «visão de paz». Olhai atentamente a cidade da confusão, para melhor conhecerdes a visão de paz; suportai a primeira, aspirai à segunda.

O que permite distinguir estas duas cidades? Podemos desde já separar uma da outra? Elas estão mescladas uma na outra e, desde a aurora do género humano, encaminham-se assim para o fim dos tempos. Jerusalém nasceu com Abel, Babilónia com Caim. [...] As duas cidades materiais foram construídas mais tarde, mas representam simbolicamente as duas cidades imateriais cujas origens remontam ao início dos tempos, e que durarão, aqui em baixo, até ao fim dos séculos. Então, o Senhor separá-las-á, pondo uns à sua direita e outros à sua esquerda (Mt 25,33). [...]

Mas há qualquer coisa que distingue, mesmo agora, os cidadãos de Jerusalém dos cidadãos de Babilónia: são dois amores. O amor a Deus faz Jerusalém; o amor ao mundo faz Babilónia. Vede quem amais e sabereis de onde sois. Se sois cidadãos de Babilónia, arrancai da vossa vida a cobiça, plantai em vós a caridade; se sois cidadãos de Jerusalém, suportai pacientemente o cativeiro, tende esperança na vossa libertação. Com efeito, muitos cidadãos da nossa santa mãe Jerusalém (Gal 4,26) estavam de início cativos de Babilónia. [...}

Como despertar em nós o amor a Jerusalém, nossa pátria, cuja lembrança a duração do exílio nos fez perder? É o próprio Pai quem de lá nos escreve, reavivando em nós, com as suas cartas, que são as Sagradas Escrituras, a nostalgia do regresso.







domingo, 1 de outubro de 2017

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Segunda-feira, dia 02 de Outubro de 2017

Santos Anjos da Guarda – Memória

Santos Anjos da Guarda

Comentário do dia
Orígenes : «Os seus exércitos, servidores dos seus desejos» (Sl 102,21)

Ex. 23,20-23.

Eis que diz o Senhor: « Vou enviar um anjo diante de ti, para te guardar no caminho e para te fazer entrar no lugar que Eu preparei.
Mantém-te atento na sua presença e escuta a sua voz. Não lhe causes amargura, porque ele não suportará a vossa transgressão, porque está nele a minha autoridade.
Mas se escutares a sua voz e se fizeres tudo o que Eu falar, Eu serei inimigo dos teus inimigos e serei adversário dos teus adversários,
pois o meu anjo caminhará diante de ti e te fará entrar na terra do amorreu, do hitita, do perizeu, do cananeu, do heveu e do jebuseu, e Eu exterminá-lo-ei.


Mateus 18,1-5.10.

Naquela hora, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-Lhe: «Quem é o maior no reino dos Céus?».
Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles
e disse-lhes: «Em verdade vos digo: Se não vos converterdes e não vos tornardes como as crianças, não entrareis no reino dos Céus.
Quem for humilde como esta criança, esse será o maior no reino dos Céus.
E quem acolher em meu nome uma criança como esta, acolhe-Me a Mim.
Vede bem. Não desprezeis um só destes pequeninos. Eu vos digo que os seus Anjos veem constantemente o rosto de meu Pai que está nos Céus.



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Orígenes (c. 185-253), presbítero, teólogo
Homilias sobre Ezequiel I, 7

«Os seus exércitos, servidores dos seus desejos» (Sl 102,21)

Os anjos descem para aqueles que vão ser salvos. «Os anjos subiam e desciam por cima do Filho do homem» (Jo 1,51) e «aproximaram-se dele e O serviam» (Mt 4,11). Ora, os anjos descem porque Cristo desceu primeiro; receavam descer antes que o Senhor dos exércitos celestes e de todas as coisas (Col 1,16) lho tivesse ordenado. Mas, quando viram o Príncipe do exército celeste habitar na Terra, então, por esse caminho que tinha sido aberto, saíram atrás do seu Senhor, obedecendo à vontade daquele que os estabeleceu como guardiães dos que acreditam no seu nome.

Ontem, estavas sob a dependência do demónio; hoje, estás sob a dependência de um anjo. «Não desprezeis um só destes pequeninos», diz o Senhor, pois «Eu vos digo que os seus Anjos veem constantemente o rosto de meu Pai que está nos Céus.» Os anjos dedicam-se à tua salvação, declararam-se ao serviço do Filho de Deus e dizem entre si: «Se Ele desceu num corpo, se Se revestiu de carne mortal, se suportou a cruz, se morreu por todos os homens, como havemos nós de repousar, como havemos de nos poupar? Vamos, desçamos também do Céu!» Foi por isso que, quando Cristo nasceu, havia «uma multidão do exército celeste louvando e glorificando a Deus» (Lc 2,13).    







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