sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

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Sabado, dia 17 de Dezembro de 2016

Últimos dias feriais do Advento - 17 de dezembro

S. Lázaro, amigo de Jesus, séc. I, Santa Olímpia, viúva, diaconisa, +408

Comentário do dia
Rupert de Deutz : «Na tua posteridade serão abençoadas todas as nações da Terra» (Gn 28,14)

Gén. 49,2.8-10.

Naqueles dias, Jacob chamou os seus filhos e disse-lhes: «Reuni-vos e escutai, filhos de Jacob. escutai Israel, vosso pai.
Judá, os teus irmãos hão de louvar-te, a tua mão pesará sobre a cabeça dos teus inimigos e os filhos de teu pai hão de inclinar-se diante de ti.
Judá, tu és um leão novo: voltaste, meu filho, com a tua presa. Ele dobra o joelho e deita-se como o leão, ou como a leoa: quem o fará levantar-se?
O cetro não se afastará de Judá, nem o bastão de comando de entre os seus pés, até que venha Aquele a quem pertence e a quem os povos hão de obedecer».


Mateus 1,1-17.

Genealogia de Jesus Cristo, Filho de David, Filho de Abraão:
Abraão gerou Isaac; Isaac gerou Jacob; Jacob gerou Judá e seus irmãos.
Judá gerou, de Tamar, Farés e Zara; Farés gerou Esrom; Esrom gerou Arão;
Arão gerou Aminadab; Aminadab gerou Naasson; Naasson gerou Salmon;
Salmon gerou, de Raab, Booz; Booz gerou, de Rute, Obed; Obed gerou Jessé;
Jessé gerou o rei David. David, da mulher de Urias, gerou Salomão;
Salomão gerou Roboão; Roboão gerou Abias; Abias gerou Asa;
Asa gerou Josafat; Josafat gerou Jorão; Jorão gerou Ozias;
Ozias gerou Joatão; Joatão gerou Acaz; Acaz gerou Ezequias;
Ezequias gerou Manassés; Manassés gerou Amon; Amon gerou Josias;
Josias gerou Jeconias e seus irmãos, ao tempo do desterro de Babilónia.
Depois do desterro de Babilónia, Jeconias gerou Salatiel; Salatiel gerou Zorobabel;
Zorobabel gerou Abiud; Abiud gerou Eliacim; Eliacim gerou Azor;
Azor gerou Sadoc; Sadoc gerou Aquim; Aquim gerou Eliud;
Eliud gerou Eleazar; Eleazar gerou Matã; Matã gerou Jacob;
Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo.
Assim, todas estas gerações são: de Abraão a David, catorze gerações; de David ao desterro de Babilónia, catorze gerações; do desterro de Babilónia até Cristo, catorze gerações.



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Rupert de Deutz (c. 1075-1130), monge beneditino
De Divinis Officiis, 3, 18

«Na tua posteridade serão abençoadas todas as nações da Terra» (Gn 28,14)

Em S. Mateus lemos a genealogia de Cristo, costume tradicional da Santa Igreja que tem belos e misteriosos motivos. Este texto apresenta-nos a escada que Jacob viu de noite, durante o seu sono (Gn 28,11s). Apoiado no alto dessa escada, que tocava os céus, o Senhor apareceu a Jacob e prometeu-lhe que herdaria a Terra. [...] Ora, sabemos que «a sua vinda é-nos apresentada de forma simbólica» (1Cor 10,11). Então o que prefigura essa escada, senão a linhagem da qual Jesus haveria de nascer, linhagem que o santo evangelista remontou com um sopro divino, de maneira que chegasse a Jesus passando por José? E a este José o Senhor confiou o Menino. Pela «Porta do Céu» (Gn 28,17) [...], quer dizer, pela bem-aventurada Virgem, sai Nosso senhor a chorar, feito criança por nós. [...] No seu sono, Jacob ouviu o Senhor dizer-lhe: «Na tua posteridade serão abençoadas todas as nações da Terra», e esse facto realizou-se com o nascimento de Cristo.

Era o que o evangelista tinha em vista quando, na genealogia de Jesus, inseriu Rahab, a prostituta, e Rute, a moabita; porque ele viu que Cristo não encarnou apenas para os judeus, mas também para os pagãos, Ele que Se dignou ter antepassados entre esses pagãos. Por conseguinte, vindos dos dois povos, judeu e pagão, como dos dois lados da escada, os antepassados de Cristo, colocados nos diferentes degraus, recebem o Senhor que desce do alto dos céus. E os santos anjos descem e sobem por esta escada, por onde os eleitos são primeiramente descidos, para receberem humildemente a fé na encarnação do Senhor, sendo depois elevados, a fim de contemplarem a glória da sua divindade.







quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

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Sexta-feira, dia 16 de Dezembro de 2016

Le vendredi de la 3e semaine de l'Avent

Santo Eusébio, papa, mártir, +309, Santa Adelaide (ou Alice), imperatriz da Alemanha, +999, Beata Maria do Anjos, virgem, +1717, Santa Albina (ou Branca), mártir, séc. III

Comentário do dia
Santo Agostinho : «João era uma lâmpada»

Is. 56,1-3a.6-8.

Eis o que diz o Senhor: «Respeitai o direito, praticai a justiça, porque a minha salvação está perto e a minha justiça não tardará a manifestar-se.
Feliz o homem que assim procede, o filho do homem que nisto se firma, guardando o sábado, sem o profanar, e abstendo-se de todo o mal.
Não diga o estrangeiro que aderiu ao Senhor: 'O Senhor vai excluir-me do seu povo'.
Quanto aos estrangeiros que aderiram ao Senhor para O servirem, para amarem o seu nome e serem seus servos, se guardarem o sábado, sem o profanarem, e forem fiéis à minha aliança,
hei-de conduzi-los ao meu santo monte, hei-de enchê-los de alegria na minha casa de oração. Os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceites no meu altar, porque a minha casa será chamada 'Casa de oração para todos os povos'».
Assim fala o Senhor Deus, que reúne os dispersos de Israel: «Reunirei ainda outros àqueles que já foram reunidos».


João 5,33-36.

Naquele tempo, disse Jesus aos judeus: Vós mandastes emissários a João Batista e ele deu testemunho da verdade.
Não é de um homem que Eu recebo testemunho, mas digo-vos isto para que sejais salvos.
João era uma lâmpada que ardia e brilhava e vós, por um momento, quisestes alegrar-vos com a sua luz.
Mas Eu tenho um testemunho maior que o de João, pois as obras que o Pai Me deu para consumar — as obras que Eu realizo— dão testemunho de que o Pai Me enviou».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
Sermão 293, 4; ; PL 38, 1329

«João era uma lâmpada»

Por vontade de Deus, o homem enviado para dar testemunho de Cristo é tão grande em graça. que poderia ser tomado pelo próprio Cristo. Com efeito, «entre os filhos de mulher», afirma Jesus, «não surgiu nenhum maior que João Batista» (Mt 11,11). Se não há entre os homens quem seja maior do que este homem, Aquele que o ultrapassa é mais do que um homem. Grande testemunho que Cristo dá de Si mesmo! Porém, a olhos doentes e enfermos, dificilmente o dia dá testemunho de si; os olhos doentes põem-no em dúvida, apenas suportam a luz de uma lâmpada. E aqui está o motivo por que, antes de aparecer, o dia se fez preceder de uma lâmpada; e essa luz enviada aos corações fiéis confundirá os corações infiéis.

«Preparei uma lâmpada para o meu Cristo» diz David, o rei-profeta, no salmo (131,17). É Deus que fala pela sua boca: preparei João para ser o arauto do Salvador, o precursor do Juiz que há de vir, o amigo do Esposo aguardado. «Preparei uma lâmpada para o meu Cristo.»







quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

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Quinta-feira, dia 15 de Dezembro de 2016

Le jeudi de la 3e semaine de l'Avent

Beato João Henrique Carlos Steeb, presbítero, fundador, +1856, Santa Maria Crucificada de Rosa, religiosa, fundadora, +1855, Santa Cristina, mártir cristã, séc. IV

Comentário do dia
Eusébio de Cesareia : «Que fostes ver ao deserto?»

Is. 54,1-10.

«Alegra-te, ó estéril, que não tiveste filhos, solta brados de alegria e de júbilo, tu que não sentistes as dores da maternidade. Porque são mais numerosos os filhos da abandonada do que os filhos da esposa», diz o Senhor.
Alarga o espaço da tua tenda, sem olhar a despesas, estende sem medo as cortinas das tuas moradas; alonga as cordas, reforça as estacas,
porque vais expandir-te para a direita e para a esquerda: a tua descendência conquistará as nações e povoará as cidades abandonadas.
Não temas, porque não serás confundida, não te envergonhes, porque não serás humilhada. Esquecerás a vergonha da tua juventude e não mais recordarás o opróbrio da tua viuvez.
O teu Criador, Jerusalém, será o teu Esposo e o seu nome é 'Senhor do Universo'. O teu Redentor será o Santo de Israel, que se chama 'Deus de toda a terra'.
Como à mulher abandonada e de alma aflita, o Senhor volta a chamar-te: 'A esposa da juventude poderá ser repudiada?'— diz o teu Deus.
Por um momento abandonei-te, mas no meu grande amor volto a chamar-te.
Num acesso de ira, escondi de ti a minha face, mas na minha misericórdia eterna tive compaixão de ti, — diz o Senhor, teu Redentor.
Comigo sucede como no tempo de Noé, quando jurei que as águas do dilúvio não mais invadiriam a terra. Assim Eu juro não tornar a irritar-Me contra ti, não voltar a ameaçar-te.
Ainda que sejam abaladas as montanhas e vacilem as colinas, a minha misericórdia não te abandonará, a minha aliança de paz não vacilará», — diz o Senhor, compadecido de ti.


Lucas 7,24-30.

Quando os mensageiros de João Baptista se retiraram, Jesus começou a falar dele à multidão: «Que fostes ver ao deserto? Uma cana agitada pelo vento?
Mas que fostes ver? Um homem vestido com roupas finas? Os que vestem com luxo e vivem regaladamente encontram-se nos palácios dos reis.
Que fostes ver então? Um profeta? Sim — Eu vo-lo digo— e mais do que profeta.
É aquele de quem está escrito: 'Vou enviar à tua frente o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de ti'.
Eu vos digo que, entre os nascidos de mulher, não há nenhum maior do que João; mas o mais pequeno no reino de Deus é maior do que ele».
Todo o povo que O escutou, incluindo os publicanos, proclamaram a justiça de Deus, recebendo o batismo de João.
Mas os fariseus e os doutores da Lei, que não quiseram receber o batismo, anularam para si próprios o desígnio de Deus.



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Eusébio de Cesareia (c. 265-340), bispo, teólogo, historiador
Comentário sobre Isaías, 40; PG 24, 365-368 (Breviário)

«Que fostes ver ao deserto?»

«Uma voz clama no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai as veredas do nosso Deus» (Is 40,3). Declara abertamente o profeta Isaías que não é em Jerusalém, mas no deserto, que se há de realizar esta profecia, isto é, a manifestação da glória do Senhor e o anúncio da salvação para toda a humanidade. E tudo isto se cumpriu historicamente e à letra quando João Batista pregou o advento salvador de Deus no deserto do Jordão, onde se manifestou a salvação de Deus. De facto, Cristo manifestou-Se e a sua glória apareceu claramente a todos. [...]

Tudo isto se dizia porque Deus havia de vir ao deserto, intransitável e inacessível desde sempre, que era a humanidade. Com efeito, todo o género humano era um deserto totalmente fechado ao conhecimento de Deus, e nele não podiam entrar os justos de Deus nem os profetas. É por isso que aquela voz manda abrir caminho para o Verbo de Deus, e aplanar os seus obstáculos e asperezas, a fim de que o nosso Deus possa entrar quando vier. [...]

«Sobe ao vértice do monte elevado, tu que anuncias a boa nova a Sião! Ergue vigorosamente a tua voz, tu que anuncias a boa nova a Jerusalém» (Is 40,9) [...] Qual é esta Sião, senão a que antes foi chamada Jerusalém? [...] Não será isto uma maneira de designar o grupo dos apóstolos, escolhidos de entre o povo antigo? Não se tratará daquela que recebeu em herança a salvação de Deus [...], que está situada no vértice, quer dizer, fundada sobre o Verbo, o Filho único de Deus? Na verdade, foi a ela que foi ordenado [...] que anunciasse a todos os homens a boa nova da salvação.  







terça-feira, 13 de dezembro de 2016

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Quarta-feira, dia 14 de Dezembro de 2016

Quarta-feira da 3a semana do Advento

S. João da Cruz, presbítero, reformador, Doutor da Igreja, +1591

Comentário do dia
São Clemente de Alexandria : «Os coxos andam»

Is. 45,6b-8.18.21b-25.

«Eu sou o Senhor e não há outro.
Formo a luz e crio as trevas, dou a felicidade e crio a desgraça. Sou Eu, o Senhor, que faço tudo isto.
Derramai, ó céus, o orvalho lá do alto e as nuvens chovam a justiça; abra-se a terra e germine a salvação e com ela floresça a justiça. Sou Eu, o Senhor, que o realizo».
Assim fala o Senhor, que criou os céus, o Deus que formou a terra e a consolida, que não a criou para ficar deserta, mas a formou para ser habitada: «Eu sou o Senhor e não há outro». Quem anunciou tudo isto no passado? Quem o predisse há tanto tempo?
Não fui Eu, o Senhor? Não há outro Deus além de Mim; Eu sou o Deus justo e salvador e não há outro.
Voltai-vos para Mim e sereis salvos, todos os confins da terra, porque Eu sou Deus e não há outro.
Juro pelo meu nome, é justo o que sai da minha boca, a minha palavra é irrevogável: Diante de Mim se hão de dobrar todos os joelhos, em meu nome hão de jurar todas as línguas,
dizendo: 'Só no Senhor está a justiça e a fortaleza'». Hão de vir, cobertos de vergonha, à sua presença. todos os que se levantaram contra Ele.
No Senhor terá salvação e glória toda a descendência de Israel.


Lucas 7,19-23.

Naquele tempo, João Baptista chamou dois dos seus discípulos e enviou-os ao Senhor com esta mensagem: «És Tu Aquele que havia de vir ou devemos esperar outro?»
Ao chegarem junto de Jesus, os homens disseram-Lhe: «João Baptista mandou-nos perguntar-Te: 'És Tu Aquele que havia de vir ou devemos esperar outro?'»
Nessa altura Jesus curou muitas pessoas, de doenças, padecimentos e espíritos malignos, e deu a vista a muitos cegos.
Então respondeu-lhes: «Ide contar a João o que vistes e ouvistes: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos ficam limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e aos pobres é anunciado o Evangelho;
e feliz daquele que não encontrar em Mim ocasião de queda».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

São Clemente de Alexandria (150-c. 215), teólogo
«Protéptrico» I, 4-7

«Os coxos andam»

«Outrora, éramos insensatos, desobedientes, transviados, escravos de toda a sorte de paixões e prazeres, vivendo na malícia e na inveja, dignos de ódio e odiando-nos uns aos outros», escreve o apóstolo Paulo. «Mas, quando a bondade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor pelos homens se manifestou, Ele salvou-nos […] por misericórdia» (Tit 3,3-5). Vede a força do «cântico novo» (Sl 149,1) do Verbo de Deus: das pedras Ele fez homens (Mt 3,9); transformou em homens civilizados os que se comportavam como feras selvagens; e os que estavam mortos, não participando da vida real e verdadeira, quando ouviram este cântico, voltaram à vida.

Ele ordenou todas as coisas com medida, […] para fazer do mundo inteiro uma sinfonia. […] Este descendente do músico David que existia antes de David, o Verbo de Deus, abandonando a harpa e a cítara (Sl 57,9), instrumentos sem alma, ordenou pelo Espírito Santo todo o universo, e muito em especial o resumo do mundo que é o homem, o seu corpo e a sua alma. Ele toca este instrumento de mil vozes para celebrar o nome de Deus, e canta em harmonia com este instrumento humano. […] O Senhor, enviando o seu sopro a este belo instrumento que é o homem (Gn 2,7), fê-lo à sua imagem; mas Ele é também um instrumento de Deus, harmonioso e santo, Sabedoria para além deste mundo e Palavra do alto. Que quer pois este instrumento, o Verbo de Deus, o Senhor, e o seu cântico novo? Quer abrir os olhos aos cegos e os ouvidos aos surdos, conduzir os estropiados e os errantes à justiça, mostrar Deus aos homens insensatos, deter a corrupção, vencer a morte, reconciliar com o Pai os filhos desobedientes. […]

Não penseis que este cântico salvador é novo como um móvel ou uma casa são novos; porque ele era «antes da aurora» (Sl 109,3), e «no princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus» (Jo 1,1).







segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

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Terça-feira, dia 13 de Dezembro de 2016

Terça-feira da 3a semana do Advento

Santa Luzia, virgem, mártir, +303, Santa Otília (ou Odília), religiosa, séc. VII

Comentário do dia
Isaac da Estrela : Sair do pecado e entrar no Reino de Deus

Sofonias 3,1-2.9-13.

Eis o que diz o Senhor: «Ai da cidade rebelde e impura, ai da cidade opressora!
Não escutou nenhum apelo, nem aceitou qualquer aviso. Não confiou no Senhor, nem se aproximou do seu Deus.
Mas Eu darei aos povos lábios puros, para que todos invoquem o nome do Senhor e O sirvam de coração unânime.
Do outro lado dos rios da Etiópia, os meus adoradores virão trazer-Me ofertas.
Nesse dia não te envergonharás das ações com que Me ofendeste, porque afastarei do meio de ti os fanfarrões e arrogantes e não tornarás a vangloriar-te no meu santo monte.
Só deixarei ficar no meio de ti um povo pobre e humilde e procurarão refúgio no nome do Senhor os sobreviventes de Israel.
Não voltarão a cometer injustiças, não tornarão a dizer mentiras, nem mais se encontrará na sua boca uma língua enganadora. Por isso terão pastagem e repouso, sem que ninguém os perturbe».


Mateus 21,28-32.

Naquele tempo, disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: «Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Foi ter com o primeiro e disse-lhe: 'Filho, vai hoje trabalhar na vinha'.
Mas ele respondeu-lhe: 'Não quero'. Depois, porém, arrependeu-se e foi.
O homem dirigiu-se ao segundo filho e falou-lhe do mesmo modo. Ele respondeu: 'Eu vou, Senhor'. Mas de facto não foi.
Qual dos dois fez a vontade ao pai?» Eles responderam-Lhe: «O primeiro». Jesus disse-lhes: «Em verdade vos digo: Os publicanos e as mulheres de má vida irão diante de vós para o reino de Deus.
João Baptista veio até vós, ensinando-vos o caminho da justiça, e não acreditastes nele; mas os publicanos e as mulheres de má vida acreditaram. E vós, que bem o vistes, não vos arrependestes, acreditando nele».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Isaac da Estrela (?-c. 1171), monge cisterciense
1.º Sermão para o 2.º domingo da Quaresma

Sair do pecado e entrar no Reino de Deus

Irmãos, chegou a hora de cada um de nós sair do seu pecado. Afastemo-nos da nossa Babilónia, para irmos ao encontro de Deus nosso Salvador, como nos advertiu o profeta: «Prepara-te, Israel, para o encontro com o teu Senhor, pois Ele vem!» (Am 4,12). Afastemo-nos do abismo do nosso pecado e aceitemos partir em direção ao Senhor, que assumiu «uma carne semelhante à do pecado» (Rom 8,3). Então encontraremos Cristo, Aquele mesmo que expiou o pecado que nunca cometera. Então, Aquele que salva os penitentes dar-nos-á a salvação, pois «Ele é misericordioso para com os que se convertem» (Sir 12,3).

Dir-me-eis: «Mas quem pode sair sozinho do pecado?» Sim, na verdade, o maior pecado é o desejo de pecar. Afasta-te, pois, desse desejo, odeia o pecado e eis-te livre dele. Se odiares o pecado, terás encontrado a Cristo, lá onde Ele Se encontra. A quem odeia o pecado Cristo perdoa as faltas, esperando erradicar os nossos maus hábitos.

Mas dizeis que mesmo isso é muito para vós e que, sem a graça de Deus, é impossível o homem odiar o seu pecado e desejar a justiça. «Que o Senhor seja louvado pela sua misericórdia, pelas suas maravilhas para com os filhos dos homens!» (Sl 106,8). [...] Ó Senhor de mão poderosa, Jesus omnipotente, vem libertar a minha razão cativa do demónio da ignorância e arrancar da minha vontade doente a peste das suas ambições. Liberta as minhas capacidades, a fim de que eu possa agir com força, como desejo de todo o meu coração.







domingo, 11 de dezembro de 2016

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Segunda-feira, dia 12 de Dezembro de 2016

Segunda-feira da 3a semana do Advento
Nossa Senhora de Guadalupe, Padroeira das Américas (festa no Brasil)

Santa Joana Francisca de Chantal, religiosa, +1641

Comentário do dia
Santo Agostinho : «Veio Jesus ter com João para ser batizado por ele [...]. João opunha-se, dizendo: "Eu é que tenho necessidade de ser batizado por Ti!"» (Mt 3,13-14)

Núm. 24,2-7.15-17a.

Naqueles dias, o profeta Balaão, erguendo os olhos, viu o povo de Israel acampado por tribos. O Espírito de Deus desceu sobre ele
e ele proferiu a sua profecia, dizendo: «Palavra de Balaão, filho de Beor, palavra do homem de olhar penetrante,
palavra de quem ouve as revelações de Deus, de quem contempla as visões do Omnipotente, quando cai em êxtase e seus olhos se abrem.
Como são belas as tuas tendas, Jacob, e as tuas moradas, Israel!
São como vales que se prolongam e jardins à beira dum rio, como aloés plantados pelo Senhor, como cedros junto da corrente.
A água transbordará de seus cântaros e a sua semente será abundantemente regada. O seu rei é maior do que Agag e a sua realeza será exaltada.
Palavra de Balaão, filho de Beor, palavra do homem de olhar penetrante,
palavra de quem ouve as revelações de Deus, de quem conhece a ciência do Altíssimo, de quem contempla as visões do Omnipotente, quando cai em êxtase e seus olhos se abrem.
Eu vejo, mas não é para agora; eu contemplo, mas não de perto: Surge uma estrela de Jacob, levanta-se um cetro de Israel».


Mateus 21,23-27.

Naquele tempo, Jesus foi ao templo e, enquanto ensinava, aproximaram-se d'Ele os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo, que Lhe perguntaram: «Com que autoridade fazes tudo isto? Quem Te deu tal direito?»
Jesus respondeu-lhes: «Vou fazer-vos também uma pergunta e, se Me responderdes a ela, dir-vos-ei com que autoridade faço isto.
Donde era o batismo de João? Do Céu ou dos homens?» Mas eles começaram a deliberar, dizendo entre si: «Se respondermos que é do Céu, vai dizer-nos: 'Porque não lhe destes crédito?'
E se respondermos que é dos homens, ficamos com receio da multidão, pois todos consideram João como profeta».
E responderam a Jesus: «Não sabemos». Ele por sua vez disse-lhes: «Então não vos digo com que autoridade faço isto».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
Sermão 288

«Veio Jesus ter com João para ser batizado por ele [...]. João opunha-se, dizendo: "Eu é que tenho necessidade de ser batizado por Ti!"» (Mt 3,13-14)

«Muitos profetas e justos desejaram ver o que estais a ver, e não viram» (Mt 13,17). Estas santas personagens, com efeito, cheias do Espírito de Deus para anunciar a vinda de Cristo, desejavam com ardor gozar da sua presença na Terra, se tal fosse possível. Foi aliás por essa razão que Deus adiou a partida de Simeão deste mundo: queria que ele contemplasse, na pessoa de uma criança recém-nascida, Aquele por quem o mundo foi criado (Lc 2,25 ss.). [...] Simeão viu-O com feições de menino; João, ao contrário, viu-O quando Ele já ensinava e escolhia os seus discípulos. Onde? Nas margens do rio Jordão. [...]

É aí, nesse batismo de preparação que Lhe abria caminho, que encontramos um símbolo e uma aproximação do batismo de Jesus Cristo: «Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas» (Mt 3,3). O próprio Jesus quis ser batizado pelo seu servo para fazer compreender a graça que recebem aqueles que recebem o batismo em nome do Senhor. Foi aí que começou o seu reino, como que a cumprir a profecia: «Dominará de um ao outro mar, do grande rio até aos confins da terra» (Sl 72,8). Nas margens do rio onde o domínio de Cristo começa, viu João o Salvador: viu-O, reconheceu-O e prestou-Lhe testemunho. João humilhou-se perante a grandeza divina, a fim de merecer que a sua humildade fosse ressaltada por essa grandeza. Ele declara-se o amigo do esposo (Jo 3,29). Que amigo é este? Será aquele que caminha em pé de igualdade? Longe disso! Então, qual é a distância que mantém? Diz ele: «Não sou digno de me inclinar para Lhe desatar as correias das sandálias» (Mc 1,7).







sábado, 10 de dezembro de 2016

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Domingo, dia 11 de Dezembro de 2016

3º Domingo do Advento
3º Domingo do Advento (semana III do saltério)

S. Dâmaso I, papa, +384

Comentário do dia
São Cirilo de Alexandria : «Os cegos vêem, [...] os mortos ressuscitam e a boa nova é anunciada aos pobres.»

Is. 35,1-6.10.

Alegrem-se o deserto e o descampado, rejubile e floresça a terra árida,
cubra-se de flores como o narciso, exulte com brados de alegria. Ser-lhe-á dada a glória do Líbano, o esplendor do Carmelo e do Sáron. Verão a glória do Senhor, o esplendor do nosso Deus.
Fortalecei as mãos fatigadas e robustecei os joelhos vacilantes.
Dizei aos corações perturbados: «Tende coragem, não temais: Aí está o vosso Deus, vem para fazer justiça e dar a recompensa. Ele próprio vem salvar-vos».
Então se abrirão os olhos dos cegos, e se desimpedirão os ouvidos dos surdos.
Então o coxo saltará como um veado e a língua do mudo cantará de alegria. As águas brotarão no deserto e as torrentes na aridez da planície;
Voltarão os que o Senhor libertar, hão-de chegar a Sião com brados de alegria, com eterna felicidade a iluminar-lhes o rosto. Reinarão o prazer e o contentamento, e acabarão a dor e os gemidos.


Tiago 5,7-10.

Irmãos: Esperai com paciência a vinda do Senhor. Vede como o agricultor espera pacientemente o precioso fruto da terra, aguardando a chuva temporã e a tardia.
Sede pacientes, vós também, e fortalecei os vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima.
Não vos queixeis uns dos outros, a fim de não serdes julgados. Eis que o juiz está à porta.
Irmãos, tomai como modelos de sofrimento e de paciência os profetas, que falaram em nome do Senhor.


Mateus 11,2-11.

Naquele tempo, João Baptista ouviu falar, na prisão, das obras de Cristo e mandou-Lhe dizer pelos discípulos:
«És Tu Aquele que há-de vir, ou devemos esperar outro?».
Jesus respondeu-lhes: «Ide contar a João o que vedes e ouvis:
os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e a boa nova é anunciada aos pobres.
E bem-aventurado aquele que não encontrar em Mim motivo de escândalo».
Quando os mensageiros partiram, Jesus começou a falar de João às multidões: «Que fostes ver ao deserto? Uma cana agitada pelo vento?
Então que fostes ver? Um homem vestido com roupas delicadas? Mas aqueles que usam roupas delicadas encontram-se nos palácios dos reis.
Que fostes ver então? Um profeta? Sim – Eu vo-lo digo – e mais que profeta.
É dele que está escrito: 'Vou enviar à tua frente o meu mensageiro, para te preparar o caminho'.
Em verdade vos digo: Entre os filhos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Baptista. Mas o menor no reino dos Céus é maior do que ele».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

São Cirilo de Alexandria (380-444), bispo, doutor da Igreja
Primeiro diálogo cristológico

«Os cegos vêem, [...] os mortos ressuscitam e a boa nova é anunciada aos pobres.»

«Aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu; Ele batizar-vos-á no Espírito Santo e no fogo» (Mt 3,11) O poder de batizar no Espírito Santo e no fogo será obra duma humanidade semelhante à nossa? Como poderia ser isso? Falando de um homem que ainda não Se tinha apresentado, João declara que Ele batizará «no Espírito Santo e no fogo». Não como o faria um qualquer subalterno, insuflando nos batizados um Espírito que não é o seu, mas como alguém que é Deus por natureza, que dá com um poder soberano o que vem dele e Lhe pertence como propriedade. E é graças a isso que se imprime em nós o selo divino.

Efetivamente, em Cristo Jesus somos transformados à imagem divina; não que o nosso corpo seja modelado de novo, mas porque, ao possuirmos o próprio Cristo, recebemos o Espírito Santo, a ponto de podermos, daí em diante, exultar de alegria: «A minha alma exulta no Senhor, porque Ele me revestiu de salvação e de alegria» (1Sam 2,1) Com efeito, o apóstolo Paulo diz: «Todos vós, que fostes batizados em Cristo, fostes revestidos de Cristo» (Gál 3,27).

Foi então num homem que fomos baptizados? Silêncio. Tu, que não passas de ser um homem, queres deitar por terra a nossa esperança? Nós fomos batizados num Deus feito homem, que liberta das penas e das faltas todos os que nele acreditam. «Arrependei-vos e que cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo. Então recebereis o dom do Espírito Santo» (At 2,38). Ele liberta os que a Ele se unem; Ele faz surgir em nós a sua própria natureza. O Espírito Santo pertence por natureza ao Filho, que Se tornou homem semelhante a nós, porque Ele mesmo é a vida de tudo o que existe.







sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

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Sabado, dia 10 de Dezembro de 2016

Sábado da 2a semana do Advento
Nossa Senhora do Loreto

Santa Eulália, virgem, mártir, +304

Comentário do dia
São Romano: «Como eras temível, Elias, [...] tu que foste arrebatado num turbilhão de fogo, [...] tu que preparaste o fim dos tempos» (Si 48,9-10)

Sirac 48,1-4.9-11.

O profeta Elias surgiu como um fogo e a sua palavra queimava como um facho ardente.
Fez vir a fome sobre os homens de Israel e no seu zelo reduziu-os a um pequeno número.
Pela palavra do Senhor fechou o céu e três vezes fez descer o fogo.
– Como foste admirável, Elias, pelos teus prodígios! Quem se pode gloriar de ser como tu?
Foste arrebatado num turbilhão de chamas e num carro puxado por cavalos de fogo.
Foste designado, na perspetiva dos tempos futuros, para aplacar a ira divina antes que ela se inflamasse, para reconciliar com os filhos o coração dos pais e restabelecer as tribos de Jacob.
Felizes os que te viram e os que morreram no amor de Deus,


Mateus 17,10-13.

Ao descerem do monte, os discípulos perguntaram a Jesus: «Porque dizem os escribas que Elias tem de vir primeiro?»
Jesus respondeu-lhes: «Certamente Elias há-de vir para restaurar todas as coisas.
Eu vos digo, porém, que Elias já veio; mas, em vez de o reconhecerem, fizeram-lhe tudo o que quiseram. Assim também o Filho do homem será maltratado por eles».
Então os discípulos compreenderam que Jesus lhes falava de João Baptista.



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

São Romano, o Melodista (?-c. 560), compositor de hinos
Hino sobre o profeta Elias

«Como eras temível, Elias, [...] tu que foste arrebatado num turbilhão de fogo, [...] tu que preparaste o fim dos tempos» (Si 48,9-10)

Perante a perversidade dos homens, o profeta Elias pensou tornar o castigo ainda mais duro. Vendo isso, o Misericordioso respondeu ao profeta: «Eu sei que o zelo pelo bem te consome (1Rs, 19,14), conheço a tua boa vontade, mas tenho compaixão dos pecadores quando eles são desmesuradamente castigados. Irritas-te, tu a quem eles nada podem apontar, e não te resignas? Pois Eu não Me resigno a que um só deles se perca (Mt 18,14), porque sou o único amigo dos homens» (Sb 1,6).

Em seguida, o Mestre, vendo o humor enfurecido do profeta para com os homens, preocupou-Se com eles. Afastou Elias da terra em que habitavam, dizendo: «Afasta-te da morada dos homens; Eu é que, na minha misericórdia, descerei ao meio deles fazendo-Me homem. Deixa então a Terra e sobe, uma vez que não podes tolerar as faltas dos homens. Mas Eu, que estou no Céu, viverei entre os pecadores e salvá-los-ei das suas faltas, Eu que sou o único amigo dos homens. Se não podes viver com os homens culpados, vem para aqui e mora na casa dos meus amigos, onde já não há pecado. Eu descerei, porque posso tomar aos ombros e reconduzir a ovelha perdida (Lc 15,5) e gritar aos que sofrem: "Vinde todos, pecadores, vinde a Mim e repousai" (Mt 11,28). Porque Eu não vim castigar os que criei, mas arrancar os homens à impiedade, Eu que sou o único amigo dos homens.»
   
Desta forma, quando foi elevado aos céus (2Rs 2,11), Elias apareceu como a figura do futuro. Ele foi arrebatado por um carro de fogo; por seu lado, Cristo foi elevado entre as nuvens e as potestades (At 1,9). O primeiro deixou cair do Céu o seu manto para Eliseu (2Rs 2,13); Cristo enviou aos seus apóstolos o Espírito Santo, o Defensor (Jo 15,26), que todos nós, os batizados, recebemos e por quem somos santificados, tal como ensina a todos o único amigo dos homens.      







quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

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Sexta-feira, dia 09 de Dezembro de 2016

Sexta-feira da 2a semana do Advento

S. João Diogo, indígena mexicano, vidente de Guadalupe, séc. XVI, Beato Bernardo Maria Silvestrelli, presbítero, +1911, Santa Leocádia, virgem, mártir, +304

Comentário do dia
São Máximo de Turim : Responder aos apelos de Deus, que nos chama a convertermo-nos do fundo do coração

Is. 48,17-19.

Eis o que diz o Senhor, o teu redentor, o Santo de Israel: «Eu sou o Senhor, teu Deus, que te ensino o que é para teu bem e te conduzo pelo caminho que deves seguir.
Se tivesses atendido às minhas ordens, a tua paz seria como um rio e a tua justiça como as ondas do mar.
A tua posteridade seria como a areia, como os seus grãos, os frutos do teu ventre. O teu nome não seria aniquilado, nem destruído diante de mim.»


Mateus 11,16-19.

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «A quem poderei comparar esta geração? É como os meninos sentados nas praças, que se interpelam uns aos outros, dizendo:
"Tocámos flauta e não dançastes; entoámos lamentações e não chorastes".
Veio João Baptista, que não comia nem bebia, e dizem que tinha o demónio com ele.
Veio o Filho do homem, que come e bebe, e dizem: 'É um glutão e um ébrio, amigo de publicanos e pecadores'. Mas a sabedoria foi justificada pelas suas obras».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

São Máximo de Turim (?-c. 420), bispo
Homilia CC 61a; PL 57, 233

Responder aos apelos de Deus, que nos chama a convertermo-nos do fundo do coração

Mesmo que eu nada vos dissesse, irmãos, o tempo em que nos encontramos basta para nos advertir de que está próximo o aniversário da natividade de Cristo Nosso Senhor. A própria criação exprime a iminência de um acontecimento que restaura todas as coisas: também ela deseja impacientemente que as trevas sejam iluminadas pela claridade de um sol mais brilhante que o sol comum. Esta espera da criação pela renovação do seu ciclo anual convida-nos a esperar o nascimento do novo sol, que é Cristo, que ilumina as trevas dos nossos pecados. O sol da justiça (Mal 3,20), que surgirá em todo o seu esplendor, há de dissipar a obscuridade dos nossos pecados, que durou já demasiado tempo. Ele não suporta que o curso da nossa vida seja sufocado pelas trevas da existência; quer dilatá-la pelo seu poder.

Assim, da mesma maneira que, nestes dias do solstício, a criação difunde mais amplamente a sua luz, manifestemos também nós a nossa justiça. Da mesma maneira que a claridade deste dia é um bem comum a pobres e ricos, que também a nossa generosidade se alargue aos viajantes e aos pobres. Nestes tempos em que o mundo limita a duração das trevas, suprimamos nós as sombras da nossa avareza. […] Que o gelo derreta em nossos corações; que a semente da justiça se desenvolva, aquecida pelos raios do Salvador.

Preparemo-nos, pois, irmãos, para acolher o dia do nascimento do Senhor, dispondo para nós vestes estonteantes de brancura; falo das que cobrem a alma, e não o corpo. A veste que nos cobre o corpo é uma túnica sem importância; mas o corpo, objeto precioso, cobre a alma. A primeira veste é tecida por mãos humanas; a segunda é obra das mãos de Deus. E é por isso que temos de velar com a maior solicitude, a fim de preservar de toda a mancha a obra de Deus. […] Com a natividade do Senhor, purifiquemos a nossa consciência de toda a mancha. Apresentemo-nos, não revestidos de seda, mas de obras de valor. […] Comecemos, pois, por ornamentar o nosso santuário interior.







quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

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Quinta-feira, dia 08 de Dezembro de 2016

Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria, padroeira principal de Portugal - solenidade
Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria

Comentário do dia
Santo Efrém : Maria Imaculada foi cumulada de graças particulares em atenção aos méritos de seu Filho

Gén. 3,9-15.20.

Depois de Adão ter comido da árvore, o Senhor Deus chamou-o e disse-lhe: «Onde estás?».
Ele respondeu: «Ouvi o rumor dos vossos passos no jardim e, como estava nu, tive medo e escondi-me».
Disse Deus: «Quem te deu a conhecer que estavas nu? Terias tu comido dessa árvore, da qual te proibira comer?».
Adão respondeu: «A mulher que me destes por companheira deu-me do fruto da árvore e eu comi».
O Senhor Deus perguntou à mulher: «Que fizeste?». E a mulher respondeu: «A serpente enganou-me e eu comi».
Disse então o Senhor Deus à serpente: «Por teres feito semelhante coisa, maldita sejas entre todos os animais domésticos e todos os animais selvagens. Hás de rastejar e comer do pó da terra todos os dias da tua vida.
Estabelecerei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência dela. Esta há de atingir-te na cabeça, e tu a atingirás no calcanhar».
O homem deu à mulher o nome de Eva, porque ela foi a mãe de todos os viventes.


Efésios 1,3-6.11-12.

Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto dos Céus nos abençoou com toda a espécie de bênçãos espirituais em Cristo.
N'Ele nos escolheu, antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, em caridade, na sua presença.
Ele nos predestinou, conforme a benevolência da sua vontade, a fim de sermos seus filhos adotivos, por Jesus Cristo,
para louvor da sua glória e da graça que derramou sobre nós, por seu amado Filho.
Em Cristo fomos constituídos herdeiros, por termos sido predestinados, segundo os desígnios d'Aquele que tudo realiza conforme a decisão da sua vontade,
para sermos um hino de louvor da sua glória, nós que desde o começo esperámos em Cristo.


Lucas 1,26-38.

Naquele tempo, o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré,
a uma Virgem desposada com um homem chamado José, que era descendente de David. O nome da Virgem era Maria.
Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo».
Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela.
Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus.
Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus.
Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David;
reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim».
Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?».
O Anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus.
E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril;
porque a Deus nada é impossível».
Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Santo Efrém (c. 306-373), diácono da Síria, doutor da Igreja
Hinos sobre Maria, n.º 7

Maria Imaculada foi cumulada de graças particulares em atenção aos méritos de seu Filho

Vós todos que sabeis discernir, vinde, admiremos
A Virgem que é mãe, a filha de David. […]
Vinde, admiremos a Virgem puríssima,
Maravilha em si mesma, única em toda a criação.

Ela deu à luz sem ter conhecido homem,
Sua alma pura inteiramente deslumbrada.
A todo o momento seu espírito se entregava ao louvor,
Porque se alegrava com esta dupla maravilha:
Mantendo a virgindade, ter o Filho de todos mais amado!

Jovem pomba (Cant 6,9), transportou a águia,
O Ancião dos dias (Dn 7,9), cantando os seus louvores:
«Meu Filho, Tu, de riqueza sem igual, quiseste crescer
Num ninho miserável. Harpa melodiosa,
Permaneces em silêncio como criança de berço.
Permite-me, pois, que cante para Ti. […]

Tua morada, meu Filho, é mais que todas as outras,
Todavia quiseste que fosse eu a tua morada.
O céu é pequeno para conter a tua glória,
Eu, porém, o mais humilde dos seres, Te trago em mim.
Permite a Ezequiel vir ver-Te ao meu colo,
Reconhecer em Ti Aquele que os querubins
Transportavam no carro (Ez 1) […]; hoje sou eu quem Te transporta […]
E com grande tremor os querubins exclamam:
"Bendita seja a glória de Deus no lugar onde repousas!" (Ez 3, 12).
Esse lugar é em mim, meu seio é tua morada;
Meus braços são o trono da tua grandeza. […]

Vem ver-me, Isaías, vê e alegremo-nos!
Eis que concebi, permanecendo embora virgem (Is 7,14).
Profeta do Espírito, de visões tão ricas,
Vê agora o Emanuel que de ti permaneceu escondido. […]
Vinde, pois, todos vós que sabeis discernir,
Vós que, pela vossa voz, dais testemunho do Espírito. […]
Erguei-vos, rejubilai, porque eis aqui a colheita!
Olhai: eu tenho nos braços a espiga da vida.»







terça-feira, 6 de dezembro de 2016

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Quarta-feira, dia 07 de Dezembro de 2016

Quarta-feira da 2a semana do Advento

Santo Ambrósio, bispo, Doutor da Igreja, +397

Comentário do dia
Santo Ambrósio : Ir ao encontro dos outros como o Senhor vem ao nosso encontro

Is. 40,25-31.

«A quem Me comparareis que seja semelhante a Mim? — diz o Deus Santo.
Erguei os olhos para o alto e olhai. Quem criou estas estrelas? Aquele que as conta e as faz marchar como um exército e as chama a todas pelos seus nomes. Tal é a sua força e tão grande é o seu poder, que nenhuma falta à chamada.
Jacob, porque dizes; Israel, porque afirmas: 'O meu destino está oculto ao Senhor e a minha causa passa despercebida ao meu Deus'? Não o sabes, não o ouvistes dizer?
O Senhor é um Deus eterno, criador da terra até aos seus confins. Ele não Se cansa nem Se fatiga e a sua inteligência é insondável.
Dá força ao que anda exausto e vigor ao que anda enfraquecido.
Os jovens cansam-se e fatigam-se e os adultos tropeçam e vacilam.
Mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças, formam asas como as águias. Correm sem se fatigarem, caminham sem se cansarem».


Mateus 11,28-30.

Naquele tempo, Jesus exclamou: «Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei.
Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas.
Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Santo Ambrósio (c. 340-397), bispo de Milão, doutor da Igreja
A Penitência, I, 1

Ir ao encontro dos outros como o Senhor vem ao nosso encontro

A moderação é sem dúvida a mais bela das virtudes. [...] É só a ela que a Igreja, adquirida pelo preço do sangue do Senhor, deve a sua expansão; ela é a imagem do benefício celeste da redenção universal. [...] Consequentemente, quem se aplica a corrigir os defeitos da fraqueza humana deve suportar e em certa medida sentir o peso desta fraqueza sobre os próprios ombros, e não a rejeitar. Porque lemos que o pastor do Evangelho levou a ovelha fatigada, e não a rejeitou (Lc 15,5) [...] A moderação, com efeito, deve temperar a justiça. Não sendo assim, como poderia alguém a quem mostras desaprovação – alguém que pensasse ser objeto de desprezo e não de compaixão para o seu médico –, como poderia ele vir ter contigo para ser tratado?

Foi por isso que o Senhor Jesus mostrou compaixão para connosco. O seu desejo era chamar-nos a Si, e não fazer-nos fugir, assustando-nos. A doçura marca a sua vinda; a sua vinda é marcada pela humildade. Aliás, Ele disse: «Vinde a Mim, vós que estais aflitos, e Eu vos reconfortarei». Assim pois, o Senhor Jesus reconforta, não exclui, não rejeita. E foi com razão que escolheu para discípulos homens que, sendo fiéis intérpretes da vontade do Senhor, reunissem o povo de Deus, em vez de o afastar.







segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

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Terça-feira, dia 06 de Dezembro de 2016

Terça-feira da 2a semana do Advento

S. Nicolau, bispo, +342

Comentário do dia
Basílio de Selêucia : «Alegra-se mais por causa dela do que pelas noventa e nove que não se tresmalharam»

Is. 40,1-11.

Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus.
Falai ao coração de Jerusalém e dizei-lhe em alta voz que terminaram os seus trabalhos e está perdoada a sua culpa, porque recebeu da mão do Senhor duplo castigo por todos os seus pecados.
Uma voz clama: «Preparai no deserto o caminho do Senhor, abri na estepe uma estrada para o nosso Deus.
Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas; endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas.
Então se manifestará a glória do Senhor e todo o homem verá a sua magnificência, porque a boca do Senhor falou».
Uma voz dizia: «Clama». E eu respondi: «Que hei de clamar?» — «Todo o ser humano é como a erva, toda a sua glória é como a flor do campo.
A erva seca e as flores murcham, quando o vento do Senhor sopra sobre elas.
A erva seca e as flores murcham, mas a palavra do nosso Deus permanece eternamente».
Sobe ao alto dum monte, arauto de Sião; grita com voz forte, arauto de Jerusalém; levanta sem temor a tua voz e diz às cidades de Judá: «Eis o vosso Deus.
O Senhor Deus vem com poder, o seu braço dominará. Com Ele vem o seu prémio, precede-O a sua recompensa.
Como um pastor apascentará o seu rebanho e reunirá os animais dispersos; tomará os cordeiros em seus braços, conduzirá as ovelhas ao seu descanso».


Mateus 18,12-14.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Que vos parece? Se um homem tiver cem ovelhas e uma delas se tresmalhar, não deixará as noventa e nove nos montes para ir procurar a que anda tresmalhada?
E se chegar a encontrá-la, em verdade vos digo que se alegra mais por causa dela do que pelas noventa e nove que não se tresmalharam.
Assim também, não é da vontade de meu Pai que está nos Céus que se perca um só destes pequeninos».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Basílio de Selêucia (?-c. 468), bispo
Homilia 26, sobre o Bom Pastor; PG 85, 299

«Alegra-se mais por causa dela do que pelas noventa e nove que não se tresmalharam»

Observemos a Cristo, o nosso Pastor; consideremos o seu amor pelos homens e o seu enlevo em conduzi-los a verdes prados (Sl 23,2). Tanto Se alegra com as ovelhas que O rodeiam como procura as que se tresmalharam. Os montes e os bosques não são para Ele sequer obstáculo; Ele percorre vales tenebrosos (Sl 23,4) até achar a ovelha perdida e, encontrando-a doente, em vez de a deixar, cuida dela e, tomando-a aos ombros, cura com a própria fadiga a ovelha fatigada. Esta fadiga enche-O de alegria porque encontrou a ovelha perdida, e apenas isso O alivia do seu esforço: «Qual é o homem dentre vós que, possuindo cem ovelhas e tendo perdido uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto e vai à procura da que se tinha perdido, até a encontrar?» (Lc 15,4).

A perda de uma só ovelha vem perturbar a alegria do rebanho reunido, mas a alegria do reencontro afugenta toda a tristeza: «Ao encontrá-la, põe-na alegremente aos ombros e, ao chegar a casa, convoca os amigos e vizinhos e diz-lhes: 'Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha perdida'» (Lc 15,5-6). Era por isso que Cristo, que é este Pastor, afirmava: «Eu sou o Bom Pastor» (Jo 10,11). «Procurarei a [ovelha] que se tinha perdido, reconduzirei a que se tinha tresmalhado; cuidarei da que está ferida e tratarei da que está doente» (Ez 34,16).







domingo, 4 de dezembro de 2016

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Segunda-feira, dia 05 de Dezembro de 2016

Segunda-feira da 2a semana do Advento

S. Geraldo, bispo, +1108, S. Martinho de Dume, bispo, +579, S. Frutuoso, bispo, +665

Comentário do dia
São Pedro Crisólogo : «Que estais a pensar nos vossos corações?»

Is. 35,1-10.

Alegrem-se o deserto e o descampado, rejubile e floresça a terra árida,
cubra-se de flores como o narciso, exulte com brados de alegria. Ser-lhe-á dada a glória do Líbano, o esplendor do Carmelo e do Sáron. Verão a glória do Senhor, o esplendor do nosso Deus.
Fortalecei as mãos fatigadas e robustecei os joelhos vacilantes.
Dizei aos corações perturbados: «Tende coragem, não temais: Aí está o vosso Deus, vem para fazer justiça e dar a recompensa. Ele próprio vem salvar-vos».
Então se abrirão os olhos dos cegos, e se desimpedirão os ouvidos dos surdos.
Então o coxo saltará como um veado e a língua do mudo cantará de alegria. As águas brotarão no deserto e as torrentes na aridez da planície;
a terra seca transformar-se-á em lago e a terra sequiosa em nascentes de água.No covil dos chacais crescerão canas e juncos.
Aí haverá uma estrada, que se chamará «caminho sagrado»; nenhum homem impuro passará por ele e nele os insensatos não se perderão.
Nesse caminho não haverá leões, nem andarão por ali animais ferozes
Voltarão os que o Senhor libertar, hão-de chegar a Sião com brados de alegria, com eterna felicidade a iluminar-lhes o rosto. Reinarão o prazer e o contentamento, e acabarão a dor e os gemidos.


Lucas 5,17-26.

Certo dia, enquanto Jesus ensinava, estavam entre a assistência fariseus e doutores da Lei, que tinham vindo de todas as povoações da Galileia, da Judeia e de Jerusalém; e Ele tinha o poder do Senhor para operar curas.
Apareceram então uns homens, trazendo num catre um paralítico; tentavam levá-lo para dentro e colocá-lo diante de Jesus.
Como não encontraram modo de o introduzir, por causa da multidão, subiram ao terraço e, através das telhas, desceram-no com o catre, deixando-o no meio da assistência, diante de Jesus.
Ao ver a fé daquela gente, Jesus disse: «Homem, os teus pecados estão perdoados».
Os escribas e fariseus começaram a pensar: «Quem é este que profere blasfémias? Não é só Deus que pode perdoar os pecados?»
Mas Jesus, que lia nos seus pensamentos, tomou a palavra e disse-lhes: «Que estais a pensar nos vossos corações?
Que é mais fácil dizer: 'Os teus pecados estão perdoados' ou 'Levanta-te e anda'?
Pois bem, para saberdes que o Filho do homem tem na terra o poder de perdoar os pecados, Eu te ordeno — disse Ele ao paralítico — levanta-te, toma a tua enxerga e vai para casa».
Logo ele se levantou à vista de todos, tomou a enxerga em que estivera deitado e foi para casa, dando glória a Deus.
Ficaram todos muito admirados e davam glória a Deus; e, cheios de temor, diziam: «Hoje vimos maravilhas».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

São Pedro Crisólogo (c. 406-450), bispo de Ravena, doutor da Igreja
Sermão 50; PL 52, 339

«Que estais a pensar nos vossos corações?»

Por causa da fé de outrem, a alma do paralítico ia ser curada antes do seu corpo. «Ao ver a fé daquela gente», diz o evangelho. Notai aqui, irmãos, que Deus não Se preocupa com o que querem os homens insensatos, nem espera encontrar fé entre os ignorantes [...], ou entre os que se portam mal. Pelo contrário, não recusa vir em socorro da fé de outrem. Esta fé é um presente da graça e está de acordo com a vontade de Deus. [...] Na sua divina bondade, este médico que é Cristo tenta atrair à salvação, mesmo contra a vontade, aqueles que foram atingidos pelas doenças da alma, esmagados até ao delírio pelo peso dos seus pecados e das suas faltas. Mas eles não querem deixar-se mover.

Ó meus irmãos, se nós quiséssemos, se quiséssemos todos ver até ao fundo a paralisia da nossa alma! Notaríamos que, privada de forças, ela jaz num leito de pecados. A ação de Cristo seria para nós uma fonte de luz. Compreenderíamos que Ele olha todos os dias para a nossa falta de fé, que nos é tão prejudicial, que Ele nos conduz para os remédios da salvação e pressiona veementemente a nossa vontade rebelde. «Meu filho», diz Ele, «os teus pecados estão perdoados.»







sábado, 3 de dezembro de 2016

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Domingo, dia 04 de Dezembro de 2016

2º Domingo do Advento
2º Domingo do Advento (semana II do saltério)

S. João Damasceno, presbítero e doutor da Igreja, +749, Santa Bárbara, mártir, séc. IV

Comentário do dia
São Gregório Magno : «Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas»

Is. 11,1-10.

Naquele dia, sairá um ramo do tronco de Jessé, e um rebento brotará das suas raízes.
Sobre ele repousará o espírito do Senhor: espírito de sabedoria e de inteligência, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de conhecimento e de temor de Deus.
Animado assim do temor de Deus, não julgará segundo as aparências, nem decidirá pelo que ouvir dizer.
Julgará os infelizes com justiça e com sentenças rectas os humildes do povo. Com o chicote da sua palavra atingirá o violento e com o sopro dos seus lábios exterminará o ímpio.
A justiça será a faixa dos seus rins, e a lealdade a cintura dos seus flancos.
O lobo viverá com o cordeiro, e a pantera dormirá com o cabrito; o bezerro e o leãozinho andarão juntos, e um menino os poderá conduzir.
A vitela e a ursa pastarão juntamente, suas crias dormirão lado a lado; e o leão comerá feno como o boi.
A criança de leite brincará junto ao ninho da cobra, e o menino meterá a mão na toca da víbora.
Não mais praticarão o mal nem a destruição em todo o meu santo monte: o conhecimento do Senhor encherá o país, como as águas enchem o leito do mar.
Nesse dia, a raiz de Jessé surgirá como bandeira dos povos; as nações virão procurá-la, e a sua morada será gloriosa.


Romanos 15,4-9.

Irmãos: Tudo o que foi escrito no passado foi escrito para nossa instrução, a fim de que, pela paciência e consolação que vêm das Escrituras, tenhamos esperança.
O Deus da paciência e da consolação vos conceda que alimenteis os mesmos sentimentos uns para com os outros, segundo Cristo Jesus,
para que, numa só alma e com uma só voz, glorifiqueis a Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Acolhei-vos, portanto, uns aos outros, como Cristo vos acolheu, para glória de Deus.
Pois Eu vos digo que Cristo Se fez servidor dos judeus, para mostrar a fidelidade de Deus e confirmar as promessas feitas aos nossos antepassados.
Por sua vez, os gentios dão glória a Deus pela sua misericórdia, como está escrito: «Por isso eu Vos bendirei entre as nações e cantarei a glória do vosso nome».


Mateus 3,1-12.

Naqueles dias, apareceu João Baptista a pregar no deserto da Judeia, dizendo:
«Arrependei-vos, porque está perto o reino dos Céus».
Foi dele que o profeta Isaías falou, ao dizer: «Uma voz clama no deserto: 'Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas'».
João tinha uma veste tecida com pelos de camelo e uma cintura de cabedal à volta dos rins. O seu alimento eram gafanhotos e mel silvestre.
Acorria a ele gente de Jerusalém, de toda a Judeia e de toda a região do Jordão;
e eram baptizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados.
Ao ver muitos fariseus e saduceus que vinham ao seu baptismo, disse-lhes: «Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira que está para vir?
Praticai acções que se conformem ao arrependimento que manifestais.
Não penseis que basta dizer: 'Abraão é o nosso pai', porque eu vos digo: Deus pode suscitar, destas pedras, filhos de Abraão.
O machado já está posto à raiz das árvores. Por isso, toda a árvore que não dá fruto será cortada e lançada ao fogo.
Eu baptizo-vos com água, para vos levar ao arrependimento. Mas Aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu, e não sou digno de levar as suas sandálias. Ele baptizar-vos-á no Espírito Santo e no fogo.
Tem a pá na sua mão: há-de limpar a eira e recolher o trigo no celeiro. Mas a palha, queimá-la-á num fogo que não se apaga».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

São Gregório Magno (c. 540-604), papa, doutor da Igreja
Homilias sobre o Evangelho, n.º 20

«Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas»

È evidente para todo o leitor que João não pregou apenas, mas também conferiu um batismo de penitência. Não pôde, no entanto, dar um batismo que remisse os pecados, pois a remissão dos pecados só nos é dada no batismo em Cristo. Por isso o evangelista diz que ele «pregava um batismo de arrependimento para a remissão dos pecados» (Lc 3,3); não podendo ele próprio dar um batismo que perdoasse os pecados, anunciava esse, ainda por vir. Tal como as suas palavras de pregação eram precursoras da Palavra do Pai feita carne, assim o seu batismo […] precedia o do Senhor, como sombra da verdade (Col 2,17).

Este mesmo João, interrogado sobre quem era, respondeu: «Eu sou a voz daquele que grita no deserto» (Jo 1,23; Is 40,3). O profeta Isaías chamara-lhe «voz», pois ele precedia a Palavra. Aquilo que gritava é-nos ensinado a seguir: «Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas». O que faz aquele que prega a fé verdadeira e as boas obras, senão preparar a estrada nos corações dos ouvintes para o Senhor que vem? Possa a graça toda-poderosa penetrar nestes corações, iluminá-los com a luz da verdade […].

Acrescenta S. Lucas: «Todos os vales sejam levantados, todas as montanhas e colinas sejam abaixadas». Que designam aqui estes vales, senão os humildes, e os montes e as colinas, senão os orgulhosos? Com a vinda do Redentor, segundo a sua própria palavra, «quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado» (Lc 14,11). Pela fé no mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo feito homem (1Tim 2,5), aqueles que nele creem receberam a plenitude da graça, enquanto os que se recusam a crer foram humilhados no seu orgulho. Todos os vales serão levantados porque os corações humildes, ao acolherem a palavra da santa doutrina, serão cumulados pela graça das virtudes, segundo o que está escrito: «Das fontes fez jorrar rios, que serpenteiam nos vales» (Sl 104,10).







sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

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Sabado, dia 03 de Dezembro de 2016

Sábado da 1a semana do Advento

S. Francisco Xavier, presbítero, +1552

Comentário do dia
São Bernardo : «Ao ver as multidões, encheu-Se de compaixão, porque andavam fatigadas e abatidas»

Is. 30,19-21.23-26.

Eis o que diz o Senhor Deus, o Santo de Israel: «Povo de Sião, que habitas em Jerusalém, tu não voltarás a chorar. À voz da tua súplica, o Senhor terá compaixão de ti; logo que ouvir os teus clamores, Ele te responderá.
O Senhor poderá dar-te a comer o pão da angústia e a beber a água da tribulação; mas Aquele que te ensina não Se esconderá mais e os teus olhos verão Aquele que te ensina.
Se te desvias para a direita ou para a esquerda, os teus ouvidos ouvirão dizer atrás de ti: 'É este o caminho; segui por ele'.
O Senhor te dará a chuva para a semente que tiveres lançado à terra e o pão que a terra produzir será farto e nutritivo. Nesse dia, os teus rebanhos pastarão em extensos prados;
os bois e os jumentos que lavram a terra comerão forragem com sal, limpa com a pá e a joeira.
Em todo o alto monte e em toda a colina elevada, haverá regatos e águas correntes, no dia da grande mortandade, quando as torres se desmoronarem.
Então a claridade da lua será como a luz do sol e a luz do sol ficará sete vezes mais forte; nesse dia, o Senhor tratará as chagas do seu povo e curará as feridas dos seus golpes».


Mateus 9,35-38.10,1.6-8.

Naquele tempo, Jesus percorria todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas, pregando o Evangelho do reino e curando todas as doenças e enfermidades.
Ao ver as multidões, encheu-Se de compaixão, porque andavam fatigadas e abatidas, como ovelhas sem pastor. Jesus disse então aos seus discípulos:
«A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos.
Pedi ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara».
Jesus chamou doze discípulos e deu-lhes poder de expulsar os espíritos malignos e de curar todas as enfermidades e doenças.
Ide primeiramente às ovelhas perdidas da casa de Israel.
Pelo caminho, proclamai que está perto o reino dos Céus».
Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, sarai os leprosos, expulsai os demónios. Recebestes de graça; dai de graça.



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense, doutor da Igreja
7.º Sermão para o Advento

«Ao ver as multidões, encheu-Se de compaixão, porque andavam fatigadas e abatidas»

Desde hoje, celebramos de todo o coração o advento do Senhor Jesus Cristo, e não fazemos mais que o nosso dever, porque Ele veio, não só a nós, mas por nós. O Senhor não tem qualquer necessidade dos nossos bens; a grandeza da graça que Ele nos fez mostra bem a dimensão que tinha a nossa indigência. Julga-se a gravidade de uma doença pelo que ela custa a curar. [...]

Tínhamos pois necessidade da vinda de um Salvador; o estado em que se encontravam os homens tornava a sua presença indispensável. Que o Salvador venha então rapidamente! Que Ele venha habitar no meio de nós pela fé, em toda a riqueza da sua graça. Que Ele venha arrancar-nos da nossa cegueira, que nos liberte das nossas enfermidades, que tome conta da nossa fraqueza! Se Ele está em nós, quem poderá extraviar-nos? Se Ele está no meio de nós, o que não poderemos fazer naquele que é a nossa força! (Fil 4,13) «Se Ele está a nosso favor, quem poderá estar contra nós?» (Rom 8,31) Jesus Cristo é um conselheiro absolutamente seguro, que não pode, nem enganar-Se, nem enganar-nos; Ele é uma poderosa ajuda, cuja força nunca se extingue. [...] Ele é a própria sabedoria de Deus, a própria força de Deus (1Cor 1,24). [...] Recorramos todos, pois, a tal Mestre: em todos os nossos empreendimentos, invoquemos esta ajuda; no coração dos nossos combates, confiemo-nos a Defensor tão seguro. Se Ele já veio ao mundo, é para habitar no meio de nós, connosco e por nós.







quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

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Sexta-feira, dia 02 de Dezembro de 2016

Sexta-feira da 1a semana do Advento

Santa Bibiana, virgem, mártir, +363, S. Cromacio de Aquileia, bispo, +409

Comentário do dia
Simeão: «Então Jesus tocou-lhes nos olhos»

Is. 29,17-24.

Assim fala o Senhor Deus: Daqui a muito pouco tempo, não há-de o Líbano transformar-se num jardim e o jardim parecer uma floresta?
Nesse dia, os surdos ouvirão ler as palavras do livro; libertos da escuridão e das trevas, os olhos dos cegos tornarão a ver.
Os humildes alegrar-se-ão cada vez mais no Senhor e os mais pobres dos homens rejubilarão no Santo de Israel.
O tirano deixará de existir, o escarnecedor desaparecerá e serão exterminados os que só pensam no mal:
aqueles que fazem condenar os outros pelas suas palavras, os que armam ciladas no tribunal a quem promove a justiça e sem razão arruínam o justo.
Por isso, o Senhor, que libertou Abraão, assim fala à casa de Jacob: 'Doravante Jacob não terá de que se envergonhar, o seu rosto não voltará a empalidecer,
porque, ao verem no meio dele os seus filhos, obras das minhas mãos, proclamarão santo o meu nome'. Proclamarão a santidade do Santo de Jacob e temerão o Deus de Israel.
Os espíritos desnorteados aprenderão a sabedoria e os murmuradores hão de aceitar a instrução».


Mateus 9,27-31.

Naquele tempo, Jesus pôs-Se a caminho e seguiram-n'O dois cegos, gritando: «Filho de David, tem piedade de nós».
Ao chegar a casa, os cegos aproximaram-se d'Ele. Jesus perguntou-lhes: «Acreditais que posso fazer o que pedis?» Eles responderam: «Acreditamos, Senhor».
Então Jesus tocou-lhes nos olhos e disse: «Seja feito segundo a vossa fé».
E abriram-se os seus olhos. Jesus advertiu-os, dizendo: «Tende cuidado, para que ninguém o saiba».
Mas eles, quando saíram, divulgaram a fama de Jesus por toda aquela terra.



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Simeão, o Novo Teólogo (c. 949-1022), monge grego
Hino 27, 116-124.128-132.138-149

«Então Jesus tocou-lhes nos olhos»

Procuremos o único que nos pode dar a liberdade; persigamo-lo sem cessar com o nosso desejo, a ele, cuja beleza fere os corações, que os atrai pelo amor e os une a si para sempre. Sim, pelas nossas acções corramos todos para ele. Não nos deixemos ultrapassar por ninguém, nem enganar-nos ou distrair-nos na nossa procura pelo que quer que seja.

Sobretudo..., não digamos que Deus nunca manifesta a sua presença aos homens. Não digamos que é impossível aos homens verem um dia a luz de Deus - e até de a verem hoje. Nunca, graças a Deus, isso foi impossível, desde que o desejemos. Compreendamos a beleza do nosso Mestre! Não lhe fechemos os olhos do nosso coração deixando-nos absorver pelas realidades deste mundo. Sim, que o cuidado com as coisas da terra não nos torne escravos da glória humana, a ponto de nos fazer abandonar aquele que é a luz da vida eterna.

Vamos, pois, todos juntos até ele, com um mesmo coração, com um mesmo espírito, com toda a nossa alma. Humildemente, lancemos o nosso grito até ele, nosso bom Mestre, nosso Senhor misericordioso, até ele que é o "único amigo dos homens" (Sb 1,6). Procuremo-lo porque ele vai revelar-se a nós, vai aparecer, vai manifestar-se, ele que é a nossa esperança.







quarta-feira, 30 de novembro de 2016

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Quinta-feira, dia 01 de Dezembro de 2016

Quinta-feira da 1a semana do Advento

Beato Carlos de Foucauld, presbítero, +1916, Santo Elói, bispo, +660

Comentário do dia
Santo Agostinho : Construir sobre a rocha

Is. 26,1-6.

Naquele dia, cantarão este hino na terra de Judá: «Nós temos uma cidade forte; muralhas e fortificações foram postas para nos proteger.
Abri as portas para que entre um povo justo, um povo que pratica a fidelidade.
O seu coração está firme: dar-lhe-eis a paz, porque em Vós tem confiança».
Confiai sempre no Senhor, porque o Senhor é a nossa fortaleza eterna.
Humilhou os habitantes das alturas, abateu a cidade inacessível, derrubou-a por terra, arrasou-a até ao solo.
Ela é calcada aos pés, os pés dos infelizes, os passos dos pobres.


Mateus 7,21.24-27.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Nem todo aquele que Me diz 'Senhor, Senhor' entrará no reino dos Céus, mas só aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos Céus.
Todo aquele que ouve as minhas palavras e as põe em prática é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha.
Caiu a chuva, vieram as torrentes e sopraram os ventos contra aquela casa; mas ela não caiu, porque estava fundada sobre a rocha.
Mas todo aquele que ouve as minhas palavras e não as põe em prática é como o homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia.
Caiu a chuva, vieram as torrentes e sopraram os ventos contra aquela casa; ela desmoronou-se e foi grande a sua ruína».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
Sermões sobre o Evangelho de S. João, n.º 7

Construir sobre a rocha

Será de surpreender que o Senhor tenha mudado o nome de Simão, substituindo-o por Pedro? (Jo 1,24) «Pedro» significa rocha; o nome de Pedro é, pois, o símbolo da Igreja. Quem está em segurança, senão aquele que constrói sobre a rocha? O que diz o próprio Senhor? «Todo aquele que ouve as minhas palavras e as põe em prática é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as torrentes e sopraram os ventos contra aquela casa; mas ela não caiu, porque estava fundada sobre a rocha.»

De que serve entrar na Igreja àquele que quer construir na areia? Esse escuta a palavra de Deus, mas não a põe em prática; Ele constrói, mas na areia. Se não escutasse, não construiria; Ele escuta, por isso constrói. Mas sobre que fundações? Se ouve a palavra de Deus e a põe em prática, é sobre a rocha; mas, se a ouve e não a põe em prática, é na areia. Pode-se, pois, construir de dois modos muito diferentes. [...] Se te contentas em ouvir sem pôr em prática, estás a construir uma ruína. [...] Se, pelo contrário, não ouves, ficarás sem abrigo, e serás levado pela torrente das tribulações. [...]

Tende pois a certeza, meus irmãos, de que aquele que ouve a palavra sem agir em conformidade com ela não constrói sobre a rocha, não tendo por isso qualquer relação com o grande nome de Pedro, ao qual o Senhor deu tanta importância.







terça-feira, 29 de novembro de 2016

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Quarta-feira, dia 30 de Novembro de 2016

S. André, Apóstolo – Festa

Santo André, apóstolo

Comentário do dia
Liturgia bizantina: «Vinde Comigo e Eu farei de vós pescadores de homens»

Romanos 10,9-18.

Irmãos: Se confessares com a tua boca: «Jesus é o Senhor», e acreditares no teu coração que Deus o ressuscitou de entre os mortos, serás salvo.
Pois com o coração se acredita para obter a justiça e com a boca se professa a fé para alcançar a salvação.
Na verdade, a Escritura diz: «Todo aquele que acreditar no Senhor não será confundido».
Não há diferença entre judeu e grego: todos têm o mesmo Senhor, rico para com todos os que O invocam.
Portanto, todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.
Ora, como hão-de invocar aquele em quem não acreditaram? E como hão-de acreditar naquele de quem não ouviram falar? E como hão-de ouvir falar, sem alguém que o anuncie?
E como hão-de anunciar, se não forem enviados? Por isso está escrito: Que bem-vindos são os pés dos que anunciam as boas-novas!
Porém, nem todos obedeceram à Boa-Nova. É Isaías quem o diz: Senhor, quem acreditou na nossa pregação?
Portanto, a fé surge da pregação, e a pregação surge pela palavra de Cristo.
Mas, pergunto eu, será que não a ouviram? Pelo contrário: A voz deles ressoou por toda a terra e até aos confins do mundo as suas palavras.


Mateus 4,18-22.

Caminhando ao longo do mar da Galileia, Jesus viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores.
Disse-lhes: «Vinde comigo e Eu farei de vós pescadores de homens.»
E eles deixaram as redes imediatamente e seguiram-no.
Um pouco mais adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, os quais, com seu pai, Zebedeu, consertavam as redes, dentro do barco. Chamou-os, e
eles, deixando no mesmo instante o barco e o pai, seguiram-no.



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Liturgia bizantina
Vésperas de 30 de Novembro, Festa de Santo André, o Protóclito

«Vinde Comigo e Eu farei de vós pescadores de homens»

Quando ouviste a voz do Precursor [...], quando o Verbo Se fez carne e trouxe à terra a Boa Nova da salvação, vieste a seguir colocar-te na sua companhia e ofereceste-te como primícias, como primeira oferenda, Àquele que de imediato deste a conhecer e que apontaste a teu irmão como o nosso Deus (Jo 1,35-42). Roga-Lhe que salve e ilumine as nossas almas [...], André, irmão do corifeu dos apóstolos.

Com a linha da pregação e o anzol da fé, trocaste a pesca do peixe pela pesca dos homens e afastaste do abismo do erro todos os povos; a tua voz ressoa por toda a Terra. Vem instruir e iluminar todos aqueles que celebram a tua benigna memória, André, o primeiro a ser chamado [Protóclito] entre os discípulos.

Senhor, imitou a tua Paixão aquele que Te seguiu igualmente na morte e, pela cruz, pescou do abismo da ignorância os que por lá vagueavam, a fim de os levar até Ti. Por isso Te suplicamos, Senhor de bondade: por intercessão de André dá a paz às nossas almas.

Alegra-te, André, tu que anuncias por todo o mundo a glória de Deus com a eloquência do Céu (Sl 18,2); tu, que foste o primeiro a responder ao chamamento de Cristo e te tornaste seu amigo íntimo; tu, que imitando a sua bondade, refletes a sua luz por sobre aqueles que habitam nas trevas. Por isso celebramos a tua festa e cantamos: «O seu eco ressoou por toda a terra, e a sua palavra até aos confins do mundo» (Sl 18,5).







segunda-feira, 28 de novembro de 2016

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Terça-feira, dia 29 de Novembro de 2016

Terça-feira da 1a semana do Advento

Beato Redento da Cruz, religioso, mártir, +1638, Beato Dionísio da Natividade, religioso, mártir, +1638, S. Saturnino, mártir, séc. IV

Comentário do dia
Beato John Henry Newman : «Felizes os olhos que veem o que estais a ver.»

Is. 11,1-10.

Naquele dia, sairá um ramo do tronco de Jessé, e um rebento brotará das suas raízes.
Sobre ele repousará o espírito do Senhor: espírito de sabedoria e de inteligência, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de conhecimento e de temor de Deus.
Animado assim do temor de Deus, não julgará segundo as aparências, nem decidirá pelo que ouvir dizer.
Julgará os infelizes com justiça e com sentenças rectas os humildes do povo. Com o chicote da sua palavra atingirá o violento e com o sopro dos seus lábios exterminará o ímpio.
A justiça será a faixa dos seus rins, e a lealdade a cintura dos seus flancos.
O lobo viverá com o cordeiro, e a pantera dormirá com o cabrito; o bezerro e o leãozinho andarão juntos, e um menino os poderá conduzir.
A vitela e a ursa pastarão juntamente, suas crias dormirão lado a lado; e o leão comerá feno como o boi.
A criança de leite brincará junto ao ninho da cobra, e o menino meterá a mão na toca da víbora.
Não mais praticarão o mal nem a destruição em todo o meu santo monte: o conhecimento do Senhor encherá o país, como as águas enchem o leito do mar.
Nesse dia, a raiz de Jessé surgirá como bandeira dos povos; as nações virão procurá-la, e a sua morada será gloriosa.


Lucas 10,21-24.

Naquele tempo, Jesus exultou de alegria pela ação do Espírito Santo e disse: «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e aos inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque isto foi do teu agrado.
Tudo Me foi entregue por meu Pai; e ninguém sabe o que é o Filho senão o Pai, nem o que é o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar».
Voltando-Se depois para os discípulos, disse-lhes: «Felizes os olhos que veem o que estais a ver,
porque Eu vos digo que muitos profetas e reis quiseram ver o que vós vedes e não viram e ouvir o que vós ouvis e não ouviram».



Tradução litúrgica da Bíblia



Comentário do dia:

Beato John Henry Newman (1801-1890), teólogo, fundador do Oratório em Inglaterra
«À espera de Cristo», Sermões pregados em várias ocasiões, n.º 3

«Felizes os olhos que veem o que estais a ver.»

Durante séculos, antes de Jesus vir à Terra, todos os profetas, um após outro, estiveram no seu posto, no alto da torre; todos O esperavam perscrutando a obscuridade da noite, ansiosos pela sua chegada; vigiavam sem cessar, para surpreenderem o primeiro brilho da aurora. [...]: «A Ti, meu Deus, eu busco desde a aurora. A minha alma tem sede de Ti, como terra árida, esgotada, sem água» (Sl 62,2). [...] «Ah! se rasgasses os céus e descesses! As montanhas fundir-se-iam na tua presença» (Is 63,19), como se o fogo as atingisse. [...] Desde as origens do mundo que os olhos nada puderam ver, meu Deus, das maravilhas que preparaste para aqueles que, esperando, permaneceram unidos a Ti (1Cor 2,9).
 
Contudo, se houve jamais quem teve o direito de se apegar a este mundo e dele não se desinteressar, foram os servos de Deus; tinha-lhes sido prometida a Terra como herança e, de acordo com as próprias promessas do Altíssimo, ela seria a sua recompensa. Mas a nossa verdadeira recompensa diz respeito ao mundo que há-de vir. [...] E também eles, esses grandes servos de Deus, ultrapassaram o dom terreno de Deus, apesar do seu valor, para se apegarem a promessas mais belas ainda; e, em nome dessa esperança, sacrificaram aquilo cuja posse já detinham. Não se contentando com nada menos do que a plenitude do seu Criador, procuraram ver o rosto do seu Libertador. E, se para tal fosse preciso quebrar a Terra, rasgar os céus, e que os elementos do mundo se fundissem para que Ele finalmente aparecesse, então, mais valia que tudo se desmoronasse a continuarem a viver sem Ele! Tal era a intensidade do desejo dos adoradores de Deus em Israel que esperavam Aquele que havia de vir. [...] A sua perseverança prova que havia alguma coisa a esperar. 

Os apóstolos, depois de o seu Mestre ter vindo e regressado aos Céus, não ficaram atrás dos profetas na acuidade da sua perceção nem no ardor das suas aspirações. O milagre da espera na perseverança continuou.







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